Ozzy (Miguel Fernandes) viu a sua banda desenhada de estreia ser editada pela Iguana em Setembro. Amável - O pugilista gentil conta-nos a história de um empregado de escritório cansado da rotina e de humilhações. O seu escape é o boxe, que pratica com afinco e onde se sente livre e descarrega a sua raiva.
Um dia o passado bate-lhe à porta com uma herança paterna que não esperava e que o vai levar para situações inusitadas. Sem querer adiantar muito a história, a partir daqui é tudo um pouco inverosímil e bizarro.
Mas o que interessa retirar desta obra é que se trata de um duplo combate. Entre o processo de luto e da luta física, Amável vai travar vários combates no ringue e um combate interior de perdoar o seu pai e saber lidar com as emoções.
A par de tudo isto, temos aqui uma afirmação da masculinidade, aqui com o boxe a assumir a simbologia da dureza, do esforço, da resiliência e da coragem. E isto por vezes bate de frente com as características do Amável, com a sua gentileza, com a sua sensibilidade. Tudo isto pode ser compatível, mas Amável ainda vai ter de travar vários combates para entender isso.
Toda a narrativa tem um tom humorístico a par de momentos mais pesados que convidam à reflexão.
Os desenhos de Ozzy, feitos à mão, são plenos de impacto e movimento, conseguindo imprimir um rápido ritmo de leitura, alternando os combates e as vivências actuais com flashbacks e descobertas de segredos do passado.
Um senão que não podemos deixar de referir é o facto de existirem duas páginas repetidas, uma ao lado da outra. Porém, isso não retira nada do que dissemos atrás.





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