Un été loin des Hommes
Um das BDs melhorzinhas que tive oportunidade de ler este ano. Ainda há poucos dias pude dizer o mesmo sobre outra leitura, Les Soeurs des Vagues. Que satisfação, duas excelentes leituras quase seguidas. Mas atenção: estilos (narrativos, de desenho, etc.) totalmente distintos.
Comecemos pelo desenho de Thomas Campi (nunca me tinha chamado a atenção, confesso, nem me tinha apercebido de ser o autor de Guerra e Paz dos Clássicos da Literatura em BD), pois foi por aí que eu cheguei a esta BD: vi-a anunciada, no meio de outras e chamou-me a atenção. Como a capa não era suficiente, esperei para poder folhear e após meia dúzia de páginas passadas em velocidade, enfiei-a debaixo do braço. Ou seja, resumindo, o desenho é fantástico, sensível, expressivo quente, as cores são vibrantes, mas particularmente, depois de se ler fica-se com aquela sensação de que este é o desenho perfeito, e não qualquer outro, para esta história.
Quanto à história, da autoria de Fabienne Blanchut e de Catherine Locandro (por mim mencionadas, autoras de “Les Cheveux d’Edith”, entretanto editado em Portugal), ela não poderia ser mais real, passada na Córsega (essencialmente), mas descrevendo umas férias de verão com que muitos de nós nos conseguimos relacionar, que muitos de nós vivemos, vimos, sentimos, pelo menos parcelarmente.
Uma adolescente de 12 anos, de seu nome Frédérique, vai, com os seus pais, passar as suas férias de verão numa pequena localidade na Córsega, em casa dos seus tios e primas, uma tradição familiar. Uma vila que vive do Verão, uma praia onde muitos se conhecem, os encontros nos restaurantes ou nos passeios noturnos. Estamos em 1985, a viagem é de carro, com enjoos, um walkman de auscultadores de “espuma amarela”, e música dessa década.
Frédérique é uma jovem reservada, filha única, inteligente e sensível, que nestas férias descobre a atração, descobre que os seus pais se poderão estar a separar, e descobre que já não tem os mesmos gostos do ano anterior. Porquê o título: “Um Verão Longe dos Homens”? Por várias razões que caberá ao/à leitor/a descobrir, sendo que uma delas é porque o pai de Frédérique a vai deixar com a sua mãe e volta para trabalhar, enquanto o seu tio surge raramente, afinal estamos no Verão e este é o período alto de vendas.
Adolescência e nostalgia, um verão quente e as descobertas sentimentais, os segredos de família e as dinâmicas de verão num espaço onde o cardápio de atividades é limitado. Muito agradável, tudo inteligentemente tratado. Ah, um pormaior: A BD começa com o retorno de Frédérique, já nos seus quarentas, à casa dos seus pais, na sequência da morte da sua mãe. E é na sequência das conversas com o seu pai que as memórias e uma fotografia em particular nos vão mergulhar nesse verão de 1985.
Editado pela Dargaud, aqui está, para mim, uma das que será leitura obrigatória do ano!




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