Lemos recentemente este livro de Maxence Kerloc'h, "Derrière le champ", editado pela Casterman. a obra convida-nos a reflectir sobre uma fase particularmente delicada da vida: a passagem da infância para a adolescência. Através de Martin e Capucine, duas crianças que procuram escapar à solidão e ao aborrecimento, o autor mostra como é difícil encontrar o nosso lugar no mundo e compreender quem somos.
A narrativa, intimista começa por centrar-se em Martin, um rapaz de 13 anos, que se mudou com o pai para o campo. Esta sua mudança não é fácil e fazer novos amigos na aldeia, também não. Mas ao conhecer Capucine, nasce uma grande amizade e uma grande aventura.
Na minha perspetiva, um dos aspetos mais interessantes da obra é a forma como aborda a necessidade de liberdade por parte do rapaz. A vontade de partir à aventura não representa apenas o desejo de fugir às regras dos adultos, mas também a procura de algo diferente, capaz de dar sentido à vida, porque se sente demasiado perdido com tantas mudanças.
É curioso e não podemos deixar de referir que o cenário da narrativa decorre no campo da infância do próprio autor, um lugar onde o tédio era constante. O desenho a preto e branco e a atmosfera silenciosa contribuem para transmitir uma sensação de vazio, solidão e inquietação. No entanto, tendo os desenhos um estilo demasiado naïf e com traço leve, a história perde um pouco de força, nomeadamente a parte mais intensa e cheia de acção. O que é uma pena pois a história leva-nos a olhar para o início da adolescência, época da nossa vida onde nasce uma maior vontade de transgredir, onde existem muitas contradições, dúvidas e, por vezes, muita solidão.





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