Este deve ser um dos álbuns mais tristes pós Edgar P. Jacobs (1904/1987), pois o desenhador André Juillard (1948/2024) faleceu a 31 de Julho de 2024, com 76 anos, antes da publicação, em Novembro, desta nova aventura da dupla mais britânica da banda desenhada. Este autor que conhecemos pessoalmente, era um senhor pela sua simpatia e pelas suas interessantes conversas e que vai para além desta emblemática série de Blake e Mortimer, contando com outros excelentes álbuns de banda desenhadas desenhados e criados por si.
Este Assinado “Olrik” é o 30.º álbum da série de banda desenhada “Blake e Mortimer”, criada por Edgar P. Jacobs. Este álbum tem para além do desenho de Juillard, o argumento de Yves Sente, dupla que já tinha trabalhado em conjunto no álbum 14 da série, intitulado A Conspiração Voronov.
Em relação à história, centra-se na inesperada e impensável colaboração entre os protagonistas, o Capitão Francis Blake e o Professor Philip Mortimer, e o seu arqui-inimigo, o Coronel Olrik. Juntos, enfrentam o The Free Cornwall Group, uma organização independentista que procura o lendário tesouro do Rei Artur e a mítica espada Excalibur. Paralelamente, o Professor Mortimer testa uma nova invenção, a escavadora portátil “A Toupeira”, na Cornualha, região onde se desenrola grande parte da ação e que passa a ser fundamental no desenrolar da história.
Assinado “Olrik” oferece-nos uma trama repleta de intriga e aventura, mantendo a linha e a essência que caracteriza a série “Blake e Mortimer”. A colaboração entre os heróis e o seu antigo inimigo adiciona uma dinâmica interessante à história, explorando temas como a lealdade e redenção.
Todos os fios da trama serão assim enredados no coração deste condado de conto de fadas localizado no extremo sudoeste da Grã-Bretanha. Mais precisamente no castelo de Tintagel, que há muito tempo permanece associado às lendas arturianas.
Nesta aventura encontramos o fascínio de Jacobs pelas lendas históricas e arqueológicas que ele já nos havia mostrado no álbum O Mistério da Grande Pirâmide ou A Armadilha Diabólica. O Castelo de Troussalet, de S.O.S. Meteoros, agora dá lugar ao mítico castelo de Tintagel, com as suas costas selvagens, entre história e lenda. Diz-se que foi aqui, no século XII, que o rei Artur foi concebido, já que Uther Pendragon teria seduzido a rainha Igraine, depois de assumir a aparência do seu marido, o duque da Cornualha, graças à magia de Merlin. Sem esquecer que a espada Excalibur estaria lá, preciosamente preservada no túmulo de Artur, em Avalon...
Este álbum tem ainda um particular significado por ser o último trabalho de André Juillard, que faleceu antes da sua publicação. Apesar da dedicação em conseguir concluir a obra, alguns críticos apontam para o facto das ilustrações apresentarem algumas falhas, provavelmente devido à sua frágil condição de saúde na época. Em nossa opinião, achamos que isso é um pormenor que não tira brilho ao desenho e por isso não temos a mesma opinião, pois por vezes a complexidade do desenho de Juillard permite que exista um ou outro pormenor que podia ser melhorado. Apesar da doença, o traço de "linha clara" de Juillard faz maravilhas, sempre tão elegante, imaginativo e preciso.
A edição portuguesa foi publicada pela ASA e tem disponíveis duas versões, uma em formato tradicional de 64 páginas e outra versão apresentada em formato horizontal (italiano) com cerca de 192 páginas.