segunda-feira, 23 de março de 2026
Uma autora de BD por dia... nem sabe o bem que lhe fazia - Keum Suk Gendry-Kim
Partiu ontem um dos grandes nomes da banda desenhada franco-belga: Hermann (1938-2026)
Bernard Prince (Vitamina BD), Jeremiah, Comanche (editado pela Ala dos Livros a p/b), As Torres de Bois-Maury, Duke (Arte de Autor), Brigantus , entre outros, são nomes que vão ficar para sempre associados a um nome: Hermann. Dotado de uma invulgar capacidade e ritmo de trabalho, o autor belga produziu bandas desenhadas até aos 87 anos, idade com que partiu, ontem, vítima de cancro, que combatia há já dois anos.
Uma das figuras maiores da banda desenhada franco-belga, Hermann deixou uma vastíssima obra, personagens e séries de culto e em 2016 recebeu o Grande Prémio do Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême.
Sabemos que ainda conseguiu concluir um novo trabalho, o qual vai ser publicado em Abril, com o título Cartagena (última imagem: prancha de Cartagena).
Por cá, saiu recentemente, pela Arte de Autor, um álbum duplo (Old Pa Anderson + Redenção), realizado em colaboração com o seu filho Yves H., com quem trabalhou em muitos dos seus trabalhos nos últimos anos, como é o caso da série Duke.
A nossa leitura de Um livro esquecido num banco, de Jim e Mig - edição ASA
domingo, 22 de março de 2026
Uma autora de BD por dia... nem sabe o bem que lhe fazia - Raquel sem Interesse
Já tivemos oportunidade de dizer à Raquel, que ela devia mudar o nome artístico para "Raquel com muito interesse", porque os livros que editou têm qualidade e a obra dela tem muito potencial. Primeiro "Vida Adulta" e, em 2023, "E agora?". Se, como nós, são fãs da Raquel sem Interesse, certamente que esperam por mais. Se não conhecem ainda a obra desta autora, recomendamos.
BDs da estante - 678: Hulk - O regresso do monstro, de B. Jones, L. Weeks e T. Palmer - Edição Devir
Bruce Banner continua a sua fuga, mas os acontecimentos precipitam-se subitamente quando se vê envolvido numa tomada de reféns, e onde ele próprio é um dos sequestrados! Como lidará o Hulk com esta situação explosiva?
sábado, 21 de março de 2026
Novidade Distrito Manga: O nono volume de Tokyo Revengers chega a 30 de Março
Uma autora de BD por dia... nem sabe o bem que lhe fazia - Chloé Cruchaudet
A autora francesa Chloé Cruchaudet esteve em Portugal na edição de 2023 do Festival Amadora BD (onde captámos a sua fotografia) e tem já editadas duas obras suas no nosso país, pela Iguana. Mau Género e, mais recentemente, Céleste e Proust. Somos fãs do seu desenho e estes são dois livros extraordinários que recomendamos.
A nossa leitura do quinto volume da série "O meu casamento feliz", de Agitogi, Kohsaka e Tsukioka - edição Presença Comics
sexta-feira, 20 de março de 2026
A opinião de Miguel Cruz sobre "Laowai - Integral", de Alcante, Bollée e Besse
LaoWai – Integral
Publicada entre 2017 e 2019, a série LaoWai fez um bom sucesso comercial, e foi determinante para a carreira do desenhador Xavier Besse. Em 2025 foi publicada uma versão integral que contém os 3 volumes da série com desenho de Besse e argumento do duo Alcante – Bollée (editado em Portugal pela Gradiva com a excelente e longa BD “A Bomba”).
LaoWai é uma BD de aventura, que decorre essencialmente na China do século XIX, na sequência de uma campanha “punitiva” contra a China (contra o Imperador Chinês) ordenada por Napoleão III e com o apoio (competição?) da Inglaterra. Nesta campanha acompanhamos uma mão cheia de personagens, desde a mulher, chinesa, de um diplomata designado para conduzir eventuais negociações, ao general Francês que procura acima de tudo proteger a sua imagem e carreira, passando pelo duo de soldados François Montagne, um idealista que se apaixona pela mulher do diplomata, e que se vai ver envolvido nas missões mais perigosas possíveis, e o seu amigo Jacques Jardin, cuja motivação para participar nesta expedição iremos descobrindo ao longo da BD. Pelo meio um conjunto de outros soldados que se vão dedicar ao tráfico de ópio.
Uma história solidamente baseada em factos reais, que aborda temas interessantes – a gestão da imagem, a informação e a desinformação, o impacto do comércio do ópio no financiamento do esforço de guerra, os delírios de grandeza de personagens narcisistas e afastados da realidade, a espionagem e a diplomacia, entre outros. A narrativa é bem construída, bem ritmada, com diálogos inteligentes, adaptados à época, a cultura chinesa é interessantemente aflorada.
O desenho é mesmo muito bom, desde as personagens aos ambientes, nota-se muita pesquisa e detalhe na caracterização de época – armas, vestuário, edifícios, gestos –, as cores são excelentes e concedem ainda mais realismo à aventura, a ação é bem retratada, a composição de página é preparada com mestria, o exotismo é introduzido com qualidade, peso, conta e medida.
Ao longo das páginas, rapidamente somos cativados pela personagem de François Montagne, compreendemos o seu humanismo, a sua revolta, o seu sofrimento, acabamos a “torcer” intensamente por ele. E isso, porque nem sempre acontece, é sempre digno de nota.
Uma bela edição, com cerca de 170 páginas, da Glénat. Uma “não bela”, mas entusiasmante aventura. Fica a recomendação.
Uma autora de BD por dia... nem sabe o bem que lhe fazia - Rita Alfaiate
Novidade Gradiva: Calvin & Hobbes regressam a partir de 24 de Março com Há Monstros Debaixo da Cama?
É sempre com alegria e nostalgia que aqui falamos das reedições da série desta dupla terrível que são Calvin & Hobbes, de Bill Watterson.
Pois é já a 24 de Março que a Gradiva coloca nas livrarias este "Há Monstros Debaixo da Cama? e que promete diversão sem limites!
As tiras Calvin & Hobbes foram publicadas pela primeira vez em Novembro de 1985 e hoje em dia estão traduzidas em mais de 40 línguas tendo vendido cerca de 30 milhões de exemplares em todo o mundo. Esta série de tiras criada, escrita e ilustrada pelo autor norte-americano Bill Watterson retrata as aventuras e a amizade de um menino cheio de personalidade e do seu tigre de peluche.
Uma reedição a não perder a partir de 24 de Março!
quinta-feira, 19 de março de 2026
A nossa leitura de Mallko e o Papá, de Gusti - edição Orfeu Negro
E porque hoje é Dia do Pai, trazemos esta leitura.
«Às vezes, os filhos são como os desenhos: não saem como imaginámos. Podemos rasgar um desenho e refazê-lo. Podemos apagá-lo. Ou podemos até retocá-lo, pô-lo a nosso gosto. Mas com o filho, o filho verdadeiro, isso é impossível. Foi o que me aconteceu com o Mallko: ele não era como eu o tinha imaginado.» — Gusti
Ao ler estas palavras de Gusti, não pudemos deixar de nos recordar da obra de Fabien Toulmé, "Não eras tu quem eu esperava" (ASA). Ambas as obras são escritas e desenhadas por pais de filhos com Síndrome de Down (Trissomia 21) e ambas transbordam amor e ternura.
No caso desta obra de Gusti, editada pela Orfeu Negro, estamos perante uma obra muito original, tendo em conta que não é propriamente uma banda desenhada clássica, mas um livro que conta com ilustrações, colagens e até com fotografias e tem a participação do próprio filho. Portanto é um diário gráfico íntimo, realizado a quatro mãos. A obra é um pouco fora da caixa e foi vencedora do Prémio Bologna Ragazzi.
Ao longo do livro ficamos a conhecer o autor, o filho Mallko, o mano mais velho Théo e a mãe Anne. Também marcam presença a restante família e amigos que rodeiam o quarteto e que constituem um grande apoio.
Com simplicidade e sinceridade, sem tabus, dão-nos a conhecer as conquistas e alegrias, mas também os desafios e por vezes as coisas que correm menos bem.
Um livro que nos mostra um pouco mais sobre o amor incondicional e que ajuda, uma vez mais, a desmistificar as diferenças.
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