sexta-feira, 10 de julho de 2026

A opinião de Miguel sobre "Le Horla", de Paul e Gaëtan Brizzi e "Juste après la vague", de Monféry


Le Horla 

A editora Futuropolis usa mais esta obra dos irmãos Brizzi (Paul e Gaëtan) para lançar uma nova coleção: La Bibliothèque Fantastique, um projeto editorial que visa adaptar, num ritmo anual, grandes textos do fantástico europeu. Os irmãos Brizzi lançaram-se então a um texto de Maupassant, que eu, ó ignorante miserável, nem conhecia, mas que, depois de o ler em BD (os meus pais, coitados, muito teriam a dizer sobre isto), direi que é difícil de ultrapassar em fantástico e sobrenatural. 

Uma excelente, densa, mas bastante legível BD, sobre a qual não consigo elogiar as qualidades de adaptação, mas que retrata bem o invisível (como aliás é destacado na abordagem comercial da editora), que retrata bem o medo.

A narrativa é baseada num diário, logo, numa narração de acontecimentos por parte de alguém que se vai afastando cada vez mais da realidade e da estabilidade psicológica. As sensações, o “invisível” as “inquietudes” são o centro da narração nesta BD: o que é realidade e o que é resultado da deriva psicológica do narrador?

Como já é hábito no trabalho de Paul e Gaetan, a BD é a preto e mais preto e ainda mais preto, cinzento e branco, com muitos jogos de luz e trabalhos de sombras. A atmosfera criada pelo desenho é permanentemente inquietante, desafiadora. A sugestão, num contexto opressivo, é o elemento essencial.

Sabemos bem o envolvimento em projetos cinematográficos dos autores particularmente de um dos irmãos e na consequência que isso tem na estrutura do trabalho a duas cabeças e a quatro mãos (enfim, assumindo tanto quanto me recordo – que ambos são destros, a duas mãos…!). E está bem assim, pois a influência cinematográfica ajuda na fluidez da leitura.

Le Horla dos irmãos Brizzi é, assim, um caso sério de rigor e de escolhas, que se destaca pela tentativa bem conseguida, argumentarei - de traduzir visualmente um estado psicológico.




Juste après la vague

Com Juste après la vague (Logo após a vaga), Dominique Monféry propõe uma adaptação particularmente intensa do romance de Sandrine Collette, transformando um relato de catástrofe global num drama profundamente íntimo. Entre distopia ecológica e tragédia familiar, a obra articula duas dimensões complementares: a luta pela sobrevivência num mundo submerso e a violência moral das escolhas impostas por essa mesma sobrevivência (desde logo a escolha de uma mãe em relação aos seus filhos).

O ponto de partida é brutal na sua simplicidade: uma vaga gigantesca devastou o planeta, reduzindo-o a uma dispersão de ilhéus isolados. Uma família numerosa sobrevive num promontório rochoso, mas a subida contínua das águas torna inevitável a fuga. O problema é insolúvel: há apenas uma barca, incapaz de transportar todos. A decisão dos pais abandonar três dos filhos para salvar os restantes constitui o núcleo trágico da narrativa.

A força da obra reside na forma como transforma um cenário pós apocalíptico num estudo psicológico e ético. A catástrofe está presente, mas pouco se vê, funciona sobretudo como contexto: o verdadeiro foco são as relações familiares e a violência íntima das decisões.

Dominique Monféry, com uma longa experiência no cinema de animação transporta para a banda desenhada uma narrativa visual quase a 3D, com um desenho e uma gestão de cores, que reforçam a “espessura” das páginas.

Os enquadramentos são quase sempre amplos, procurando destacar a desolação, e a solidão das personagens, o que é reforçado pela expressividade dos rostos. A composição de página muito variável dá uma boa imagem do caos que se pretende retratar. 

A águia é o elemento dominante e o uso de aguarelas ajuda a dar uma credibilidade à situação, o que se torna distintivo neste trabalho, onde poucas palavras são usadas.

Uma leitura intensa, mas interessante, sofisticada e marcante. 

Editado pela Rue de Sévres.


A nossa leitura de Três Irmãs, de Anna Poszepczyńska - edição A Seita

Quando assistimos à apresentação deste livro no festival Coimbra BD, percebemos logo que estávamos perante uma história especial e de qualidade. Não nos enganámos. Três Irmãs, de Anna Poszepczyńska, é uma obra sensível, bonita e dramática, sobre o peso de uma pessoa doente na família e o papel dos cuidadores.

Três Irmãs (Trzy siostry) é a primeira banda desenhada da autora e a narrativa acompanha três irmãs órfãs que vivem numa pequena cidade da Polónia. As duas mais velhas, Olza e Lena, dedicam a sua vida a cuidar da irmã mais nova, Dominika (Domi), que sofre de uma doença grave e degenerativa, necessitando de assistência permanente.

O que importa aqui não é o nome da doença, porque a autora inventou uma doença fictícia. Não interessa qual é, porque a história é inspirada em experiências reais de famílias cuidadoras e esse é o cerne da questão. Não a doença em si, mas o impacto que ela exerce sobre toda a estrutura familiar, que aqui é muito débil, tendo em conta que as três raparigas perderam os seus pais e apenas a mais velha trabalha para as sustentar, enquanto a do meio se centra em cuidar da mais nova, descurando a sua vida escolar. Ou seja, as mais velhas têm um enorme peso a seu cargo, pois as circunstâncias obrigam-nas a abandonar os seus projectos pessoais, os estudos, relações amorosas, saídas com amigos e sonhos. A responsabilidade que as duas mais velhas têm, torna-se o eixo em torno do qual toda a sua existência gira.

Há uma parte da história em que surge uma nesga de esperança de conseguirem mudar a irmã para um centro de reabilitação, mas isso também significa mudarem elas de cidade e esse tema não vai ser fácil, porque as duas mais velhas têm opiniões e sentimentos diferentes em relação a essa mudança. Aliás as duas começam a evidenciar divergências no que toca a lidar com a situação, porque enquanto uma encara o cuidar da irmã como uma missão, a mais velha sente um conflito entre o desejo de construir a sua própria vida com a obrigação de cuidar da irmã. Não há comportamentos certos ou errados aqui, não há julgamentos. Há apenas sentimentos e exaustão. 

É um romance gráfico triste mas muito terno e profundamente realista, que não deixa de alertar para a forma como a sociedade encara os cuidadores. Os problemas económicos, o isolamento social e a falta de apoio das instituições, são questões aqui muito presentes.

Uma palavra final para a mais nova, a Domi, que embora quase não comunique, acaba por funcionar como o centro emocional da narrativa. A sua presença e o seu estado, influencia todas as decisões e estado de espírito das suas irmãs mais velhas e mostra-nos como uma personagem pode ter enorme peso na história, mesmo sem participação verbal.

Resta-nos falar do desenho que nos encantou. Um traço leve e delicado, quase como se fosse um esboço, mas muito bonito, que realça a sensibilidade do tratamento do tema da história. A escolha das cores, numa paleta muito reduzida, em tons pastel compõe na perfeição este magnífico "Três Irmãs".

Excelente obra inaugural da colecção Bursztyn/Âmbar, da Seita, que procura trazer para o nosso país o que de melhor se faz em BD na Polónia, numa parceria com a editora polaca Timof Comics e com o Festival Internacional de Comics de Łódź (ao abrigo do apoio à edição no âmbito do PRR.






quinta-feira, 9 de julho de 2026

Prémios Quai des Bulles (Associados ao Festival de Saint-Malo - França)

Ao mesmo tempo que em Angoulême a situação do Festival continua a arrastar-se de adiamento em adiamento nos tribunais, prometendo mais um pequeno “flop” para 2027 (ou, se quiserem, mais um festival Off), para o festival de Saint-Malo, que normalmente coincide com o nosso Amadora BD, as coisas vão “mexendo”, e a seleção de álbuns é interessante para “captar” alguns sinais dos gostos de um público francófono.

Quanto ao prémio Ouest-France/Quai des Bulles, atribuído por um júri de leitores do jornal diário Ouest-France, escolhidos com a característica de terem menos de 35 anos (e mais de 18), estão nomeados:

Akari, de Marco Kohinata, Ed. Le Lézard Noir;

Avila, de Teresa Radice e Stefano Turconi, Ed. Glénat;

Karl, de Cyril Bonin, Ed. Sarbacane;

Mémoires d’un garçon agité, de Zabus e Valérie Vernay, Ed. Dargaud;

Mise à Mort du Tétras Lyre (La), de David Combet, Ed. Glénat;

Montagne d’Encre (La), de Nicolas Debon, Ed. Dargaud;

OFF, de Romain Renard, Olivier Tollet e Patrice Réglat-Vizzavona, Ed. Daniel Maghen;

Punk à Sein, de Magali Le Huche, Ed. Dargaud;

Tekoha, de Clara Chotil, Ed. Actes Sud;

Vaillantes, de Cécile Becq e Émilie Chazerand, Ed. Rue de Sèvres.



Quanto ao prémio ADAGP/Quai des Bulles (ADAGP é a Sociedade de Autores nas Artes Gráficas e Plásticas), também conhecido pelo prémio “jovem revelação”, cujo júri é composto por artistas, jornalistas e profissionais, os nomeados são:

Amère, de Lucrèce Andreae, Ed. Delcourt;

Salomé, de Alice Bienassis, Ed. Delcourt;

De Bonne Foi, de Marguerite Boutrolle, Ed. Dargaud;

Trop tard, de Baptiste Delengaigne, Ed. 2042;

Levure, de Juliette Hayer, Ed. Sarbacane;

Ces Lignes qui Tracent Mon Corps, de Mansoureh Kamari, Ed. Casterman;

Je Reviens dans Six Mois, de Lucas Landais, Ed. Albin Michel;

Marly ou la Neige en Été, de Emmanuel Lantam, Ed. Réalistes;

Les Singes, de Yann Le Bec, Ed. Dupuis;

Belle de Soie, de Pavel Bart, Ed. Delcourt.




Ilustra BD 2026: Snoopy e Naruto - duas exposições que ainda podem visitar até dia 31 de Julho

 

Este ano fomos pela primeira vez ao Ilustra BD e ainda não tínhamos falado aqui na nossa experiência. Fomos logo no dia de inauguração das exposições, coincidindo também com a presença do autor francês Pierre Alary, a convite da Ala dos Livros. Tivemos o gosto de estar com o autor, muito simpático e disponível e trouxemos dois belos autógrafos.

Esta 7.ª edição do Ilustra BD surpreendeu-nos pela qualidade e dimensão do espaço expositivo e das exposições propriamente ditas, todas com muita qualidade. Note-se que as duas primeiras da lista que se segue ainda podem ser visitadas até dia 31 de Julho, no auditório municipal Augusto Cabrita.

- Snoopy e os Peanuts

- Naruto - Nunca desistir...

- Mulheres de Papel - de várias autoras portuguesas com curadoria de Hugo Pinto

- Zorro, o Herói Popular - Pierre Alary

- Shhhhhh - André da Loba

Além de Pierre Alary foram vários os autores portugueses presentes no evento, muitos deles disponíveis no mercado do livro para autógrafos. 

Um belo espaço para um evento com estas características, mas que pecou por pouco público, pelo menos no tempo em que lá estivemos, e com pouca divulgação externa, ou seja, não vimos nada nas ruas a assinalar o Ilustra BD ou qualquer indicação, a não ser o painel no exterior do edifício. Talvez o Município do Barreiro possa investir no futuro na comunicação, pois sentimos que apenas lá estavam os mesmos do costume, que é como quem diz, os fãs que encontramos em todos os festivais. É um evento com qualidade, com potencialidade, parabéns aos cenógrafos envolvidos e com maior comunicação pode tornar-se num evento de referência.

Aqui ficam algumas imagens da nossa passagem pelo Ilustra BD.












quarta-feira, 8 de julho de 2026

Novidade Nuvem de Letras: Avatar: The Last Airbender™ Volume 4: Fumo e Sombra


A Nuvem de Letras já tem em pré-venda e com entrega a partir de 22 de Julho, o quarto volume da série Avatar: The Last Airbender™, com o título Fumo e Sombra.

A sinopse:

O Zuko e a Mai exploram a fundo a história da Nação do Fogo para desvendar o mistério de uma história para crianças que ganha vida: as Kemurikage!

Pouco tempo depois de regressar a casa após os eventos de A Busca, o Senhor do Fogo Zuko descobre que uma sociedade rebelde autointitulada Sociedade de Nova Ozai tem vindo a ganhar popularidade junto dos cidadãos da Nação do Fogo. O seu objetivo? Assassiná-lo e devolver o trono ao Ozai! E a prova de que o país está em risco é a presença das Kemurikage, que estão a raptar crianças por toda a Nação do Fogo. O medo instala-se na capital e a trama adensa-se.





Novidade G. Floy: série Preto, Branco e Sangue está de regresso com Venom, em banca a partir de hoje

 


A editora G. Floy Studio Portugal não tem editado nada infelizmente já há vários meses, mas está de regresso hoje em banca com a série Preto, Branco e Sangue, com título Venom, com o contributo de vários autores.

O lançamento nas lojas especializadas e livrarias generalistas será apenas no próximo dia 15 de Julho.

A história

A sobrevivência exige sacrifícios e cada gota de sangue tem uma história para contar. 

Venom: Preto, Branco & Sangue é uma arrepiante colecção de contos intensos a preto e branco com toques de vermelho, nos quais o simbionte é desencadeado na sua forma mais primal e intransigente. Cada capítulo permite ao leitor embrenhar-se no elo volátil entre hospedeiro e parasita, revelando Venom não só como um anti-herói dividido, mas também como uma imparável força da natureza. 

Leitura obrigatória para fãs de narrativas sombrias e arte impactante, pela mão de lendas dos comics como J.M. DeMatteis, Al Ewing, Erik Larsen e Chris Bachalo. 

Este álbum reúne as histórias publicadas originalmente em Venom: Black, White & Blood #1-4. 

Ficha técnica

Venom - Preto, Branco e Sangue 

Vários autores

G. Floy Studio Portugal 

Formato comic deluxe (18,0 cm x 27,5 cm) e capa dura 

152 páginas a cores

PVP: 23 €

ISBN: 978-83-67571-72-2




terça-feira, 7 de julho de 2026

Novidade Distrito Manga: o sétimo volume de Sinais de Afeto será lançado ainda este mês

 


Uma boa notícia para quem, como nós, segue esta série "Sinais de Afeto", de suu Morishita: o sétimo volume chega este mês, disponível a partir de 22 de Julho, com edição da Distrito Manga.

A sinopse:

Emma apanhou Itsuomi de surpresa na escola e arrastou-o até ao salão de jogos, onde ele foi brutalmente honesto quanto à ausência de qualquer interesse romântico por ela. O que Itsuomi não sabe é que Oushi os viu entrar juntos. Também desconhece que Oushi confrontou Yuki e a envolveu num abraço que disse mais do que alguma vez as suas palavras disseram – deixando-a com um peso de culpa a afundar-lhe o coração. Esta névoa de sentimentos não correspondidos ameaça o ainda frágil laço de confiança entre Yuki e Itsuomi… até que Itsuomi faz uma sugestão surpreendente.




A nossa leitura dos quatro volumes do primeiro ciclo de Elric - edição Arte de Autor




Baseada no romance de Michael Moorcock, Elric é uma série que a Arte de Autor começou a publicar em 2026. Neste momento estão já publicados em Portugal os quatro volumes que constituem o primeiro ciclo e haverá ainda mais um ciclo de quatro volumes. 

Estamos a falar da adaptação para banda desenhada da famosa saga de Elric de Melniboné. Criado pelo autor britânico Michael Moorcock em 1955, este anti-herói decadente, imbuído de um romantismo trágico raro na fantasia, é hoje uma referência essencial no género Dark Fantasy, considerada mesmo a obra mãe do género. Esta adaptação está tão bem conseguida que o autor da versão original, aprovou-a com entusiasmo, dizendo que corresponde com o que imaginou. 

O argumento é da responsabilidade de Julien Blondel e o desenhos e cores têm reunido o trabalho de vários artistas, entre os quais Didier Poli. Os dois autores marcaram presença no Festival Maia BD, e por motivo de termos sido convidados para conduzir o painel com eles, lemos os quatro volumes na mesma semana e mergulhámos a fundo nesta obra incrível e há tanto por dizer que não é fácil sintetizar uma opinião sobre esta primeira fase da série. Vamos tentar.

Este primeiro ciclo fornece aos leitores os elementos fundamentais do universo de Elric: Melniboné como império decadente, a presença constante da magia, a oposição entre o caos e a ordem, os Reinos Jovens e o protagonista anti-herói. Elric apresenta características que o distanciam de um herói convencional: uma enorme fragilidade física, elevada inteligência e tendência para a reflexão. Elric não pediu nunca para ser poderoso nem para ser imperador. A sua condição foi-lhe imposta pela herança paterna.  

O que acontece na narrativa é que tudo nos é mostrado sem grandes explicações, vamos descobrindo aos poucos a essência maléfica de Melniboné através da ações que vão acontecendo. Há cenas muito violentas e não somos poupados a nada. Os visuais são de grande espectacularidade e impacto, mas acima disso tudo, o que é mais interessante nesta história é a progressiva transformação do protagonista. De imperador passa a exilado, depois passa a guerreiro e por fim passa a uma espécie de agente da destruição. Mas é a sua transformação interior que se reveste de maior importância. Elric está em constante conflito interno entre a sua herança melniboniana e a humanidade. Entre a obrigação e a liberdade. A par desse conflito moral, temos o conflito político e familiar, de luta pelo trono de Melniboné, que afinal Elric também não deseja.

São várias as personagens que vão desfilando ao longo dos quatro volumes, umas com mais protagonismo que outras, mas há uma personagem sui generis, que é a espada de Elric, baptizada de Stormbringer. Ela não é apenas um objecto, ela vai ganhando importância e é quase como uma personagem, pois ela condiciona decisões, cria alguns problemas e limitações ao seu próprio dono, mostrando que é ela que domina. Aliás, quando chegámos ao final da leitura dos quatro volumes, continuamos com algumas questões em aberto, principalmente até que ponto a Stormbringer determina os acontecimentos e se Elric tem algum tipo de liberdade.

A série é poderosa, genial, mas diríamos que no meio de tudo, o que considerámos mais extraordinário é a evolução psicológica de Elric. E mais não dizemos, descubram vocês próprios esta série que é a mãe do género Dark Fantasy.








segunda-feira, 6 de julho de 2026

Novidade Booksmile: O sexto e último volume de Hooky chegou hoje às livrarias


Com este sexto volume, chegamos ao fim da série Hooky, editada em Portugal pela Booksmile, da autoria de Míriam Bonastre Tur.

Neste último volume, cheio de magia, amor e reviravoltas fantásticas, o reinado da Rainha Bruxa Dani chegou ao fim e o espírito maléfico que a dominava desapareceu… Mas há um novo imprevisto: Dani não se lembra de nada do que aconteceu, nem dos seus amigos ou do seu irmão, Dorian.

É então que o grupo se junta para conseguir que Dani volte a ser ela mesma, recorrendo a todos os recursos mágicos possíveis e ao amor que os une. Mas não vai ser fácil!

«Caros leitores… É com um sentimento misto de alegria e tristeza que encerro as aventuras de Dani, Dorian e companhia. Muito obrigada por terem ficado connosco até ao fim!» – Míriam Bonastre Tur





A nossa leitura de Amore - Amor... à Italiana, de Zidrou e David Merveille - co-edição A Seita e Arte de Autor


Quando anunciámos este livro, dissemos que ter o Zidrou como argumentista era sinónimo de qualidade. E mais uma vez se comprovou. Ainda que não seja o nosso preferido do argumentista belga, Amore - Amor... à Italiana, é um bom livro, com um desenho elegante de David Merveille, ilustrador que não conhecíamos ainda. A versão portuguesa foi co-editada pel' A Seita e pela Arte de Autor.

O livro é composto por nove pequenas histórias, que nos levam a viajar por Itália (ambientada das décadas de 1950 e 1960, principalmente) e que exploram diferentes manifestações de amor. Ainda que independentes, todas as histórias reunidas nos encaminham para uma reflexão sobre a complexidade dos sentimentos humanos. Não estamos perante histórias excessivamente romantizadas, embora o romantismo esteja lá, cada história aborda uma faceta diferente. Temos paixão, desejo, fidelidade, perda, culpa, solidão, arrependimento ou esperança. Há histórias com um final feliz, outras nem tanto e outras cujo final é ambíguo.

O que nos agradou muito foram os cenários. Aqui a Itália é também quase uma personagem, que marca presença em todas as histórias. Passeamos por Florença, pela Torcana, por aldeias diversas, pelas praças, pelos cafés, como se estivéssemos a ver um filme italiano, onde não faltam símbolos, como por exemplo, as Vespas. E o desenhador aplicou cores diferentes para cada história, criando ambientes diferentes.

Estamos perante um bom livro, belíssimo (leia-se com pronúncia à italiana), com uma surpresa no final, que nos dá vontade de viajar (às vezes também no tempo) e que nos deixa vontade de ler mais destas pequenas histórias.

domingo, 5 de julho de 2026

A nossa leitura de Henri Vaillant - uma vida de desafios, de Bourgne e Stassi - edição ASA


Na nossa opinião, a banda desenhada Henri Vaillant é uma obra muito interessante e agradável de ler. Desde as primeiras páginas, a história consegue despertar a curiosidade do leitor graças ao seu enredo envolvente e às várias personagens que vão aparecendo ao longo da história. 

Henri, o pai de Michel e Jean Pierre Vaillant é o protagonista principal e revela qualidades ao longo da sua vida, que o tornam fácil de admirar, como a coragem, a determinação e a capacidade de enfrentar desafios, o que contribui para criar uma forte ligação com o público.

É nesta história que também conhecemos como Henri conheceu Elizabeth, a mulher da sua vida e mãe dos seus dois filhos.

Outro aspeto que consideramos muito positivo é a qualidade dos desenhos e a maneira como grande parte da história é a preto e branco e com isso lhe dá uma beleza especial. As  ilustrações são cuidadas, expressivas e ajudam a transmitir as emoções das personagens e a intensidade das diferentes situações.

Também gostámos da forma como a história aborda valores importantes, como a amizade, a perseverança, a lealdade e o espírito de superação. 

Apesar de considerarmos que alguns acontecimentos são previsíveis e seguem modelos habituais das histórias de aventuras, o objectivo desta história é saber como Henri criou a sua grande equipa Vaillante, no mundo difícil dos automóveis.

Em conclusão, consideramos este livro Henri Vaillant uma excelente banda desenhada, ao longo das suas 166 páginas, tanto pela qualidade do seu enredo como pelo seu aspeto visual. É uma leitura cativante, emocionante e enriquecedora, que recomendamos a todos os leitores que apreciam histórias de aventuras automobilísticas e, claro, do universo de Michel Vaillant, podendo perceber como tudo começou na vida do clã Vaillant. A edição é da editora ASA.