terça-feira, 12 de maio de 2026
Novidade: Arte de Autor lança o terceiro volume de Elric e dois dos seus autores estarão no Maia BD
segunda-feira, 11 de maio de 2026
Novidade ASA: o segundo volume das Corridas Lendárias de Michel Vaillant chega amanhã às livrarias
A opinião de Miguel Cruz sobre "Si je t’écris…", de Bodart & Zabus
Si je t’écris…
Se eu te escrevesse, é uma das BD mais bonitas e comoventes dos últimos tempos. Um desenho fantástico, realista, muito realista mesmo, uma perfeição nas expressões, nas posições, nos detalhes domésticos, nos ambientes, nas viaturas, na vida junto ao mar há uns 50 anos (nada que eu conheça, mas contaram-me, nada de confusões!?!).
Os autores, Denis Bodart no desenho e Vincent Zabus no argumento, “construíram” uma daquelas obras únicas, irrepetíveis, onde tudo bate certo: ambientes, personagens e personalidades, a relação com o trabalho, a alma humana, os sentimentos, a nostalgia do verão. Impecável.
Louis acaba de chegar a uma antiga casa de verão, à beira do mar (uma estrada entre a casa e a praia), que alugou com a sua mulher e com os seus dois filhos. Mal chegados, enquanto a sua família vai, naturalmente, tomar posse 7da casa alugada, Louis aproxima-se da praia, e mergulha nas memórias do passado. Ficamos a saber quer a casa é a mesma onde passou um verão com o seu pai e os seus tios, e onde celebrou o seu décimo aniversário.
A relação com os seus amigos e a curiosidade da velha senhora que habitava a casa no topo da falésia, que os miúdos consideravam uma bruxa malvada que tinha contacto com os mortos. Louis, na passagem para os seus dez anos continua a ser particularmente vulnerável e marcado pela morte da sua mãe.
Uma caneta desajeitadamente oferecida pelo aniversário, uma tristeza natural, uma descoberta de como esse presente pode abrir os horizontes de um pequeno miúdo rodeado de amor familiar (desajeitado, é verdade, mas presente), mas marcado por uma enorme tristeza.
Não há muito mais que possa dizer sem estragar a magia da leitura. Eis uma daquelas obras pelas quais estou fortemente a torcer para que possa ser traduzida para a nossa língua. A capa, já agora, não apenas é representativa de um momento chave, como é, na minha opinião, belíssima. Forte recomendação, portanto.
Editado pela Dupuis.
Novidade: Arte de Autor lança novo livro de José Luis Munuera - O cheiro dele depois da chuva
Pode ser arriscado dizer, mas este é daqueles livros que já sabemos que vamos gostar antes mesmo de ler. Gostamos muito dos livros de José Luis Munuera e esta capa já nos conquistou.
O cheiro dele depois da chuva é uma adaptação do romance de Cédric Sapin-Defour, por Munuera e com edição da versão portuguesa pela Arte de Autor.
A sinopse:
Esta é uma história de amor, vida e morte entre um homem, Cédric, e o seu cão, Ubac, um Cão de Montanha de Berna cuja presença rapidamente se torna essencial. Mas o verdadeiro herói é o laço entre eles: único, universal, que transcende muitas relações humanas.
Durante treze anos, partilham risos, preocupações e momentos fugazes de intensidade, até que a morte impõe a sua ausência. Uma verdadeira ode à vida, esta história explora o amor incondicional, a vida que passa demasiado depressa e aquelas memórias duradouras, como um aroma querido que permanece gravado na memória, mesmo depois da chuva.
domingo, 10 de maio de 2026
Novidade Documenta: Caricaturas de Maria Picassó - trabalhos em exposição na Cartoon Xira
Como acontece todos os anos, a Cartoon Xira, a par dos cartoons do ano, tem sempre uma exposição paralela dedicada à obra de um artista internacional. Desta vez foi dedicada à obra de Maria Picassó e às suas caricaturas. Podemos já dizer que as suas caricaturas são incríveis e que vale a pena irem ver.
Portanto este livro foi publicado por ocasião da Cartoon Xira 2026, realizada no Celeiro da Patriarcal, em Vila Franca de Xira, que está a decorrer desde 7 de Março e vai até 31 de Maio de 2026. A edição é da Documenta - Sistema Solar.
Aqui ficam também algumas das suas imagens da exposição.
Maria Picassó i Piquer, natural de Manresa, Catalunha, formou-se em Arquitetura, mas é como caricaturista e ilustradora que tem vindo a destacar-se no panorama cultural, distinguindo-se pelo seu traço minimalista, que combina com formas geométricas, com gradação de cores vivas.
[Fernando Paulo Ferreira]
Jaume Capdevila: «O seu olhar perspicaz e profundamente feminino é capaz de captar a essência das personagens e reproduzi-la num traço mínimo.»
A caricatura é uma disciplina artística particularmente complexa e difícil. Em termos formais, é essencialmente um retrato, uma tentativa de captar a essência de um rosto humano. Mas desde as suas origens no Renascimento italiano até à era digital, a caricatura desafiou a nossa compreensão do que constitui um bom retrato, porque, ao contrário do realismo fotográfico ou da fidelidade mimética, a caricatura opera através do exagero, da simplificação e da síntese. E, no entanto — paradoxalmente —, pode resultar numa imagem que capta o sujeito de uma forma mais profunda e reconhecível do que uma representação literal. Em essência, a caricatura consegue o impossível: é um super-retrato, uma imagem distorcida que, contra toda a lógica, se assemelha mais à pessoa do que a própria realidade.
Perante a singularidade de um rosto, o caricaturista pode fazer magia. Ele não está sujeito à obrigação de desenhar o que vê ou o que existe no rosto. A única obrigação do caricaturista é encontrar a semelhança. Em vez de copiar cada traço característico, ele identifica o que torna cada rosto único e amplifica-o. Exagera tudo o que é significativo e reduz ou elimina os detalhes menos relevantes. Em suma, procura tudo o que desvia o rosto de uma norma — seja um ideal de beleza, um rosto mediano ou um padrão cultural — e exagera esses desvios.
[Jaume Capdevila]
BDs da estante - 685: História de um Amor, de Mordillo - edição Booktree
“Após a criação do mundo, Deus fez o homem e a mulher. Depois, para evitar que a coisa toda se desmoronasse, Ele inventou o humor.” – Guillermo Mordillo. Estas são as palavras que tão bem definem o mundo de Mordillo, que é um dos raros autores cuja obra tem marcado de forma inconfundível, o imaginário de várias gerações, continuando ainda hoje, a provocar um sorriso de felicidade a milhões de pessoas em todo o mundo, sem que para tal, necessite de recorrer a uma única palavra ou som. Os seus personagens, homens, mulheres e “bichos”, todos eles pequeninos e curvilíneos, dotados de grandes narizes, conjugam de forma única e inimitável, o racional com o absurdo, o possível com o impensável, surpreendendo-nos ainda hoje.
Esta edição que fomos buscar à estante, é de 2004, pela Booktree.
sábado, 9 de maio de 2026
A opinião de Miguel Cruz sobre "La Longue Marche de Lucky Luke" - t.8, de Matthieu Bonhomme
La Longue Marche de Lucky Luke
Sei que vai ser editado em Portugal pela A Seita, e ainda bem, pois este oitavo volume da coleção Lucky Luke “visto por” (neste caso, e novamente, por Matthieu Bonhomme) é de grande qualidade.
Para além desta “Longa Marcha de Lucky Luke”, em Portugal já vimos editado “o Homem que matou Lucky Luke” e “Carlota Imperatriz”, ambos desenhados por Matthieu Bonhomme, um na coleção Lucky Luke e o outro não (o sr. De La Palice estaria contente)!
Bonhomme moderniza e acrescenta camadas à lenda do homem que dispara mais rápido que a sua sombra, mas com elegância, sem qualquer disrupção, e com uma consistência total com o mito.
Estamos nas florestas do Norte do Minnesota, faz um frio de rachar, e o nosso cowboy foi contratado por Ronald Cramp (que rima com outro nome, se é que me entendem) para entrar em contacto com os índios, com o objetivo de encontrar o seu sobrinho desaparecido. Naturalmente, Lucky Luke vai encontrar e proteger o miúdo, criado pelos índios, um pouco selvagem e uma força da natureza. E com este curioso miúdo, vamos assistir a uma verdadeira introspeção da personagem do cowboy, e um colocar em causa da sua natureza solitária.
Outras personagens são marcantes nesta aventura, desde o chefe índio ao nosso bem conhecido polícia montado do Canadá, passando pelos estúpidos e maus irmãos Dalton, também contratados por Ronald Cramp.
A história é simples, mas interessante, as tomadas de posições sobre matérias éticas e ambientais são muito evidentes, a aventura é crescentemente angustiante, a ação é desenvolvida sensatamente apesar da notável destreza de Lucky Luke, e o final é inteligente.
O desenho é muito bom. Não vale a pena detalhar mais. É mesmo bom, um desenho que nos atrai. Portanto, uma boa BD, vamos à leitura. Editado em França pela Dargaud.
Novidade Arte de Autor/A Seita: Hugo Pratt - A mão de Deus, de Ángel de la Calle é uma obra a não perder!
sexta-feira, 8 de maio de 2026
Novidades Escorpião Azul: HP e Jardim dos Espectros já estão disponíveis
Estas são as duas novidades editadas pela Escorpião Azul, HP da autoria de Guido Buzzelli e Jardim dos Espectros da autoria de Fábio Veras.
Aqui ficam as sinopses de ambos os livros.
HP
Desde tenra idade que Guido Buzzelli tinha uma enorme paixão pela ficção científica, quando se aventurou nas primeiras leituras das histórias do carismático Flash Gordon, o herói criado pelo mestre da bd norte-americano Alex Raymond. Essa luz permaneceu acesa e levou-o a imaginar mundos distantes ao longo de toda a sua vida. “HP” foi originalmente realizado entre 1973 e 1974 com o argumento de Alexis Kostandi. A ação desenrola-se num mundo pós-atómico, onde grupos de sobreviventes rebeldes vivem da caça e do saque dos destroços da guerra. No entanto, esta história foca-se num cavalo que se cruza com um grupo de pessoas que tentam sobreviver num acampamento mais ou menos próximo de uma cidade ultra-moderna dirigida por uma oligarquia composta essencialmente por militares e cientistas. Esta cidade super avançada tem barreiras de proteção e os seus dirigentes combatem e controlam os rebeldes, ou seja, todos aqueles que pretenderam abandonar a cidade.
Núvia é o jardim que acolhe centenas de almas que já pertenceram a este mundo. Mas por alguma razão, este local, que fora o mais visitado da cidade, é agora tabu na boca da população. O que fora um jardim alegre e cheio de vida, é agora palco de acontecimentos invulgares. Hoje poucos ousam entrar. Mas um forasteiro, assim como é tratado, parece não temer os segredos tão bem escondidos por entre os ramos das árvores. Saberá mais do que aparenta?
Novidade: ASA editou a versão portuguesa de "Ginseng Roots", aclamada novela gráfica de Craig Thompson
quinta-feira, 7 de maio de 2026
Novidade Kingpin Books: Rare Flavours - Uma Viagem aos sabores de Rubin Baksh será lançado dia 23 Maio no Maia BD com a presença dos autores
Esta novidade RARE FLAVOURS – UMA VIAGEM AOS SABORES DE RUBIN BAKSH, de Filipe Andrade e Ram V, editada pela Kingpin Books, será lançado no Festival Maia BD a 23 de Maio com a presença dos autores.
Depois de “As muitas mortes de Laila Starr”, Ram V e Filipe Andrade estimulam o palato dos leitores com uma história que mistura o sobrenatural, a cozinha indiana e o mundo impiedoso dos chefes de cozinha que se tornam celebridades. Uma jornada épica da vida e dos seus significados mais profundos através da comida, e uma reflexão inteligente sobre a importância de abrandar e saborear essa vida.
Como já dissemos o lançamento será no Maia BD (Fórum Maia), dia 23 de Maio, sábado, com a presença dos autores Ram V e Filipe Andrade, estando ainda igualmente patente no evento, uma exposição de originais do livro, com curadoria do editor.
Coimbra BD 2026: o balanço da melhor edição de sempre!
Como já referimos há pouco tempo, estivemos dois dias no Festival Coimbra BD e pudemos verificar que este ano teve muitas novidades ao nível da organização dos espaços, com melhorias significativas.
Para começar, aumentaram a área afeta ao festival e isso incluiu a Antiga Igreja. Neste belíssimo espaço reuniram-se as bancas das editoras e os autores a dar autógrafos, o que se tornou muito mais prático e funcional, pois os visitantes puderam comprar logo ali o(s) livro(s) dos autores presentes.
A área expositiva também mudou de localização, para muito melhor. E ainda nota super positiva para a comunicação visual, com informações sobre a programação visíveis em vários locais, inclusive para o exterior (que falhou nos anos anteriores), o que levou muito mais público, curioso, a visitar o evento. A verdade é que se nas edições anteriores já tínhamos dado conta de um público a crescer, este ano o aumento foi ainda maior. É verdade, nunca tínhamos visto tanta gente no Coimbra BD e não eram apenas os "cromos" do costume", havia muito público local, muitas famílias, muita gente nova e segundo informação da organização passaram pelo Coimbra BD mais de 21.000 visitantes ou seja um record!
Não sabemos se esta maior afluência de público se deve a uma maior comunicação do município, se foi da atracção pelos nomes internacionais ali presentes, se foi da sinalética exterior, se foi do Festival estar a ficar mais maduro e sólido. Ou mesmo se foram todas estas razões juntas. O que salta à vista é que é cada vez mais um evento de referência na área da banda desenhada, bem organizado, bem estruturado, onde tudo flui sem sobressaltos.
Tivemos bons autores, muitos deles nacionais, mas também autores internacionais como Ángel de la Calle, Marcello Quintanilha, Pierre-François Radice (que tivemos o gosto de entrevistar e que a publicaremos em breve) e Anna Poszepczyñzka.
Tivemos também excelentes painéis, conseguimos assistir a alguns e também à cerimónia de atribuição dos prémios Geeks de Ouro, de onde destacamos os da banda desenhada:
Melhor Banda Desenhada Nacional - Os Filhos de Baba Yaga, de Luís Louro (Arte de Autor e A Seita)
Melhor Banda Desenhada de Novo Autor - Tales From Nevermore, de Pedro N. e Manuel Monteiro (Ala dos Livros)
Melhor Banda Desenhada - Astérix na Lusitânia, de Fabcaro e Didier Conrad (ASA)
Mas nem só de banda desenhada vive este festival, também a cultura pop faz parte do evento e com uma enorme participação tanto nas áreas de gaming, como de cosplay, jogos de tabuleiro, Artists'Alley e por aí fora.
Por fim, porque também é importante e sofreu uma grande mudança, destacamos a criação de uma pequena praça de alimentação, que contribuiu para a permanência dos visitantes por mais horas dentro do evento.
Que mais dizer? Para além do excelente cartaz da autoria de Daniel Maia, que somos sempre muito felizes em Coimbra, sempre muito bem recebidos pela organização, que temos as melhores condições para realizar entrevistas e reportagens, que este festival fará sempre parte da nossa rota e que desejamos um futuro brilhante a esta iniciativa que ainda por cima é de acesso gratuito. Para o ano lá estaremos e a data já está oficialmente marcada: de 30 de Abril a 2 de Maio. Contem connosco!
Nota de rodapé: um agradecimento final ao Pedro Cardoso, à Elsa Marques, à Sónia Lopes e à Vânia Queirós.


























































