Soeurs des Vagues
Das BDs melhorzinhas que tive a oportunidade de ler nestes últimos tempos. Uma BD de Tristan Roulot (argumentista, entre outras obras, de Hedge Fund) e de Mikäel que o/a leitor/a poderá conhecer de Bootblack e de Harlem, ambos publicados em Portugal.
Soeurs des Vagues é um one shot muito bem imaginado pelo duo de autores, que situa a história em 1914, na costa do Canadá, numa vila onde existe um farol, e que a inicia com um naufrágio, numa noite em que um problema fez com que o farol não funcionasse. Um marinheiro louro, de olhos azuis e tatuado, ferido agarra-se a uma rocha, olha para cima e vê várias mulheres com aspeto ameaçador…desmaia.
William vai ser salvo, alojado no único “albergue” da vila, onde praticamente só vivem mulheres, com exceção do faroleiro, particularmente obeso, e de alguns miúdos. Os homens da vila dedicam-se à pesca, e estão ausentes – aliás demorando mais tempo do que o previsto, o que traz algumas das mulheres particularmente apreensivas, a começar pela professora primária, uma outsider, grávida de um dos pescadores.
Entretanto chegam à vila duas personagens ameaçadoras e armadas, que andam a investigar o desaparecimento de alguns veleiros de transporte de bebida clandestina. Será que algumas das mulheres viu um marinheiro louro e tatuado.
A filha do faroleiro, uma jovem de descendência caribenha, por parte da sua mãe, particularmente rebelde, tem vindo a preparar, às escondidas um pequeno navio a vapor, com o qual pretende sair daquele local que odeia, para ir procurar as suas raízes. William descobre o segredo da jovem e promete ajudá-la. O grupo de mulheres da vila sonha apenas em ganhar dinheiro para construir uma fábrica de conservas que permita manter a vila viva e com menos risco para os seus homens.
Estes são os ingredientes desta BD inteligente, em que as personagens são realistas, bem caracterizadas, os diálogos são lógicos, as reações das personagens também. O ritmo dos acontecimentos vai-se acelerando ao longo das páginas, uma espécie de desastre anunciado, mas de contornos inesperados.
O desenho é muito bom, ágil, movimentado, as personagens facilmente reconhecíveis, expressivas e com pranchas excelentes de caracterização da fúria dos elementos. Desenho muito detalhado que ajuda bastante o desenrolar deste thriller amargo.
Top. Top. Top. Para mim, aqui fica como recomendação de leitura obrigatória para quem gosta de BD, as aventuras de William, Ekilda, Velma, La Jacques, Bessie e Elbe (as 5 mulheres da capa), entre outras. Editado pela Lombard.

























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