segunda-feira, 18 de maio de 2026
Novidade da ASA: Spielberg, de Amazing Ameziane, chegará às livrarias na próxima semana
João Abel Manta (1928-2026) - Portugal perde um grande cartoonista
Na passada sexta-feira, 15 de Maio, Portugal perdeu o cartoonista que imortalizou o 25 de Abril: João Abel Manta.
João Abel Manta faleceu aos 98 anos, deixando um património cultural imenso, que faz parte da nossa história, pois os seus cartoons fazem parte do nosso imaginário, nomeadamente imagens relacionadas com o 25 de Abril.
Deixamos aqui uma sugestão de leitura de um livro que reúne cartoons de João Abel Manta de 1969 a 1992 (edição Tinta da China).
"Fechados já os jornais para onde eles foram enviados, amarelecidas ou apodrecidas as edições onde foram impressos, esquecidos até alguns dos momentos ou personagens neles representados, aqui os temos de novo, tão brilhantes e pertinentes como quando saíram do estirador de João Abel Manta."
A nossa leitura de "O Guia do mau pai", de Guy Delisle - edição Devir
Gostamos muito do autor Guy Delisle e este foi o quinto livro que lemos dele. Somos fãs do seu tipo de desenho e de narrativa, mas apesar de ser divertido, este "O Guia do mau pai" não nos encheu tanto as medidas como os livros anteriores. É certo que este livro não se trata de uma novela gráfica como os que já tínhamos lido e o tipo de registo é muito diferente, mas ainda assim, ficou um pouco aquém das nossas expectativas.
"O Guia do mau pai" reúne, numa versão integral, o conjunto de tiras que o autor foi publicando no seu blog. Encontramos aqui situações do quotidiano de Delisle, enquanto pai de duas crianças, que aqui são satirizadas de forma bem humorada, mas muito irónica.
Piadas à parte, nos livros anteriores também fomos confrontados com a paternidade, mas sempre de uma forma muito ternurenta e agora o autor mostra-nos o lado menos cor de rosa da relação com o seus filhos. Talvez daí a nossa estranheza.
Deixando de lado qualquer comparação com os livros que já tínhamos lido, neste Guia do mau pai, não deixamos de sentir empatia pelo pai, tendo em conta que algumas situações apresentadas, são comuns a muitos pais. Educar não é fácil, os pais não são perfeitos nem isentos de erro e isso fica bem retratado aqui, com todas as dúvidas e medos, com aprendizagens que só quem tem filhos irá entender.
domingo, 17 de maio de 2026
A Fuga e Simone de Beauvoir: duas exposições itinerantes, de BD, nas lojas Fnac
As ilustrações destes dois livros "A Fuga" e "Simone de Beauvoir", ambas novelas gráficas editadas pela Iguana, podem ser vistas em exposições itinerantes pelas lojas Fnac. Damos aqui indicações por onde andam:
A Fuga, de Paulo Caetano (argumentista) e Jorge Mateus (ilustrador)
16 de Abril a 2 de Junho - Fnac do Colombo
16 de Junho a 31 de Julho - Fnac Cascais
1 de setembro a 20 de Outubro - Fnac Coimbra
30 de Outubro a 1 de Dezembro - Fnac Mar Shopping
13 de Janeiro a 27 de Fevereiro - Fnac Braga
Simone de Beauvoir, de Julia Korbik (argumentista) e Julia Bernhard (ilustradora)
5 de Abril a 16 de Maio - Fnac Viseu
16 de Junho a 31 de Julho - Fnac Chiado
1 de Setembro a 20 de Outubro - Fnac Almada
26 de outubro a 26 de Novembro - Fnac Braga
1 de Dezembro a 15 de Janeiro - Fnac Coimbra
BDs da estante - 686: Rantanplan vol. 4 - Palhaço, de Fauche e Léturgie - edição ASA
O Jolly Jumper é o cavalo mais inteligente do Oeste, mas o Rantanplan é o cão mais estúpido. Mas um e outro são bem divertidos e neste caso falamos de Rantanplan e do quarto volume e esta edição é de 2005, pela ASA.
Neste volume "O Palhaço", é-nos apresentada uma longa aventura de Rantanplan que, juntamente com o pequeno Douglas, vão trabalhar num circo e fazer das suas.
sábado, 16 de maio de 2026
Novidade ASA: Os novos russos é o segundo volume de Slava, obra de Pierre-Henry Gomont, editada pela ASA
Depois do primeiro volume, lançado pela ASA em 2025 e que contou com a presença do autor Pierre-Henry Gomont (esteve presente no Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, onde o entrevistámos e publicamos aqui no Juvebêdê), chega agora o segundo volume de Slava, intitulado "Os novos russos" (nas livrarias a partir de 2 de Junho).
A opinião deste volume, escrita pelo Miguel Cruz (que leu a versão original) foi já publicada por nós e pode ser lida aqui
Anos 90, no coração da Rússia. Desde a sua violenta discussão com Slava, Lavrine não deu sinal de vida. Se este último não é encontrado, é porque foi abandonado por Troubetskoï numa aldeia isolada, amputado de dois dedos e sem um tostão.
Atolado na sua solidão, Lavrine é uma sombra do que era. Embora consiga, para sobreviver, enganar as almas caridosas que lhe oferecem ajuda, o seu coração já não está nisso. Perdeu o apetite pelo lucro e pela fraude que sempre lhe serviram de razão de viver...
Será que encontrará, nestes erros e nas águas turvas da dúvida, o fôlego que lhe falta para finalmente se revelar a si mesmo?
Quanto a Slava, ele mantém com mais zelo e assiduidade a sua paixão clandestina por Nina do que a conclusão das transações que iniciou com Troubetskoï para salvar a mina. É que ele precisa redobrar a sua engenhosidade para evitar que Arkady, o noivo da sua impetuosa amante, descubra o romance deles...
Novidade: Distrito Manga publica o sétimo volume da série Bluelock
A nossa leitura do quarto volume de Crianças do Mar - edição Devir
Estamos quase na reta final da série Crianças do Mar (Devir) com este quarto volume (a série é composta por cinco volumes).
Nesta quarta parte da história que temos vindo a seguir desde o seu início, a narrativa aprofunda-se claramente numa dimensão mais metafísica e simbólica, afastando‑se de uma leitura convencional de aventura. Sentimos que as fronteiras não estão bem definidas. A história flui e oscila entre a infância e a maturidade, entre o ser humano e a natureza, entre a ciência e a espiritualidade.
E o que dizer do mar? Neste volume sentimos que o mar deixa de ser apenas o cenário da acção. Ele assume-se como um ser vivo, dotado de consciência, misterioso, mas ligado à origem da vida e da humanidade.
O livro e a história continuam a ser belos, mas achámos este volume especialmente confuso, e para isso contribui o facto de haver muita fragmentação na narrativa. Os acontecimentos não têm um seguimento completamente linear e às tantas já não sabemos bem em que pé é que estamos. Mas se calhar é isso mesmo que o autor Daisuke Igarashi pretende, uma vez que a história se encontra um pouco dividida entre dois mundos e essa ambiguidade faz parte da experiência.
Visualmente, o desenho mantém-se expressivo e os ambientes marinhos, fluidos, contribuem para um certo tom contemplativo. Resumindo, este volume destaca-se por ser um pouco diferente dos anteriores, mais sensorial, levando-nos à ideia de que o passado do planeta e o futuro da humanidade estão profundamente ligados, e que, de alguma forma, a infância possui uma percepção privilegiada dessa ligação.
sexta-feira, 15 de maio de 2026
A nossa leitura de "Corto Maltese t.3 - O Dia Anterior", de Bastien Vivès e Martin Quenehen - edição Arte de Autor
O Dia Anterior é o terceiro livro desta série de Corto Maltese vivida nos dias de hoje e por isso uma obra marcante quer se goste ou não, da autoria de Vivès e Quenehen e publicada pela Arte de Autor.
Em nossa opinião, apresenta uma reflexão profunda sobre a memória, a perda e as consequências do passado. A narrativa cativa pela sua atmosfera sombria e melancólica, onde cada detalhe parece carregado de emoção e tensão.
Um dos aspetos mais interessantes do livro é a forma como as personagens são construídas. Parecem humanas, frágeis e credíveis, o que permite ao leitor sentir facilmente os seus conflitos interiores. O protagonista, em particular, atravessa uma procura pessoal intensa que dá muita força à história.
O estilo de escrita é simultaneamente simples e poético. As descrições criam uma atmosfera envolvente, enquanto os diálogos permanecem naturais e expressivos. Esta combinação torna a leitura fluida, deixando ao mesmo tempo uma impressão duradoura.
Ao nível temático, este volume aborda assuntos universais como o luto, a culpa e a procura da verdade. O livro convida o leitor a refletir sobre as escolhas do passado e as suas repercussões no presente. Esta dimensão psicológica dá uma grande profundidade à narrativa.
Por fim, esta obra distingue-se também pela sua dimensão artística, pois as ilustrações reforçam intensamente a emoção da história através de cores sóbrias e de um traço expressivo.
Em conclusão, O Dia Anterior é uma leitura tocante e intensa, capaz de marcar o leitor pela sua atmosfera, pelas suas personagens e pelos seus temas profundos. É uma obra recomendada para quem aprecia narrativas humanas e emocionais, e claro alguma saudade deste personagem, agora numa perspectiva diferente e desenhada e escrita por outros autores, que não o mestre Hugo Pratt.
Nota: estivemos com o desenhador Bastien Vivès em Abril na Comic Con Portugal e aqui fica o autógrafo deste livro.
Novidade: Ala dos Livros conclui a série Mattéo, com a publicação da Segunda Época (1917-1918)
Foi cumprida a promessa da Ala dos Livros em publicar os dois primeiros livros desta série, depois de ter publicado em primeiro lugar os volumes 3 a 6. Este é pois um excelente exemplo em que os leitores não ficam com séries incompletas.
Reconhecida pela elevada qualidade gráfica e narrativa, a série Mattéo, de Jean-Pierre Gibrat, conta-nos o destino singular de um homem cuja história se cruza com a história das duas Grandes Guerras do século XX.
Com este volume - Segunda Época (1917-1918), a Ala dos Livros conclui a publicação desta excelente obra, composta na sua totalidade por 6 volumes.
A sinopse:
Empurrado pela força das circunstâncias, da Guerra de 1914 à Segunda Guerra Mundial, passando pela Revolução Russa, a Frente Popular e a Guerra Civil Espanhola, Mattéo participará de todas as guerras que incendiaram as primeiras décadas do século XX, atravessando tempos tumultuosos e paixões exaltadas...
Ainda desertor, depois de fugir secretamente da Espanha onde se refugiara, Mattéo pára em Collioure para visitar a mãe. É dia 1 de Agosto, o aniversário da morte do pai. Naquela mesma noite, vê novamente Juliette, que tenta em vão convencer a acompanhá-lo. Após uma noite de amor na praia, Mattéo, no dia seguinte, acompanhado por Gervasio, um velho amigo do pai, parte para Petrogrado. Após várias semanas no mar, os dois amigos, em missão exploratória para os anarquistas espanhóis, encontram-se no coração da Revolução crescente. Numa atmosfera de júbilo e caos, Mattéo e Gervasio conhecem Dimitri e Léa. O primeiro é um anarquista libertário, a segunda uma bolchevique fervorosa.
quinta-feira, 14 de maio de 2026
Conversa: Fnac inicia já este sábado um Clube de Leitura de Banda Desenhada
A primeira sessão do Clube de B.D. da Fnac irá acontecer já este sábado, 16 de Maio, pelas 16 horas, na Fnac do Colombo, em Lisboa.
O Clube de B.D. da Fnac terá uma periodicidade mensal e a Alexandra estará muito bem acompanhada pelo João Oliveira, do Podcast "Livrólicos Anónimos" e também da página do Instagram "Na Cama com os Livros". Mensalmente haverá dois livros sugeridos (um pela Alexandra e outro pelo João), mas basta ler um deles para poder participar numa conversa animada e descontraída, que provará que ler não tem de ser um ato solitário. Podem também não ter lido nenhum e querer assistir e participar. Todos serão bem vindos.
O Clube arranca com duas histórias intensas e graficamente muito marcantes: "Um Oceano de Amor", de Wilfrid Lupano e Grégory Panaccione (ASA) e "O Jardim, Paris", de Gaëlle Geniller (Arte de Autor).
Apareçam, participem e podem ganhar 1 dos 4 livros que as editoras vão oferecer!
Iberanime: o maior evento de cultura pop japonesa em Portugal, está de volta este fim de semana em Santarém!
Como habitualmente, será um fim de semana repleto de cosplay, concertos, workshops, animes, mangas e muitas outras atividades.
No meio da vasta programação, destacamos:
Painel: 10 mil Km, de regresso ao Japão, com Ana Daniela Soares e David Lopes
Painel: Da ideia à página - Criar e publicar manga/BD em Portugal - por Dangan Magazine
Painel: À conversa com Rogério Jacques a propósito do novo manga "Pretty Guardian Sailor Moon"
Apresentação "Crónicas de Enerelis", de Patrícia Costa
Talk: Toshio Suzuki - O terceiro Ghibli, para conhecer mais sobre esta presença invisível e determinante na criação das mais emblemáticas histórias da animação japonesa, com Ricardo Andrade (Djinn Books)
Novidade Presença Comics - vem aí o décimo oitavo volume de Solo Leveling
quarta-feira, 13 de maio de 2026
A nossa leitura do segundo volume de "Os Filhos do Império", de Yudori - edição ASA
Já tínhamos gostado bastante do primeiro volume e não ficámos nada desiludidos com o segundo, antes pelo contrário. Nesta segunda parte da narrativa da série "Os Filhos do Império", a autora Yudori consegue manter o leitor "agarrado", tanto pela história como pelas ilustrações, como pela intensidade das personagens.
Lembramos que a história se passa em 1930, na Coreia do Sul (ainda com outro nome), durante a ocupação japonesa.
Os dois protagonistas não podiam ser mais diferentes. Ela, Arisa Jo uma jovem mimada, rica, com todos os privilégios, irreverente que gosta de arriscar e de provocar. Ele, Jun Seomoon, filho da empregada da casa, trabalhador, responsável e respeitador.
Os dois estão em plena adolescência, fase que leva à descoberta e encontram-se num momento delicado. Arisa é rebelde, está revoltada com o pai e para fugir aos seus pensamentos e confrontos, procura refúgio em relações com rapazes. Jun é mais púdico, quer protegê-la, mas ao mesmo tempo atravessa uma crise existencial e encontra-se dividido ao tomar conhecimento de ideias políticas radicais.
A par disso, a amizade entre os dois cresce e Arisa diverte-se a lavar Jun a experimentar novas comidas e novos lugares, para que as diferenças entre os dois diminuam. E o leitor assiste a esta relação de amizade que parece poder vir a ser algo mais, até porque a jovem está cada vez mais provocadora e Jun cada vez mais tentado.
A série tem um bom ritmo, lê-se muito bem, e tem várias camadas, pois não se centra apenas na relação entre os dois jovens, mas também no contexto político e histórico sem ser maçador.
No final a autora deixa sempre umas notas muito interessantes e engraçadas sobre o seu processo criativo.

















































