terça-feira, 30 de junho de 2026

Novidade Bertrand: Adele está volta de novo com o volume 17!

 


Adele está de regresso com o livro 17 com o título Karmastrófico e atenção que Adele decidiu portar-se bem! Sim foi o que nós escrevemos, mas será que estamos preparados para alteração? Parece-nos que não...

Esta série é da autoria de Mr. Tan e Diane Le Feyer e é editada pela Bertrand Editora.

A história

«Estou farta de estarem sempre a dizer que sou má! Decidi esforçar-me: sim, é isso mesmo, a partir de hoje vou passar a obedecer aos meus pais, comer os meus legumes e até ser útil! Bolas, só de pensar nisso até me arrepio!»

A Incrível Adele está determinada a melhorar a sua reputação! Mas como é que ela o pode fazer se é a rainha dos disparates e nunca fez uma única boa ação? A Adele aceita este novo desafio, mas, com o seu mau karma, as catástrofes podem estar à espreita… Cuidado, o resultado pode ser KARMASTRÓFICO!!!

Novidade Fábula: Frizzy - solta os caracóis! - uma novela gráfica premiada, para jovens leitores

 


A Fábula acaba de editar esta obra de Claribel A. Ortega, com ilustrações de Rose Bousamra, intitulada "Frizzy, solta os caracóis", uma novela gráfica premiada, com uma mensagem poderosa que celebra a diversidade e o poder da afirmação pessoal.

Esta obra recebeu vários prémios, destacando-se pela representação sensível e inclusiva de temas como a identidade, a diversidade e o empoderamento juvenil. Estes galardões reforçam o impacto e a relevância do livro, tornando-o uma leitura recomendada para jovens leitores.

A sinopse:

Marlene é uma adolescente determinada, mas sente-se constantemente pressionada a corresponder às expectativas da família, sobretudo no que toca ao seu cabelo encaracolado. Todos os domingos, a mãe leva-a ao cabeleireiro para alisar o cabelo, convencida de que um visual “arrumado” é sinónimo de sucesso e respeito. No entanto, Marlene começa a questionar estas normas e a procurar aceitar-se como é, enfrentando o preconceito enraizado e o desejo de ser fiel a si própria. Com o apoio da sua tia e de uma amiga próxima, Marlene inicia uma jornada de autoaceitação, enfrentando estereótipos, bullies, expectativas familiares e o desejo profundo de ser fiel a si mesma.



segunda-feira, 29 de junho de 2026

A opinião de Miguel Cruz sobre "Eldorado", de Quintanilha e "L’Île des riches", de Pierre Christin e Titwane

 


Eldorado

Marcelo Quintanilha, autor bem conhecido do público português, tem vindo a consolidar a sua presença junto do público nacional, tendo estado recentemente em Portugal, no Coimbra BD, onde apresentou outra obra que não Eldorado, publicado originalmente em francês pela Lombard. Este contexto reforça o interesse em torno da sua produção e a expectativa de futura publicação de Eldorado em português. Porque vale a pena!

Em Eldolrado, o autor constrói um retrato intenso e multifacetado de um Brasil urbano marcado por desigualdades estruturais, violência latente e permanente tensão social, ao longo de várias décadas, desde a de 50 do século passado. A narrativa, supostamente tem por base a história de um ascendente familiar do autor, ex-jogador de futebol, Hélcio, mas efetivamente trata-se de uma narrativa com diversos protagonistas, centrada essencialmente nas relações de uma família em que predomina o carácter marcante do pai de família, cruzando trajetórias individuais que revelam, em conjunto, um espaço social fragmentado onde sobrevivência, ambição e identidade se confrontam continuamente. 

Não há, portanto, um único protagonista dominante, apesar da “centralidade” concedida, numa primeira parte da BD, aos feitos futebolísticos de Hélcio: antes, uma constelação de personagens, muitas delas ambíguas, cujas experiências convergem para expor a fragilidade do chamado “eldorado”. O título assume, assim, um valor claramente irónico, funcionando como comentário crítico ao tema da ascensão social.

Do ponto de vista gráfico, Quintanilha reafirma uma linguagem visual muito própria, já bem nossa conhecida, assente num traço expressivo, dinâmico e emocionalmente carregado. A utilização da cor é particularmente eficaz na construção de atmosferas frequentemente quentes, densas, quase opressivas que acompanham o ritmo narrativo e amplificam o impacto das situações retratadas. O autor revela também um bom controlo da composição de página, alternando momentos de grande intensidade visual com sequências mais contidas e observacionais. 

A estrutura da BD faz com que a leitura seja exigente, e a temática introduz uma dureza que permanece no final da leitura, uma espécie de gosto amargo que sentimos de olhos bem abertos (agora lembrei-me do presidente da câmara de Champignac, não sei bem porquê!?). 




L’Île des riches

L’Île des riches (A ilha dos ricos, um título que a priori não me pareceria indicado do ponto de vista literário e de atratividade, constitui um título particularmente feliz pela sua fácil contextualização, e adequado pelo impacto que pretende atingir) o último argumento assinado por Pierre Christin, autor que, falecido há quase 2 anos,  nos deixou obras notáveis como Valérian, Agence Hardy e a Caçada, para citar apenas alguns exemplos de colaboração com fantásticos autores como Mézières, Goetzinger ou Bilal, chega ao mercado envolto numa aura de provocação calculada. A premissa uma ilha paradisíaca do Pacífico transformada em reduto exclusivo dos ultra ricos não é apenas cenário: é alvo. Um alvo fácil, dirão alguns; um alvo necessário, dirão outros. O certo é que Christin, fiel ao seu estilo, não resiste a desmontar o verniz do privilégio com a precisão de um cirurgião e a ironia de um moralista cansado.

Entre leitores habituados à BD de intervenção social, e conhecedores deste autor em particular, a expectativa é clara: Christin não veio para confortar ninguém. E L’Île des riches parece confirmar isso desde a primeira linha. Villas sumptuosas, autonomia energética, arquitetura de catálogo tudo cuidadosamente construído para sublinhar a artificialidade de um mundo que acredita poder comprar a eternidade. Até que a natureza decide misturar as coisas.

O tsunami que avança a 800 km/h não é apenas um fenómeno natural; é uma metáfora com a mesma subtileza de uma marreta. Christin nunca teve medo de ser explícito, e aqui volta a lembrar que a fortuna não é colete salva vidas. Quando a água sobe, o dinheiro afunda. E com ele, a ilusão de que o privilégio é uma forma de imunidade.

Sabemos ao que vamos, há total transparência nos objetivos do autor. Mas a narração desta situação contextual não se perde no objetivo global, nem sequer deixa de ser subtil apesar do tom de crítica não o ser. E o “argumento” é substancial, surpreendente por vezes, inesperado muitas vezes, e de uma elegância que a situação não permite.

Titwane, encarregado da parte visual, tem pela frente o desafio de ilustrar um universo onde o grotesco e o luxuoso se tocam. O traço é elegante, as cores são atrativas e tanto alimentam a visão do luxo, como da fúria dos elementos. A fragilidade, diria, é o traço dominante. 
Se este é o último argumento de Christin, não é um adeus suave. É uma bofetada elegante. A ler sem moderação, editado pela Dargaud.


A primeira edição do Prémio Nacional de Banda Desenhada (PNBD) distinguiu António Jorge Gonçalves com o prémio Carreira



Este fim de semana foram anunciados os nomes dos vencedores da primeira edição do Prémio Nacional de Banda Desenhada e os prémios das três categorias foram atribuídos a:

Prémio Carreira - António Jorge Gonçalves

Prémio Obra do Ano - "Dormindo entre Cadáveres", da autoria de Luís Moreira Gonçalves e Felipe Parucci (edição Zigurate).

Prémio Inovação em Banda Desenhada - "Rumo ao Eclipse", da autoria de Ana Matilde Sousa, Ana Simões, André Nóvoa e Hugo Soares (edição Chili Com Carne).

O comunicado, difundido pelo Ministério da Cultura, Juventude e Desporto informa ainda que o júri avaliou 45 candidaturas distribuídas pelas três categorias que estavam a concurso.

Cada um dos vencedores receberá 10 mil euros e o Prémio Obra do Ano recebe ainda um valor suplementar de 1500 euros, como apoio a uma participação no Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême, em França (quando este voltar a acontecer).

Quanto à cerimónia da entrega dos prémios, esta irá decorrer no dia 18 de outubro, Dia Nacional da Banda Desenhada Portuguesa, integrando a programação do Festival Amadora BD.

A todos os vencedores os nossos parabéns! 


A nossa leitura de: As Guerras de Lucas - Episódio II, de Laurent Hopman e Renaud Roche - edição Ala dos Livros

Adorámos o primeiro volume de "As Guerras de Lucas" e o mesmo aconteceu com o Episódio II. Desengane-se quem poderá ter pensado que este volume era mais do mesmo, porque continua a surpreender. 

Os autores Renaud Roche e Laurent Hopman são fãs confessos da saga Star Wars e a sua paixão reflete-se muito nesta obra, cujo primeiro volume recebeu inúmeros prémios e vendeu mais de 100.000 exemplares em França.

"Com base no segundo filme da trilogia “Star Wars”, este volume conta a história esquecida da verdadeira provação que foi a produção de “O Império Contra-Ataca”. Drama, conflito e acidentes improváveis ​​atormentaram as filmagens, quase fazendo esquecer os contratempos encontrados no primeiro filme... Uma descida ao inferno que por pouco não destruiu Lucas, mas que, no final, deu origem a um filme hoje considerado a obra-prima da saga." 

Os autores oferecem-nos uma obra extraordinária e apaixonante que vai muito além de uma simples viagem aos bastidores de uma das mais influentes sagas da história do cinema. É também um relato inspirador sobre determinação, coragem e capacidade de superar adversidades. Conquista-nos da primeira à última página e dá-nos a conhecer como George Lucas foi um visionário, tendo criado técnicas de filmagem que não existiam e nunca tinham sido experimentadas. Visionário para uns, louco para outros, o certo é que depois do sucesso avassalador do primeiro filme de Star Wars, Lucas deixou de ser visto como um jovem realizador sonhador e pouco convencional. Transformado num fenómeno de bilheteira e detentor de uma fortuna considerável, passou a ter total liberdade para decidir o rumo da sua carreira. Convencido de que queria libertar-se do controlo dos grandes estúdios, tomou uma decisão arriscada: investir toda a sua fortuna no financiamento do seu próximo projeto. Uma aposta ousada que acabaria por marcar profundamente o seu futuro.

A par de Star Wars, ficamos também a conhecer outros projectos de George Lucas e também a génese de Indiana Jones, revelando os desafios, as ideias e os encontros que deram origem a outra das mais icónicas personagens do cinema.

Ricamente documentado, repleto de curiosidades e revelações surpreendentes, e ilustrado com um traço dinâmico e cativante, este livro é uma leitura indispensável tanto para os admiradores de Star Wars como para todos os apaixonados pela sétima arte.

Tal como o primeiro, este volume é cheio de revelações e curiosidades, com um desenho e um ritmo visual que convida a uma leitura compulsiva. Da mesma maneira que não queremos deixar um filme a meio, aqui também não queremos interromper a leitura desta obra que já nos deixou vontade de ler o próximo volume.



domingo, 28 de junho de 2026

Clube de BD da FNAC: O segundo encontro decorreu ontem e reuniu um público muito heterogéneo


 

"Radium Girls", de Cy (edição Arte de Autor) e Erva, de Keum Suk Gendry-Kim (edição Iguana) foram os livros escolhidos para serem alvo da conversa do segundo encontro do Clube de BD da Fnac, moderado pela Alexandra Sousa, do Juvebêdê e pelo João Oliveira do postcast "Livrólicos Anónimos" e da página Na Cama com os Livros.

O evento decorreu ontem à tarde, na Fnac do Colombo e uma vez mais reuniu entusiastas da banda desenhada, mas também curiosos e iniciantes que estão agora a começar a entrar no mundo dos quadradinhos. 

O próximo encontro está já marcado para dia 18 de Julho, às 15 horas, no mesmo local. Todos são bem-vindos!  

Os livros indicados para essa sessão são:

Viagem, de Agustina Guerrero (edição Dom Quixote) e "Finalmente o verão!, de Jillian Tamaki e Mariko Tamaki (edição Planeta Tangerina). Quem ainda não tem nenhum destes livros pode aproveitar porque a Fnac tem os dois em promoção até dia 30 de Junho.






BDs da estante - 692: Colecção Entre Nós – n.º 2 – Cosey, de Carlos Pessoa e Victor Quelhas - edição CNBDI

 


Esta era uma colecção do CNBDI, intitulada "Entre Nós", de livros em pequeno formato e que apresentava entrevistas com autores de BD. Neste segundo volume, o autor entrevistado foi o suíço Cosey, conhecido pela sua personagem Jonathan e que mais recentemente viu editado pela Witloof o excelente álbum “Orchidea”. Tal como diz na capa, de facto Cosey é um viajante inquieto. De referir ainda que esta publicação do CNBDI é de 2001.

sábado, 27 de junho de 2026

Campanha de Boas Práticas no Metropolitano de Lisboa com ilustrações de Nuno Saraiva


A campanha não começou agora, mas ainda está a decorrer e vale a pena mostrar, para quem não é frequentador do Metropolitano de Lisboa, porque vale a pena ver as ilustrações de Nuno Saraiva. Deixamos aqui algumas que captámos recentemente.

«O Metropolitano de Lisboa lançou uma campanha de comunicação intitulada "Boas Práticas, boas Viagens", destinada a fomentar uma utilização mais consciente e responsável do serviço, entendendo que a qualidade da experiência de viagem resulta não apenas da eficiência operacional, mas também dos comportamentos que moldam a convivência quotidiana no espaço público de mobilidade.

A campanha assenta na mensagem central “Ande de metro à vontade. Não à vontadinha”. Com recurso a humor e a uma abordagem pedagógica, apresenta, em contraste direto, comportamentos adequados e inadequados na utilização do serviço, ilustrando o que significa usar o Metro “à vontade”, de forma correta e respeitosa, e “não à vontadinha”, de modo descuidado ou inconveniente.

Para reforçar esta sensibilização para a relevância dos pequenos gestos na experiência coletiva de viagem, a campanha integra ilustrações do reconhecido artista e ilustrador Nuno Saraiva, cujo traço singular confere vivacidade e clareza às situações retratadas, tornando a mensagem mais direta e facilmente apreensível pelos clientes.

Em alinhamento com este contributo artístico para uma comunicação mais próxima e eficaz, Nuno Saraiva destaca a sua ligação pessoal ao Metro de Lisboa: “Para mim, que dependo do metro para quase tudo, é um prazer poder contribuir, da melhor forma que sei, para melhorar um serviço que é de todos e tanta falta faz, quer a mim, quer à cidade de Lisboa”, sublinha o artista plástico.

O conceito criativo da campanha foi desenvolvido pela agência The Hotel e organiza-se em oito temas distintos, cada um associado a uma boa prática de utilização do Metro.»






Festival Amadora BD divulga cartaz de 2026 e a presença de grandes nomes internacionais

 


O Festival Amadora BD revelou hoje o cartaz da 37.ª edição, que este ano se realiza de 15 a 25 de Outubro. A ilustração de Luís Louro é absolutamente extraordinária e rica em pormenores e aconselhamos uma apreciação demorada. Já o design... infelizmente, e mais uma vez, é estranho, confuso e desadequado. É mesmo uma pena que uma ilustração tão boa, tenha uma moldura que não lhe faz justiça.

Quanto às exposições e aos nomes dos autores já confirmados, são prometedores.

As exposições em destaque:

80 anos de Lucky Luke
80 anos de Blake & Mortimer
65 anos do Quarteto Fantástico
40 anos de Dylan Dog
25 anos de O Menino Triste, de João Mascarenhas

Autores confirmados:

Guy Delisle
Ryan North
Iban Coello
Peter Van Dongen
Josep Homs
Thomas Gilbert
Mansoureh Kamari

sexta-feira, 26 de junho de 2026

A opinião de Miguel Cruz sobre "La guerra de Audrey, de Rúbio e Aroca e "Tourner la Page", de Zep

 

La guerra de Audrey

Uma curiosidade que encontrei numa livraria em Espanha: La guerra de Audrey, da Planeta Cómic, editada em 2025, de Salva Rúbio (argumento) e desenho de Loreto Aroca.

Uma novela gráfica de pequeno formato, mas com 150 páginas que romanceia a infância e adolescência de Audrey Hepburn durante a Segunda Guerra Mundial, quando viveu nos Países Baixos ocupados pelos nazis, após uma decisão familiar de escapar de Londres para fugir dos bombardeamentos, conjugada com uma má avaliação de que os Nazis não invadiriam a Holanda… afinal a raça é a mesma.

Na Holanda, Audrey vive anos de fome extrema, medo constante e repressão, e “agarra-se” à vontade de dançar e de aprender a dançar como forma de refúgio, sobrevivência e de objetivo de vida.

A narrativa tem uma forte base documental e histórica, e uma abordagem intimista e emocional, centrada na experiência de uma criança, sem heroísmos artificiais, sem aventura e eventos forçados, mas focada na empatia. E acho que, o exercício é bem conseguido. O desenho é sensível, elegante e expressivo, a cor é bem usada para explorar emoções e o lado humano dos acontecimentos. Bem documentado, com rigor histórico, apesar de evitar espetacularidade, ou qualquer aprofundamento de eventos da guerra. A mãe de Audrey vai fazendo avaliações erradas atrás de avaliações erradas: a mudança para a Holanda, a confraternização com o ocupante…

A história não me era conhecida e é a base para uma narrativa envolvente, embora muito contida, clássica e com uma limitada abordagem aos acontecimentos envolventes e muito centrada na personagem central, com pouca profundidade no tratamento das personagens secundárias.

Uma leitura simpática, agradável, simples, com bom impacto humano e uma curiosidade biográfica sobre uma das mais amadas atrizes de cinema.



Tourner la Page – Zep

Tourner la page, de Zep, acompanha a história de um autor de romances que, após ter conhecido o sucesso literário, se vê confrontado com o declínio da sua carreira e com uma profunda crise pessoal. Ao longo da narrativa, seguimos um percurso de perda, dúvida e tentativa de reconstrução, onde o protagonista lida com o esquecimento, a solidão e a necessidade de redefinir a sua identidade, mas com um twist anunciado desde a primeira página: a sua morte. O título traduz bem essa travessia: trata-se de aceitar o fim de um ciclo e encontrar forma de seguir em frente, num registo simultaneamente íntimo e reflexivo. Ah, e é bom não esquecer que os planos humanos saem “furados” com muita frequência!

A nível gráfico, a BD mantém a qualidade excecional a que o autor nos habituou, relativamente intimista, cores luminosas, representação gráfica detalhada, os rostos como espelho da alma, os espaços envolventes detalhados e realistas. Zep adota um estilo em aguarela, suave e expressivo, que marca uma evolução talvez natural no seu trabalho. As cores delicadas e o traço contido criam uma atmosfera melancólica e introspetiva, reforçando o tom emocional da narrativa. A maturidade artística do autor já não precisava de ser provada, mas está comprovada.

Nesta BD, para mim, o ponto a destacar no trabalho de Zep é a exploração de temas como o sucesso, a sua fragilidade e o funcionamento do mundo editorial, transformando a narrativa numa reflexão mais ampla sobre a criação artística e o reconhecimento num mundo “dog-eat-dog” (coitado dos cãezinhos, é uma expressão). A BD é envolvente, ficamos com a ideia de que diz bastante, em determinados pontos, ao seu autor. Zep desembaraça-se tão bem no domínio humorístico como num registo mais sério e sisudo, mas sem perder o humor e a ironia.

É curioso que, do meu ponto de vista, a BD nunca é previsível, e tem vários momentos surpreendentes, mas a surpresa torna-se imediatamente natural, facilmente digerível, o que constitui relevante ponto positivo. Quando virei a última página (perceberam? Sim o título do livro é virar a página, certo?… ouff!) fiquei com uma grande curiosidade sobre o que se seguiria, mas verdadeiramente, todos perceberemos: não é importante.

A capa é sóbria, clara e sugestiva, refletindo bem a introspeção da obra e, veremos, o estado emocional do protagonista. O livro conta com cerca de 96 páginas, num formato cuidado que valoriza o trabalho em aguarela e a leitura pausada. Publicado pela editora Rue de Sèvres, esta BD é uma das BDs de 2026, na minha opinião. 


2.ª encontro do Clube de B.D. da FNAC decorre já amanhã, sábado, 27 de Junho


É já amanhã, sábado, 27 de Junho, pelas 15 horas, na FNAC do Colombo, que irá decorrer o segundo encontro do Clube de B.D. da FNAC, dinamizado pela Alexandra Sousa do Juvebêdê e pelo João Oliveira do podcast “Livrólicos Anónimos” e do instagram “Na Cama com os Livros”.

As escolhas de leitura têm como foco, as mulheres. "Se ainda hoje ser mulher é um fator de risco, não precisamos de viajar muito no tempo para encontrarmos inúmeros exemplos do pouco valor dado à sua vida" e os dois livros que a Alexandra e o João escolheram para esta sessão demonstram isso mesmo:

"Radium Girls" de Cy (Arte de Autor), sobre um grupo de jovens trabalhadoras americanas expostas a radiação por uma indústria negligente - escolha da Alexandra Sousa

"Erva" de Keum Suk Gendry-Kim (Iguana), que imortaliza as “mulheres de conforto”, um exemplo dos horrores vividos pelas mulheres em cenários de guerra - escolha do João Oliveira

Os participantes foram convidados a ler pelo menos um destes livros. Mas mesmo que não tenham lido, podem aparecer e ficar a conhecer melhor estas histórias.


quinta-feira, 25 de junho de 2026

Novidade Distrito Manga: Cria os Teus Webcomics com a WEBTOON


A Distrito Manga tem em pré-venda, disponível a partir de 6 de Julho, esta novidade que pode ajudar muitos aspirantes a criar Webcomics.

Da ideia inicial à publicação, Cria os Teus Webcomics com a WEBTOON é um guia completo que mostra como dar vida à visão criativa e lançar a própria série webcomic! Com dicas exclusivas de autores da WEBTOON, os leitores podem descobrir os segredos do formato vertical, aprender a estruturar episódios envolventes e dominar a escrita para banda desenhada digital. Seja qual for o nível, Cria os Teus Webcomics com a WEBTOON reúne técnicas essenciais para aperfeiçoar o trabalho, incluindo:

- Ferramentas essenciais, como programas para a criação de webcomics.

- Orientações, passo a passo, sobre como criar personagens e cenários, escrever guiões, fazer esboços, escolher a paleta de cores e preparar a arte-final.

- Como ter sucesso, com dicas para publicar, lançar uma série, construir uma comunidade de leitores e até gerar rendimento.







Novidade DEVIR: o livro Supergirl - Mulher do futuro já está disponível e filme Super Girl chega hoje às salas de cinema portugueses

 


É uma dupla novidade, pois Supergirl tem edição da DEVIR em livro e também estreia o filme com o mesmo nome nas salas de cinema portugueses.

O livro

Supergirl Mulher do Futuro
Tom King e Bilquis Evely

É a Supergirl como nunca a viu, numa obra-prima de sci-fi/fantasia que a tem como personagem, da autoria de Tom King (Mister Miracle) e ilustrada por Bilquis Evely (Wonder Woman)!

Kara Zor-El passou por algumas aventuras fantásticas ao longo dos anos, mas agora vê-se sem propósito ou motivação. Ei-la: uma jovem mulher que viu o seu planeta ser destruído e foi enviada para a Terra para proteger o primo bebé, que, afi nal, não precisa dela. Para que serviu tudo isto? Aonde quer que vá, todos a comparam com o Superman e os seus feitos.

Contudo, quando a Supergirl pensava que já não aguentava mais, tudo mudou. Uma jovem alienígena pede a sua ajuda para levar a cabo uma missão impiedosa. O mundo dela foi destruído e os vilões responsáveis continuam à solta. A jovem quer vingança e, se a Supergirl não a ajudar, vai procurá-la sozinha, a qualquer custo. Assim, uma Kryptoniana, um cão e uma menina desgostosa e zangada partem para o espaço, numa aventura que os vai transformar profundamente.

Este volume reúne a totalidade da minissérie de oito números Supergirl: Mulher do Futuro.

O filme



quarta-feira, 24 de junho de 2026

Novidade: Arte de Autor e A Seita lançam "Brigada dos Costumes", da dupla Zidrou e Jordi Lafebre


A dupla Zidrou e Jordi Lafebre (Lydie, Verões Felizes) reencontra-se na esquadra de Paris na década de 1930, com esta edição integral de "Brigada dos Costumes", co-editada pela Arte de Autora e pel' A Seita. 

Esta história em duas partes retrata o quotidiano da esquadra: o jovem inspetor Aimé Louzeau inicia-se na infiltração e vigilância para desvendar segredos cruciais para os mais altos escalões governamentais. Mas a polícia também tem os seus segredos, e Aimé, filho de um padre excomungado, não é excepção…

A convite da HBO Max, Daniel Henriques criou uma ilustração exclusiva para celebrar a estreia de House of the Dragon

 


De forma a celebrar a estreia da terceira temporada da série House of the Dragon, a HBO Max desafiou o artista de banda desenhada, Daniel Henriques, a criar uma ilustração exclusiva e de edição limitada, inspirada nos visuais impactantes da série, a qual temos o prazer de vos mostrar.

Com uma carreira de mais de uma década, Daniel Henriques deixou a sua marca em títulos icónicos da DC, Marvel, Image e Dark Horse Comics, tais como Spawn, Venom, Batman, Green Lantern, Justice League of America, Aquaman, e mais recentemente, The Curse of Sherlee Johnson da Todd McFarlane Productions.

House of the Dragon, baseada em "Sangue e Fogo" de George R.R. Martin, é ambientada 200 anos antes dos eventos de "A Guerra dos Tronos" e conta a história da Casa Targaryen.