terça-feira, 24 de março de 2026
Uma autora de BD por dia... nem sabe o bem que lhe fazia - Joana Afonso
Festival: Coimbra BD (24 a 26 de Abril) divulga o cartaz da edição de 2026, da autoria de Daniel Maia
O Festival Coimbra BD 2026, organizado pela Câmara Municipal de Coimbra, através da Divisão de Bibliotecas e Arquivo Histórico, está prestes a regressar ao Convento São Francisco, entre os dias 24 e 26 de abril, com entrada livre. O evento, referência por parte dos mais conceituados autores e editoras, promete trazer o universo da banda desenhada e da cultura pop a Coimbra com três dias preenchidos com convidados nacionais e internacionais, lançamentos exclusivos, muitas novidades e uma área ainda maior com a inclusão da Antiga Igreja.
Entre os autores presentes na nova edição confirmam-se nomes como: Daniel Maia (autor do cartaz do Festival), Luís Louro, Osvaldo Medina, Ricardo Cabral, João Mascarenhas, Filipe Abranches, André Carrilho, os irmãos Duarte e Henrique Gandum, Ángel de la Calle, entre muitos outros.
O evento vai incluir ainda lançamentos, sessões de autógrafos, workshops e várias exposições entre as quais: “Butterfly Chronicles” de João Mascarenhas, “Distopias e Metamorfoses: os Clássicos Ilustrados” de André Carrilho, “Rattlesnake” de João Amaral ou “Kachisou: Entre a BD e Ilustração” da artista e ilustradora vencedora de vários prémios de mangá, Kachisou que também vai marcar presença no Coimbra BD 2026.
A área de Artists’ Alley continua a ter grande destaque com muitas dezenas de grandes talentos a mostrarem os seus trabalhos e arte bem como o espaço dedicado às editoras com obras de banda desenhada e literatura, tanto os lançamentos mais recentes como grandes clássicos, e lojas de merchandising com os mais variados produtos alusivos à cultura pop com personagens e títulos adorados por todos.
Todos os visitantes do Coimbra BD 2026 vão ter ainda acesso a sessões de cinema, competições de card e board games, demonstrações de Dungeons and Dragons, uma área dedicada a um público mais infantil com inúmeras atividades criadas a pensar nos mais novos, entre as quais Horas do Conto, oficinas de pintura e desenho, workshops e muitos outros momentos de pura diversão.
O Cosplay traz uma grande novidade nesta edição, organizando pela primeira vez em Portugal o qualificador para um dos maiores concursos a nível internacional, o Cosplay Central Crown Championships. Este qualificador, que vai ter lugar em Coimbra, vai selecionar o cosplayer que representará Portugal na grande final em maio na MCM London. Para além deste qualificador, o Coimbra BD 26 vai manter ainda o tradicional concurso aberto a todos que queiram participar e vai contar com a presença de alguns dos maiores cosplayers a nível nacional que estarão disponíveis para sessões de meet & greet, painéis e workshops.
O mangá e o anime vão ter grande destaque bem como o K-Pop que conquista cada vez mais adeptos com várias atuações que prometem envolver todos os participantes e não deixar ninguém indiferente.
O Festival Coimbra BD 2026 mantém o espaço Gaming com vários equipamentos que permitem experimentar e jogar os videojogos de maior sucesso da indústria, realidade virtual, PC gaming, consolas e retrogaming com os títulos mais icónicos para várias gerações.
O Coimbra BD 2026 vai decorrer de 24 a 26 de abril no Convento São Francisco e vai estar aberto ao público entre as 10h00 e as 20h00 na sexta-feira e no sábado e entre as 10h00 e as 18h00 no domingo. Todos os dias são de entrada livre.
O Coimbra BD tem a produção e programação da GuessTheChoice e o programa detalhado vai ser apresentado brevemente em conferência de imprensa.
A nossa leitura de Vincent, de Barbara Stok - edição Iguana
Vincent van Gogh é um dos nossos artistas preferidos de sempre. Como muitos génios, foi incompreendido e o sucesso da sua obra aconteceu já depois da sua morte. Foi, por isso, com muito agrado, que recebemos a notícia da publicação desta novela gráfica, da autoria da holandesa Barbara Stok.
A história em si já não nos era desconhecida, pois já vimos vários filmes, documentários e exposições sobre Van Gogh, mas há sempre algo a aprender e neste caso não foi excepção. Neste caso, este livro dá muito destaque à relação do pintor com o seu irmão, à amizade com Paul Gauguin e aos seus problemas de saúde mental, os surtos psicóticos que o levaram a cometer actos irracionais e a ser internado na ala psiquiátrica.
Claro está que elementos icónicos da obra e da vida de Van Gogh estão muito presentes neste caso desde as searas aos girassóis, a casa amarela, as árvores em flor, o céu estrelado, entre outros.
O que gostámos neste livro é que sendo a história do pintor já tão conhecida, há certos aspectos que nem precisam de palavras para os descrever e portanto temos várias páginas onde só a cor e o desenho contam a história, não sendo necessário mais nada.
Os desenhos são de uma simplicidade desconcertante, expressivos e com uma extraordinária aplicação de cor. Destacam-se as pranchas que retratam os surtos de loucura de Van Gogh, onde aí Barbara Stok dá largas à sua arte e oferece-nos páginas cheias de movimento e cores fortes, que se destacam das demais, para personificar melhor as fases intensas e delirantes do artista. Aliás, tudo nele era intenso, até a sua capacidade de produção de obras, que pintava quase freneticamente. A natureza, aqui muito presente, era o que acalmava e o que inspirava Van Gogh que preferiu sempre viver no campo e próximo das paisagens bucólicas em Arles.
Fonte inesgotável de inspiração, muito se tem dito e escrito sobre Vincent Van Gogh e Barbara Stok foi contaminada por esse fascínio que o artista ainda hoje exerce, e consegue, através deste seu livro, trazer algo de novo e refrescante, mais comovente e emocional.
segunda-feira, 23 de março de 2026
Uma autora de BD por dia... nem sabe o bem que lhe fazia - Keum Suk Gendry-Kim
Partiu ontem um dos grandes nomes da banda desenhada franco-belga: Hermann (1938-2026)
Bernard Prince (Vitamina BD), Jeremiah, Comanche (editado pela Ala dos Livros a p/b), As Torres de Bois-Maury, Duke (Arte de Autor), Brigantus , entre outros, são nomes que vão ficar para sempre associados a um nome: Hermann. Dotado de uma invulgar capacidade e ritmo de trabalho, o autor belga produziu bandas desenhadas até aos 87 anos, idade com que partiu, ontem, vítima de cancro, que combatia há já dois anos.
Uma das figuras maiores da banda desenhada franco-belga, Hermann deixou uma vastíssima obra, personagens e séries de culto e em 2016 recebeu o Grande Prémio do Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême.
Sabemos que ainda conseguiu concluir um novo trabalho, o qual vai ser publicado em Abril, com o título Cartagena (última imagem: prancha de Cartagena).
Por cá, saiu recentemente, pela Arte de Autor, um álbum duplo (Old Pa Anderson + Redenção), realizado em colaboração com o seu filho Yves H., com quem trabalhou em muitos dos seus trabalhos nos últimos anos, como é o caso da série Duke.
A nossa leitura de Um livro esquecido num banco, de Jim e Mig - edição ASA
domingo, 22 de março de 2026
Uma autora de BD por dia... nem sabe o bem que lhe fazia - Raquel sem Interesse
Já tivemos oportunidade de dizer à Raquel, que ela devia mudar o nome artístico para "Raquel com muito interesse", porque os livros que editou têm qualidade e a obra dela tem muito potencial. Primeiro "Vida Adulta" e, em 2023, "E agora?". Se, como nós, são fãs da Raquel sem Interesse, certamente que esperam por mais. Se não conhecem ainda a obra desta autora, recomendamos.
BDs da estante - 678: Hulk - O regresso do monstro, de B. Jones, L. Weeks e T. Palmer - Edição Devir
Bruce Banner continua a sua fuga, mas os acontecimentos precipitam-se subitamente quando se vê envolvido numa tomada de reféns, e onde ele próprio é um dos sequestrados! Como lidará o Hulk com esta situação explosiva?
sábado, 21 de março de 2026
Novidade Distrito Manga: O nono volume de Tokyo Revengers chega a 30 de Março
Uma autora de BD por dia... nem sabe o bem que lhe fazia - Chloé Cruchaudet
A autora francesa Chloé Cruchaudet esteve em Portugal na edição de 2023 do Festival Amadora BD (onde captámos a sua fotografia) e tem já editadas duas obras suas no nosso país, pela Iguana. Mau Género e, mais recentemente, Céleste e Proust. Somos fãs do seu desenho e estes são dois livros extraordinários que recomendamos.
A nossa leitura do quinto volume da série "O meu casamento feliz", de Agitogi, Kohsaka e Tsukioka - edição Presença Comics
sexta-feira, 20 de março de 2026
A opinião de Miguel Cruz sobre "Laowai - Integral", de Alcante, Bollée e Besse
LaoWai – Integral
Publicada entre 2017 e 2019, a série LaoWai fez um bom sucesso comercial, e foi determinante para a carreira do desenhador Xavier Besse. Em 2025 foi publicada uma versão integral que contém os 3 volumes da série com desenho de Besse e argumento do duo Alcante – Bollée (editado em Portugal pela Gradiva com a excelente e longa BD “A Bomba”).
LaoWai é uma BD de aventura, que decorre essencialmente na China do século XIX, na sequência de uma campanha “punitiva” contra a China (contra o Imperador Chinês) ordenada por Napoleão III e com o apoio (competição?) da Inglaterra. Nesta campanha acompanhamos uma mão cheia de personagens, desde a mulher, chinesa, de um diplomata designado para conduzir eventuais negociações, ao general Francês que procura acima de tudo proteger a sua imagem e carreira, passando pelo duo de soldados François Montagne, um idealista que se apaixona pela mulher do diplomata, e que se vai ver envolvido nas missões mais perigosas possíveis, e o seu amigo Jacques Jardin, cuja motivação para participar nesta expedição iremos descobrindo ao longo da BD. Pelo meio um conjunto de outros soldados que se vão dedicar ao tráfico de ópio.
Uma história solidamente baseada em factos reais, que aborda temas interessantes – a gestão da imagem, a informação e a desinformação, o impacto do comércio do ópio no financiamento do esforço de guerra, os delírios de grandeza de personagens narcisistas e afastados da realidade, a espionagem e a diplomacia, entre outros. A narrativa é bem construída, bem ritmada, com diálogos inteligentes, adaptados à época, a cultura chinesa é interessantemente aflorada.
O desenho é mesmo muito bom, desde as personagens aos ambientes, nota-se muita pesquisa e detalhe na caracterização de época – armas, vestuário, edifícios, gestos –, as cores são excelentes e concedem ainda mais realismo à aventura, a ação é bem retratada, a composição de página é preparada com mestria, o exotismo é introduzido com qualidade, peso, conta e medida.
Ao longo das páginas, rapidamente somos cativados pela personagem de François Montagne, compreendemos o seu humanismo, a sua revolta, o seu sofrimento, acabamos a “torcer” intensamente por ele. E isso, porque nem sempre acontece, é sempre digno de nota.
Uma bela edição, com cerca de 170 páginas, da Glénat. Uma “não bela”, mas entusiasmante aventura. Fica a recomendação.
Uma autora de BD por dia... nem sabe o bem que lhe fazia - Rita Alfaiate










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