quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

A nossa leitura do quarto volume de Macho-Alfa, de Osvaldo Medina e Filipe Duarte Pina - edição A Seita

 


Não esperávamos que falar sobre esta leitura nos trouxesse tanta tristeza. Não pelo fim da série, que já esperávamos, mas pela partida inesperada e precoce, do seu argumentista, Filipe Duarte Pina, falecido em meados de 2025. Esta foi a sua derradeira obra, que realizou, tal como os volumes anteriores, com Osvaldo Medina. A edição é da Seita.

A série Macho-Alfa contou-se em quatro volumes. Bem, escrita e bem desenhada. Como já escrevemos sobre os anteriores, os volumes são divertidos e despretensiosos, cheios de acção e com críticas à sociedade em geral e à portuguesa em particular e que brinca com o mundo dos super-heróis. O que é interessante ao ler toda a série é que ela é evolutiva entre o humor e temas mais sérios, começando mais leve e divertida, adensando a narrativa a cada volume, focando-se na crise existencial do protagonista e tornando-o aos nossos olhos, cada vez mais humano e menos super-herói. A sua depressão é séria, a sua inadequação aos estereótipos estabelecidos, os seus traumas, as críticas à sociedade, o tom irónico, tudo isto vai tornando a série mais pesada.

A luta contra todos, mas sobretudo consigo próprio é o motor da vida de Macho-Alfa, mas não há super-herói sem vilão e neste final a luta vai ter que acontecer entre os dois e as revelações são tão duras que vão levar a uma violência muito maior do que aquela a que assistimos nos três primeiros volumes. Não queremos adiantar muito mais, para não comprometer a vossa leitura. Apenas podemos acrescentar que este final não deixa de surpreender e de chocar ao mesmo tempo.





Novidade: já está em pré-venda o nono volume da série Edenszero


Com data de entrega prevista a 16 de Fevereiro, já está em pré-venda na Distrito Manga, o volume nove da série Edenszero, de Hiro Mashima.

A sinopse:

Depois de deixarem para trás os problemas com a Madame Kurenai, a tripulação da EDENS ZERO vê-se perante um novo inimigo: o temido Drakken Joe.

Fascinado pela lendária nave, ele prepara-se para a reclamar como sua — juntamente com todos os tesouros que possa esconder. E, à semelhança de Shiki, também conta com uma tripulação poderosa.

Será que Shilki e os amigos vão conseguir vencer mais uma vez?






Novidade: Bertrand edita o primeiro volume da nova série "Elas"



A Bertrand acaba de lançar duas séries de banda desenhada para um público pré adolescente. Elas é uma delas, e o primeiro volume tem como título "A Miúda Nova". A autoria é de Kid Toussaint e Aveline Stokart.

A sinopse: 
A Ella parece ser uma adolescente como as outras. É uma miúda espirituosa e atraente que rapidamente se juntou a um grupo de amigos na escola nova.

Acontece que a Ella não é apenas uma rapariga. Será que alguém suspeita de que ela é mais do que isso? É que a Ella tem CINCO personalidades, cada uma com a sua cor de cabelo, e nem todas lá muito amigáveis…







terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Novidade Nuvem de Letras: A Guerra de Tróia em versão recontada para adolescentes

 


Quando vimos a edição desta história "A Guerra de Tróia", editado pela Nuvem de Letras, para além da capa e do título, despertou-nos a atenção os seus desenhos e ilustrações, e também por ser uma nova versão desta história como apresentada e contada.

É um título para os mais novos, mas que também gostámos e recomendamos aos mais velhos numa livraria perto de si ou em EBOOK!

Autores: Nicolas Schuff (argumento) e Mariana Ruiz Johnson (Ilustrações)

A história 

A Guerra de Troia narra um dos maiores conflitos bélicos da mitologia grega, causado pelo rapto de Helena, a esposa do rei de Esparta. Reis poderosos e guerreiros lendários, todos eles ajudados por deuses magníficos, defrontaram-se durante 10 anos. Nicolás Schuff, tantas vezes distinguido pelo seu talento, reconta-nos esta história inesquecível através de uma narrativa clara e emocionante. Mariana Ruiz Johnson, ilustradora premiada, é quem dá vida a este cenário inesquecível.

Uma história intemporal que nos convida a refletir sobre as consequências e o peso das escolhas de cada um de nós.






A nossa leitura de El Diablo, de Alexis Nesme e Lewis Trondheim - edição A Seita

 


Parece que as opiniões sobre este livro se dividem e ainda bem. A arte é coisa que não se discute. Há quem goste e quem não goste. Como se diz, se todos gostássemos do amarelo, o que seria do azul? Adiante. Já tínhamos tido um feedback muito positivo por parte do Miguel Cruz que leu a versão original deste "El Diablo", de Alexis Nesme e Lewis Trondheim, opinião que publicámos aqui em Dezembro de 2025. 

Agora foi a nossa vez de ler este livro (editado em Portugal pel' A Seita) que desde logo despertou a nossa curiosidade pelo Marsupilami que aparece logo na capa. Criámos portanto, grandes expectativas e estas foram correspondidas em certa medida, mas houve um senão.

Para começar fomos logos atraídos pela capa, de que gostámos muito, tal como todo o visual do livro, desde os desenhos às cores utilizadas. Visualmente é mesmo muito agradável, com algumas pranchas arrebatadoras. Todavia quanto ao argumento esperávamos um pouco mais ou então não é para a nossa faixa etária porque por vezes a linguagem parece ser demasiado simplista e mais adequada aos mais jovens. Não que isso seja errado, achamos que devem existir bons livros de BD para os mais jovens e este, de aventuras, poderá vir a atrair novos leitores para a nona arte. Resumindo, neste argumento faltou-nos aqui um "je ne sais quoi" para que estivesse ao nível do desenho.

Apesar de tudo, foi uma leitura muito prazeirosa e embora o Marsupilami não seja tido como o protagonista da história, no fundo não deixa de o ser, pois a sua presença é uma constante e a forte ligação espiritual que se estabelece entre ele e o jovem José é algo mágica e especial, quase como se fossem irmãos gémeos. Sentem e sofrem as emoções um do outro. 

Claro está que há os vilões da história, neste caso protagonizados pelo Capitão Santoro e a sua sede de ouro. A história passa-se no século XVI, na América do Sul e José é um grumete do galeão comandado por Santoro, que está em busca do El Dorado. O fim dos mantimentos levam à decisão da tripulação comer José, mas felizmente avistam uma terra desconhecida o que o leva a escapar-se da morte por um triz. É nessa terra que José é acolhido pelos índios Chahuta e é também aí que vai conhecer esse animal tão incrível e estranho, o Marsupilami.

Sendo um livro fora de colecção, não deixa de ter referências conhecidas dos fãs de Marsupilami, como, por exemplo, o nascimento da Palômbia.

Apesar de esperarmos um nadinha mais do livro, é verdadeiramente bonito e a história acaba por se ler num ápice.






segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

A opinião de Miguel Cruz sobre "Rei Sen Pacifique - tome 1 e 2", de Olivier Speltens


No segundo semestre de 2025 foi publicado o tomo 2 de Rei Sen Pacifique, da autoria de Olivier Speltens e editado pela Paquet. Speltens é um autor que se desenvolveu na linha editorial da Paquet, focado no desenho de aventuras quer giram em torno de automóveis ou aviões. Esta visão é naturalmente redutora, porque Speltens é um autor com uma evidente profundidade narrativa, e uma notória preocupação pela documentação das suas histórias, para além de ser dono de um desenho bonito, detalhado e agradável.

Em Rei Sen, o autor consegue uma qualidade narrativa, quer no argumento, quer nos diálogos, quer no equilíbrio entre narração e diálogo, quer no ritmo, quer, finalmente, na sequência narrativa, de elevado nível. É verdade que a história pode não interessar todos, mas é interessante, credível e com uma perspetiva diferenciadora.

Daisuke, piloto japonês é a personagem central, e toda a história é baseada não apenas no seu relato, na sua perspetiva, mas na sua experiência durante o período da guerra do Pacífico. No tomo 1 conhecemos o jovem Daisuke (e alguns dos seus colegas, nomeadamente Kenji, seu amigo de infância e vizinho de juventude), logo após a sua incorporação na força aérea, sem convicção nem particulares conhecimentos, como muitos outos jovens. 

Estacionados numa ilha do Pacífico, começando por tarefas atacantes associadas à tentativa de invasão de Port Moresby, e ao longo do tempo transitando para tarefas defensivas, os jovens pilotos japoneses vão passando de uma perspetiva de invencibilidade e de curta duração da guerra, para uma perspetiva mais pessimista, com dúvidas sobre os comunicados do exército imperial. A falta de recursos, as operações intermináveis e o cansaço vão pesando.

No tomo 2, penúltimo da trilogia, o cansaço agrava-se, os rostos conhecidos vão desaparecendo e os erros acumulam-se, levando Daisuke a exceder-se, ser ferido, e voltar ao Japão. Após um breve período de contacto familiar, Daisuke, apesar de jovem, torna-se instrutor de aspirantes pilotos, mas com prazos limitados de formação, pois há uma guerra a combater.

Este tema da preparação dos pilotos é central nesta interessante série, desenvolvida na perspetiva de um japonês. Uma história romanceada, mas em que se nota uma preocupação com a contextualização histórica e com a correção cultural. O desenho é excelente, detalhado, tudo é bem documentado e credível, garantindo uma leitura fácil, agradável e memorável. 

Pela minha parte, aguardo com interesse a publicação do tomo 3 e a conclusão desta série. Sabemos qual o desenlace da guerra do Pacífico, mas vale a pena saber o que acontece a Daisuke.




Uma vida a trabalhar para o boneco, uma obra sobre os 40 anos de carreira de Luís Louro e muito mais!

 


Já não é uma novidade (foi editado em Outubro de 2025!) e andamos há bastante tempo para falar sobre este livro que para nós é especial porque participámos nele com a redacção de dois textos/depoimentos. Este livro infelizmente até parece que não existe, pois a sua divulgação ou apresentação pela editora Escorpião Azul é ou foi residual pelos meios da banda desenhada (nem um press release!) ou mesmo inexistente. No entanto vale a pena procurá-lo e ler este livro. 

Luís Louro, Uma Vida a Trabalhar para o Boneco é um livro de Francisco Lyon de Castro que, para além de contar um percurso ímpar de 40 anos, de Luís Louro na banda desenhada nacional (e não só!), reúne também mais de 40 participações de fãs, amigos e colegas de profissão que deram o seu testemunho sobre o autor. 

O livro não poderia deixar de sair em 2025, ano em que, para além de Luís Louro ter assinalado 40 anos de carreira, tudo lhe aconteceu (de bom, entenda-se). Deste modo, e como seria de esperar (pela actividade frenética do autor),  desde a entrega do livro para impressão à editora Escorpião Azul, em Setembro, Luís Louro depressa desactualizou o seu conteúdo pois colaborou ainda num livro colectivo de beneficência a favor da Cercioeiras, lançou os volumes 2 e 3 da série infantil do Corvinho, recebeu o Prémio de Melhor Obra de Autor Português do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, com o seu livro, já em segunda edição, Os Filhos de Baba Yaga e foi condecorado pelo Presidente da República,  Marcelo Rebelo de Sousa com o título de Comendador da Ordem do Mérito.

O trabalho de Francisco Lyon de Castro não terá sido fácil, mas estamos convictos que foi muito prazeiroso. Infindáveis (mas muito agradáveis) entrevistas, recolha de relíquias do baú, recortes de imprensa, fotos, em suma, o trabalho foi captar a essência de quem é o Luís Louro, uma vez que o profissional propriamente dito, e a pessoa são indissociáveis. 

O que poderá cativar o leitor?  O que faz um livro biográfico tornar-se uma leitura que prende, diverte e faz entender muita coisa? Francisco Pedro Lyon de Castro, conseguiu em tempo record, com toda a entrega e dedicação, fazê-lo de forma primorosa.

Ficam aqui algumas imagens, uma delas também com a nossa participação. Leitura recomendada e o livro existe mesmo!







domingo, 1 de fevereiro de 2026

Festival BD 2026: Angoulême-off? Não. Angoulême-on!

Se pensavam que mesmo sem o Festival de Angoulême oficial, o Juvebêdê não ia estar presente, enganaram-se! Apesar de não ter a habitual dimensão com os seus mais de 300.000 visitantes, sem os principais editores e claro sem as suas excelentes exposições, não podemos dizer o mesmo dos autores, pois podemos encontrar alguns grandes e bons autores de BD e que fizeram que algumas centenas ou mesmo milhares de fãs estivessem presentes em Angoulême, mesmo com um festival de dimensões incomparáveis dos chamados "normais". Encontrámos ainda algumas exposições, conferências e mesas redondas, em que algumas delas falaram claro deste problema e o que levou ao cancelamento do Festival deste ano. 

Claro que os autógrafos e as filas marcam sempre qualquer festival , senão não tinha graça!

Aqui ficam algumas fotos para verem e sentirem o que foi este ano o "Festival BD de Angoulême", que aconteceu entre 29 de Janeiro e 1 de Fevereiro ou mesmo o Angoulême-off, mas que foi on!

  

Lele Vianello. Esteve em Beja com exposição sobre o Fanfarrão










Livraria Cosmopolite, uma das envolvidas na organização do evento



 

Exposição Iron Maiden e autógrafos BD

BDs da estante - 671: Lucky Luke - O Profeta, de Morris e Patrick Nordmann - edição ASA


Os Dalton (sempre eles!) conhecem um verdadeiro “profeta” na sua penitenciária. Consumada a fuga dos cinco, vão perturbar uma paradisíaca localidade dominada por uma curiosa comunidade religiosa, onde não há dinheiro, mas sim troca directa de produtos! Claro está que tudo isso é calma a mais para o Joe, que vai “correr” com toda a comunidade, a fim de imporem o seu próprio “estilo” de governação na localidade. 

sábado, 31 de janeiro de 2026

Cinema: Astérix - O Reino da Núbia - Nos cinemas em 2026

 


Já foi anunciado um primeiro cartaz do próximo filme de Astérix que chegará aos cinemas em Dezembro (pelo menos em França).

Astérix - O Reino da Núbia, filme de animação, é uma grande aventura dirigida por Alexandre Heboyan, baseada em uma história original de Matthieu Delaporte e Alexandre De La Patellière.

A sinopse: Um elixir da juventude é derramado por engano na poção mágica de Panoramix e transforma os gauleses em crianças inofensivas. Para salvar a sua aldeia, agora vulnerável aos romanos, Astérix e Obélix empreendem uma longa viagem até ao reino da Núbia, em busca de uma preciosa semente de baobá, essencial para a preparação do antídoto.


A nossa leitura de "Canalha borrada", de Zé Lázaro Lourenço - Edição A Seita

 


"Canalha Borrada", de Zé Lázaro Lourenço, foi uma das últimas novidades editadas pel' A Seita em 2025 e surpreendeu por ser um pouco fora da caixa.

Diz a sinopse que "Canalha Borrada" é uma colectânea de memórias de infância e pré-adolescência, vividas nos anos 2000, nas aldeias de Santa Maria da Feira. Provavelmente autobiográfica, esta BD narra as desventuras de dois primos, cujo principal passatempo era infernizar a vida dos avós. O título vem da alcunha insultuosa com que a família os baptizou. Bruta, javarda e sem romantismos. Uma ratazana podre, um escroto furado, uma esguichada de sémen, um fogo posto, um mergulho no esgoto... Canalha Borrada é encontrar o belo no meio da merda.".

E a verdade foi que conseguimos encontrar o belo no meio da merda, mesmo que o título já nos remetesse para porcarias. Ou seja, apesar do livro ser excessivamente badalhoco, nu e cru, com as javardices próprias de dois miúdos e às vezes até um pouco exagerado, ordinarote e com badalhoquices a mais, consegue provocar-nos um profundo saudosismo. Ler as pequenas histórias, umas mais engraçadas do que outras, fez-nos voltar atrás no tempo. Quando ainda se brincava na rua, quando éramos miúdos e andávamos à solta sem medos, e só voltávamos para casa quando nos chamavam para jantar. Quando mexíamos na terra e em insectos, e faziamos pequenas patifarias. Não tantas quanto as personagens deste livro, mas algumas.

Resumindo e pondo pudores de lado, acaba por ser uma leitura leve e divertida para a criança que vive em casa um de nós e gosta de recordar o passado e tem saudades até de um ralhete dos avós.

A acompanhar esta banda desenhada, desenhos muito caricaturais e algo infantis, muito coerentes com o argumento, ajudando a acentuar o tom de todo o livro.





sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Novidades: Stitch viaja no tempo é uma nova colecção da DQ Comics

A DQ Comics (novo selo da Dom Quixote) apresenta uma colecção com o Stitch como protagonista, que leva os leitores a viajar por pela história de várias partes do mundo.

"Stitch Viaja No Tempo… no Antigo Egito" e "Stitch Viaja No Tempo… no Renascimento Italiano" são os dois primeiros volumes desta série em formato manga, que se encontram em pré-lançamento e sairão a 10 de Fevereiro.

Sinopse do volume 1

Stitch causa, outra vez, uma grande confusão no laboratório de Jumba.

Quando este o manda embora, Stitch tropeça numa misteriosa máquina do tempo – e assim começa uma nova e louca aventura!

De repente, Stitch vê-se no antigo Egito, onde causa muita agitação com a sua maneira desastrada. Mas será que ele conseguirá voltar ileso ao seu tempo?

Um manga divertido, cheio de aventuras e emoção! O alienígena azul da Disney viaja no tempo e conquista novamente o coração dos leitores!

Sinopse do volume 2

Stitch ainda está a viajar no tempo, quando Jumba e Pleakley conseguem localizá-lo. Avisam-no que Hämsterviel também viajou no tempo, para a Itália do ano 1501. Sem ninguém capaz de o deter, usou a genialidade de Leonardo da Vinci para recriar a Itália à sua própria visão maligna. Mandam-no então para Florença, de forma a impedir Leonardo da Vinci de inventar robôs gigantes e assim restaurar a história.

Um manga divertido, cheio de aventuras e emoção! O alienígena azul da Disney voltará a viajar no tempo, para mais aventuras divertidas!