domingo, 8 de novembro de 2026

BDs da estante - 711: Baby Blues 24 - No Princípio Eram os Verbos, de Rick Kirkman e Jerry Scott - edição Bizâncio

 


Com Zoe e Hammie a começar a escola e Wren já mais crescidinha, toda a energia em casa dos MacPherson está canalizada para a aprendizagem. Desde os trabalhos de casa, à arrumação da mochila, das patifarias do recreio às dificuldades da leitura e da escrita, esta hilariante colecção dos desaires escolares prenderá, como sempre, todos os leitores desta excelente série, que continua a ser recomendado para quem tem filhos e para quem está a pensar em ter!

sábado, 7 de novembro de 2026

Novidades DEVIR: mais dois títulos editados que prometem, Os Gatos e A Casa do Desertor, do mestre do terror Jungi Ito

 


São tantas as novidades da DEVIR, que ainda nos faltava falar destas duas, Os Gatos, de Jocelyn Bouquillard e A Casa do Desertor, do mestre do terror Junji Ito e são duas novidades a não perder mesmo!

Os Gatos

Os Gatos é um livro diferente e especial, pois é nos apresentado com imagens muito bonitas e apresenta-se em formato acordeão, permitindo percorrer as gravuras numa sequência visual contínua, e inclui ainda um pequeno livro explicativo que contextualiza as obras, os artistas e a presença dos gatos na cultura japonesa.

Tudo isto é apresentado numa caixa revestida a seda, numa edição cuidada e invulgar.

Entre arte, história, cultura japonesa e uma boa dose de fascínio felino, Os Gatos: Pelos Grandes Mestres da Estampa Japonesa é um livro capaz de chegar muito além dos leitores habituais de mangá e banda desenhada. Uma proposta para amantes de arte japonesa, cultura nipónica, livros ilustrados e, claro, gatos.




A Casa do Desertor

Este livro reúne doze histórias dos primeiros anos da carreira do autor de Uzumaki, Tomie e Gyo e permite descobrir as origens de um dos universos mais reconhecíveis da mangá de terror.

Muito antes de Uzumaki, Tomie ou Gyo consolidarem a sua reputação, já estavam presentes nestas histórias muitos dos elementos que viriam a tornar o universo de Junji Ito inconfundível: o quotidiano que se transforma em pesadelo, o grotesco, a obsessão, a vingança e uma permanente sensação de inquietação.

A Casa do Desertor permite assim regressar às origens criativas de Junji Ito e acompanhar o nascimento de uma linguagem narrativa e visual que viria a marcar profundamente toda a sua obra.



Novidade Presença Comics: Chega hoje às livrarias o quarto volume de "Diários de uma Apotecária"


Depois do sucesso na televisão, o sucesso da série de mangá, Diários de uma Apotecária que vai já no quarto volume e já está disponível nas livrarias.

A sinopse:

Intrigas e venenos no coração do Palácio Imperial… Não percas a manga mais cativante do momento!

A investigação da tentativa de envenenamento da Festa do Jardim conduz Maomao até ao Palácio de Granada. A pedido de Jinshi, a jovem apotecária tenta saber mais sobre quem esteve por detrás da conspiração que quase terminou em tragédia. Mas, por entre os corredores do palácio, escondem-se segredos muito mais profundos do que Maomao alguma vez imaginou. À medida que reúne as peças do puzzle, descobre uma verdade capaz de abalar toda a corte e percebe que desvendar este mistério poderá custar-lhe muito mais do que o seu lugar no palácio...

Novidade Gradiva: "1177 a.C. - Uma História Gráfica do Ano em que a Civilização Colapsou" é editada a 17 de Novembro

 


A editora Gradiva está de regresso à BD no próximo dia 17 de Novembro com o título "1177 a.C. - Uma História Gráfica do Ano em que a Civilização Colapsou", de Eric H. Cline e Glynnis Fawkes.

Este livro passado em 1177 a. C. procura explicar um dos maiores mistérios da História: o colapso das civilizações do Mar Egeu e do Mediterrâneo Oriental, que pôs fim à Idade do Bronze Tardia. Nesta adaptação gráfica a cores, ilustrada por Glynnis Fawkes, acompanhamos Pel, membro dos Povos do Mar, e Shesha, uma escriba egípcia, numa viagem pelos grandes reinos da época.

Entre batalhas, terramotos, secas, fome, invasões e rebeliões, os dois jovens procuram compreender por que razão sociedades tão poderosas desapareceram. Pelo caminho, cruzam-se com príncipes assassinados, navios naufragados e as redes comerciais que ligavam o mundo antigo.

Uma aventura em banda desenhada, historicamente rigorosa e acessível a leitores de todas as idades, que transforma a investigação arqueológica numa narrativa envolvente e revela como as sociedades perecem ou sobrevivem perante grandes catástrofes.

Alison Bechdel, autora de Fun Home, o bestseller do The New York Times escreveu isto:

«1177 a. C. é uma obra espetacular habilmente adaptada, lindamente ilustrada e com cores cativantes da autoria de Glynnis Fawkes… [Ela] não se limita a dar vida à história, faz com que esta salte das páginas de uma forma acessível e envolvente.»

Podem ver ainda aqui a capa e algumas imagens do interior.





sexta-feira, 6 de novembro de 2026

A nossa leitura de A Sombra das Luzes - vol.2 - Rendas e colares de conchas, de Alain Ayroles e Richard Guérineau - edição Ala dos Livros


Já saiu o terceiro volume que encerra o primeiro ciclo da série A Sombra das Luzes, mas por aqui terminámos o segundo volume, que tem como título "Rendas e colares de conchas". A edição é da Ala dos Livros e a autoria de Alain Ayroles e Richard Guérineau.

Nesta parte da história, o cenário desloca-se para Nova França, para onde vai Saint-Sauveur, acompanhado pelo iroquês Adario e pelo seu criado filósofo. A narrativa continua a explorar o protagonista como uma figura libertina e manipuladora, mas acrescenta um outro elemento interessante, que é o confronto entre os preconceitos europeus de Saint-Sauveur e as sociedades indígenas onde ele se encontra. Na verdade, o cenário muda, mas as intrigas da corte de Versalhes, mantém-se, apenas alterando de lugar. Continuamos com a sensação de estar dentro do filme "Ligações Perigosas", onde o jogo das aparências é permanente, assim como muitas manobras ardilosas.

Se ao princípio não percebíamos bem a razão do título deste tomo, no final achamos que não poderia ser melhor, pois são os dois lados opostos da história. Por um lado a renda, associada à elegância, à aristocracia e à sociedade europeia, e por outro lado as conchas relacionadas com as culturas indígenas da América do Norte. O protagonista, Saint-Sauveur, vê-se que tem dificuldade em lidar com uma cultura muito diferente da sua e os seus preconceitos levam-no a lidar com mais dificuldade perante várias situações. Ou seja, a sua capacidade de controlar, aqui é alterada devido às condições do ambiente onde agora está inserida. É por isso que numa determinada altura vamos ver as suas intrigas a virarem-se contra ele.

Não mais adiantamos sobre a história, senão que gostámos bastante desta mudança de cenário e da entrada de novas personagens e de um casal de apaixonados (uma francesa e um iroquês), que pelas diferenças culturais nos fizeram lembrar o clássico "Romeu e Julieta".

Esta obra só tem um senão, que tem a ver com a narração, feita através de cartas escritas e que por vezes nos confunde, sobre qual o autor de cada carta. 

Esperamos em breve ler o terceiro volume, porque é uma série que queremos continuar a seguir, com história cativante e esplêndidos desenhos.


Ajax, o gato de Adele tem três livros editados e 7 vidas desde 2025!!! - edição Bertrand

 



Somos seguidores aqui no Juvebêdê da série de sucesso A Incrivel Adele e não sabíamos que existiam três livros dedicados ao gato Ajax, editados pela Bertrand Editora em 2025.

Para quem não sabe, Ajax é o famoso gato azul da série de sucesso infantojuvenil A Incrível Adele (Mortelle Adèle), criada por Mr. Tan e ilustrada por Diane Le Feyer.

Devido ao enorme sucesso da personagem Adele, o gatinho ganhou a sua própria coleção de livros (um spin-off), onde as histórias são contadas a partir do seu próprio ponto de vista...

Aqui ficam um breve resumo de cada um dos três livros bem como os títulos.

- Ajax Nº 1 - O Gato Está na Maior! – Lançado em Portugal para mostrar que a vida de gato está longe de ser apenas sestas e leite fresco quando se vive com a Adele.

- Ajax Nº 2 - De Miau a Pior! – Onde Ajax tenta sobreviver em casa, enquanto a Adele inventa novas formas de lhe criar galos na cabeça.

- Ajax Nº 3 - Aqui Há Gato! – As confusões multiplicam-se quando o hamster Fizz decide juntar-se à festa.


O nosso balanço do Festival Amadora BD 2026 - Uma edição para recordar


Já muitos balanços foram feitos, mas como as experiências são diferentes para cada pessoa, faltava escrevermos aqui a nossa opinião sobre a edição deste ano do Amadora BD.

A 37.ª edição do Festival Amadora BD talvez tenha sido a melhor dos últimos anos (seguramente uma das melhores da história do Festival) no que toca à presença de grandes nomes da banda desenhada internacional (e nacional também, claro). E isso justifica o elevado número de visitantes, que não quis perder a oportunidade de conhecer os autores da sua preferência. Vimos muita gente nova, fora o grupo dos fanáticos do costume (onde nos inserimos), o que prova que há muito mais leitores de banda desenhada, o que nos deixa francamente felizes. Este é sem dúvida um resultado positivo do caminho que se tem vindo a trilhar, pelos editores, promotores dos festivais, divulgadores de conteúdos relacionados com BD. E este crescimento traduz-se numa maior responsabilidade das organizações de eventos deste género, neste caso específico, do Amadora BD, tendo em conta que o crescimento do público leva a ter de se repensar o formato do Festival. 

Quanto ao cartaz não gostámos mais uma vez do design, mas este foi compensado com um excelente desenho de Luís Louro, no seu melhor!

Quanto a nós, foi talvez a edição mais intensa e exigente, tendo em conta que à parte de termos estado horas nas filas para conseguirmos senhas para os autógrafos, realizámos várias entrevistas (Mansoureh Kamari, Guy Delisle e Craig Thompson), assistimos a vários painéis e participámos em três deles (com Mansoureh Kamari, Luís Louro e João Mascarenhas).

Para facilitar a nossa análise, vamos por tópicos, com os seus pontos positivos ou negativos:

- A DATA
A data escolhida e antecipada, tendo em conta as tradicionais datas, não é positiva. Percebemos que queiram abarcar o dia 18 de Outubro por ser o Dia Nacional da Banda Desenhada, mas para quem quer comprar livros e ainda está longe do final do mês, não é convidativo para aquisição das muitas novidades disponíveis nos stands das editoras.

- OS ESPAÇOS
Não gostaríamos de estar sempre a bater mais na mesma tecla, mas ligando ao que já dissemos mais acima, é uma constatação comum de que o Amadora BD não poderá crescer e irá estagnar se continuar com o núcleo central no mesmo espaço. 
Apesar de ligeiras alterações para melhor, com a troca da área do auditório com a dos autógrafos, não foi suficiente. O auditório, apesar de maior, continua a ter péssimas condições de som, o que leva a que a experiência de quem assiste e de quem participa nos painéis, não ser 100% agradável.
A zona de autógrafos deveria ter melhor sistema de iluminação (os autores tinham que estar a desenhar na penumbra e com os fãs a iluminar com as lanternas dos telemóveis). A distância entre autores era mínima, o que também fazia com que os fãs que estavam em frente a cada autor, estivessem a acotovelar-se. 
Acresce uma palavra aqui sobre a elevada temperatura que se fez sentir dentro das tendas (ainda para mais de cor negra, que retem mais o calor), em especial a tenda do stand das editoras/auditório/autógrafos, o que causou muito desconforto, até dos autores que suavam em bica enquanto desenhavam. Mas ao que parece, a tenda do gaming, também sofreu do mesmo mal.

Também uma nota relativamente à identificação dos autores. Nem sempre os fãs conhecem os rostos dos autores e têm dificuldade em localizá-los quando há um grande número de pessoas à volta e a tapar o painel da numeração das senhas. Sugere-se melhoria na sinalização.

A descentralização de exposições para a Galeria Municipal Artur Bual e para a Bedeteca da Amadora, só funcionaria se todos os espaços fossem próximos uns dos outros. Com deslocações obrigatórias de carro e dificuldades de estacionamento, é complicado conseguir visitar todas as exposições do Festival. Nós visitámos todas, mas é triste ver as exposições satélite, às moscas.

- A RESTAURAÇÃO
Parece um pormenor de pouca importância, mas dado que cada vez mais pessoas passam o dia inteiro no Festival, será de tentar aumentar e variar a oferta, no que toca à zona de restauração e pensar numa alternativa para não ser ao livre. À torreira do sol não é simpático, nem à chuva. Sorte foi que este ano, ao contrário da tradição, não choveu durante o evento (apenas uma chuvinha molha-tolos de manhã cedo, antes da abertura, na fila para os autógrafos).

- A EQUIPA
Uma palavra para a equipa do Amadora BD, sempre muito presente, em especial a equipa da comunicação, sempre disponível para o agendamento e agilização das entrevistas e os voluntários responsáveis por assistência aos autógrafos, sempre simpáticos e mesmo no meio do caos tentaram sempre arranjar soluções para os problemas que iam surgindo.

- AS EXPOSIÇÕES
Ao longo de vários dias fomos publicando aqui imagens e textos sobre todas as exposições que integraram esta edição do Festival, três delas que ainda podem ser visitadas. Portanto, não nos vamos adiantar sobre este tema, pois na generalidade, no que toca à cenografia, estavam todas com elevada qualidade, cada uma com as suas características.

- AS APRESENTAÇÕES E O AUDITÓRIO
É certo que este ano o auditório ficou um pouco mais recatado e aumentou o número de lugares para assistir aos painéis, mas continua a não ser o ideal. As condições sonoras são deficientes, os painéis decorrem ao mesmo tempo que as sessões de autógrafos, o que leva a perder-se assistência potencialmente interessada. E mesmo aos interessados e disponíveis, por vezes a programação passa-lhes ao lado, pois não existe qualquer painel com informação sobre a mesma.

- OS AUTORES
Esta edição ficará para a história com uma das melhores, ou a melhor, no que diz respeito ao cartaz de autores que estiveram presentes e que fizeram as delícias dos seus fãs. Talvez por isso, este ano a corrida aos autógrafos se tenha transformado numa verdadeira loucura. Falaremos sobre isso no tópico seguinte. Aqui não podemos deixar de referir, que para além da qualidade e do talento dos autores presentes, todos eles se revelaram de enorme simpatia e disponibilidade, e foi muito agradável podermos trocar algumas palavras com muitos deles e um privilégio termos realizado entrevistas com Mansoureh Kamari, Guy Delisle e Craig Thompson.

E por falar em entrevistas, isso leva-nos às condições deficientes para a realização das mesmas. Houve, em tempos, no Amadora BD, espaços próprios para a realização de entrevistas com os autores, mais reservados, com condições sonoras razoáveis, para a gravação das mesmas e de conforto para os entrevistados e entrevistadores. Este ano, o que nos propuseram foi realizar as entrevistas no mesmo local das exposições, sem condições de recato, no meio do barulho dos inúmeros visitantes e da exposição interactiva do Dylan Dog que fazia o público carregar vezes sem conta uma campainha que gritava. Agora imaginem estar a entrevistar um autor estrangeiro, num espaço onde mal nos entendemos por causa do barulho e estamos constantemente a ouvir gritos. Isto tudo, mal sentados, no meio do público. Valeu-nos a simpatia e colaboração dos autores Sugerimos por isso, que a organização repense estas questões e, já agora, pense num espaço onde os autores possam descansar em períodos de pausa, onde possam comer o seu pastelinho de nata tranquilamente, sem ser ao mesmo tempo que desenham.

- O SISTEMA DE SENHAS PARA AUTÓGRAFOS
Não somos mágicos nem oferecemos soluções perfeitas, porque este tema não é fácil. Nunca foi. Mas com o crescimento de leitores de banda desenhada que se verifica e com a qualidade dos autores presentes, este ano foi a absoluta loucura, levando fãs a marcarem lugar desde as seis da manhã, para conseguir senhas para os autores preferidos. 

Acontece que há fura-filas no pavilhão dos editores e depois das pessoas terem estado horas à espera, quando chegaram ao dispensador de senhas, mesmo sendo as primeiras a chegar, não receberam senhas número um. Nós próprios, por exemplo, houve um dia em que supostamente conseguiríamos senhas, pois estávamos no lugar 19 e 20 e quando chegámos ao dispensador de senhas, já éramos o 23 e ficámos sem senhas para os autores que queríamos. Esta situação é profundamente injusta para quem se levanta de madrugada e ainda assim, não consegue obter senhas, devido a "batotice". Talvez se os editores tiverem um acesso diferente, a senhas especiais com os autores, mas passarem à frente do público, não é correcto. E também é injusto para visitantes menos fanáticos, que nem sonham como decorre o mecanismo das senhas e aparecem só à tarde, convictos de que conseguirão um autógrafo do seu autor de eleição. Outra coisa, que minimizaria a confusão, é que à priori a organização pudesse saber quantos autógrafos cada autor consegue dar em x tempo e facultar um número de senhas apropriado. Sabemos que há autores que demoram quase meia-hora com um desenho e outros que em despacham cada um em dois minutos. Isso impediria que se distribuíssem, da parte da manhã, apenas 10 ou 15 senhas para um autor e afinal à tarde esse mesmo autor desse praticamente o dobro dos autógrafos.

Nota positiva pela organização ter acrescentado, uma vez mais, períodos de autógrafos para as sextas-feiras, pois permitiu ainda assim descentralizar um pouco a confusão dos fins-de-semana.

- OS EDITORES E AS NOVIDADES EDITORIAIS
Sobre as novidades são muitas, mesmo muitas e temos vindo a falar sobre elas nos últimos dias e ainda continuaremos a fazê-lo. A quantidade de editores e de edições provam bem como a banda desenhada está bem viva. Aos habituais stands dos últimos anos, juntou-se pela primeira vez, nesta edição, a Bertrand, que também já começa a ter um catálogo muito interessante.

- OS PRÉMIOS E OS VENCEDORES
Há sempre polémica nos Prémios de Banda Desenhada da Amadora. Será tempo de reverem o regulamento e aumentarem o número de elementos do júri, para não acontecer um dos elementos abster-se de votar numa categoria e depois serem só duas pessoas a tentarem chegar a um consenso. Um número de jurados tão pequeno, é pouco democrático, o que chama ainda mais a atenção quando há prémios monetários em jogo e este ano, felizmente a organização aumentou para o dobro, o valor do prémio da ‘Melhor Obra de Banda Desenhada de Autor Português’ (10.000€) e, pela primeira vez, atribuiu um prémio pecuniário de 3.000€ ao ‘Prémio Revelação’. A ‘Melhor Edição Portuguesa de Banda Desenhada’ foi também distinguida pelo Município da Amadora, adquirindo 100 exemplares da obra vencedora.

Um novo regulamento também deveria balizar certas questões, para não haver livros nomeados questionáveis, que não são considerados banda desenhada. Em nossa opinião, as escolhas dos nomeados foram muito fracas face è quantidade de tão boas edições ao longo do ano, e algumas mesmo sem qualquer sentido. Também consideramos não fazer sentido, no painel de jurados, ser integrado um autor de banda desenhada.

Destaque ainda para o Troféu de Honra atribuído a João Mascarenhas, distinção justíssima de uma figura incontornável da banda desenhada nacional e um enorme entusiasta da nona arte. 

- AS PESSOAS
Falar do João Mascarenhas foi o mote para terminar este nosso balanço a referir a importância das pessoas e das amizades que se vão criando neste meio. O Amadora BD já nos deu muitos amigos, entre autores, editores e fãs que vamos conhecendo e que reencontramos nas filas e isso é a melhor riqueza do evento. O nosso obrigado a todos os que se cruzaram connosco nesta edição. Até breve!

















quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Novidade Nuvem de Letras: A Pimpa e 50 Histórias em Banda Desenhada


Ora aqui está uma bela maneira de levar as crianças a gostar de banda desenhada, com este "A Pimpa e 50 histórias de Banda Desenhada", para os mais pequeninos, acabado de editar pela Nuvem de Letras.

Francesco Tullio-Altan, conhecido cartoonista e caricaturista, é o pai da Pimpa. A famosa cadela às bolinhas, nascida enquanto ele desenhava com a sua filha, foi publicada pela primeira vez em 1975 na Corriere dei Piccoli, uma revista italiana para crianças. 

A sinopse:

“Olá, Armando! Podes ler-me uma história?”, pede a Pimpa.

E este livro oferece-te não apenas uma, mas 50 histórias divertidas desta adorável cadela às bolinhas, em banda desenhada!

Muitas aventuras divertidas, encontros curiosos e momentos cheios de alegria. Uma seleção das mais belas e incríveis histórias aos quadradinhos que te transportam para um mundo encantado onde tudo é possível!




Novidades DEVIR: colecção DC POCKET está de volta com Batman e ainda o volume 14 da série One Piece

 


São tantas as novidades da DEVIR neste final de Outubro que ficaram disponíveis, que ainda nos faltam aqui falar detalhadamente de algumas delas. 

Hoje vamos falar de Batman - O Longo Hallowwen, de Tim Sale, da colecção DC POCKET e ainda do volume 14 da mega série ONE PIECE, de Eiichiro Oda, com o título Gear.

Batman - O Longo Hallowwen

Um misterioso assassino ataca e mata as suas vítimas em dias feriados… e o Batman terá de conseguir descobrir quem ele é, com a ajuda de Harvey Dent e do Comissário James Gordon, percorrendo uma Gotham negra e corrupta, minada pelo crime e mergulhada nas trevas que ele jurou combater.

Jeph Loeb e Tim Sale narram uma das mais empolgantes aventuras do Cavaleiro das Trevas, retratando de modo magistral como o controlo de Gotham passa das mãos das grandes famílias criminosas para as dos super-vilões do universo do Batman.

One Piece - vol. 14 - Gear

Para recuperar uma companheira, o bando de Luffy invade a Ilha Judiciária de Enies Lobby.

Diante do enorme exército inimigo, batalhas difíceis serão inevitáveis!!

Enquanto isso, Luffy depara-se com Bruno, da CP9!! Os seus sentimentos por Robin levam-o a um novo despertar…

Romance da aventura marítima em volta do “grande tesouro ONE PIECE”!

Coleta os volumes 40, 41 e 42.



Novidade Arte de Autor: Macbeth é mais uma brilhante adaptação para BD, dos irmãos Brizzi

 


Depois do sucesso das suas adaptações do "Inferno de Dante", "Dom Quixote de la Mancha" e "O Fantasma da Ópera", Paul e Gaëtan Brizzi voltam a aventurar-se num clássico da literatura, desta vez "Macbeth".

Nesta nova adaptação, os irmãos Brizzi abordam a tragédia mais conhecida de William Shakespeare e ilustram com brilhantismo a tumultuosa descida ao inferno do casal Macbeth.

A edição é da Arte de Autor.






quarta-feira, 4 de novembro de 2026

A nossa leitura de A Brigada de Costumes, de Zidrou e Jordi Lafebre - co-edição Arte de Autor e A Seita

É certo e sabido que este dois autores, quando se juntam, criam fantásticos trabalhos de banda desenhada. Zidrou, argumentista e Jordi Lafebre, ilustrador, já nos trouxeram trabalhos conjuntos com a deliciosa série Verões Felizes ou o comovente Lydie. Foi pois com expectativa que nos embrenhámos na leitura deste Brigada de Costumes (originalmente La Mondaine), editada em conjunto pela Arte de Autor e Pel' A Seita.

A acção decorre na cidade de Paris, no início da década de 1930. O protagonista é Aimé Louzeau, um jovem inspector que começa a trabalhar na Brigada de Costumes, entrando em contacto com um mundo marcado pela prostituição, pelos segredos e pelas contradições da sociedade. 

A narrativa desenvolve-se ao longo de dois volumes, que este livro reúne (um integral) e acompanha também as transformações provocadas pela Segunda Guerra Mundial. Uma obra que combina humor, drama e crítica social. No início da história, as situações caricatas e os diálogos irónicos contribuem para criar um ambiente mais descontraído. Mas conforme vamos avançando com a leitura, e por detrás dessa aparência humorística, começam a ser-nos mostradas realidades mais sombrias, relacionadas com a hipocrisia social, a corrupção e a fragilidade humana. 

O que retiramos desta história é que as pessoas não são necessariamente boas ou más. Temos aqui personagens complexas, com virtudes, defeitos e contradições e isso é muito nítido na personagem de Aimé Louzeau. A sua entrada na polícia representa o confronto entre a ingenuidade e a experiência, obrigando-o a descobrir que a realidade é muito mais complicada do que inicialmente imaginava. Conforme o tempo vai passando, o contexto histórico envolvente torna-se cada vez mais pesado e a guerra altera profundamente o percurso e as intenções do protagonista.

Se ao início pensávamos estar perante uma narrativa policial, o nosso entendimento dá-se conta de que a história se transformou numa reflexão sobre as escolhas de cada um e o impacto que os acontecimentos históricos podem ter na vida das pessoas.

Não é a nossa obra preferida da dupla, talvez por ser menos leve e poética que as anteriores, mas A Brigada de Costumes destaca-se pela capacidade de combinar entretenimento, contexto histórico e reflexão social, comprovando como o humor pode coexistir com temas difíceis.