LaoWai – Integral
Publicada entre 2017 e 2019, a série LaoWai fez um bom sucesso comercial, e foi determinante para a carreira do desenhador Xavier Besse. Em 2025 foi publicada uma versão integral que contém os 3 volumes da série com desenho de Besse e argumento do duo Alcante – Bollée (editado em Portugal pela Gradiva com a excelente e longa BD “A Bomba”).
LaoWai é uma BD de aventura, que decorre essencialmente na China do século XIX, na sequência de uma campanha “punitiva” contra a China (contra o Imperador Chinês) ordenada por Napoleão III e com o apoio (competição?) da Inglaterra. Nesta campanha acompanhamos uma mão cheia de personagens, desde a mulher, chinesa, de um diplomata designado para conduzir eventuais negociações, ao general Francês que procura acima de tudo proteger a sua imagem e carreira, passando pelo duo de soldados François Montagne, um idealista que se apaixona pela mulher do diplomata, e que se vai ver envolvido nas missões mais perigosas possíveis, e o seu amigo Jacques Jardin, cuja motivação para participar nesta expedição iremos descobrindo ao longo da BD. Pelo meio um conjunto de outros soldados que se vão dedicar ao tráfico de ópio.
Uma história solidamente baseada em factos reais, que aborda temas interessantes – a gestão da imagem, a informação e a desinformação, o impacto do comércio do ópio no financiamento do esforço de guerra, os delírios de grandeza de personagens narcisistas e afastados da realidade, a espionagem e a diplomacia, entre outros. A narrativa é bem construída, bem ritmada, com diálogos inteligentes, adaptados à época, a cultura chinesa é interessantemente aflorada.
O desenho é mesmo muito bom, desde as personagens aos ambientes, nota-se muita pesquisa e detalhe na caracterização de época – armas, vestuário, edifícios, gestos –, as cores são excelentes e concedem ainda mais realismo à aventura, a ação é bem retratada, a composição de página é preparada com mestria, o exotismo é introduzido com qualidade, peso, conta e medida.
Ao longo das páginas, rapidamente somos cativados pela personagem de François Montagne, compreendemos o seu humanismo, a sua revolta, o seu sofrimento, acabamos a “torcer” intensamente por ele. E isso, porque nem sempre acontece, é sempre digno de nota.
Uma bela edição, com cerca de 170 páginas, da Glénat. Uma “não bela”, mas entusiasmante aventura. Fica a recomendação.
















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