sexta-feira, 20 de março de 2026

A opinião de Miguel Cruz sobre "Laowai - Integral", de Alcante, Bollée e Besse

 


LaoWai – Integral

Publicada entre 2017 e 2019, a série LaoWai fez um bom sucesso comercial, e foi determinante para a carreira do desenhador Xavier Besse. Em 2025 foi publicada uma versão integral que contém os 3 volumes da série com desenho de Besse e argumento do duo Alcante – Bollée (editado em Portugal pela Gradiva com a excelente e longa BD “A Bomba”).

LaoWai é uma BD de aventura, que decorre essencialmente na China do século XIX, na sequência de uma campanha “punitiva” contra a China (contra o Imperador Chinês) ordenada por Napoleão III e com o apoio (competição?) da Inglaterra. Nesta campanha acompanhamos uma mão cheia de personagens, desde a mulher, chinesa, de um diplomata designado para conduzir eventuais negociações, ao general Francês que procura acima de tudo proteger a sua imagem e carreira, passando pelo duo de soldados François Montagne, um idealista que se apaixona pela mulher do diplomata, e que se vai ver envolvido nas missões mais perigosas possíveis, e o seu amigo Jacques Jardin, cuja motivação para participar nesta expedição iremos descobrindo ao longo da BD. Pelo meio um conjunto de outros soldados que se vão dedicar ao tráfico de ópio. 

Uma história solidamente baseada em factos reais, que aborda temas interessantes – a gestão da imagem, a informação e a desinformação, o impacto do comércio do ópio no financiamento do esforço de guerra, os delírios de grandeza de personagens narcisistas e afastados da realidade, a espionagem e a diplomacia, entre outros. A narrativa é bem construída, bem ritmada, com diálogos inteligentes, adaptados à época, a cultura chinesa é interessantemente aflorada.

O desenho é mesmo muito bom, desde as personagens aos ambientes, nota-se muita pesquisa e detalhe na caracterização de época – armas, vestuário, edifícios, gestos –, as cores são excelentes e concedem ainda mais realismo à aventura, a ação é bem retratada, a composição de página é preparada com mestria, o exotismo é introduzido com qualidade, peso, conta e medida.

Ao longo das páginas, rapidamente somos cativados pela personagem de François Montagne, compreendemos o seu humanismo, a sua revolta, o seu sofrimento, acabamos a “torcer” intensamente por ele. E isso, porque nem sempre acontece, é sempre digno de nota. 

Uma bela edição, com cerca de 170 páginas, da Glénat. Uma “não bela”, mas entusiasmante aventura. Fica a recomendação.




Uma autora de BD por dia... nem sabe o bem que lhe fazia - Rita Alfaiate

 



Conhecemos a Rita há vários anos, numa das edições do Amadora BD ou do Festival de Beja e confessamos que foi das primeiras autoras (mulheres) de BD que conhecemos. É inegável São inúmeros os títulos que já publicou e é inegável a importância da sua obra no panorama da banda desenhada nacional. Destacamos aqui as que publicou a solo.






Novidade Gradiva: Calvin & Hobbes regressam a partir de 24 de Março com Há Monstros Debaixo da Cama?

 


É sempre com alegria e nostalgia que aqui falamos das reedições da série desta dupla terrível que são Calvin & Hobbes, de Bill Watterson.

Pois é já a 24 de Março que a Gradiva coloca nas livrarias este "Há Monstros Debaixo da Cama? e que promete diversão sem limites!

As tiras Calvin & Hobbes foram publicadas pela primeira vez em Novembro de 1985 e hoje em dia estão traduzidas em mais de 40 línguas tendo vendido cerca de 30 milhões de exemplares em todo o mundo. Esta série de tiras criada, escrita e ilustrada pelo autor norte-americano Bill Watterson retrata as aventuras e a amizade de um menino cheio de personalidade e do seu tigre de peluche.

Uma reedição a não perder a partir de 24 de Março!





quinta-feira, 19 de março de 2026

A nossa leitura de Mallko e o Papá, de Gusti - edição Orfeu Negro

 

E porque hoje é Dia do Pai, trazemos esta leitura.

«Às vezes, os filhos são como os desenhos: não saem como imaginámos. Podemos rasgar um desenho e refazê-lo. Podemos apagá-lo. Ou podemos até retocá-lo, pô-lo a nosso gosto. Mas com o filho, o filho verdadeiro, isso é impossível. Foi o que me aconteceu com o Mallko: ele não era como eu o tinha imaginado.» — Gusti

Ao ler estas palavras de Gusti, não pudemos deixar de nos recordar da obra de Fabien Toulmé, "Não eras tu quem eu esperava" (ASA). Ambas as obras são escritas e desenhadas por pais de filhos com Síndrome de Down (Trissomia 21) e ambas transbordam amor e ternura.

No caso desta obra de Gusti, editada pela Orfeu Negro, estamos perante uma obra muito original, tendo em conta que não é propriamente uma banda desenhada clássica, mas um livro que conta com ilustrações, colagens e até com fotografias e tem a participação do próprio filho. Portanto é um diário gráfico íntimo, realizado a quatro mãos. A obra é um pouco fora da caixa e foi vencedora do Prémio Bologna Ragazzi.

Ao longo do livro ficamos a conhecer o autor, o filho Mallko, o mano mais velho Théo e a mãe Anne. Também marcam presença a restante família e amigos que rodeiam o quarteto e que constituem um grande apoio.

Com simplicidade e sinceridade, sem tabus, dão-nos a conhecer as conquistas e alegrias, mas também os desafios e por vezes as coisas que correm menos bem.

Um livro que nos mostra um pouco mais sobre o amor incondicional e que ajuda, uma vez mais, a desmistificar as diferenças.





Uma autora de BD por dia... nem sabe o bem que lhe fazia - Aimée de Jongh

 


A convite da ASA, a equipa do Juvebêdê teve o privilégio, em 2024, de ter tido uma conversa muito agradável com a autora holandesa Aimée de Jongh. A entrevista decorreu na livraria Buchholz e a conversa passou pelo Deus das Moscas, Dias de Areia, outras obras da autora, o seu percurso, as suas várias actividades profissionais, o futuro, os prémios e o sucesso já alcançados e a sua vinda a Portugal por ocasião do Amadora BD.

Ficam aqui as capas dos dois livros já editados em Portugal, desta autora que recomendamos, bem como as recordações desse dia da entrevista.






Novidade Casa das Letras: Está a chegar o curioso "O Sétimo Homem e outros contos", de Haruki Murakami


Para os fãs do célebre e aclamado escritor japonês Haruki Murakami (e não só), esta é uma notícia fabulosa. A publicação, por parte da Casa das Letras de "O Sétimo Homem e outros contos".

A sinopse:

Um homem desaparece entre o 24.º e o 26.º andar de um prédio.

Uma mulher mergulha na leitura e torna-se incapaz de dormir durante dias e noites a fio.

Um sapo gigante celebra um pacto com um modesto funcionário público a fim de salvar Tóquio da destruição total.

No dia do seu vigésimo aniversário, alguém propõe a uma modesta e solitária empregada de restaurante a realização de um único desejo...

As nove narrativas ilustradas que compõem esta recolha de contos foram inicialmente publicadas no Japão, sob o olhar atento e cúmplice de Haruki Murakami.

Ao interpretarem a tragicomédia tão do agrado do grande escritor, Jean-Christophe Deveney e PMGL recriam um cenário poético e barroco, situado precisamente na fronteira, tão cara a Murakami, onde o quotidiano se funde com o fantástico.







quarta-feira, 18 de março de 2026

Uma autora de BD por dia... nem sabe o bem que lhe fazia - Joana Mosi

 


Joana Mosi é uma artista visual polivalente, licenciada em Pintura pelas Belas-Artes e Mestre em Cinema. São vários os seus trabalhos de banda desenhada, de onde se destacam a série Altemente (2016, ComicHeart), Nem Todos os Cactos têm Picos (2017, Polvo), O Outro Lado de Z (com Nuno Duarte, Comic Heart/Kingpin Books), Both Sides Now (2020, Ao Norte), My Best Friend Lara (2021, auto-edição) e The Apartment (2022, kuš!). É também formadora e professora em várias instituições, e colabora regularmente com actividades e iniciativas culturais, a nível nacional e internacional.

Mais recentemente editou a obra Mangusto (A Seita), que recebeu o Prémio Jorge Magalhães de Melhor Argumento para Banda Desenhada 2024, iniciativa Ala dos Livros. E em 2025 editou a obra "A Educação Física", pela Iguana.





Novidade: Iguana edita novela gráfica biográfica de Simone de Beauvoir e as autoras estarão no Maia BD

 


Esta novidade da Iguana tem data marcada de lançamento a 30 de Março e já se sabe que as suas autoras, Julia Korbik e Julia Bernhard marcarão presença na edição deste ano do Festival Maia BD.

Esta é uma biografia única e apaixonante que mergulha na vida de uma das mulheres mais influentes de todos os tempos. As premiadas autoras Julia Korbik e Julia Bernhard retratam Simone de Beauvoir como filha, amiga, uma intelectual que quis tudo da vida e explorou como ninguém a condição da mulher, a sexualidade, a liberdade e as diferentes formas de amar.

A sinopse:

Desde a infância, numa época em que as mulheres não podiam estudar, votar ou escolher a sua profissão, Simone de Beauvoir embarcou com paixão na grande aventura de ser ela própria.

Motivada por uma enorme curiosidade em relação a si e aos outros, pela recusa em aceitar papéis impostos e por uma busca radical pela liberdade, esta filósofa e escritora existencialista, autora da obra revolucionária O Segundo Sexo, desafiou normas sociais sobre o papel da mulher na sociedade e tornou-se um ícone incontestável do feminismo e uma fonte de inspiração para uma legião de leitores.

«Quero tudo da vida, ser uma mulher e também um homem, ter imensos amigos, mas também estar sozinha, trabalhar muito e escrever bons livros, mas também viajar, divertir-me, ser egoísta, mas também ser generosa.» Simone de Beauvoir







A nossa leitura de Rever Comanche, de Romain Renard - Edição ASA

 


Há livros altamente cinematográficos e este é um deles. Ler um livro como ver um filme é um duplo prazer, ainda para mais com banda sonora incluída. É que este livro tem sugestões musicais, com músicas específicas para acompanhar a leitura de cada capítulo da história. E que história!
Deste lado (neste caso a Alexandra Sousa) nunca tinha lido um livro da famosa série de western Comanche, criada por Greg e Hermann, em 1969. Portanto, a leitura foi feita sem nenhuma ideia pré-concebida, nem nenhum tipo de fundamentalismo ou ligação à obra original.

E o que dizer deste Rever Comanche? Que é um extraordinário livro de banda desenhada, com uma história muito bem escrita e desenhada. A história é pesada e nada romantizada, super tensa e intensa. Como referimos, ao mergulhar no livro e tendo em conta que parece que estamos a ver um filme, não conseguimos interromper a leitura (nem para comer pipocas). Resolvemos cumprir à risca as sugestões musicais do autor Romain Renard e ouvimos a banda sonora ao mesmo tempo que líamos a história de Red Dust e da jovem Vivienne e aconselhamos a que façam o mesmo, pois potencia a imersão na narrativa. Uma palavra para a parte visual que sendo a preto e branco, não deixa de ter um grande impacto, com pranchas de paisagens, absolutamente arrebatadoras.

Não é a toa que este livro venceu o prémio Fauve Polar 2025 (Prémio do Melhor Romance adaptado para BD do ano), atribuído no Festival Internacional de BD de Angoulême. Excelente aposta da ASA para o início de 2026.



terça-feira, 17 de março de 2026

Uma autora de BD por dia... nem sabe o bem que lhe fazia - María Hesse

 



 
Não é bem uma autora de BD, mas sim uma extraordinária ilustradora. María Hesse já tem vários livros seus editados em Portugal (edição Iguana), conforme podem ver pelas imagens. E por isso não foi de estranhar o sucesso que teve em 2025, na Feira do Livro de Lisboa. Nós lá estivemos também a trocar algumas palavras com a autora e tivemos a oportunidade para lhe dar os parabéns pelo seu trabalho de que gostamos tanto. Não só pelas suas ilustrações muito fortes e coloridas, como também pelos temas que tem tocado, em especial ligados às mulheres.







A nossa leitura dos volumes #2 e #3 de O Corvinho, de Luís Louro - Edição A Seita



Divertidos, coloridos, com textos bem conseguidos e inteligentes, que divertem os mais pequenos e os mais crescidos. Os livros da colecção O Corvinho, de Luís Louro e editados pel' A Seita têm todos os ingredientes necessários e na dose certa para serem um êxito quer junto das crianças, quer junto dos adultos, em especial os fãs do autor e da mítica personagem O Corvo.

Cada livro tem várias pequenas histórias, a maioria com seis páginas, e que abordam temas diversos. No segundo volume temos sete histórias: Malvados pombos; águas perigosas; com o fogo não se brinca; Pongo, o cão mijão; Concurso das coisas nojentas; O monstro de duas cabeças e Todos podemos ser heróis. O terceiro volume conta com oito histórias: A poção maléfica; O tesouro; Férias, férias!!!; As loucuras do Robim; Escuta sempre a mamã; Exercícios forçados; A surpresa e O Elefante Bomba.

Não somos crianças, mas ler cada uma destas histórias do segundo (A chegada do Pongo) e do terceiro volume (As loucuras do Robim) foi uma enorme diversão. Encontrámos nestes dois volumes vislumbres da série Calvin & Hobbes, com o Corvinho/Vicente a ter comportamentos semelhantes ao Calvin, no que toca à energia inesgotável, à imaginação prodigiosa e à tendência para as coisas nojentas. 

Não falta cóco, xixi e puns, coisas que fazem rir as crianças.  Mas também não falta amizade, bons conselhos e a chegada de um animal de estimação vem trazer ainda mais animação. De realçar a presença dos amigos de Vicente, também bem conhecidos dos fãs do Corvo, mas na sua versão adulta.

Sabemos que o autor já tem mais alguns volumes preparados do Corvinho, o que faz com que ele seja muito parecido com o Corvinho no que toca à imaginação. E sabemos que ele também tem uma característica muito parecida com outra personagem de peso... e mais não dizemos.




segunda-feira, 16 de março de 2026

Concurso Sardinhas 2026 - candidaturas abertas até dia 7 de Abril



Está oficialmente lançada a edição 2026 do Concurso Sardinhas. Uma iniciativa promovida pela EGEAC – Lisboa Cultura, que renova o convite a artistas, designers, ilustradores e criativos de todas as idades e nacionalidades para reinterpretar um dos maiores ícones da cidade: a sardinha.

Com base na silhueta original, os participantes são desafiados a criar sardinhas únicas e surpreendentes, recorrendo a todas as técnicas artísticas – desenho, pintura, colagem, fotografia, ilustração, digital, tridimensional ou qualquer outra forma de expressão visual.

O tema é livre, mas o mote deste ano – “Qual é a tua história?” – convida à reflexão, à memória e à imaginação.

Nesta 16.ª edição do concurso, propõe-se uma viagem criativa através das histórias que nos marcaram, individual ou coletivamente. Histórias de conquistas e descobertas, de revoluções e transformações, de cultura, ciência e direitos humanos. Da Batalha de S. Mamede (fundacional de Portugal) à Revolução de Abril, da invenção da Imprensa à chegada do Homem à Lua, da Revolução Industrial à Era digital, do Renascimento ao Modernismo, dos Jogos Olímpicos ao Campeonato Mundial de Futebol, da Teoria da Relatividade à Inteligência Artificial, da Magna Carta à Declaração dos Direitos Humanos, das tradições populares às narrativas pessoais e familiares – todas as histórias têm lugar neste desafio.

As cinco propostas vencedoras que farão parte da colecção oficial das Sardinhas 2026, serão premiadas com um prémio no valor de 1500 euros (mil e quinhentos euros).

As candidaturas estão abertas até às 18h do dia 7 de abril. Podem consultar o regulamento e fazer o download da silhueta da sardinha no site da EGEAC.

Uma autora de BD por dia... nem sabe o bem que lhe fazia - Kachisou

 


Kachisou é uma autora de banda desenhada que já venceu prémios de mangá no Japão. Em Portugal apresentou a obra Quero Voar, um drama de adolescência com um sabor ao mesmo tempo doce e amargo, num estilo entre o realista e a linguagem do mangá japonês. No ano passado publicou um livro num registo completamente diferente, uma obra de humor com argumento de André Morgado, intitulada A aventura do Sapo - Caos e Coaxos. Ambos os livros foram editados pel' A Seita,
Já tivemos o prazer de conduzir uma conversa com a autora no Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja e mais recentemente estivemos com ela na Feira do Livro (edição de 2025).