sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

A opinião de Miguel Cruz sobre "Mickey et le Roi des Pirates", de DAV e Chamblain

 


Mickey et le Roi des Pirates

Em 2016, a Glénat lançou uma coleção designada por Mickey et. Cie (Companhia), onde o objetivo era de, em cada álbum ter um autor ou um duo de autores a dar o seu contributo pessoal para o enorme catálogo de aventuras de Mickey e de outras personagens Disney, respeitando a “personalidade” de cada uma das personagens usadas, mas recorrendo a um formato franco-belga, desde logo no número de páginas da aventura. A tarefa inicial foi atribuída a Cosey, que nos entregou uma BD (“Une Mysterieuse Melody”), de grande qualidade, belíssima, e com uma edição muito cuidada, estabelecendo uma fasquia altíssima. Depois do tomo 1, confesso não ter sido atraído por mais nenhum dos tomos publicados, com exceção de Café “Zombo” de Régis Loisel, em formato “à Italiana”, e um novo opus do Suíço Cosey em 2019 (“Le Secret de Tante Mirande”). Até “hoje” e já vamos no tomo 20 em que um “não sei quê” me fez brilhar o olho.

Mickey e o Rei dos Piratas é uma BD desenhada por DAV (David Augereau), e com argumento de Joris Chamblain. A qualidade gráfica é extraordinária, a desenvoltura de DAV num universo que não é o seu, a expressividade das personagens, mas também a capacidade de criação de ambientes que constituem novidade nesse mesmo universo, fazem com que seja impossível não sentir uma certa nostalgia de juventude Mickey, Tio Patinhas, Pato Donald, Pluto, Pateta, Margarida, Minnie, Clarabela, Horácio, até uma breve aparição de Zé Carioca, Maga Patalógica, Prof. Pardal, Bafo de Onça, Irmãos Metralha, …

O argumento é divertido, estapafúrdio, bem estruturado e inacreditavelmente louco. A leitura é mesmo muito agradável, um regalo para a vista, conseguindo aflorar alguns temas importantes, sem ser disruptivo, e com camadas de leitura para diferentes gerações de leitores.

No essencial, desde a primeira página, encontramos Mickey, aspirante jornalista e detetive, a tentar afirmar-se enquanto trabalha para um jornal de nome interessante detalhes para leitura e é confrontado com a notícia: roubaram a moeda fetiche do Tio Patinhas. Mickey, acompanhado do fiel Pluto, investiga, ficando a saber que o seu amigo Donald perdeu a memória, e sendo conhecedor das armadilhas para evitar o roubo da Moeda n.º 1 é, naturalmente suspeito. O Tio Patinhas parte à procura de pistas, junto dos seus inimigos, e desaparece durante algum tempo, reaparecendo mudado, gastador e bem-disposto. Só que, ao seu império, e a toda uma cidade que vive dos negócios do rico pato (ou do pato rico, escolham), começa a fazer falta gestão. A situação agrava-se quando os navios abastecedores de matérias-primas começam a ser atacados por um misterioso navio ardente. Depois de várias peripécias, Mickey, Pluto, Pateta e Donald (o pato, nada de confusões), ajudados pelo capitão Claude, aventuram-se por oceanos e mares na descoberta da verdade. E claro, tudo se vai terminar bem, com o Tio Patinhas a mostrar toda a sua fibra, “com uma pequena ajuda dos seus amigos”.

Lê-se “de um trago”, lê-se com agrado, lê-se com muita aventura. E afinal: há quanto tempo não lia uma aventura de Mickey, Patinhas e Companhia???




Novidade Bertrand: está de regresso a terrível, mas Incrível Adele com "Funky fofinho! - vol.15"

 




A Incrível Adele está de regresso com o décimo quinto livro intitulado Funky fofinho!, da autoria de Mr. Tan e Diane Le Feyer numa edição da Bertrand Editora.

Esta personagem é um sucesso de vendas principalmente em França, onde tem sempre mais de um livro no top 10 dos mais vendidos, tendo o ano passado de 2025 sido o volume 22 - Bande de compotes  o quarto mais vendido!

A história

«Boa, vamos de férias. E não é para qualquer lado, é para o Canadá! Vou conhecer a minha prima Charlie, que é muito fixe. Parece que ela me acha mega, e isso lá é um elogio. Não percebo nada do que dizem, mas sei que vai ser INCRÍVEL!» in Adele

A Adele e os pais viajam para o Quebeque, para umas férias de inverno com gorros divertidos. A Adele está em boa companhia, com a sua prima Charlie e o coelho dela, o Jaja, um verdadeiro sósia do Ajax. No programa das férias, há passeios em plena natureza, treino de esquilos, mal-entendidos e disparates de todo o tipo no grande frio canadiano!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

A opinião de Miguel Cruz sobre "American Parano - Tome 3: Manhattan Trauma", de Bourhis e Varela

 

American Parano - Tome 3: Manhattan Trauma

Já aqui tive oportunidade de falar sobre os dois primeiros tomos de American Parano, que constituíam uma primeira investigação, em San Francisco, com argumento de Hervé Bourhis e desenho do argentino Lucas Varela.

Este terceiro tomo, como o seu nome indica, assinala uma mudança da nossa protagonista, Kim Tyler, para a Nova York de 1968, onde deverá servir de peça central na segurança do candidato presidencial Bob Cavendish. O candidato é abatido a tiro logo nas primeiras páginas, pelo que fica já claro que este é mais uma tarefa em que as coisas não correm bem a Kim, como sempre especialista em arranjar inimigos e em se meter em alhadas das grossas.

Este one shot é essencialmente baseado na história dos Kennedy e, portanto, não há grandes surpresas de contexto. Esse facto, aliado a um “negrume” absoluto da narrativa, faz com que este não seja, de todo, o melhor álbum da série ou, pelo menos, o mais agradável de ler. Mas Bourhis esconde, nesta narrativa, um conjunto de sinais associados a uma crítica às elites políticas e empresariais norte-americanas, aos apoios às candidaturas, às teias de interesses essenciais para uma eleição, e creio poder dizer com segurança que a sua crítica social não é contida na década de 60 ou 70.

A partir do momento em que encontramos Kim a coordenar a segurança de Cavendish, e este é assassinado, a restante BD é passada a recordar todos os passos que foram percorridos entre a chegada de Kim a Nova York e aquele ponto, passando pela descoberta da existência de um bebé (quem é o pai?), pela sua relação com a família Cavendish, e as suas interações com o diretor de campanha, já para não falar das tentativas de capturar um assassino de leste (visível na capa), contratado para várias tarefas ao longo daqueles poucos dias.

O desenho de Varela vai respirando cada vez melhor neste universo. Um estilo de desenho semi-realista, com um estilo chamativo, contrastando o negro com cores chamativas, por vezes rígido, mas propositadamente e de uma forma que resulta numa clareza e agradabilidade de leitura. A protagonista veste-se sempre da mesma maneira, com um impermeável detectivesco que chama a atenção, e tem uns olhos de um azul profundo, chamativos e que se destacam na composição de página. Um estranho, inabitual, mas agradável equilíbrio entre um estilo fantasista e um contexto realista.

Editado pela Dupuis, American Parano é uma daquelas séries difíceis de classificar, mas que, talvez até por isso, ao se destacar de uma narrativa de mistério ou de detetives clássica, tem tido sucesso, tem conseguido chamar a atenção. A leitura deste tomo 3 deixa-nos um gosto amargo na boca, e não será dos três o mais interessante, talvez porque “despachar” uma história com tantas pistas, tantos acontecimentos, tantos “caminhos a desenvolver” num único tomo, constitui um exercício mais complexo do que fazê-lo em dois tomos. Escolhas editoriais. Mas, de todo, não dei por perdido o meu tempo de leitura.



Novidade ASA: o álbum premiado Ulysse & Cyrano - uma história de amizade e de bondade, editado em Fevereiro


Chega às livrarias no dia 17 deste mês, pelas mãos da ASA e é talvez um dos livros que mais esperávamos, possivelmente influenciados pela crítica do Miguel Cruz (que já publicámos aqui) e pelo sucesso que teve no mercado francês. Ainda para mais tem a participação de Xavier Dorison no argumento, autor que nos habituou a obras de qualidade. O outro argumentista é Antoine Cristau e o desenho é de Stèphane Servain.

A sinopse:

Para Ulysse Ducerf, a matemática dificilmente o entusiasma, mas é impossível fugir dela quando lhe é prometido um futuro brilhante: a École Polytechnique e um dia assumir a cimenteira da família. Este é o desejo do pai de Ulisses, porém este é surpreendido por graves acusações: 10 anos antes, a sua empresa teria participado no esforço de guerra alemão. A família instala-se na Borgonha, onde Ulisses conhece um homem rude e reservado. O choque é imediato: Cyrano e a excelente culinária mudarão a vida de Ulisses para sempre...

Esta história culinária na França dos Anos 30 gloriosos irá aguçar o apetite dos leitores ao mesmo tempo que coloca questões tão necessárias quanto universais: o que é o prazer e a amizade? Onde está a realização... e como podemos alcançá-la?


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Novidade: As Sisters é uma nova série juvenil de banda desenhada editada pela Bertrand

 


As Sisters, da autoria de William (desenho) e Cazenove (argumento) é uma nova série de banda desenhada para um público mais jovem, editada pela Bertrand. O primeiro volume, que já está nas livrarias, tem como título "Irmãs à força".

A sinopse:

A Wendy é uma pré-adolescente que tem muitos amigos e um namorado que adora. A sua vida parece espectacular, mas há um pequenino problema: tem também uma irmã mais nova. Pois, é a Marina, que é uma chata e não a larga!

A Wendy só quer falar com as amigas sobre rapazes, arranjar-se para sair e que a deixem em paz. Já a Marina sonha em estar sempre com a mana mais velha e saber tudo o que ela faz.

EM CADA PÁGINA, UMA NOVA HISTÓRIA!

Descobre a nova série AS SISTERS, que conta a vida e as aventuras hi-la-ri-an-tes de duas miúdas como tu, entre ataques de choro, brigas, abraços apertados e muitas gargalhadas!







Novidade ASA: "Um livro esquecido num banco", um livro há nossa medida, já se encontra disponível

 


Mesmo a tempo do Dia dos Namorados, um livro cheio de paixão... também pelos livros! Uma obra de Jim (argumento), com desenhos de Mig, e que acaba de ser lançada pela ASA.

A Sinopse:

Camélia está sentada num banco. Ao seu lado, encontra-se um livro lá pousado, abandonado. Ela começa a folheá-lo. No interior do livro, uma palavra, pela mão de um desconhecido, convida-a a levá-lo…

Em sua casa, Camélia descobre que algumas palavras parecem estar rodeadas, formando frases… O desconhecido diz sentir-se entediado com a sua vida quotidiana, sonhando com uma vida amorosa intensa e desconcertante, como só se lê nos romances. “Mas quantos de nós não sonham com uma vida igual à dos romances?” Camélia rodeia seis palavras em resposta: “nós”, “somos”, “dois”, “você”, “e”, “eu… E volta a pousar o pequeno livro sobre um banco…

Na época das mensagens de telemóvel e dos ebooks, “Um livro esquecido num banco” é uma história encantadora entre dois apaixonados por livros… Uma conexão epistolar terna e cativante, em contracorrente do mundo digital contemporâneo.


terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Novidade A Seita: A chegada do Pongo é o segundo volume de O Corvinho

 


Os heróis também foram crianças e o Corvo não é exceção! Este é o segundo volume da série infantil O Corvinho, de Luís Louro, que tem como título A Chegada do Pongo. Uma colecção que faz as delícias dos mais pequenos, mas também dos mais crescidos, especialmente os fãs dos livros de banda desenhada do herói Corvo.

A sinopse:

Descobre a infância de Vicente antes de se tornar o maior (e único) super-herói de Lisboa. E neste segundo livro de história do Corvinho, tudo começa com aquilo que muitos acham que é uma praga típica da cidade: os pombos! E acaba, talvez, com uma lagarta que vai proporcionar uma bela lição!







Novidade Arte de Autor: Perigo na Casa da Falésia é o novo título de Hercule Poirot, da colecção Agatha Christie

 


A Arte de Autor prossegue com a colecção de adaptações dos romances de Agatha Christie para banda desenhada.

Perigo na Casa da Falésia, é mais uma história com Hercule Poirot como protagonista e conta com argumento de Frédéric Brémaud e desenho de Alberto Zanon.

A sinopse:
Uma magnífica casa empoleirada numa falésia da Cornualha, é propriedade de Nick Buckley, uma mulher jovem e alegre que parece precisar de ajuda. Ela convidou amigos para passar alguns dias em sua casa, mas várias tentativas de a matar marcam a estadia. Quando um tiro parece er sido disparado contra a jovem no jardim de um hotelvizinho, onde Hercule Poirot e o capitão Hastings estão hospedados, o detective belga não consegue evitar intervir e pôr ema acção as sua «pequenas células cinzentas». Quem pode ter algo contra a bela Menina Buckley? E por que razão a quereria eliminar? Com o seu talento único, Poirot vai vasculhar as vidas complexas dos hóspedes da Casa da Falésia para revelar uma série de Mentiras.








segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Exposição: Inaugurou hoje uma nova exposição na livraria Cult - desta vez dedicada aos 25 anos do Menino Triste

 

O Menino Triste, de João Mascarenhas, celebra, em 2026, 25 anos de idade. Motivo mais do que suficiente para a realização de várias iniciativas comemorativas. O primeiro evento é inaugurado hoje e consta numa exposição, na Livraria Cult, de 34 desenhos originais da série D'Après... da autoria de vários artistas.

Mais um bom motivo para visitarem a Cult.



O fenómeno "Dan da Dan" chega a Portugal em festa - Grande evento dia 17 de Fevereiro na Fnac do Colombo / Devir


Dan da Dan, um dos maiores fenómenos mundiais da mangá da actualidade (terceira colecção mais vendida no Japão, atrás de One Piece e Jujutsu Kaisen, está quase a chegar a Portugal.

E para assinalar o lançamento do 1.º volume (nas livrarias a partir de 16 de Fevereiro), a editora DEVIR promove uma acção especial na FNAC Colombo, em Lisboa, no próximo dia 17 de fevereiro, a partir das 16h00.

Mais do que um lançamento editorial, esta iniciativa, com o apoio de Daivid Jones, foi pensada para criar um momento de encontro com a comunidade mangá, reunindo fãs de todas as idades, num ambiente descontraído, participativo e festivo.

O evento contará com a presença dos contagiantes cosplayers Vins (como Momo) e Hantzie (como Okarun), promovendo a interação com o público, sessões de fotografia e participação ativa nas dinâmicas do evento, contribuindo para uma experiência mais imersiva.

Aproveitando o espírito do Carnaval, o público é convidado a participar caracterizado ou em cosplay, inspirado no universo Dan Da Dan ou noutras personagens do imaginário mangá e anime, tornando o evento ainda mais visual, divertido e imersivo.

Criada por Yukinobu Tatsu, Dan Da Dan é hoje um verdadeiro fenómeno global. Com mais de 10 milhões de exemplares vendidos e presença constante nos rankings japoneses, foi o 3.º mangá mais vendido no Japão em 2025, imediatamente a seguir a One Piece e Jujutsu Kaisen - igualmente publicados em Portugal pela DEVIR. Um feito que confirma o impacto comercial e cultural da série numa indústria altamente competitiva.

O sucesso de Dan Da Danresulta de uma combinação irreverente e acelerada, um traço visual explosivo e uma abordagem contemporânea que cruza ação, humor, romance, ficção científica e sobrenatural, rompendo com fórmulas tradicionais do shonen.

A história:

Dan Da Danacompanha Momo Ayase, uma estudante que acredita em espíritos, e Okarun, um colega introvertido obcecado por extraterrestres. Após um desafio para provarem as suas crenças opostas, ambos descobrem que o sobrenatural e os aliens existem —e coexistem de forma caótica e perigosa. Momo desperta poderes psíquicos depois de um encontro com seres extraterrestres, enquanto Okarun é amaldiçoado por uma entidade espiritual, adquirindo capacidades físicas extraordinárias, mas ficando preso a uma maldição. 

Juntos, os dois protagonistas enfrentam ameaças cada vez mais bizarras e violentas, numa narrativa que combina ação explosiva, humor irreverente, terror e uma tensão emocional constante, definindo desde os primeiros capítulos o tom único e imprevisível da série.




domingo, 8 de fevereiro de 2026

Novidade: Vem aí o quarto volume da série "O verão em que Hikaru morreu"


Sairá ainda este mês o quarto volume da série "O verão em que Hikaru morreu", de Mokumokuren e editado pela Presença Comics.

Sinopse:

Um mistério inexplicável, uma amizade inesperada. Que segredos estarão por revelar neste verão inesquecível?

O Yoshiki confronta-se finalmente com a dura realidade: o «Hikaru» já não é a pessoa que outrora conheceu. Ainda assim, decide continuar ao lado dele, já que, de forma inesperada, se tornaram amigos. No entanto, a verdadeira identidade deste impostor permanece um mistério… até para o próprio. A investigação dos rapazes leva-os à biblioteca, em que descobrem uma pista inquietante sobre os acontecimentos misteriosos da região. Entre registos antigos e lendas esquecidas, surge o nome de uma entidade tão enigmática quanto temível. Será que estão, por fim, mais perto da verdade?

À medida que exploram o passado, percebem que tudo à sua volta pode mudar de forma imprevisível... e que este verão jamais se repetirá.

BDs da estante - 672: Augusto Cid - O cavaleiro do cartoon, de Luís Humberto Marcos - Edição ASA e Museu da Imprensa


Este livro, de 2004, foi editado pela ASA, numa co-edição com o Museu da Imprensa. O Presidente da República, já falecido, Jorge Sampaio (1939-2021), escreveu isto sobre o cartoonista Augusto Cid (1941-2019):

“Augusto Cid é um dos nossos cartoonistas mais editados, com uma forte componente política no seu trabalho. Habituámo-nos a ver, na imprensa, os seus desenhos humorísticos e satíricos, que põem em causa políticos e os seus actos, deixando-nos, através do seu inconfundível e inteligente traço, comentários certeiros sobre a nossa actualidade. Admirador do seu trabalho, mesmo quando sou visado ou dele discordo, quero testemunhar o meu apreço pela obra de Cid e congratular-me com a realização da exposição antológica Augusto Cid, o Cavaleiro do Cartoon.” 


sábado, 7 de fevereiro de 2026

A nossa leitura de "O Atendimento Geral", de Paulo J. Mendes - edição Escorpião Azul


Somos fãs do Paulo J. Mendes, do seu sentido de humor e capacidade de observação, transpostos para os seus livros. "O Penteador" e "Elviro" já nos tinham proporcionado muito bons momentos e o mesmo aconteceu com este "O Atendimento Geral". A escolha dos nomes das localidades, das personagens, das actividades e das profissões absurdas, é tão bizarra quanto divertida e inteligente. Com o inverosímil, Paulo J. Mendes consegue com simplicidade e brilhantismo, brincar e criticar variados aspectos da nossa sociedade e da humanidade. Está cá tudo.

Relembramos a sinopse: 

A história centra-se num tímido escriturário que vê a sua vida virada do avesso ao ser encarregado de abrir uma sucursal em certa vila do interior. A mesma onde, na infância e na juventude, passava férias na quinta de uma tia até ao derradeiro ano em que algo corre mal e aquela lhe põe as malas à porta. De regresso forçado após três décadas a um meio pequeno e fechado que já não reconhece, irá defrontar amigos tornados inimigos, a elite local que o hostiliza, insaciáveis apetites imobiliários e a pressão para obter resultados que não consegue, enquanto se deixa capturar por um ressuscitado apego à velha casa, memórias e cultivos ancestrais. Pelo caminho, o reacender de uma antiga paixão estival acarreta outro factor jamais superado: Um total estado de paralisia que o atinge sempre que se envolve fisicamente com alguém...

Estamos perante uma personagem peculiar, o Lombinhos, de uma timidez doentia, que o impede de ser feliz com as mulheres e por vezes de se afirmar perante terceiros. No entanto, é um trabalhador sério e confiável e é por isso que o patrão lhe confia uma tarefa difícil. A história leva-o à vila de Valhamaçanta, uma localidade sua conhecida e onde vai reencontrar o amor da sua adolescência e um velho amigo (será mesmo amigo). A partir daí desenrola-se um conjunto de peripécias, onde o Lombinhos se vai ver muitas vezes em apuros e a tomar contacto com actividades e profissões que não existem mas que são uma paródia a muitas que existem na realidade. A burocracia, a especulação imobiliária, o desrespeito pela natureza, a corrupção e o compadrio, o machismo, as modernas modalidades desportivas, o tempo perdido em reuniões de negócios que não servem para nada, as questões económicas, a agricultura biológica e por aí fora. Tudo é parodiado de uma forma que não nos deixa margens de dúvidas: queremos mais obras destas, queremos que o Paulo J. Mendes continue a produzir estas pérolas repletas de portugalidade, que nos divertem a cada página. A compor o ramalhete, os seus desenhos caricaturais, cheios de pormenores, que nos levam a viajar por localidades que nos faz ter a sensação de que já lá estivemos.


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Novidade: Já saiu esta semana o volume 1.5. da série The Ghost in the Shell


Já saiu o volume 1.5. da série The Ghost in The Shell, publicada em Portugal pela Distrito Manga. The Ghost in the Shell 1.5: Human-Error Processor apresenta pela primeira vez as histórias «perdidas» de The Ghost in the Shell, criadas por Shirow Masamune após completar o trabalho na manga The Ghost in the Shell original e antes do seu The Ghost in the Shell 2: Man-Machine Interface, mas nunca publicado até agora. Concentrando-se nos agentes da Secção 9 na sua batalha diária contra o crime tecnológico, Human-Error Processor tem toda a loucura cibernética que se espera de The Ghost in the Shell, mas ambientado num contexto mais policial, com ação e suspense em abundância.

A sinopse:

No Séc. XXI, a linha entre o homem e a máquina tem sido inexoravelmente turva, à medida que os humanos dependem do aprimoramento de implantes mecânicos e os robôs são atualizados com tecido humano. Neste cenário tecnológico de rápida convergência, os agentes da Secção 9 são encarregados de rastrear e decifrar os mais perigosos terroristas, cibercriminosos e hackers fantasmas que o futuro digital tem a oferecer. Seja lidando com cadáveres controlados remotamente, micromáquinas com mau funcionamento letal ou ciborgues assassinos, a Secção 9 está determinada em servir e proteger… e reiniciar alguns cibercriminosos!






A nossa leitura de "Pessoa Fragmentado - Antologia" - edição TágIIde

 


Já aqui dissemos noutra ocasião, de que somos fãs da genialidade de Fernando Pessoa, pelo que a banda desenhada é uma excelente forma de aprendermos ou reaprendermos poemas e trabalhos do escritor. Nesta antologia temos oito pequenas "histórias" ou, oito interpretações gráficas de obras de Pessoa e dos seus heterónimos, realizadas por artistas portugueses.

A obra Pessoa Fragmentado é do grupo TágIIde, em parceria com o Lisboa Pessoa Hotel e trata-se de uma adaptação para a linguagem da banda desenhada do vasto universo literário de Fernando Pessoa (1888–1935). Foi realizada em homenagem ao mais influente poeta português do século XX, assinalando o nonagésimo aniversário do seu falecimento.

Conta com a participação de A edição conta com a participação de Jorge “RoD!” Rodrigues, Yves Darbos, Mário André, José Macedo Bandeira, João Raz, António Coelho, Rafael Marquês, Maria João Claré, Penim Loureiro e Patrícia Costa (Capa).

O que é interessante nas antologias é a diversidade de estilos, de desenhos, de formas de transmitir a mensagem e neste caso ainda mais interessante ver as diferentes linguagens gráficas a interpretar também os diferentes géneros de Pessoa. A multiplicidade dos seus heterónimos, as suas "personas", casam-se na perfeição com um trabalho colectivo deste género, que junta vários artistas, cada um vendo Fernando Pessoa à sua maneira. Claro está que o leitor gostará mais de uma história do que outra, há para todos os gostos, tal como a obra genial de Pessoa.