segunda-feira, 6 de abril de 2026

A opinião de Miguel Cruz sobre "Max Fridman 6 – Hiver 1938", de Giardino

 


Max Fridman 6 – Hiver 1938

Há cerca de 18 anos que não tínhamos notícias de Max Fridman e, há cerca de 8 anos que, tirando participações em coletivos, não tínhamos grandes notícias de Vittorio Giardino (o mesmo de Jonas Fink ou de Eva Miranda ou de Férias Fatais). Lembro-me de Giardino ter estado acompanhado da sua esposa no Festival da Amadora (na estação de metro), mas já quase não me lembro da publicação, em 2011 do início de Max Fridman, nos “Incontornáveis da Banda Desenhada”.

Pois é, o sensível e inteligente espião Max Fridman está de volta, numa aventura de mais de 160 páginas, em que se vê obrigado a abandonar o seu calmo retiro suíço, onde vive com a sua filha, para ir até Viena, tentar “extrair” os seus primos judeus, perseguidos pelo regime Nazi, sem conseguir visto de saída (e com dificuldades em obter um visto de entrada):  Franz Meyer, o primo da mãe de Max, um conceituado médico e intelectual austríaco, a sua mulher que tem uma doença que a torna um potencial alvo dos Nazis, e dois dos seus filhos, não casados, Edmond e Myriam.

A relação passada e presente de Max com Myriam vai trazer um cariz romântico inesperado a esta BD que se inicia com as ameaças dos Nazis à Áustria e a sua posterior entrada em Viena e anexação do território, seguida da crescente perseguição aos judeus, com regras sucessivas e de pressão crescente. Max chega a Viena bastante mais tarde, mas a sua presença não passa despercebida a ninguém, com diferentes serviços secretos a tentar descobrir o porquê da sua presença no território, o porquê da sua relação com os Meyer, situação ainda agravada pela proximidade de um alto oficial alemão com Myriam.

O poder de antecipação de Max vai ser posto à prova, num contexto perigoso, em que a narrativa nos vai inspirando um nível de angústia cada vez maior, com a “armadilha” a fechar-se em torno das personagens principais. Valha-nos o “eu sei o que estou a fazer” de Max.

Uma aventura muito inteligente, bem construída, com muito detalhe, muita precisão contextual, muita tensão política, boa caracterização das personagens, excelente imagem de época,  roupas, viaturas, ambientes, edifícios, tudo muito bem pensado. Um desenho realista muito elegante, cores cuidadas e que reforçam a credibilidade da narrativa. Muito bom, muito bom mesmo.

Editado pela Glénat em formato “romance gráfico”, ou seja, mais pequeno que o formato habitual franco-belga, esta edição acompanha a reedição dos tomos anteriores de Max Fridman, no mesmo formato. Muito recomendável, vale a pena a leitura. Um verdadeiro acontecimento, ao fim de 18 anos, e com Giardino quase a fazer os seus 80 anos!




Novidade Distrito Manga: Chega para a semana o 11.º volume da série Ataque dos Titãs, de Hajime Isayama



Sai a 13 de Abril e já está em pré-venda, o 11.º volume da série Ataque dos Titãs, de Hajime Isayama, da Distrito Manga.

Neste novo volume, cada decisão pesa como nunca, alianças são postas à prova e o confronto aproxima-se de um ponto de não retorno.

Será que este mundo tem futuro?

Graças à chegada oportuna de Eren, a 104.ª Brigada consegue inverter a maré da batalha na Muralha Rose. Contudo, esta vitória momentânea encurrala dois traidores e a verdadeira identidade dos Titãs responsáveis pela destruição das muralhas é finalmente revelada!

Conseguirá Eren enfrentar os dois monstros mais perigosos que a humanidade alguma vez conheceu? E quem mais poderá estar a esconder-se sob o disfarce de aliado?






Novidade Casterman: Lune de miel, é a nova obra de Bastien Vivès que estará na Comic Con Portugal em Abril


Bastien Vivès, autor francês que tem presença confirmada na edição deste ano da Comic Con, acaba de lançar, pela Casterman, um novo trabalho que se intitula "Lune de miel - midi entre quatre plaches", que dizem ser um novo western, mas passado em Bruxelas!!!

A sinopse:

Quentin acompanha Sophie a Bruxelas, onde ela vai dar uma conferência sobre o surrealismo. E é efectivamente a uma cidade surreal que vão parar! 

Paralisada devido a obras e afogada num nevoeiro que não se dissipa, Bruxelas está com um ar de Velho Oeste, onde coleccionadores de banda desenhada amargurados e gangues de todos os tipos se enfrentam num verdadeiro acerto de contas!

Um destino à priori menos exótico do que o habitual, para o casal de aventureiros, mas que se vai revelar tão excêntrico como outros destinos longínquos. 







domingo, 5 de abril de 2026

A nossa leitura de "O Homem que queria ser Howard Carter - Diário do Egito", de Rui Sousa - edição de autor

 


O livro é uma edição de autor, de Rui Sousa, foi lançado em Março de 2025, mas só viemos a ter conhecimento no final do ano. Fãs confessos da cultura egípcia, depressa encomendámos um exemplar ao autor de "O Homem que queria ser Howard Carter".

Conforme já referimos, quando divulgámos o livro, o autor, que trabalha em ilustração e artes plásticas, passou muito tempo no Egipto em 2023 e 2024. A certa altura e perante muito material e informação recolhidos, decidiu avançar para uma história de banda desenhada, sem noção da intensidade de trabalho que iria ter. Acabou por concluir o livro ao fim de dois anos.

O Homem que queria ser Howard Carter é uma espécie de diário de viagem, que reflete o fascínio de Rui Sousa por aquele país que tem uma riqueza histórica ímpar. Através de um narrador-guia, Horácio, vamos conhecendo a história do famoso egiptólogo que ficou conhecido por ter descoberto o túmulo do faraó Tuntankhamon. Assim, viajamos no tempo e no espaço, vamos vendo paisagens e monumentos e assistindo a acontecimentos. Não é exactamente um relato de uma aventura, é algo mais fantasioso, com viagens pelo tempo e reflexões. 

Gostámos bastante do traço do autor e de todo o tratamento da cor, mas quanto ao argumento, ficou-nos a saber a pouco. Sentimos falta de um fio condutor mais consistente, pois por vezes parece que os textos estão ali de forma avulsa, sem ligação entre eles. Sendo a formação do autor ligada à ilustração, é natural que esse seja o seu ponto forte, mas o autor poderia ter explorado a história um pouco melhor. 

Ficamos à espera de mais trabalhos de Rui Sousa. 



BDs da estante - 680: Astérix e o Caldeirão, de René Goscinny e Albert Uderzo - edição ASA

 


Para o Dia de Páscoa fomos buscar um clássico à nossa estante: Astérix e o Caldeirão é o 13.º álbum das aventuras de Astérix. 

Neste volume: Trocatintix é um chefe gaulês conhecido por ser forreta e pactuar, por vezes, com os romanos. Sabendo que o colector de impostos romano vai passar na sua aldeia, decidiu confiar todo o dinheiro que tinha à aldeia de Astérix, onde os romanos não são nada bem vindos. Astérix ficou com a missão de guardar o dinheiro num caldeirão mas, no dia seguinte, este aparece misteriosamente vazio. Como recuperar o dinheiro desaparecido e a honra perdida da aldeia?

sábado, 4 de abril de 2026

Reedição: Casterman reedita em grande formato o ábum que inaugurou a série As Cidades Obscuras


O fascinante trabalho de reedição da Casterman, da saga das Cidades Obscuras, continua com este álbum que inaugurou a série Les Cités Obscures (As Cidades Obscuras) quando foi publicada em 1984 e criada por François Schuiten e Benoït Peeters. Esta edição de grande formato contém duas histórias: Les Murailles de Samaris e Les Mystères de Pâhry (As Muralhas de Samaris e Os Mistérios de Pâhry).

O que está exactamente a acontecer em Samaris? É para descobrir o que se passa que Franz, um enviado da cidade de Xhystos, percorre o longo caminho que leva à cidade. Mas aí o segredo só se complica. Todas as tentativas de Franz de compreender o que exactamente se está a passar em Samaris foram em vão. Por que nunca vemos crianças nas ruas da cidade? Por que as passagens e lugares que Franz parecia conhecer parecem desaparecer? A cidade (cujo emblema é a sundew, planta carnívora), mais esquiva, mais sinuosa, mais complexa do que parece à primeira vista, esforça-se por escapar dela, uma e outra vez...




A nossa leitura de Hercule Poirot - A aventura do bolo de Natal, de Agatha Christie, Isabelle Bottier e Alberto Taracido - edição Arte de Autor


Estamos na Páscoa, mas hoje vamos falar de Natal.

Temos lido todos os volumes desta colecção editada pela Arte de Autor, de adaptações para banda desenhada de obras de Agatha Christie e começa a ser difícil indicarmos quais os nossos preferidos, mas diríamos que este "Hercule Poirot - A aventura do bolo de Natal" passou para os lugares cimeiros. A adaptação é de Isabelle Bottier, que já participou em vários álbuns da colecção e os desenhos são de Alberto Taracido, os quais gostámos bastante. Começamos por aí:

A história passa-se no Natal e a atmosfera natalícia respira-se aqui através dos desenhos de Taracido. A lareira e toda a decoração transmitem um ambiente acolhedor, assim como a paleta de cores utilizada, com cores quentes, sendo a própria capa um exemplo do que estamos a dizer. O desenho caricatural com traços mais arredondados, acentua o tom humorístico que tem esta investigação de Hercule Poirot, que aqui tem um ar mais patusco do que nunca.

Quanto à história, passa-se numa casa no interior de Inglaterra, de uma família respeitável. Claro está que há vários familiares, mais velhos e mais jovens, empregados e convidados, pois isso aumenta o número de suspeitos do crime que acontece. Mas nada que o famoso detective belga não consiga resolver. Há um roubo de uma joia (um rubi valioso), há intrigas familiares, segredos, gastronomia e tradições inglesas. Tudo isto faz com este álbum seja muito divertido de ler e, como dissemos, tenha passado a ser das nossas histórias preferidas de Agatha Christie.





sexta-feira, 3 de abril de 2026

Novidade: reedição do quarto volume de Blacksad, "O Inferno, o silêncio", pela Ala dos Livros

 


Inicialmente publicado em 2005, este é o quarto volume desta série de culto Blacksad, publicada em Portugal pela Ala dos Livros, com edições cuidadas e melhoradas com lombada de tecido. O título deste volume é "O Inferno, o silêncio", desta série de culto, criada há 25 anos, cujo protagonista principal é um gato que se movimenta num universo antropomórfico e cuja acção decorre nos Estados Unidos, nos anos de 1950, num ambiente que evoca o romance negro e a literatura americana. Com os desenhos fulgurantes - e cores sublimes - assinados por Juanjo Guarnido, a força de Blacksad reside também na qualidade das suas histórias, que contam com o argumento de Juan Diaz Canales.

A sinopse:

Nova Orleães, década de 1950, onde as celebrações do Carnaval estão ao rubro. Graças a Weekly, um produtor de jazz chamado Faust conhece Blacksad. Faust pede a este último que assuma um caso: um dos seus músicos, o pianista Sebastian, desapareceu. Não há notícias dele há meses, pondo em risco a editora particular que só tem aquela estrela. Faust teme que Sebastian tenha, com demasiada frequência, caído no vício da droga. O seu pedido é ainda mais urgente, pois Faust sabe que tem cancro. Blacksad aceita a missão e, aos poucos, descobre que Faust não lhe contou tudo. Percebe que está a ser manipulado, mas decide, mesmo assim, encontrar Sebastian para perceber os motivos do seu desaparecimento. Mas o que ainda não sabe é que está prestes a viver a sua investigação mais angustiante, em mais do que um sentido.


Novidade Casterman: Entre les Cordes, um livro da autoria de Rakajoo

 


Novidade Casterman: este livro Entre les Cordes é da autoria de Rakajoo (desenho e argumento) e saiu na semana passada

Ex-integrante da equipa francesa de MMA e jogador de boxe nacional de elite, Rakajoo, agora uma figura em ascensão da pintura contemporânea, assina um thriller social de tirar o fôlego, na encruzilhada do realismo urbano e da energia da banda desenhada.

Sinopse:

Boxeadores e criminosos em Aubervilliers! “Alguns eventos transformam-nos e outros moldam-nos. Mas a memória, imutável, às vezes ressurge, como uma ferida aberta que rasga o presente para reviver as cinzas do passado."








Novidades DEVIR: são cinco as novidades da DEVIR a partir de 16 de Abril, entre elas...

 


Estas cinco novidades da DEVIR já estão em pré-venda no seu site https://editoradevir.pt/ e a partir de 16 de Abril nas livrarias habituais.

Destaque para o volume seis de Batman Grant Morrison, para além do volume 16 de Spy x Family, Chainsaw Man vol. 15, The Walking Dead Col. vol. 7 (25 a 28) e o volume um da série Kagurabachi.




quinta-feira, 2 de abril de 2026

Novidade: Runas - Uma história de mil faces é uma nova série da Nuvem de Letras


Tendo em conta que hoje é o Dia Internacional do Livro Infantil, é oportuno falar deste livro que irá sair a 13 de Abril, pela Nuvem de Letras. Runas, da autoria de Carlos Sánchez é uma nova colecção que nos vai catapultar para o universo mágico de Chiri e Dai, dois amigos que vêm provar que a união faz a força, mesmo quando se tem de enfrentar o temível Rei Sombrio…

Obra vencedora do prémio Waterstones para Melhor Livro Juvenil, foi a primeira vez que este prestigiado galardão distinguiu uma novela gráfica em qualquer das suas categorias. Um sistema de magia detalhado, onde a língua gestual se converte em poder, é o que torna esta série tão especial. Esta é uma obra que já conquistou o coração de milhares de leitores por todo o mundo. Uma história de mil faces é o título do primeiro volume.

Chiri e Dai são dois órfãos e melhores amigos que acedem a um reino esquecido onde os esperam aventuras mágicas e sombrias. Chiri, sendo surda, fala por gestos, e qual não é o seu espanto quando percebe que a língua gestual é a única compreendida pelos feiticeiros! A linguagem usada do livro, embora fictícia e criada pelo autor, é baseada na língua gestual britânica.

A sinopse:

Chiri e Dai vivem num orfanato perto de uma floresta, onde descobrem um portal escondido que os transporta ao reino secreto de Puddin, um mundo mágico e sombrio, repleto de seres encantados mas que é atormentado por um vilão conhecido como o Rei Sombrio. Não tarda até Chiri e Dai se tornarem aliados de bruxas, bardos, ogres e feiticeiros na luta contra o mal. Será que os dois protagonistas conseguirão voltar para casa e acabar com a escuridão que despertou com a sua chegada? 

Nas profundezas das florestas do pequeno vale, jaz um segredo perdido no tempo e na escuridão…

A Chiri, uma menina surda que adora cozinhar, e o Dai, algo medroso e apaixonado por fotografia, são os melhores amigos.

Certo dia, encontram um reino esquecido, atormentado pelo malévolo Rei Sombrio, que anseia por espalhar o terror no Pequeno Vale e mais além. Conseguirão eles selar o caminho entre os dois mundos antes que seja demasiado tarde? E será que as druidesas, os guerreiros, os arqueólogos e as cabras mágicas que vão encontrar os ajudarão na sua aventura?

O autor:

Carlos Sanchéz é ilustrador e autor de novelas gráficas e banda desenhada. Estudou Design na EINA, em Barcelona, e posteriormente concluiu um mestrado em Ilustração Criativa na Bau. No entanto, o seu gosto por desenhar acompanha-o desde criança. Runas: Uma História de Mil Faces é a sua novela gráfica de estreia. Publicada em junho de 2024, pela editora Flying Eye Books, não poderia ter corrido melhor. Arrecadou as melhores críticas e venceu o Waterstones Children’s Book Prize 2025, na categoria Younger Readers. Destacou-se também por ser a primeira vez que uma novela gráfica ganha este prémio.








Hoje assinala-se o Dia Internacional do Livro Infantil e temos 10 sugestões de leitura

Hoje assinala-se o Dia Internacional do Livro Infantil e por esse motivo deixamos aqui 10 sugestões recentes de livros para crianças e jovens, de banda desenhada e ilustração.