25 Mulheres, de Raquel Costa, é um livro especial. Foi lançado em 2024, não é novidade, mas quis o destino que só o tivéssemos lido agora, depois de termos conhecido pessoalmente a autora, precisamente a 25 de Abril deste ano. Nada é por acaso.
O livro foi publicado no ano da comemoração dos 50 anos da Revolução de Abril, pela Oficina do Livro e desde aí tem vindo a obter vários prémios e distinções como o Prémio Bissaya Barreto de Literatura para a Infância em 2026, o Selo Distinção Caminhos de Leitura do Observatório de Leitura do Pombal e o Selo Lusofonia Além-Mar Cátedra 10. A obra foi também distinguida com vários prémios internacionais e selecionada para o 67.º Anuário da Society of Illustrators, em Nova Iorque, integrando ainda a lista de obras recomendadas pelo Plano Nacional de Leitura.
Este feito, realizado pela Raquel Costa, deve-se a inúmeros factores, desde o argumento aos desenhos. A autora conta-nos neste livro a história de 25 mulheres, com a particularidade de as irmos conhecendo pela ordem do alfabeto. Temos a Abrilina, a Benedita, a Carlota e por aí fora. Cada uma delas, em poucas frases, representa um aspecto diferente da condição feminina no início dos anos 70. Através destas mulheres, a Raquel Costa vai focando, temas como a violência doméstica, a sexualidade, a imigração, a deficiência, a igualdade de género, o direito ao aborto, a luta pela liberdade, questões religiosas ou solidão dos idosos. Temos uma professora e uma aluna, temos filhas e filhos, crianças e adolescentes, mães e avós, temos uma deficiente, uma reclusa, uma freira, temos coscuvilheiras, uma imigrante, uma telefonista, uma camponesa e muito mais. Este livro consegue condensar tantos temas, tantas coisas, tantas personagens e nada parece pesado nem forçado. Tudo nos é contado e mostrado de formal muito bonita e de grande simplicidade e sensibilidade. Talvez por isso este livro seja um êxito quer junto de crianças quer junto de adultos. É um livro para ser lido por todas as idades e em qualquer altura, porque foram muitas as conquistas que a revolução nos trouxe, mas como diz na sinopse "tal como o caminho para a liberdade, este é um livro em permanente construção."
Relembramos que pode ser visitada, desde dia 5 de Junho e até dia 31 de Agosto, na Biblioteca Municipal de Coimbra, a exposição “25 Mulheres, uma revolução no feminino”, que reúne ilustrações e estudos preliminares realizados pela Raquel Costa.





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