quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
Novidade: o sexto volume de Bluelock já chegou às livrarias!
Novidade ASA: o obrigatório "Rever Comanche" já chegou às livrarias!
Uma das novidades que a ASA apresentou em Janeiro, é este "Rever Comanche", de Romain Renard, que já chegou às livrarias. Este livro venceu o prémio Fauve Polar 2025 (Prémio do Melhor Romance adaptado para BD do ano), atribuído no Festival Internacional de BD de Angoulême.
Sinopse:
Califórnia, início do século XX. Red Dust, uma lenda inscrita no pó e no sangue do Wyoming, vive isolado do mundo, à espera do fim. Mas quando conhece a jovem Vivienne, a sua vida é virada do avesso... Quando pensava que o seu passado tinha ficado para trás, o regresso de alguns fantasmas sedentos de vingança leva-o a voltar à estrada. Apesar do tempo e do arrependimento, chegou o momento de um último reencontro com a mulher que nunca conseguiu esquecer: Comanche. “Red, este mundo está lixado, sabes disso, não sabes?” Mancha-de-Lua
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026
A nossa leitura do quarto volume de Macho-Alfa, de Osvaldo Medina e Filipe Duarte Pina - edição A Seita
Não esperávamos que falar sobre esta leitura nos trouxesse tanta tristeza. Não pelo fim da série, que já esperávamos, mas pela partida inesperada e precoce, do seu argumentista, Filipe Duarte Pina, falecido em meados de 2025. Esta foi a sua derradeira obra, que realizou, tal como os volumes anteriores, com Osvaldo Medina. A edição é da Seita.
A série Macho-Alfa contou-se em quatro volumes. Bem, escrita e bem desenhada. Como já escrevemos sobre os anteriores, os volumes são divertidos e despretensiosos, cheios de acção e com críticas à sociedade em geral e à portuguesa em particular e que brinca com o mundo dos super-heróis. O que é interessante ao ler toda a série é que ela é evolutiva entre o humor e temas mais sérios, começando mais leve e divertida, adensando a narrativa a cada volume, focando-se na crise existencial do protagonista e tornando-o aos nossos olhos, cada vez mais humano e menos super-herói. A sua depressão é séria, a sua inadequação aos estereótipos estabelecidos, os seus traumas, as críticas à sociedade, o tom irónico, tudo isto vai tornando a série mais pesada.
A luta contra todos, mas sobretudo consigo próprio é o motor da vida de Macho-Alfa, mas não há super-herói sem vilão e neste final a luta vai ter que acontecer entre os dois e as revelações são tão duras que vão levar a uma violência muito maior do que aquela a que assistimos nos três primeiros volumes. Não queremos adiantar muito mais, para não comprometer a vossa leitura. Apenas podemos acrescentar que este final não deixa de surpreender e de chocar ao mesmo tempo.
Novidade: já está em pré-venda o nono volume da série Edenszero
A sinopse:
Depois de deixarem para trás os problemas com a Madame Kurenai, a tripulação da EDENS ZERO vê-se perante um novo inimigo: o temido Drakken Joe.
Fascinado pela lendária nave, ele prepara-se para a reclamar como sua — juntamente com todos os tesouros que possa esconder. E, à semelhança de Shiki, também conta com uma tripulação poderosa.
Será que Shilki e os amigos vão conseguir vencer mais uma vez?
Novidade: Bertrand edita o primeiro volume da nova série "Elas"
terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
Novidade Nuvem de Letras: A Guerra de Tróia em versão recontada para adolescentes
A Guerra de Troia narra um dos maiores conflitos bélicos da mitologia grega, causado pelo rapto de Helena, a esposa do rei de Esparta. Reis poderosos e guerreiros lendários, todos eles ajudados por deuses magníficos, defrontaram-se durante 10 anos. Nicolás Schuff, tantas vezes distinguido pelo seu talento, reconta-nos esta história inesquecível através de uma narrativa clara e emocionante. Mariana Ruiz Johnson, ilustradora premiada, é quem dá vida a este cenário inesquecível.
Uma história intemporal que nos convida a refletir sobre as consequências e o peso das escolhas de cada um de nós.
A nossa leitura de El Diablo, de Alexis Nesme e Lewis Trondheim - edição A Seita
Parece que as opiniões sobre este livro se dividem e ainda bem. A arte é coisa que não se discute. Há quem goste e quem não goste. Como se diz, se todos gostássemos do amarelo, o que seria do azul? Adiante. Já tínhamos tido um feedback muito positivo por parte do Miguel Cruz que leu a versão original deste "El Diablo", de Alexis Nesme e Lewis Trondheim, opinião que publicámos aqui em Dezembro de 2025.
Agora foi a nossa vez de ler este livro (editado em Portugal pel' A Seita) que desde logo despertou a nossa curiosidade pelo Marsupilami que aparece logo na capa. Criámos portanto, grandes expectativas e estas foram correspondidas em certa medida, mas houve um senão.
Para começar fomos logos atraídos pela capa, de que gostámos muito, tal como todo o visual do livro, desde os desenhos às cores utilizadas. Visualmente é mesmo muito agradável, com algumas pranchas arrebatadoras. Todavia quanto ao argumento esperávamos um pouco mais ou então não é para a nossa faixa etária porque por vezes a linguagem parece ser demasiado simplista e mais adequada aos mais jovens. Não que isso seja errado, achamos que devem existir bons livros de BD para os mais jovens e este, de aventuras, poderá vir a atrair novos leitores para a nona arte. Resumindo, neste argumento faltou-nos aqui um "je ne sais quoi" para que estivesse ao nível do desenho.
Apesar de tudo, foi uma leitura muito prazeirosa e embora o Marsupilami não seja tido como o protagonista da história, no fundo não deixa de o ser, pois a sua presença é uma constante e a forte ligação espiritual que se estabelece entre ele e o jovem José é algo mágica e especial, quase como se fossem irmãos gémeos. Sentem e sofrem as emoções um do outro.
Claro está que há os vilões da história, neste caso protagonizados pelo Capitão Santoro e a sua sede de ouro. A história passa-se no século XVI, na América do Sul e José é um grumete do galeão comandado por Santoro, que está em busca do El Dorado. O fim dos mantimentos levam à decisão da tripulação comer José, mas felizmente avistam uma terra desconhecida o que o leva a escapar-se da morte por um triz. É nessa terra que José é acolhido pelos índios Chahuta e é também aí que vai conhecer esse animal tão incrível e estranho, o Marsupilami.
Sendo um livro fora de colecção, não deixa de ter referências conhecidas dos fãs de Marsupilami, como, por exemplo, o nascimento da Palômbia.
Apesar de esperarmos um nadinha mais do livro, é verdadeiramente bonito e a história acaba por se ler num ápice.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
A opinião de Miguel Cruz sobre "Rei Sen Pacifique - tome 1 e 2", de Olivier Speltens
No segundo semestre de 2025 foi publicado o tomo 2 de Rei Sen Pacifique, da autoria de Olivier Speltens e editado pela Paquet. Speltens é um autor que se desenvolveu na linha editorial da Paquet, focado no desenho de aventuras quer giram em torno de automóveis ou aviões. Esta visão é naturalmente redutora, porque Speltens é um autor com uma evidente profundidade narrativa, e uma notória preocupação pela documentação das suas histórias, para além de ser dono de um desenho bonito, detalhado e agradável.
Em Rei Sen, o autor consegue uma qualidade narrativa, quer no argumento, quer nos diálogos, quer no equilíbrio entre narração e diálogo, quer no ritmo, quer, finalmente, na sequência narrativa, de elevado nível. É verdade que a história pode não interessar todos, mas é interessante, credível e com uma perspetiva diferenciadora.
Daisuke, piloto japonês é a personagem central, e toda a história é baseada não apenas no seu relato, na sua perspetiva, mas na sua experiência durante o período da guerra do Pacífico. No tomo 1 conhecemos o jovem Daisuke (e alguns dos seus colegas, nomeadamente Kenji, seu amigo de infância e vizinho de juventude), logo após a sua incorporação na força aérea, sem convicção nem particulares conhecimentos, como muitos outos jovens.
Estacionados numa ilha do Pacífico, começando por tarefas atacantes associadas à tentativa de invasão de Port Moresby, e ao longo do tempo transitando para tarefas defensivas, os jovens pilotos japoneses vão passando de uma perspetiva de invencibilidade e de curta duração da guerra, para uma perspetiva mais pessimista, com dúvidas sobre os comunicados do exército imperial. A falta de recursos, as operações intermináveis e o cansaço vão pesando.
No tomo 2, penúltimo da trilogia, o cansaço agrava-se, os rostos conhecidos vão desaparecendo e os erros acumulam-se, levando Daisuke a exceder-se, ser ferido, e voltar ao Japão. Após um breve período de contacto familiar, Daisuke, apesar de jovem, torna-se instrutor de aspirantes pilotos, mas com prazos limitados de formação, pois há uma guerra a combater.
Este tema da preparação dos pilotos é central nesta interessante série, desenvolvida na perspetiva de um japonês. Uma história romanceada, mas em que se nota uma preocupação com a contextualização histórica e com a correção cultural. O desenho é excelente, detalhado, tudo é bem documentado e credível, garantindo uma leitura fácil, agradável e memorável.
Pela minha parte, aguardo com interesse a publicação do tomo 3 e a conclusão desta série. Sabemos qual o desenlace da guerra do Pacífico, mas vale a pena saber o que acontece a Daisuke.
Uma vida a trabalhar para o boneco, uma obra sobre os 40 anos de carreira de Luís Louro e muito mais!
Já não é uma novidade (foi editado em Outubro de 2025!) e andamos há bastante tempo para falar sobre este livro que para nós é especial porque participámos nele com a redacção de dois textos/depoimentos. Este livro infelizmente até parece que não existe, pois a sua divulgação ou apresentação pela editora Escorpião Azul é ou foi residual pelos meios da banda desenhada (nem um press release!) ou mesmo inexistente. No entanto vale a pena procurá-lo e ler este livro.
Luís Louro, Uma Vida a Trabalhar para o Boneco é um livro de Francisco Lyon de Castro que, para além de contar um percurso ímpar de 40 anos, de Luís Louro na banda desenhada nacional (e não só!), reúne também mais de 40 participações de fãs, amigos e colegas de profissão que deram o seu testemunho sobre o autor.
O livro não poderia deixar de sair em 2025, ano em que, para além de Luís Louro ter assinalado 40 anos de carreira, tudo lhe aconteceu (de bom, entenda-se). Deste modo, e como seria de esperar (pela actividade frenética do autor), desde a entrega do livro para impressão à editora Escorpião Azul, em Setembro, Luís Louro depressa desactualizou o seu conteúdo pois colaborou ainda num livro colectivo de beneficência a favor da Cercioeiras, lançou os volumes 2 e 3 da série infantil do Corvinho, recebeu o Prémio de Melhor Obra de Autor Português do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, com o seu livro, já em segunda edição, Os Filhos de Baba Yaga e foi condecorado pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa com o título de Comendador da Ordem do Mérito.
O trabalho de Francisco Lyon de Castro não terá sido fácil, mas estamos convictos que foi muito prazeiroso. Infindáveis (mas muito agradáveis) entrevistas, recolha de relíquias do baú, recortes de imprensa, fotos, em suma, o trabalho foi captar a essência de quem é o Luís Louro, uma vez que o profissional propriamente dito, e a pessoa são indissociáveis.







































