Mickey et le Roi des Pirates
Em 2016, a Glénat lançou uma coleção designada por Mickey et. Cie (Companhia), onde o objetivo era de, em cada álbum ter um autor ou um duo de autores a dar o seu contributo pessoal para o enorme catálogo de aventuras de Mickey e de outras personagens Disney, respeitando a “personalidade” de cada uma das personagens usadas, mas recorrendo a um formato franco-belga, desde logo no número de páginas da aventura. A tarefa inicial foi atribuída a Cosey, que nos entregou uma BD (“Une Mysterieuse Melody”), de grande qualidade, belíssima, e com uma edição muito cuidada, estabelecendo uma fasquia altíssima. Depois do tomo 1, confesso não ter sido atraído por mais nenhum dos tomos publicados, com exceção de Café “Zombo” de Régis Loisel, em formato “à Italiana”, e um novo opus do Suíço Cosey em 2019 (“Le Secret de Tante Mirande”). Até “hoje” e já vamos no tomo 20 em que um “não sei quê” me fez brilhar o olho.
Mickey e o Rei dos Piratas é uma BD desenhada por DAV (David Augereau), e com argumento de Joris Chamblain. A qualidade gráfica é extraordinária, a desenvoltura de DAV num universo que não é o seu, a expressividade das personagens, mas também a capacidade de criação de ambientes que constituem novidade nesse mesmo universo, fazem com que seja impossível não sentir uma certa nostalgia de juventude Mickey, Tio Patinhas, Pato Donald, Pluto, Pateta, Margarida, Minnie, Clarabela, Horácio, até uma breve aparição de Zé Carioca, Maga Patalógica, Prof. Pardal, Bafo de Onça, Irmãos Metralha, …
O argumento é divertido, estapafúrdio, bem estruturado e inacreditavelmente louco. A leitura é mesmo muito agradável, um regalo para a vista, conseguindo aflorar alguns temas importantes, sem ser disruptivo, e com camadas de leitura para diferentes gerações de leitores.
No essencial, desde a primeira página, encontramos Mickey, aspirante jornalista e detetive, a tentar afirmar-se enquanto trabalha para um jornal de nome interessante detalhes para leitura e é confrontado com a notícia: roubaram a moeda fetiche do Tio Patinhas. Mickey, acompanhado do fiel Pluto, investiga, ficando a saber que o seu amigo Donald perdeu a memória, e sendo conhecedor das armadilhas para evitar o roubo da Moeda n.º 1 é, naturalmente suspeito. O Tio Patinhas parte à procura de pistas, junto dos seus inimigos, e desaparece durante algum tempo, reaparecendo mudado, gastador e bem-disposto. Só que, ao seu império, e a toda uma cidade que vive dos negócios do rico pato (ou do pato rico, escolham), começa a fazer falta gestão. A situação agrava-se quando os navios abastecedores de matérias-primas começam a ser atacados por um misterioso navio ardente. Depois de várias peripécias, Mickey, Pluto, Pateta e Donald (o pato, nada de confusões), ajudados pelo capitão Claude, aventuram-se por oceanos e mares na descoberta da verdade. E claro, tudo se vai terminar bem, com o Tio Patinhas a mostrar toda a sua fibra, “com uma pequena ajuda dos seus amigos”.
Lê-se “de um trago”, lê-se com agrado, lê-se com muita aventura. E afinal: há quanto tempo não lia uma aventura de Mickey, Patinhas e Companhia???











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