Este livro, "Os Cabelos de Édith", editado pela ASA, está no nosso Top 5 das leituras do primeiro trimestre. É um livro profundamente comovente e de uma beleza rara, apesar do tema triste. Preparem-se porque é daquelas histórias em que temos de estar munidos de lenços de papel para acompanhar a leitura.
O argumento da história é de Fabienne Blanchut e Catherine Locandro e os desenhos são da autoria de Dawid, que já conhecíamos de O Senhor Apothéoz. Vamos por partes:
A história passa-se em Paris, em 1945, após a II Guerra Mundial. De um lado temos a jovem Édith, uma sobrevivente do campo de concentração de Birkenau (Auchwitz) que se encontra alojada no Hotel Lutecia, o qual foi transformado em centro de repatriamento para sobreviventes do holocausto. Do outro lado temos Louis, um estudante de 17 anos, que contra a vontade dos seus pais, se inscreve como voluntário encarregue de acolher sobreviventes que passaram pelo inferno na terra. É nessas circunstâncias do seu trabalho voluntário que conhece Édith, que praticamente não fala, devido aos traumas provocados pelo sofrimento inimaginável por que passou e pelas suas terríveis memórias. Os dois criam uma ligação muito forte.
A par de tudo isso Louis está a passar por um conflito familiar, tendo em conta que o seu pai foi motorista durante a guerra e transportou muitos judeus para os campos de detenção em Drancy, e por esse motivo, Louis não o consegue perdoar.
A Guerra deixa marcas profundas e transformadoras em todas as pessoas, por motivos diferentes e nesta história isso é muito perceptível. Acima de tudo a história de Édith é nos contada de uma forma muito tocante e sensível, que nos provoca emoções avassaladoras. É triste sermos confrontados com o drama de Édith, mas é muito bonito ver a amizade, a solidariedade e a esperança no futuro que ainda existe.
É um livro de facto muito bonito e para tal também contribui o desenho de Dawid, que transborda ternura. O seu traço é leve e sem contornos carregados, as personagens expressivas, a utilização da cor adequada à época e à história.
De recordar que o autor estará presente no Festival do Maia BD.

















































