La Vallée des Oubliès
A coleção Signé da editora Lombard tem-nos apresentado alguns trabalhos mais pessoais de alguns autores (vários foram editados em Portugal, destaque para Hermann com ou sem o seu filho), ou a combinação pouco habitual de duplas de autores, quase sempre com grande qualidade uma chancela de referência, portanto apesar de eu achar admito que problema meu que nos últimos 2/3 anos o interesse tem tido altos e baixos.
Recentemente, esta BD “O Vale dos Esquecidos” chamou a minha atenção pela atratividade da capa, das cores, evidente qualidade do desenho e, sejamos francos, porque Henriet (desenho) e Usagi de seu nome Patricia Tilkin - (cores) são daqueles autores que estão sempre no meu radar, desde as séries Dent D’Ours (6 tomos, Dupuis) e Black Squaw (quatro tomos, também Dupuis).
Durante cerca de 150 páginas, acompanhamos Clark, um jovem de passado criminoso devido à sua atividade no âmbito de um gang de bushwackers (antigos apoiantes sulistas que perpetravam raids destrutivos nos estados apoiantes do abolicionismo), que se cruza com alguns dos seus antigos colegas que o consideram um traidor. O choque é evidente, depois de algumas peripécias é deixado por morto, recuperado por um velho e experiente caçador e tratado num fortim isolado onde só vivem mulheres.
Devido às habituais ambições territoriais, mas também porque o passado de Clark, do velho caçador e do grupo de mulheres vai “convergir” para um confronto, no mesmo momento, ao mesmo tempo, Clark tem de se preparar, treinar, envolve-se com uma das mulheres que o recolheu, e vai conduzir o combate final.
Um argumento de Pierre Dubois muito interessante, um western com boa consistência história, sem grandes atos de heroísmo, com uma excelente caracterização das personagens, dos seus interesses, das suas duplicidades. O tema da comunidade de mulheres é interessantemente tratado, sem grandes clichés.
Um desenho realista que altera o excelente tratamento de personagens com grandes planos dos espaços do oeste “selvagem”. As cores, como sempre, atribuem uma profundidade adicional ao desenho e atraem o olhar em páginas luminosas, claras, organizadas, que facilitam a leitura. A edição a preto e branco, de grande dimensão é também belíssima e, curiosamente, apresenta-nos uma leitura diferente pela ausência de cor e pelo acréscimo de detalhe.
Uma leitura muito agradável, um western de cowboy solitário com variações, uma boa edição da Lombard.












































