Esta é uma das três primeiras obras editadas pel' A Seita, que fazem parte da coleção Bursztyn / Âmbar, dedicada à banda desenhada polaca contemporânea. A obra foi apresentada em Portugal o Maia BD, com a presença dos autores.
Depois de termos lido o excelente "Três Irmãs", de Anna Poszepczyńska, foi agora a vez de lermos "Heksa, A Bruxa", editada originalmente em 2024 e da autoria de Katarzyna Witerscheim e Marcin Surma (Xulm). Esta banda desenhada obteve o Grande Prémio do Festival Internacional de Banda Desenhada e Jogos, de Lódz, em 2022.
A história leva-nos até Nikiszowiec, uma comunidade mineira da Silésia, durante a década de 1920 e combina elementos do folclore polaco com uma representação cuidada da vida quotidiana e das tensões sociais da época. A figura da Heksa (bruxa) não é aqui uma personagem sobrenatural, mas sim uma mulher , a sedutora e encantadora Pelagia, que desafia as normas estabelecidas, contra as ansiedades e preconceitos da comunidade. Pelagia conhece o jovem Alojz que rapidamente fica enfeitiçado por ela, assim como vários moradores da vila. O que acontece é que ela, rompendo uma série de normas, mesmo sendo admirada por uns, vai ser acusada por outros de praticar bruxaria.
A protagonista torna-se objeto de fascínio, desejo e suspeita em simultâneo, evidenciando como a imagem da "bruxa" resulta frequentemente da projecção dos receios e das expectativas coletivas. Portanto, o que vemos aqui não é tanto uma narrativa de fantasia, mas sim uma história que nos fala de exclusão, de controlo moral, de crenças e superstições populares, de não aceitar o que é diferente dos padrões estabelecidos.
Do ponto de vista do desenho, gostámos muito do estilo delicado e expressivo, com uma paleta de cores muito limitada, entre o preto e branco e várias tonalidades de rosa. Gostámos não só das figuras das personagens, como também dos espaços quer interiores quer exteriores, que nos transportam para o século passado.
Resumindo, Heksa foi uma leitura muito interessante, mas que se revelou um desafio, tendo em conta que ao longo das páginas, há várias palavras que aparecem na sua versão original (polaco), pelo que estamos constantemente a ir ao final do livro consultar o que significa. É um pouco cansativo porque nos faz interromper a leitura, mas ao mesmo tempo é divertido e acabamos por ficar a conhecer algumas palavras polacas.












































