segunda-feira, 27 de julho de 2026

Livros BD: Como manda a tradição, o próximo mês é altura de #AGOSTOAOQUADRADO

 


Este é já o oitavo ano em que decorre a iniciativa #AGOSTOAOQUADRADO, levada a cabo pela bookstagrammer Silvéria Miranda. O objectivo é dinamizar a leitura de Banda Desenhada e o interessante é que ao ver as publicações dos outros, acabamos por descobrir novas leituras que não conhecíamos.

Para participar nesta 8.ª edição da iniciativa, as condições são as mesmas:

- Ler livro(s) de BD. Qualquer um... ou vários!

- Usar a hashtag @AgostoAoQuadrado

- Identificar a @silveria.miranda

Participem!

Leituras de férias "Viajar com a banda desenhada" - Destino: Egipto

Hoje o destino da nossa viagem é o Egipto e as nossas sugestões de leitura são as seguintes:








domingo, 26 de julho de 2026

BDs da estante - 696: Hulk Banner, de Brian Azzarello e Richard Corben - edição Devir

 


Hoje recordamos "Hulk Banner", um título da Marvel editado pela Devir há mais de 20 anos.

Hulk é um humano que tem que viver com um monstro dentro dele. Mas como é que será? O pior é quando esse monstro se solta brutalmente contra o mundo. Esta é uma história escrita por um dos talentos dos comics americanos, Brian Azzarelo e desenhada pelo veterano Richard Corben.

sábado, 25 de julho de 2026

Novidade Ala dos Livros: Está a chegar o 7.º volume de "O Gato do Rabino", com o título "A Torre de Bab-El-Oued"

 


A Ala dos Livros prossegue com a série "O Gato do Rabino", de Joann Sfar, e lançará na próxima semana, o sétimo volume, com o título  "A Torre de Bab-El-Oued".

A sinopse:

Este novo episódio leva-nos de volta a Argel. O rabino Sfar e o seu primo, o imã Sfar, discutem as suas diferenças, que consideram irreconciliáveis. No entanto, quando a mesquita é inundada, o rabino e o imã concordam que os muçulmanos podem rezar na sinagoga enquanto são realizadas as reparações.

Enquanto isso, o gato do rabino está a passar por um momento difícil: não só Zlabya deu à luz uma criança adorável, mergulhando-o em profundo ciúme, como, para piorar a situação, alguns gatinhos refugiaram-se na sinagoga... Como ousam esses gatinhos estrangeiros beber o seu leite? Com O gato do rabino, Joann Sfar criou um dos seus personagens mais acarinhados pelo público, o qual regressa à companhia dos leitores portugueses com esta nova história cheia de ternura.






Leituras de férias "Viajar com a banda desenhada" - Destino: Paris

Andávamos há uns anos a queres fazer isto e calhou conseguirmos este ano.

É tempo de férias e de muitas leituras e por isso este ano criámos uma rubrica que se vai manter por aqui durante algumas semanas e que destaca e agrupa vários livros de banda desenhada, por vários destinos, porque é nas férias que se realizam mais viagens. 

Se não puderem viajar, aproveitem esta rubrica, pois aqui diariamente vamos propor lugares diferentes e também poderemos viajar no tempo, podendo ver uma cidade nos dias de hoje, no passado ou mesmo no futuro.

Para começar escolhemos a cidade que é conhecida como a Cidade Luz: Paris. Há muitos mais títulos que têm a capital francesa como pano de fundo, mas para já ficam aqui 10 sugestões, para passearem pelas ruas de Paris.











sexta-feira, 24 de julho de 2026

Novidade Ala dos Livros: O Diabo e a Coral, de Josep Homs, será lançado na próxima semana

 


Já conhecíamos o seu fantástico trabalho com a série Shi e agora estamos ansiosos pela leitura de "O Diabo e a Coral", um novo trabalho de Josep Homs, editado igualmente pela Ala dos Livros. O lançamento será na próxima semana.

Eis a sinopse:

Praga, 1938. A Europa afunda-se lentamente no ódio e na intolerância, e uma nova guerra mundial parece inevitável. À frente desse caos está um certo Hitler, que alguns dizem ser guiado pelo próprio Diabo. Mas e se isso fosse mais do que uma mera metáfora? Lúcifer, mantido contra a sua vontade na superfície, vagueia pelas ruas da capital checoslovaca, incapaz de retornar ao Inferno. A chave para a sua liberdade reside em Coral, uma astuta jovem judia, a única capaz de vê-lo. Uma estranha coexistência desenvolve-se entre eles...




Revista JUVEBÊDÊ: já está disponível o n.º 104 e tem uma entrevista exclusiva com Achdé!

 


Os primeiros meses de 2026 foram intensos, no que toca a novidades editoriais, pois as editoras continuam a publicar, a um ritmo acelerado, livros de banda desenhada para todos os gostos. Desde os clássicos ao manga, dos comics aos romances gráficos. Nesta nossa edição mostramos muitas dessas novidades.

Além disso, podem ler neste número, uma entrevista que fizemos em exclusivo a Achdé, em Maio de 2025, por ocasião do Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, mas que só agora conseguimos publicar.

Destacamos ainda a nossa primeira visita ao Ilustra BD, já na sua 7.ª edição, e que este ano contou com a presença do autor francês Pierre Alary (que nos deu um autógrafo que pode ser visto na JuveGaleria). Já as exposições do Cartoon Xira (que este ano foi já a sua 27.ª edição), são uma tradição e contam sempre com a nossa visita todos os anos. 

Por último, podem contar com a habitual rubrica do Miguel Cruz, com novidades do grande ecrã e o álbum que escolhemos para destacar foi “Um livro esquecido num banco”, pela beleza do tema e pelo amor aos livros.

Falar de amor, lembrou-nos o amor à camisola que temos por este projecto de divulgação de banda desenhada. O nosso Juvebêdê entrou no seu trigésimo ano de publicação, pelo que em Abril de 2027 celebraremos 30 anos de existência.

Nos próximos números havemos de falar dos festivais onde marcámos presença este ano: Comic Con, Coimbra BD, Maia BD, Festival de Beja e Feira do Livro de Lisboa.

Boas leituras e boas férias!




quinta-feira, 23 de julho de 2026

A opinião de Miguel Cruz sobre "Stern - T. 6: Hors du monde", de Frédéric e Julien Maffre e "Escape - tome 1", de Remender e Acuña

 

Stern - T. 6: Hors du monde

Já várias vezes falei sobre diferentes tomos da série Stern, de que agora saiu o tomo 6. Apresentado como um Western, a proposta de valor desta série é muito diferente do restante “tema”. Stern é um coveiro (não por vocação, mas pelo sossego) culto, com um gosto pronunciado por livros, com limitadas competências sociais, mas uma teimosia e arreigados valores éticos. Junta a isto uma falta de confiança nos e nas suas congéneres e uns pozinhos de fatalismos…

Com Hors du monde (Dargaud), os irmãos Frédéric e Julien Maffre assinam um sexto volume que não se limita a prolongar uma série de sucesso: ele marca um verdadeiro ponto de inflexão na identidade narrativa de Stern. Stern perdeu tudo (emprego, dinheiro, estatuto), por razões alimentares aceita um trabalho marginal como tradutor num negócio de armas e acaba levado para uma ilha isolada, a caminho de Cuba. Nessa ilha, os acontecimentos inesperados sucedem-se e todas as personagens representam, de modos inesperados, risco. Stern resigna-se, ferido e limitado na sua atuação.

De facto, cada narrativa de cada tomo da série é relativamente autónoma, embora no final deste tomo ficamos com curiosidade de perceber o que se irá passar. Enfim, não coloquemos o carro à frente dos bois. O que é certo é que esta capacidade de renovação contínua é uma das grandes forças da série.

O personagem de Elijah Stern atinge aqui uma maturidade particularmente evidente que, para além da incapacidade de comprometer princípios se apresenta como particularmente capaz de perceber o que o rodeia e o comportamento dos outros. 

O desenho tem uma base realista, com personagens fisicamente muito credíveis, muitos detalhes, um universo consistente, uma narrativa realista, e um contexto sombrio, sendo que os traços de Stern se têm vindo a tornar mais duros. As cores são um auxiliar importante às variações emocionais da BD. 

Uma série já longa, que promete continuar e que, de tomo para tomo mantém a qualidade, a credibilidade e o interesse, com uma capacidade de renovação muito interessante.


Escape - tome 1

Lido numa versão Urban Comics de 2026, Escape de Rick Remender e Daniel Acuña constitui um thriller muito interessante sobre sobrevivência e mais do que isso, das condições aceitáveis de sobrevivência. 

A história decorre num mundo antropomórfico povoado por animais humanizados mas a escolha formal é, na prática, ultrapassada em poucas páginas pela densidade do tema e pela intensidade do dispositivo narrativo.

Estamos no contexto da II Guerra Mundial, e acompanhamos Milton Shaw, piloto de bombardeiro que, durante uma missão é abatido, e apesar de sobreviver encontra-se ferido e desarmado em território hostil, numa verdadeira corrida contra o tempo, pois tem de sair daquela área, pois sabe que a mesma vai ser sujeita a um bombardeamento massivo.

Guerra, sobrevivência, culpa e dilemas éticos, é aquilo com que somos confrontados nesta obra plena de ação e de confronto de vítimas civis. A ambiguidade moral é, efetivamente, um tema central dos comics e novelas gráficas contemporâneas.

O álbum apresenta uma combinação muito eficaz de sequências de ação intensas (combates, perseguições) e de momentos de suspensão (diálogo, introspeção). O desenho é atraente e ágil e funciona como principal motor da obra, com uma boa profundidade contextual, e o facto de as personagens serem animais é algo que interiorizamos bem após poucas páginas – o que me parece um excelente elogio! Os são profundamente humanos na sua expressividade e linguagem corporal. 

O ambiente gráfico é determinante com cidades arrasadas, fumo constante e ruínas omnipresentes contribuindo para para criar uma sensação risco e recriar uma imagem de caos. 

Segundo é referido, Remender inspira se na experiência do seu avô, piloto na Segunda Guerra Mundial, o que pode explicar alguns detalhes e a abordagem humanista. 

Não será uma abordagem francamente inovadora, é uma leitura forte e interessante. Um momento bem passado!


Novidade Ala dos Livros: o quinto volume de Wildwest tem como título "Redenção"


A Ala dos Livros lança na próxima semana o quinto volume da série Wildwest, desta vez com o título "Redenção".

A sinopse:

Dolores City, entre a Califórnia e o Nevada. É nesta pequena cidade que Wild Bill Hickok, Calamity Jane e Charlie Utter se estabeleceram após a traumática caçada a Smith, o assassino disfarçado de índio. Agora xerife e vivendo com o seu parceiro, Bill leva uma vida (talvez até demais) tranquila como um cidadão proeminente, enquanto Jane, de volta à bebida, aterroriza a cidade com suas provocações! Charlie, por sua vez, tornou-se carteiro. Mas nenhum deles prevê a tragédia que abalará Dolores City com a chegada aparentemente...








quarta-feira, 22 de julho de 2026

A opinião de Miguel Cruz sobre "La Cuisine des Ogres - t. 2: Une vie de vaurien", de Vehlmann e Andréae e "Frankenstein", de David Sala


La Cuisine des Ogres - t. 2: Une vie de vaurien

Já aqui tinha falado do tomo 1 da “Cozinha dos Ogres”, quando pensava ser um one shot, impressionado pela solidez e fantasia do argumento (Fabien Vehlmann) e pela excecionalidade do desenho (Jean Baptiste Andréae), acompanhado de tons de coloração feéricos. Com Cuisine des Ogres - tome 2: Une vie de vaurien os autores aproveitam (claro!) o sucesso comercial do tomo 1, mas também consolidam um universo narrativo de rara riqueza, prosseguindo o trabalho de reinvenção do conto numa versão terrível, sombria e de realidade humana.

A personagem central do primeiro tomo já tinha tido o seu “ciclo de vida”, razão pela qual agora é explorada uma outra personagem (diríamos secundária): Brèche Dent (em português diríamos dente lascado), um gnomo com aquele ar muito típico do folclore bretão (lembrei-me agora de Fournier…), como podem ver na capa.

Toda a BD é centrada na escolha moral da personagem e no seu carácter: trair para ascender socialmente ou preservar a ética e a lealdade e aceitar um exílio temido. Inseguro, “apagadinho”, mas empático, B-Dent vai-se mostrar um verdadeiro e surpreendente resistente. Também neste tomo, os autores deleitam-se com uma crueldade por vezes divertida, quase sempre absurda. 

No primeiro tomo, o espaço central era a cozinha e parte da aventura no espaço “aberto”. Desta vez, é o mundo exterior à cozinha que dá título à série a dominar. Em qualquer dos ambientes, o que nos chama imediatamente a atenção é a extraordinária qualidade gráfica, a delicadeza do tratamento moral e o grotesco fantástico do ambiente contextual. O ritmo da narrativa é muito dinâmico, tudo “é vivo”, os jogos de luz são notáveis, a experiência de leitura é imersiva.

Os diálogos são muito bem trabalhados, musicais, inteligentes, o que implica uma atenção de leitura que faz com que, apesar de ser um “page turner”, não seja uma leitura rápida.

Uma leitura agradável e recomendada, uma boa edição da Rue de Sévres, menos surpreendente que o primeiro tomo (como seria natural) mas não menos original, talvez um pouco menos emocional e linear que o primeiro, com uma estratégica abordagem de aprofundamento moral e talvez simbólica.

A capa, para mim é o ponto fraco, não porque não seja belíssima, mas porque, para quem não conheça a série, pode parecer exclusivamente infantil. Não o é certamente!





Frankenstein, de David Sala

Mais uma adaptação de Frankenstein, desta vez por David Sala, editado pela Casterman (mais de 200 páginas, já agora). Não é uma adaptação qualquer, não porque, creio eu, a obra de Mary Shelley possa ser revisitada sobre alguma perspetiva diferente e particularmente inovadora, mas porque a linguagem gráfica é diferente do habitual e muito pessoal – o que seria de esperar de um autor como David Sala (na JuveBêDê já falei sobre “Le Poids des Héros”, e temos editado em português o “Jogador de Xadrez adaptado de S. Zweig).

Mais do que contar novamente a história de Dr. Frankenstein e da sua criatura, Sala desenha essencialmente a violência sobre o diferente e sobre a condição de rejeitado, um pouco como vimos no cinema recentemente, mas com cânones gráficos muito diferentes. As referências sociais contemporâneas são também óbvias, desde logo com a introdução de alguma empatia por personagens secundárias.

A Victor Frankenstein é arrogante, ambicioso e moralmente elitista (ou moderno, como refere. Não abandonando os contornos góticos habituais, David Sala procura atribuir a esta BD uma camada de leitura contemporânea; exercício arriscado, mas conseguido dada a exuberância do desenho e da composição de página.

Cada página aproxima se mais de um quadro do que de uma prancha tradicional; o autor privilegia a pintura em vez do desenho, e as cores são essenciais para a textura palpável da BD. As referências gráficas de Klimt e da Art Nouveau parecem-me óbvias e resultam bastante agradáveis, embora admito que dependa do gosto de cada um. A obra tem, assim, uma identidade estética muito forte, o que pode fazer com que não seja do agrado de “todo o público”, até porque o desenho, notoriamente, não pretende a estabilidade emocional (ou sentimento, se quiserem) procurado e conseguido (e não apenas como resultado da grotesca figura da criatura).

Não se trata de uma BD de leitura rápida, há muito detalhe, há muito trabalho de adaptação constante aos desafios do autor que consegue aquilo que pretende: estabelecer uma obra única no panorama editorial Franco-Belga, e com uma história de base das mais conhecidas e revisitadas! 

Pela minha parte, gostei da leitura – claro que não consigo deixar de estar em cada momento a fazer as comparações sobre outras adaptações ou sobre a obra original, o que me cansa um pouco e reconheço o patamar gráfico muito elevado, o que justifica a recomendação.