sexta-feira, 26 de junho de 2026

A opinião de Miguel Cruz sobre "La guerra de Audrey, de Rúbio e Aroca e "Tourner la Page", de Zep

 

La guerra de Audrey

Uma curiosidade que encontrei numa livraria em Espanha: La guerra de Audrey, da Planeta Cómic, editada em 2025, de Salva Rúbio (argumento) e desenho de Loreto Aroca.

Uma novela gráfica de pequeno formato, mas com 150 páginas que romanceia a infância e adolescência de Audrey Hepburn durante a Segunda Guerra Mundial, quando viveu nos Países Baixos ocupados pelos nazis, após uma decisão familiar de escapar de Londres para fugir dos bombardeamentos, conjugada com uma má avaliação de que os Nazis não invadiriam a Holanda… afinal a raça é a mesma.

Na Holanda, Audrey vive anos de fome extrema, medo constante e repressão, e “agarra-se” à vontade de dançar e de aprender a dançar como forma de refúgio, sobrevivência e de objetivo de vida.

A narrativa tem uma forte base documental e histórica, e uma abordagem intimista e emocional, centrada na experiência de uma criança, sem heroísmos artificiais, sem aventura e eventos forçados, mas focada na empatia. E acho que, o exercício é bem conseguido. O desenho é sensível, elegante e expressivo, a cor é bem usada para explorar emoções e o lado humano dos acontecimentos. Bem documentado, com rigor histórico, apesar de evitar espetacularidade, ou qualquer aprofundamento de eventos da guerra. A mãe de Audrey vai fazendo avaliações erradas atrás de avaliações erradas: a mudança para a Holanda, a confraternização com o ocupante…

A história não me era conhecida e é a base para uma narrativa envolvente, embora muito contida, clássica e com uma limitada abordagem aos acontecimentos envolventes e muito centrada na personagem central, com pouca profundidade no tratamento das personagens secundárias.

Uma leitura simpática, agradável, simples, com bom impacto humano e uma curiosidade biográfica sobre uma das mais amadas atrizes de cinema.



Tourner la Page – Zep

Tourner la page, de Zep, acompanha a história de um autor de romances que, após ter conhecido o sucesso literário, se vê confrontado com o declínio da sua carreira e com uma profunda crise pessoal. Ao longo da narrativa, seguimos um percurso de perda, dúvida e tentativa de reconstrução, onde o protagonista lida com o esquecimento, a solidão e a necessidade de redefinir a sua identidade, mas com um twist anunciado desde a primeira página: a sua morte. O título traduz bem essa travessia: trata-se de aceitar o fim de um ciclo e encontrar forma de seguir em frente, num registo simultaneamente íntimo e reflexivo. Ah, e é bom não esquecer que os planos humanos saem “furados” com muita frequência!

A nível gráfico, a BD mantém a qualidade excecional a que o autor nos habituou, relativamente intimista, cores luminosas, representação gráfica detalhada, os rostos como espelho da alma, os espaços envolventes detalhados e realistas. Zep adota um estilo em aguarela, suave e expressivo, que marca uma evolução talvez natural no seu trabalho. As cores delicadas e o traço contido criam uma atmosfera melancólica e introspetiva, reforçando o tom emocional da narrativa. A maturidade artística do autor já não precisava de ser provada, mas está comprovada.

Nesta BD, para mim, o ponto a destacar no trabalho de Zep é a exploração de temas como o sucesso, a sua fragilidade e o funcionamento do mundo editorial, transformando a narrativa numa reflexão mais ampla sobre a criação artística e o reconhecimento num mundo “dog-eat-dog” (coitado dos cãezinhos, é uma expressão). A BD é envolvente, ficamos com a ideia de que diz bastante, em determinados pontos, ao seu autor. Zep desembaraça-se tão bem no domínio humorístico como num registo mais sério e sisudo, mas sem perder o humor e a ironia.

É curioso que, do meu ponto de vista, a BD nunca é previsível, e tem vários momentos surpreendentes, mas a surpresa torna-se imediatamente natural, facilmente digerível, o que constitui relevante ponto positivo. Quando virei a última página (perceberam? Sim o título do livro é virar a página, certo?… ouff!) fiquei com uma grande curiosidade sobre o que se seguiria, mas verdadeiramente, todos perceberemos: não é importante.

A capa é sóbria, clara e sugestiva, refletindo bem a introspeção da obra e, veremos, o estado emocional do protagonista. O livro conta com cerca de 96 páginas, num formato cuidado que valoriza o trabalho em aguarela e a leitura pausada. Publicado pela editora Rue de Sèvres, esta BD é uma das BDs de 2026, na minha opinião. 


2.ª encontro do Clube de B.D. da FNAC decorre já amanhã, sábado, 27 de Junho


É já amanhã, sábado, 27 de Junho, pelas 15 horas, na FNAC do Colombo, que irá decorrer o segundo encontro do Clube de B.D. da FNAC, dinamizado pela Alexandra Sousa do Juvebêdê e pelo João Oliveira do podcast “Livrólicos Anónimos” e do instagram “Na Cama com os Livros”.

As escolhas de leitura têm como foco, as mulheres. "Se ainda hoje ser mulher é um fator de risco, não precisamos de viajar muito no tempo para encontrarmos inúmeros exemplos do pouco valor dado à sua vida" e os dois livros que a Alexandra e o João escolheram para esta sessão demonstram isso mesmo:

"Radium Girls" de Cy (Arte de Autor), sobre um grupo de jovens trabalhadoras americanas expostas a radiação por uma indústria negligente - escolha da Alexandra Sousa

"Erva" de Keum Suk Gendry-Kim (Iguana), que imortaliza as “mulheres de conforto”, um exemplo dos horrores vividos pelas mulheres em cenários de guerra - escolha do João Oliveira

Os participantes foram convidados a ler pelo menos um destes livros. Mas mesmo que não tenham lido, podem aparecer e ficar a conhecer melhor estas histórias.


quinta-feira, 25 de junho de 2026

Novidade Distrito Manga: Cria os Teus Webcomics com a WEBTOON


A Distrito Manga tem em pré-venda, disponível a partir de 6 de Julho, esta novidade que pode ajudar muitos aspirantes a criar Webcomics.

Da ideia inicial à publicação, Cria os Teus Webcomics com a WEBTOON é um guia completo que mostra como dar vida à visão criativa e lançar a própria série webcomic! Com dicas exclusivas de autores da WEBTOON, os leitores podem descobrir os segredos do formato vertical, aprender a estruturar episódios envolventes e dominar a escrita para banda desenhada digital. Seja qual for o nível, Cria os Teus Webcomics com a WEBTOON reúne técnicas essenciais para aperfeiçoar o trabalho, incluindo:

- Ferramentas essenciais, como programas para a criação de webcomics.

- Orientações, passo a passo, sobre como criar personagens e cenários, escrever guiões, fazer esboços, escolher a paleta de cores e preparar a arte-final.

- Como ter sucesso, com dicas para publicar, lançar uma série, construir uma comunidade de leitores e até gerar rendimento.







Novidade DEVIR: o livro Supergirl - Mulher do futuro já está disponível e filme Super Girl chega hoje às salas de cinema portugueses

 


É uma dupla novidade, pois Supergirl tem edição da DEVIR em livro e também estreia o filme com o mesmo nome nas salas de cinema portugueses.

O livro

Supergirl Mulher do Futuro
Tom King e Bilquis Evely

É a Supergirl como nunca a viu, numa obra-prima de sci-fi/fantasia que a tem como personagem, da autoria de Tom King (Mister Miracle) e ilustrada por Bilquis Evely (Wonder Woman)!

Kara Zor-El passou por algumas aventuras fantásticas ao longo dos anos, mas agora vê-se sem propósito ou motivação. Ei-la: uma jovem mulher que viu o seu planeta ser destruído e foi enviada para a Terra para proteger o primo bebé, que, afi nal, não precisa dela. Para que serviu tudo isto? Aonde quer que vá, todos a comparam com o Superman e os seus feitos.

Contudo, quando a Supergirl pensava que já não aguentava mais, tudo mudou. Uma jovem alienígena pede a sua ajuda para levar a cabo uma missão impiedosa. O mundo dela foi destruído e os vilões responsáveis continuam à solta. A jovem quer vingança e, se a Supergirl não a ajudar, vai procurá-la sozinha, a qualquer custo. Assim, uma Kryptoniana, um cão e uma menina desgostosa e zangada partem para o espaço, numa aventura que os vai transformar profundamente.

Este volume reúne a totalidade da minissérie de oito números Supergirl: Mulher do Futuro.

O filme



quarta-feira, 24 de junho de 2026

Novidade: Arte de Autor e A Seita lançam "Brigada dos Costumes", da dupla Zidrou e Jordi Lafebre


A dupla Zidrou e Jordi Lafebre (Lydie, Verões Felizes) reencontra-se na esquadra de Paris na década de 1930, com esta edição integral de "Brigada dos Costumes", co-editada pela Arte de Autora e pel' A Seita. 

Esta história em duas partes retrata o quotidiano da esquadra: o jovem inspetor Aimé Louzeau inicia-se na infiltração e vigilância para desvendar segredos cruciais para os mais altos escalões governamentais. Mas a polícia também tem os seus segredos, e Aimé, filho de um padre excomungado, não é excepção…

A convite da HBO Max, Daniel Henriques criou uma ilustração exclusiva para celebrar a estreia de House of the Dragon

 


De forma a celebrar a estreia da terceira temporada da série House of the Dragon, a HBO Max desafiou o artista de banda desenhada, Daniel Henriques, a criar uma ilustração exclusiva e de edição limitada, inspirada nos visuais impactantes da série, a qual temos o prazer de vos mostrar.

Com uma carreira de mais de uma década, Daniel Henriques deixou a sua marca em títulos icónicos da DC, Marvel, Image e Dark Horse Comics, tais como Spawn, Venom, Batman, Green Lantern, Justice League of America, Aquaman, e mais recentemente, The Curse of Sherlee Johnson da Todd McFarlane Productions.

House of the Dragon, baseada em "Sangue e Fogo" de George R.R. Martin, é ambientada 200 anos antes dos eventos de "A Guerra dos Tronos" e conta a história da Casa Targaryen. 







terça-feira, 23 de junho de 2026

A Seita está a realizar o maior projecto de internacionalização de autores portugueses, de sempre!


Já aqui falámos da coleção Bursztyn | Âmbar, dedicada à banda desenhada polaca contemporânea, editada pel' A Seita, que resulta de uma colaboração entre A Seita e a editora polaca Timof Comics, apoiada pelo PRR e pelo Instituto Adam Mickiewicz, permitindo a circulação de autores polacos em Portugal e de autores portugueses na Polónia.

Faltava falar das obras de autores portugueses que começarão agora a ser editadas na Polónia.

Ao longo de 2026, dezenas de obras portuguesas serão publicadas no estrangeiro:

Em Abril, e associados ao Festival de Poznan, chegaram ao mercado títulos como "Mensagem", "Quero Voar", "Dama de Pé de Cabra" e "O Mangusto" coincidindo com o Festival de Comics de Varsóvia.

Em Maio o programa continuou com A Aventura do Sapo, Maria Moisés, Fojo, Terrea, a Farsa de Inês Pereira e O Bestiário de Isa. 

Junho será um mês do lançamento de "Os Lusíadas" (dois volumes), os três volumes antológicos de BD Palop, "O Crime do Padre Amaro", " A Norte de Sul Nenhum" e "A Vida Oculta de Fernando Pessoa".

E em todos estes festivais esteve garantida a presença de autores nacionais: Joana Mosi em Poznan, Joana Afonso e Osvaldo Medina em Varsóvia, mas também André Morgado, André Oliveira e Pedro Moura no festival literário de Sopot (Literacki Sopot), em Agosto, e tudo isto acabará com a presença de três ou quatro autores nacionais no Festival Internacional de Comics de Łódź!

Mas não é só na Polónia que A Seita está a abrir estas portas. Em França sairão cinco livros: A Aventura do Sapo e Fojo, bem como três volumes de antologias da BDPalop (em parceria com editoras francesas), e no Reino Unido será editado o livro Sete Mulheres, Sete Musas. 

A nossa leitura de "O Sétimo Homem", de Haruki Murakami, Deveney e PMGL - edição Casa das Letras


Sapo Salva Tóquio; O Segundo Ataque à Padaria; Xerazade; A Menina dos Anos; Samsa Apaixonado; Onde poderei encontrá-lo?; O Sétimo Homem; Sono e Tailândia. São estas as nove histórias que se encontram reunidas nesta obra de Haruki Murakami, com edição da Casa das Letras, adaptada para banda desenhada por Deveney e desenhada por PMGL.

É sabido que a obra de Haruki Murakami é marcada pela introdução do fantástico nas suas histórias, conjugando a realidade quotidiana e o surreal. Portanto aqui neste livro "O Sétimo Homem e outros contos", também estamos perante vários universos oníricos. Para quem, como nós, a obra da Murakami não era familiar, estranhámos um pouco as primeiras histórias, algo bizarras. Mas conforme fomos mergulhando no estilo do autor japonês, fomos gostando cada vez mais do estilo.

Cada história é uma surpresa e apreciámos muito a fusão que Marakami faz entre o quotidiano de vidas reais e as situações inesperadas e fora do comum, que nos deixou com a sensação da existência de realidades paralelas. Normalmente não gostamos muito de histórias que são deixadas em aberto, mas aqui, com histórias e personagens surreais e que desafiam a lógica, acabámos por apreciar a forma como os mistérios não são explicados, deixando-os a pairar na nossa mente.

O estilo de desenho, igualmente diferente e estranho, encaixa-se na perfeição nas narrativas, traduzindo muito bem as atmosferas estranhas, os acontecimentos impossíveis, os eventos sobrenaturais, os sonhos, as memórias, a expressividade das personagens.

Trauma, solidão, desejo, culpa, medo, sonhos e pesadelos, tudo cabe neste livro que foi para nós uma porta de entrada para a obra do célebre autor japonês.



segunda-feira, 22 de junho de 2026

Novidade: o 12.º volume da série Ataque dos Titãs saiu hoje!

 

Saiu hoje o décimo segundo volume da série de manga, Ataque dos Titãs, editada pela Distrito Manga e da autoria de Hajime Isayama.

Neste volume, a verdade começa finalmente a emergir e com ela chegam revelações capazes de abalar tudo o que julgávamos saber.

Erwin e o Corpo de Exploração avançam numa desesperada operação de resgate para recuperar Eren das garras do Titã Colossal e do Titã Couraçado. Mas, sem efetivos suficientes para se organizarem devidamente fora das muralhas, como poderão os humanos alcançá-los antes de serem todos massacrados? Afinal, de que lado está Ymir? E voltará Eren a reencontrar os seus amigos?







Novidade: A Seita edita a obra de Helena Sá, "A Solidão do Ser", vencedora do Prémio Revelação Maia BD

 


Esta novidade d' A Seita foi alvo de uma exposição no Maia BD, pois Helena Sá foi distinguida com este "A Solidão do Ser", com o Prémio Revelação Maia BD.

Helena Sá é uma jovem artista visual que frequenta actualmente o mestrado de Ilustração, Edição e Impressão na FBAUP, e que explora a arte em diversas linguagens. Procura conjugar as suas grandes paixões, cinema e ilustração, com o objectivo de contar histórias e ajudar outras pessoas a contá-las para o mundo, incluindo em banda desenhada.

A sinopse:

A solidão perpassa por estas páginas no traço elegante, rítmico, negro salpicado de algumas manchas de cor, de Helena Sá. Surge como um grito que não ressoa, mas desliza como um murmúrio de página em página. 






domingo, 21 de junho de 2026

A opinião de Miguel Cruz sobre "Ketsudan", de Mud e Motteler e "Diable Pâle", de Brugeas e Siner

 


Ketsudan

Gostei bastante desta BD de Mud (argumento) e Motteler (desenho), publicado pela Dargaud em 2026 e com cerca de 180 páginas, que me surpreendeu, não porque a temática seja inovadora, ou as bases da situação sejam desconhecidas, mas sim porque o tratamento feito pelos autores é interessante, sensível, qualitativamente de valor acrescentado, e moderno.

Ketsudan palavra japonesa que significa “decisão” (ou “determinação”) não é apenas um título, mas o elemento central em torno do qual tudo se organiza. Em Ketsudan, cada escolha surge como um instante suspenso entre o possível e o irreversível. Decidir é avançar, mas é também cortar deixar para trás, traçar uma linha, aceitar o peso do que já não pode ser desfeito. É nessa tensão que a BD respira e se constrói.

O argumento de Mud desenha um mundo regido por códigos, por vezes silenciosos de honra, de lealdade, de sobrevivência onde nenhuma decisão é neutra e todas carregam consequências. Há uma disciplina na progressão narrativa, um controlo que sustenta a tensão e dá consistência ao percurso das personagens. Em paralelo, o bonito e muito direto (por vezes cru) desenho de Motteler dá corpo ao que está em jogo. 

Visualmente, Ketsudan impõe-se pela sua atmosfera. O silêncio pesa tanto quanto a ação. A história é de honra, mas é também de amor: um amor impossível, ou talvez não, é difícil equilibras regras, códigos, sentimentos, regras e o que é mais importante para o “shogunato”. Há movimento, há combate, mas também há momentos em que o tempo parece abrandar, com a narrativa a aguardar a decisão seguinte, como forma de colocar o/a autor(a) a “torcer” pela decisão óbvia, e frequentemente a fazer a “maldade” de tomar a inevitável decisão contrária: a ideia de que tudo vai acabar bem é destruída tantas vezes que o/a leitor/a se prepara para inevitabilidade do desastre.

Nesse tecido de imagens e escolhas, acompanha-se um protagonista confrontado com a exigência de decidir sempre decidir num mundo que não oferece refúgio nem neutralidade. 

Termino onde comecei: uma leitura memorável, agradável apesar da intensidade emocional, com um bom trabalho (creio) sobre o Japão tradicional – período propositadamente deixado indefinido, verdadeira peça de teatro centrada na relação entre Harumi et Natsumé, que nos surgem na capa, rodeados de vermelho sangue. 




Diable Pâle

Este diabo pálido, de Jérôme Brugeas (argumento) e Siner (desenho), publicado pela Lombard, é uma banda desenhada de tom sombrio e intenso que acompanha uma narrativa marcada por violência, deslocação e sobrevivência num contexto brutal. A capa é atrativa, também ela sombria, sendo que, curiosamente o que me chamou a atenção para a BD foi o facto de um conjunto de amigos franceses me ter referido que o desenhador ia estar numa livraria em frança e que já não havia lugares disponíveis para os autógrafos. Não me fez grande diferença (eh eh eh), mas chamou a atenção para a existência da BD.

A história segue um protagonista, cowboy, integrado num assalto, que desde o princípio que se percebe ter uma relação próxima com índios (americanos nativos), envolvido num ambiente hostil e implacável, onde a lei é instável e a moral é frequentemente ambígua. A capa é reveladora do tema. Ao longo do álbum, desenvolve se uma narrativa tensa e física, quase visceral, em que o percurso das personagens é definido por confrontos sucessivos, escolhas difíceis e uma constante sensação de perigo. 

A nível gráfico, o trabalho de Siner é determinante para a identidade da obra, e constitui o seu principal chamariz. O traço é expressivo, dinâmico e carregado de energia, com uma forte presença física das personagens e uma encenação visual muito cinematográfica. O uso da cor frequentemente contrastada e dramática reforça a violência latente e a tensão constante da narrativa. As composições privilegiam o movimento, o impacto e a intensidade emocional, conferindo à leitura um ritmo acelerado e imersivo. É, efetivamente, um page turner, em que a última página é virada com um suspiro e um aliviar de tensão nos ombros (ena, que exagero?!). 

O tandem de autores funciona bem, existe complementaridade. O argumento de Brugeas é sólido, introduz um bom domínio do ritmo e cria as condições para que o desenho crie um ambiente opressivo e coerente. A narrativa é envolvente e intensa, com uma progressão bem controlada e momentos de grande impacto dramático. Há um tratamento curioso e bem estruturado de um tema onde a inovação já é bastante difícil. A BD é eficaz, mas será mais apreciada por aqueles que gostam de westerns. 

BDs da estante - 691: Vencer os medos, de João Paulo Cotrim e vários ilustradores - edição IPAD e Assírio e Alvim

 


Este livro foi escrito por João Paulo Cotrim e ilustrado por oito artistas (João Fazenda, Susa Monteiro, Maria João Worm, Pedro Burgos, Tiago Albuquerque, Miguel Rocha, Rui Lacas e Alex Gozblau),  a partir de uma proposta do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD) para que se realizasse uma obra sobre os objectivos do Milénio, que os países da ONU se comprometeram a cumprir até 2015.

Vencer os medos, de vários autores, IPAD e Assírio & Alvim, uma edição de 2008.


sábado, 20 de junho de 2026

Festival BD Beja 2026: as quatro publicações

Como é habitual no Festival BD de Beja são editadas sempre várias publicações, como o Splaft! - Cadernos da Bedeteca n.º 21 - Junho de 2026, que nos fala dos autores e das exposições apresentadas no Festival.

As outras três publicações são  histórias de BD e podemos dizer que são de boa qualidade, como o da Colecção Toupeira, o nº 20 Ilhas, da autoria de Maria João Careto, O Abutre, da autoria de Maggot Brain e por fim Ping ping, da autoria de Inês Louro, que resulta da 3.ª edição da Residência artistica de BD Portugal-Bélgica e que teve uma exposição este ano.

Podemos afirmar que depois da leitura de todas elas, são histórias interessantes e de qualidade, mostrando que a BD em Portugal continua a evoluir.





Novidade DEVIR: Absolute Batman - O Zoo, a reinvenção radical de Bruce Wayne chega a Portugal!

 


Este Absolute Batman é mesmo uma reinvenção radical de Bruce Wayne, pois desconstrói o herói clássico, tirando-lhe os recursos habituais e colocando-o sob uma perspetiva mais crua e urbana, onde não é rico, não tem mordomo e não vive numa mansão.

Este livro é editado pela DEVIR e é da autoria de Scott Snyder, Nick Dragotta e Frank Martin, e promete ser uma nova visão e abordagem deste super personagem da BD mundial!

A história

Um gangue de assassinos mascarados aterroriza as ruas de Gotham.

Um vigilante luta pela cidade, mas não é o Batman que conhecemos. O Universo Absoluto nasceu da batalha apocalítica da Liga da Justiça contra Darkseid e deu origem a um novo leque de realidades que reimaginam os seus heróis favoritos como nunca antes os viu.

Em Absolute Batman, conheça um jovem Bruce Wayne sem a Mansão Wayne, sem Alfred ao seu lado e pronto a dar uma machadada ao crime enquanto Cavaleiro das Trevas.

Uma criação de Scott Snyder e do artista Nick Dragotta, que inclui o artista convidado Gabriel Hernández Walta, numa história de origem imperdível.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Novidade A Seita: Strong - Arquivos da Kachisou, reúne várias histórias curtas de mangá

 


Esta é mais uma das novidades editadas pel' A Seita e que esteve disponível na Feira do Livro de Lisboa: um novo livro da Kachisou que reúne as curtas do seu primeiro livro, Weak, com outras tantas páginas de curtas, saídas dos arquivos da autora, que agora são... Strong!

A sinopse:

Um jovem que tem de descobrir a razão pela qual deve perseverar no treino de boxe... Um robô que perdeu o seu dono e encontra uma rapariga que procura um amigo... Uma avó que discute com os enviados da morte... e muitas outras histórias de mangá extraordinárias e diversas.