quinta-feira, 13 de agosto de 2026

A nossa leitura de Old Pa Anderson + Redenção, de Hermann e Yves H. - edição Arte de Autor


Esta edição da Arte de Autor, Old Pa Anderson + Redenção, prova que mesmo depois do autor desaparecer a obra fica. É o caso de Hermann (1938-2026), na sua plenitude, neste livro. O livro reúne duas obras em que Hermann e o seu filho Yves H. exploram uma das suas obsessões recorrentes, a violência como herança e a dificuldade de escapar a um passado marcado pela brutalidade. Embora sejam histórias distintas, as duas bandas desenhadas aproximam-se pela visão desencantada do ser humano e pela recusa de um heroísmo tradicional.

Em nossa opinião Old Pa Anderson é provavelmente a obra mais forte das duas. A história coloca-nos no Mississippi segregacionista, onde um homem negro idoso decide agir depois de descobrir a verdade sobre o desaparecimento e assassinato da sua neta. A vingança torna-se, assim, o motor de uma narrativa que é simultaneamente um drama pessoal e uma denúncia do racismo estrutural.

Podemos dizer mesmo que o argumento de Yves H. é deliberadamente simples. Não procura construir uma intriga policial complexa nem multiplicar reviravoltas. A força está na situação inicial e na inevitabilidade do percurso de Old Pa. Esta simplicidade pode ser vista como uma qualidade porque dá ao álbum uma grande eficácia, mas ao mesmo tempo também uma limitação.

É, contudo, no desenho de Hermann que o álbum ganha uma dimensão superior. A utilização da cor directa, os enquadramentos e a representação do Mississippi criam uma atmosfera pesada, sufocante e extremamente física. O destaque é precisamente para as aguarelas em cor directa, o trabalho de enquadramento e o estilo pessoal de Hermann como alguns dos grandes pontos fortes do álbum.

O mais interessante é a forma como Hermann (como sempre) não procura embelezar a violência, mostrando-a nua e crua.

Redenção é a outra história e foi originalmente publicada em França como Sans pardon. É uma obra ainda mais sombria. Trata-se de um western crepuscular centrado em Buck Carter, um fora-da-lei que abandonou a família para salvar a própria vida e que, anos depois, vê surgir uma possibilidade de redenção através do filho. O próprio Yves H. confirmou que “Redenção” era inicialmente o título da obra, mas este foi alterado para Sans pardon devido à existência de outra BD com o mesmo título. Falamos da versão francesa.

Aqui, a ideia de redenção é muito menos confortável do que o título poderia sugerir. Os personagens vivem num mundo onde não existem verdadeiros inocentes. A lei e os criminosos podem ser igualmente brutais, e a violência parece ser a única linguagem que todos compreendem.

É por isso que Redenção pode dividir os leitores. Quem procurar um western de acção, brutal e visualmente poderoso, encontrará muito para apreciar. Quem procurar uma reflexão psicológica profunda sobre culpa e redenção poderá sentir que o álbum fica aquém das suas próprias ambições.

Por fim recordamoa que Hermann foi distinguido com o Grande Prémio de Angoulême em 2016, e Old Pa Anderson + Redenção surgiu precisamente nesse período, sendo uma das obras destacadas.






Leituras de férias "Viajar com a banda desenhada" - Destino: América Latina

Hoje viajamos para a América Latina, excluindo o Brasil, para onde já viajámos há dias. Divirtam-se com estas aventuras passadas do México, Argentina, Venezuela e por aí fora.










quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Livro O Templo do Sol é a leitura aconselhada para hoje - Tintin salva-se graças a um eclipse do sol!


Se não têm óculos para ver o eclipse, aproveitem para mergulhar na leitura do álbum das aventuras de Tintin, "O Templo do Sol", onde acontece um eclipse solar.

"O Templo do Sol" é o 14.º álbum da célebre personagem criada por Hergé. A história foi inicialmente publicada entre Setembro de 1946 e Abril de 1948. Neste clássico da banda desenhada, Tintin sabe, por ter lido no jornal, que vai ocorrer um eclipse solar e utiliza essa informação num momento de apuros. Ele, o Capitão Haddock e o Professor Girassol estão condenados pelos Incas, a serem queimados vivos ao nascer do sol. Sabendo Tintin que vai acontecer o eclipse, ele desafia o "Deus Sol" a provar a sua inocência e dos seus amigos. Quando o Sol escurece, os Incas acreditam nos poderes divinos de Tintin e libertam os três prisioneiros.

A sinopse:

Trata-se da continuação da aventura iniciada em As 7 Bolas de Cristal. Tintin, Haddock e Milu, chegam ao Peru antes do Pachacamac, o navio que levava o professor Girassol. Quando o cargueiro entra na baía, é posto em quarentena pelas autoridades sanitárias. Tintin resolve entrar clandestinamente no navio onde encontra o professor, que dorme sob o efeito de drogas. Tintin tem de fugir a nado, mas de madrugada vê desembarcarem o professor. Com Dupont e Dupond, enviados pela polícia francesa para os ajudar, o capitão, Tintin e Milu seguem a pista do professor pelo interior do Peru…



Leituras de férias "Viajar com a banda desenhada" - Destino: Espanha

Uns mais sérios outros mais divertidos. Uns de fantasia e outros sobre a realidade. Aqui ficam oito títulos de histórias que passam por Espanha.








terça-feira, 11 de agosto de 2026

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Novidade d' A Seita: Wendigo é o título do novo álbum de Thorgal

 


A Seita tem um conjunto de novidades, do qual faz parte este novo álbum de Thorgal, com o título Wendigo, argumento de Fred Duval e desenho de Corentin Rouge.

A sinopse:

Durante a viagem de regresso do país Qâ, Thorgal e a sua família veem‑se apanhados em pleno conflito entre dois povos autóctones. Nestas terras ainda selvagens, nada parece capaz de travar o caos da guerra, desde que o Wendigo, uma criatura mitológica, foi invocado. Para salvar Aaricia, grávida e ferida, Thorgal não tem outra escolha senão tomar partido e voltar a comprometer‑se na loucura dos homens.

Mergulhando nas lendas ancestrais do Norte, Fred Duval constrói uma narrativa tensa e profundamente humana baseada em Wendigo, uma criatura do folclore ameríndio associada à fome, à solidão extrema e à perda da humanidade. A história destaca-se pela forma como combina aventura e horror, colocando as personagens perante dilemas éticos intensos. O traço expressivo de Corentin Rouge, aliado ao argumento sólido de Fred Duval, reforça o sentimento de claustrofobia e tensão constante. Mais do que um simples episódio de aventura, Wendigo é uma reflexão sobre o instinto de sobrevivência e o preço a pagar quando a civilização cede lugar à barbárie.




Leituras de férias "Viajar com a banda desenhada" - Destino: as duas Coreias

Começamos a semana entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, entre o passado e o presente, e entre histórias verídicas e outras imaginadas.







domingo, 9 de agosto de 2026

BDs da estante - 698: Aqui há gato - Olh'ó passarinho!, de Darby Conley - edição Bizâncio

 


Ontem foi Dia Mundial do Gato e por isso recordamos a série "Aqui há Gato", que foi em tempos editada pela Bizâncio, especificamente o quinto volume intitulado "Olh'ó passarinho!"

A série “Aqui há Gato” da autoria de Conley, conta-nos o quotidiano de um cão ingénuo, dum gato siamês de muito mau feitio e o dono, um executivo publicitário, este com bom feitio e solteirão. O nome deles é: Satchel, Bucky e Wilco. Os cães e gatos são queridos, engraçados e companheiros fiéis, mas também podem ser chatos, imprevisíveis e hilariantes.