quinta-feira, 30 de novembro de 2023

A opinião de Miguel Cruz sobre: "La Course du Siècle", de Munuera e Toussaint e "Les Piliers de la Terre - tomo 1", de Alcante, Follet e Dupré

 


La Course du Siècle

Num dos dias do Amadora BD 2023, um dos fiéis bedêfilos referiu-me que gostaria muito de ver em Portugal o espanhol José Luis Munuera, pela qualidade do desenho, e uma vez que tem vários álbuns editados na nossa língua, desde Spirou a Bartleby, o Escriturário. Também gostaria bastante, e acho que se trata de matéria facilmente consensual.

Munuera, autor prolífico (até um álbum dos Túnicas Azuis consta da sua bibliografia), de desenho ágil, agradável, arejado, bem-humorado, por vezes semi realista, outras caricatural/humorista, é especialista no movimento. Por isso mesmo, creio que não haveria melhor desenhador para abraçar uma história associada à realização, pela primeira vez, dos jogos olímpicos nos Estados Unidos, nos idos de 1904.

Atletas e desportistas, apostadores e vigaristas, entusiastas e experimentações batoteiras, doping e esquemas, histórias paralelas e aventuras de bastidores, corridas contra carros, travessias da linha ferroviária, páginas de movimento e esforço, várias sem palavras desnecessárias. Saint-Louis 1904 é o local para a maratona, e cidade central para elevar o espírito nacional, de superioridade desportiva. Será??? Como referido no resumo, trinta e dois corredores à partida, apenas catorze à chegada!

Divertida, desenho agradável, cores adequadas a uma vivacidade extrema, e ao mesmo tempo a fazer lembrar um filme antigo que recordamos com particular carinho, muito cuidado na caracterização gráfica, tanto no “guarda-roupa” como nos “adereços”, como no tratamento do espírito da época, “A Corrida do Século” é uma aposta ganha pelos autores Munuera e Kid Toussaint e pela editora Lombard.

Quase 100 páginas de leitura de sorriso nos lábios. Recomenda-se!





Les Piliers de la Terre - tomo 1

Mais uma adaptação de uma obra literária, neste caso de Ken Follett, Os Pilares da Terra. Recentemente, e sem procurar muito, creio recordar-me que teremos a adaptação de uma obra de Vitor Hugo com “Notre-Dame de Paris” (por Georges Bess, um one shot a sair em novembro) e de Cervantes com “Don Quichotte de la Mancha” (um one shot dos irmãos Brizzi, também a sair em novembro). 

Editado pela Glénat e com uma previsão de seis tomos de quase 100 páginas cada um (uf!), esta adaptação é dirigida aos fãs da obra, e aos apreciadores de histórias passadas na idade média, com os seus ambientes, diálogos e desenhos característicos.

Precisamente quanto aos desenhos, a cargo do belga Steven Dupré, recebemos mais do que o esperado (ou que eu esperaria, raios e coriscos (!), sempre de pé atrás no que a adaptações literárias diz respeito). Um belo desenho realista, boa caracterização contextual, belíssimas imagens de catedrais e de edifícios, variação de perspetivas, boa composição de página. O autor, claramente, tem gosto em desenhar este período.

A história é bem conhecida, a adaptação realizada por Alcante parece (sim, veremos os restantes tomos!) muito bem conduzida, não se limitando a uma transposição, mas a uma visita com coração. É um bom primeiro tomo.

Aliena, filha do Conde Bartholomew, recusa o enlace com William, num casamento que lhe é imposto, na Inglaterra da primeira metade do século XII. Ao mesmo tempo que em Londres certas manigâncias permitem coroar um novo rei, Tom, mestre pedreiro, percorre as estradas e tem de aceitar os trabalhos que consegue para poder alimentar a sua família, depois da morte da sua mulher ao dar à luz um rebento do casal. Na Abadia de Kingsbridge, o desaparecimento do prior vem perturbar uma aparentemente pacífica comunidade. 

Neste primeiro tomo começam a ser tecidas as linhas que vão permitir convergir todos estes acontecimentos, que seguimos com facilidade e deleite. Não surpreende, mas lê-se com agrado, mesmo sabendo que quem quiser ler a obra completa em BD vai ter de esperar uns tempinhos…


Novidade: Devir já lançou o segundo volume de Sunny


A Devir já tem disponível o segundo volume de Sunny, de Taiyo Matsumoto. 

Com um estilo de arte distinto e único, o autor inspira-se na sua própria infância e experiência de vida. Esta base na realidade dá à história uma profundidade emocional que toca muitos leitores e lhes permite imergir no mundo criado por Taiyo Matsumoto.

"Sunny" recebeu elogios da crítica e conquistou uma ampla base de fãs em todo o mundo, sendo nomeado para vários prémios, e acabando por solidificar a sua posição como obra-prima do género. (esta obra recebeu já o Prémio Shogakukan para Melhor Mangá em 2016 e o Prémio de Excelência do Media Arts Festival, 2016).

Neste volume, na Casa de Acolhimento Hoshinoko, um grupo heterogéneo de crianças enfrenta as inseguranças inerentes ao crescimento e ao facto de serem abandonadas ou órfãs.

A sua via de escape é a imaginação e Sunny, um carro velho que não funciona, mas consegue transportá-los para longe ou simplesmente proporcionar refúgio das dificuldades do dia a dia.








quarta-feira, 29 de novembro de 2023

A nossa leitura de "Emma G. Wildford", de Zidrou e Edith - Co-edição Arte de Autor e A Seita

 


O cenário não tem nada a ver e a história também não, mas a verdade é que este livro e a sua protagonista Emma, nos fizeram lembrar Karen von Blixen-Finecke no filme África Minha. Karen vai da Dinamarca para o Quénia e a nossa "Emma" vai de Inglaterra para a Lapónia. Mas o espaço temporal é próximo (em África Minha história começa em 1914 e aqui estamos nos anos 20), e ambas as protagonistas são mulheres corajosas e muito à frente para a época, e empreendem uma grande viagem que as leva a sair fora da sua zona de conforto. 

"Emma G. Wildford" tem todas as caraterísticas que fazem dela uma extraordinária protagonista: sedutora, bem humorada, apaixonada, sonhadora, arrojada, personalidade forte, e pouco convencional, torna-se irresistível quer para o leitor, quer para as personagens que com ela convivem.

Esta obra de Zidrou e Edith, co-editada pela Arte de Autor e pel' A Seita é um daqueles livros que lemos como se estivéssemos a ver um filme, e por isso por aqui, foi uma leitura de um só fôlego. 

Como diz na sinopse, esta é uma história de auto-descoberta, com uma personagem feminina forte, que explora o traço e as cores delicadas de Edith, e o seu gosto por desenhar a Inglaterra da época dos loucos anos 20 do século XX. Catorze meses depois do desaparecimento do seu noivo, Roald Hodges, membro da National Geographic Society, numa expedição à Lapónia, Emma acredita que ele ainda está vivo. Antes de partir, Roald entregou a Emma um misterioso envelope com uma carta, que ela só deverá ler no caso de lhe acontecer alguma tragédia. Recusando essa possibilidade, Emma decide largar a sua vida confortável em Inglaterra, para o ir procurar na Lapónia. Durante a viagem, a jovem vai acabar por perder as certezas que tinha. Mais do que a busca pelo seu noivo, Emma vai viver uma verdadeira busca de si própria.

A selecção já estava difícil com tão boas obras que têm saído, mas este é de facto um dos melhores álbuns de 2023.

Ainda uma nota que torna este livro ainda mais especial: o livro traz dentro um envelope com uma carta, que só deve ser lida no final.




O Assassino - segundo álbum duplo, hoje nas bancas! - Edição ASA/Público

 



Hoje é dia d' O Assassino chegar às bancas, pelas mãos da ASA e do jornal Público. O segundo álbum duplo, da autoria de Luc Jacamon e Matz, contém as histórias "A Dívida" e "Laços de Sangue".

Eis as respectivas sinopses:

3. A Dívida

O Assassino não consegue levar uma vida tranquila. No entanto, depois da sua última etapa em Paris, ansiava por um pouco de sossego (ver O Assassino 2 - A Engrenagem). Apesar de todas as precauções que sempre tomou, ei-lo de pés e mãos atados, pelo menos durante algum tempo, forçado a pagar uma estranha dívida contraída com um grande manda-chuva da máfia colombiana. O Padrinho sabe com quem está a lidar e que o Assassino poderá prestar-lhe um bom serviço. Quanto a este, pode aceitar novos contratos: as suas condições são respeitadas. Não é por mudar de patrão que muda de princípios. E, assim, pode continuar a viajar e a pôr de lado quantias substanciais. Mantendo o controlo, estando sempre sozinho, mesmo quando bem acompanhado. Permanecer atento, não dar nas vistas, adaptar-se... Não importa quem é o mandante, pois o trabalho é sempre o mesmo. Contudo, esta dívida não estava no programa...

4. Laços de sangue

Uma grande cidade. O melhor lugar para passar despercebido enquanto as coisas acalmam. Para fazer um ponto de situação e preparar o futuro, o Assassino esconde-se em Paris, aguardando também que a sua namorada se restabeleça dos maus-tratos que sofreu na Venezuela. Esperar. Tentar perceber. Em última análise, liquidar os culpados. Mariano aparece (ver T3: A Dívida). Como terá conseguido encontrá-lo? O Padrinho, tio de Mariano, apreciou bastante os serviços do Assassino, pelo que enviou o sobrinho para lho dizer e o pôr na pista daqueles que agrediram a rapariga. Mas não há almoços grátis. O Padrinho não lhe faria este favor sem esperar nada em troca. Aliás, Mariano não tardará a informá-lo do que se trata... De qualquer modo, o Assassino está a violar a sua sacrossanta regra da solidão. Há pessoas que são postas à prova, é assim.

terça-feira, 28 de novembro de 2023

A opinião de Miguel Cruz sobre: "L’Ombre des Lumières - Tome 1", de Guérineau e Ayroles e "Maltempo", de Alfred

 



L’Ombre des Lumières - Tome 1

Série prevista em três tomos, L’Ombre des Lumières é a nova aposta do argumentista de “O Burlão das Índias”, Alain Ayroles. Desta vez acompanhado por Richard Guérineau no desenho, um autor com muitas BD publicadas, entre as quais uma série que foi célebre no século passado chamada “Le Chant des Stryges”, dono de um desenho realista muito pormenorizado, com um bom sentido de mise-en-scène e um excelente domínio dos contrates luz-sombra.

O Tomo 1 entitula-se “L’Ennemi du Genre Humain” – o inimigo do género humano, título que resume de forma simples o que temos “pela frente”. Através da descoberta da correspondência do cavaleiro de Saint-Sauveur, podemos ir conhecendo a personagem que viveu no século XVIII e que, desde muito cedo nesta BD não nos deixa qualquer dúvida: era um verdadeiro crápula.

A ligação ao romance e ao tema dos filmes Valmont e Ligações Perigosas é, pelo menos parcelarmente, evidente. Aqui vamos seguindo os comportamentos daquele nobre de baixa estirpe, que age muitas vezes sedutoramente mas desprovido de escrúpulos. 

A fortuna nem sempre lhe sorri, mas a capacidade de transformar situações desagradáveis em seu favor está presente. O véu sobre os objetivos deste aventureiro aparentemente amoral não é levantado neste tomo 1, embora pareça que fazer o mal constitui, em si, um objetivo, pelo que teremos de esperar a continuação da história, e os autores sabem bem criar o suspense.

O ambiente retratado, os diálogos, as roupas, os jardins, os veículos, tudo é apresentado de forma cuidada e atrativa. Diria, em certos momentos, um filme de Milos Forman.

A narrativa é apresentada em parcelas baseadas nas cartas encontradas, o que é excelente para o seu ritmo, sendo que por vezes, cria algumas dificuldades para perceber quem é quem ou quem disse o quê. É comum ter de voltar atrás para “consulta”, o que mostra que a estrutura da BD é cuidada, e a sua leitura exigente.

Gosto bastante do trabalho de cores que confere às páginas um calor e uma luminosidade notáveis. A edição foi também ela muito cuidada, com lombada em tela, duas versões, uma a cores e outra a preto e branco, capa bonita e papel de qualidade.

Em resumo, uma BD de época, interessante, épica, bem trabalhada, inteligente. O cavaleiro ainda tem, parece, bastante caminho a percorrer. Vamos lá ver como as coisas evoluem. Edições Delcourt.




Maltempo

Aldred esteve no ano passado na edição do AmadoraBD, tendo em atenção a edição em português da sua BD “Como Antes”, premiada em 2014 em Angoulême.

Alfred tem uma nova BD, acabadinha de sair, com o título de Maltempo. Estamos na continuidade dos períodos das suas obras anteriores: “Como Antes” e “Senso”, neste caso na Itália dos anos 80, acompanhando o dia a dia de um grupo de jovens que, no Sul de uma Itália pobre e sem grandes perspetivas, vive em função da música e da união de um grupo de amigos. Maltempo corresponde a um nome, mas não deixa de ser um comentário irónico à qualidade da música do grupo de amigos.

É verdade que a música é, naquele caso, mais um meio de conquista e afirmação social do que um esforço artístico, mas a divulgação (através de um casting local) de um concurso musical que levará o seu vencedor a Roma, cria uma expectativa e vem alterar o comportamento habitual de vários membros do grupo de jovens, em particular de Mimmo, jovem italiano de 15 anos.

A música como instrumento de ascensão social vai surgir como elemento narrativo importante, numa BD que nos apresenta um retrato social muito interessante da Itália dos anos 80, bem como uma galeria de personagens com maneiras de ser bem distintas, mas bem realistas e que não pode deixar de nos recordar algumas amizades de adolescente. A isto temos a acrescer a presença, face à situação política Italiana da altura (só?), de grupos de skinheads de tendência “nacionalista”.

O desenho é aquele a que Alfred já nos habituou. Ligeiro e realista, sensível, luminoso, por vezes contemplativo, com cores “de um verão agradável”. A narrativa é bem ritmada, não há elementos desnecessários, por vezes dura, por vezes humorista, mas sempre tocante.

Editado pela Delcourt, aqui fica a recomendação para mais um One Shot de Alfred, esta com quase duzentas páginas. Se gostou de “Como Antes”, o mais provável é que também goste de Maltempo.


A nossa leitura de "Não me esqueças", de Alix Garin - edição ASA

 


As elevadas expectativas que tínhamos em relação a este livro conseguiram ser ultrapassadas. É um livro lindíssimo e profundamente tocante, que consegue ser também divertido. A prova de que o amor e o humor podem e devem andar de mãos dadas.

Já tínhamos o exemplo de "Rugas", de Paco Roca no que toca ao tema das demências na velhice. E agora chega-nos este "Não me esqueças" de Alix Garin. Ambos livros muito pessoais, pois talvez só quem tenha tido na vida a experiência de conviver com alguém com Alzheimer ou outra demência é que consegue ter a sensibilidade de trazer a público uma obra assim. 

Alix Garin tem, neste livro, o mérito de conseguir emprestar muito humor a um tema tão pesado. E a beleza e a suavidade dos seus desenhos, conseguem também amenizar a tristeza que não deixamos de sentir. É impossível não sermos tocados pelo amor que une uma avó e a sua neta e sentirmos uma certa nostalgia, sobre tempos de antigamente, quando ambas recordam os seus lugares de infância. 

É sem qualquer pudor que confessamos que o final nos deixou com um nó na garganta e uma lágrima no canto do olho e quando um livro tem esse poder, só pode ser muito bom. Por isso elegemos este título para o Top de 2023. Grande aposta da ASA!



segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Exposição "História(s) de Portugal em Cartoon, de Augusto Cid, pode ser vista em Cascais

 


Organizada pela Câmara Municipal de Cascais, inaugurou a 11 de Novembro e estará patente até dia 28 de Abril de 2024. "História(s) de Portugal em Cartoon é uma exposição que apresenta a obra de Augusto Cid, cujo arquivo foi depositado no Arquivo Histórico Municipal de Cascais em 2019, com vista à sua preservação e fruição pública. 

Com a revolução de 25 de abril de 1974, que garantiu de novo o direito à criação livre, os caricaturistas reconquistaram o protagonismo perdido numa sociedade que tenderia a focar-se cada vez mais na comunicação através da imagem e a questionar-se através da crítica e do humor. Foi exatamente neste período que Augusto Cid se impôs pela acutilância do seu olhar, numa obra que se funde de forma indelével na história do Portugal contemporâneo, que aqui se apresenta através dos cartoons que publicou em jornais e revistas como "Povo Livre", "República", "O Jornal Novo", "Expresso", "O País", "O Sol", "Vida Mundial", "O Dia", "O Diabo", "A Tarde", "O Independente", "O Crime", "O Título", "K",  "Focus", "Grande Reportagem" ou "Sol". 

A exposição comporta também fotografias, materiais de trabalho e peças inéditas, nomeadamente ao nível da escultura, que sempre apaixonou esta figura maior da cultura portuguesa.

Informações: 214 815 659 (chamada para a rede fixa nacional) | dias úteis das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00

A nossa leitura de "Turma da Mónica - Laços", de Vitor Caffagi e Lu Caffagi - edição A Seita



"Laços", a novela gráfica da Turma da Mônica, foi um dos livros que deu que falar no Amadora BD, devido à presença de Maurício de Sousa e de Vitor Caffagi, um dos autores.

O livro, de Vitor Caffagi e Lu Caffagi, foi editado no Brasil, em 2013, e foi chegando cá amiúde, mas a distribuição foi muito escassa e deficiente. O que aconteceu é que pela primeira vez o livro foi editado no nosso país, pelas mãos d' A Seita e na língua portuguesa de Portugal. E foi essa versão que agora lemos e eis o que nos pareceu:

Bom, conhecem aquela célebre frase de Fernando Pessoa "primeiro estranha-se e depois entranha-se"? Achamos que se aplica aqui. Não entendam mal, pois gostámos muito da história, mas leitores de revistinhas da Mônica desde a nossa infância, como nós, estranharão ver as personagens desenhadas de outra forma, com um traço completamente diferente. Os desenhos são muito bonitos e ternurentos, mas é um pouco esquisito, num primeiro impacto, ver a Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali completamente distintos do que nos habituámos. Se nos conseguirmos abstrair disso e mergulhar na história, isso fica para segundo plano. 

Outra coisa que nós, leitores de tantos anos da Turma da Mônica estranhámos: ler em português de Portugal. Estávamos tão habituados a um certo tipo de linguagem, que acaba por ser bizarro vermos as personagens a tratarem-se por tu ou dizerem cão em vez de cachorro. Mas este aspecto é de grande importância para captar leitores caloiros.

Aliás, até o passar a chamar Mónica, em vez de Mônica, é outra diferença e aspecto a considerar.

Vamos então à história, "Turma da Mónica – Laços", é uma emocionante aventura que acompanha a Turma da Mónica – Mónica, Cebolinha, Cascão e Magali – numa jornada repleta de amizade e descobertas, na procura do Floquinho, o cãozinho do Cebolinha que desaparece misteriosamente. Resumindo, esta é uma história sobre a solidariedade e o valor da amizade, onde apesar das diferenças e desavenças, os amigos se unem ao Cebolinha para o ajudar de forma incondicional. 

Este livro faz parte da trilogia Laços, Lições e Lembranças, pelo que agora aguardamos com expectativa a publicação dos outros dois e também de outras novelas gráficas do universo da Turma da Mônica, uma vez que no Brasil já saíram 40 títulos.

Ainda a referir que em 2017, este livro foi adaptado ao cinema, tendo sido o filme mais visto do ano, no Brasil!




domingo, 26 de novembro de 2023

A nossa leitura de "Let's Play" volume 2, de Leeanne M. Krecic - edição Iguana



Gostámos ainda mais do segundo volume do que do primeiro. E o interesse mantem-se para a continuação da história que aguardamos.
"Let's Play" é teoricamente uma novela gráfica destinada para um público adolescente. A nossa adolescência já vai longe, mas somos fãs desta obra de Leeanne M. Krecic, editada em Portugal pela Iguana.
Repetimos o que dizemos após a leitura do primeiro volume, à primeira vista pode parecer uma leitura levezinha e sem grande interesse, que mete youtubers/View tubers e videojogos, mas levantando essa capa superficial, há temas mais profundos e importantes. Falamos de igualdade e estereótipos de género, saúde mental, baixa autoestima, bullying virtual e das futilidades e vedetismo de algumas celebridades da internet. 

A história, que se centra na vida de uma rapariga cujo sonho é ser criadora de videojogos é divertida, dinâmica e emotiva, e os temas que descrevemos acima são abordados e desenhados com inteligência e humor. É muito interessante a mudança de estilo de desenho que acontece em várias pranchas, pois as personagens transformam-se para esteticamente se assemelharem a figuras dos jogos electrónicos. O desenvolvimento da história neste segundo volume vai subindo de interesse e foca-se muito na timidez, baixa auto estima e dificuldades de relacionamento da protagonista. 

Ao longo do livro existem divertidas chamadas de atenção para pequenos detalhes e seriam muito mais interessantes senão fossem tão minúsculas, o que dificulta a leitura e faz com que tenhamos por vezes que fotografar as páginas e fazer zoom, para conseguir ler. Realmente este é o único senão que encontramos.






BDs da estante - 557: Peter Pan 2 - A Tempestade, de Régis Loisel - edição Booktree

 


Régis Loisel recriou um universo base bem conhecido de todos nós, apresentando uma visão de Peter Pan que, equilibradamente, mistura o encanto e fantasia próprios das crianças, com uma realidade bem mais cruel do que a que se vê nas adaptações da Disney, por exemplo. Passo a passo, ficamos a conhecer o processo de adaptação de Peter à Terra do Nunca, o seu contacto com os índios, as sereias ou o terrível capitão gancho, até ser eleito o líder dos habitantes deste “reino” da fantasia. No entanto, nem tudo vão ser alegrias, pelo que Peter vai sofrer vários desgostos, como a perda do seu amigo Pan. 

Esta série notável, uma livre adaptação do clássico de Sir James M. Barrie, que em 2021 foi editada em Portugal na íntegra, pela ASA em parceria com o Público, tinha visto editados os dois primeiros álbuns pela Bertand (Londres e Opilanoba) e posteriormente o terceiro e o quarto pela Booktree, como é disso exemplo este "A Tempestade" (o terceiro), edição de 2002 que hoje recordamos. A série completa é composta por seis volumes.


sábado, 25 de novembro de 2023

Depois de 1984, outra obra de George Orwell é adaptada para novela gráfica: "Tamanhas eram as alegrias"

 



Depois de tantas versões e adaptações da obra "1984" de George Orwell, surge agora, em formato de novela gráfica, um dos mais famosos e polémicos textos autobiográficos do autor, intitulado "Tamanhas eram as alegrias". Esta elogiada versão, editada em Portugal pela Cavalo de Ferro, do grupo Penguin Random House, conta com adaptação de Sean Michael Wilson e ilustrações de Jaime Huxtable, repondo e traduzindo visualmente todo o poder imagético do texto original de Orwell.

A sinopse:

Escrito em 1947, mas apenas publicado após a morte de Orwell, em sucessivas edições expurgadas, Tamanhas Eram as Alegrias é a descrição pretensamente fiel dos anos de formação do autor de 1984 e de A Quinta dos Animais, entre os oito e os treze anos, de 1911 a 1916, enquanto aluno no colégio interno de St. Cyprian's, em Inglaterra. Conhecido pela sua crítica aos mecanismos do Poder e da Autoridade, Orwell narra a sua experiência pessoal, as prepotências e as iniquidades que sofreu nessa escola de elite, tecendo uma implacável crítica aos métodos de ensino da época, dirigidos à perpetuação de uma sociedade inglesa classista e injusta.






"O Prazer", uma reedição da Iguana de mais uma obra de María Hesse

 


A par da biografia de David Bowie, a editora Iguana publicou recentemente uma reedição de mais uma obra da autora María Hesse. Falamos de "O Prazer".

Delicado e visceral, como o prazer que exalta: assim é este livro, o mais íntimo e pessoal de María Hesse. Nele, conta-nos como foi o seu caminho para o despertar da sexualidade, um caminho tortuoso semeado de culpa, vergonha e ignorância, que ultrapassou graças a uma curiosidade insaciável e ao exemplo sábio de mulheres que souberam explorar o mistério e o poder da sensualidade, que enfrentaram os preconceitos do seu tempo, que deram um nome àquilo que não tinha nome e pavimentaram e iluminaram a rota do prazer para que outras a pudessem percorrer mais facilmente.

Mulheres de carne e osso ou apenas da ficção, como Lilith, Maria Madalena, Safo, Eve Ensler, Colette, Anaïs Nin, Simone de Beauvoir, Anne Sexton, Mata Hari, Betty Dodson, Marilyn Monroe, Erika Lust e até Daenerys Targaryen.

Graças a elas, Hesse desenhou um mapa do prazer feminino para que todas o possamos explorar.







A nossa leitura de "Há quem queira que a luz se apague", de Mário Freitas, Derradé e Beatriz Duarte - Kingpin Books

 


São 16 páginas e a história é curta. Mas em 16 páginas Mário Freitas e Derradé, os autores  de "Há quem queira que a luz se apague" conseguiram condensar e dizer muita coisa. Um livro de e sobre o humor nos livros e na vida em geral, que de uma forma peculiar nos mostra como é importante combater o "cinzentismo" e a "apatia" da sociedade. 

Lemos o livro duas vezes para nos deliciarmos com todos os detalhes que podem escapar numa primeira leitura mais apressada. Claro está que quem conhece pessoalmente os protagonistas Dário e Álvaro, ainda se diverte muito mais, pois principalmente o Álvaro está muito bem retratado. 

Uma palavra também para a participação de Beatriz Duarte (filha de Derradé) que teve a responsabilidade de dar cor ao livro, colocando os tons certos nos sítios certos. 

O início da sinopse diz o essencial: "Findo o humor, finda a empatia". Lembrem-se dos sinónimos de empatia: compreensão, entendimento, aceitação, consideração, interesse. Portanto, se no mundo falta empatia, que venha o humor e que venham mais livros como este para ajudar.



sexta-feira, 24 de novembro de 2023

ASA reedita "A conspiração Voronov", aventura de Blake e Mortimer, de Sente e Juillard



A ASA reeditou este mês um título das Aventuras de Blake e Mortimer, "A conspiração Voronov", uma história criada no ano 2000 por Yves Sente e André Juillard, segundo Edgar P. Jacobs.

Recordamos a sinopse:

Em 1957, os EUA e a União Soviética travam uma guerra sem tréguas pela conquista do espaço. Na base aeroespacial de Baikonur, e apesar do risco iminente de uma chuva de meteoritos, o comandante militar obriga o professor Ilioutchine, chefe do projecto científico, a lançar um foguetão. Atingida por meteoritos, a nave espacial despenha-se e a equipa incumbida de recolher os destroços é dizimada por um misterioso vírus. Moscovo ordena a destruição de qualquer vestígio do agente mas Voronov, chefe da clínica do KGB situada na base, isola o organismo vindo do espaço. Utiliza-o para assassinar os dirigentes do Kremlin que, segundo ele, atraiçoam o pensamento do líder Estaline, e também os chefes de Estado ocidentais. A sua assistente consegue passar para o Ocidente uma amostra do vírus mortal. Inicia-se um dramático contra-relógio entre a dupla Mortimer e Blake e o sinistro Voronov, que tem em Olrik uma segunda arma secreta...