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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

A nossa leitura de "Aqui", de Richard McGuire - edição Cavalo de Ferro

 


O que faz este livro ser tão especial? Porque nem o desenho é especial, nem o argumento. Aqui, de Richard McGuire foi considerado como uma obra de arte e de literatura e uma das novelas gráficas mais inovadoras de sempre, tendo sido premiada com: "Prémio de Melhor Livro do Ano (Festival de Angoulême)"; Melhor Livro da Década (Les Inrocks) e "Um dos 100 Melhores Livros do Séc.XXI (El País).

Deste lado procedemos à sua leitura e quando chegámos ao fim continuámos com a mesma interrogação: será que este livro pode ser considerado como uma novela gráfica? 

Não temos resposta para isso, porque o que sabemos é que, de uma forma resumida, uma novela gráfica é uma banda desenhada com uma história mais longa, e uma banda desenhada é uma história narrada em imagens. Ora neste livro, não existe princípio, meio e fim, existindo apenas um único fio condutor que é o espaço, mas não há uma sequência e o leitor viaja pelo mesmo espaço no passado ou no futuro, sem nenhuma conexão e com distâncias de milhares de anos. Vamos assistindo a cenas avulsas diversas, que ocorrem na mesma sala, como se estivéssemos a fazer zapping de forma rápida. Portanto não existe propriamente uma história para acompanhar, apenas alguns vislumbres, pedaços de vida quotidiana de famílias ou cenas da natureza quando a sala e a casa ainda não existiam. Na mesma página dupla podemos assistir a vários momentos diferentes, distantes no tempo. Podemos estar no ano 50.000 a.c., em 1996 e 2222, por exemplo. 

Voltando à pergunta inicial? No fim de contas, o que faz este livro ser tão especial? Certamente não são as ilustrações nem o argumento que é quase como se não existisse. É o facto de ser tão disruptiva e original e a forma como nos são transmitidas as várias vivências no mesmo local que vai mudando consoante o ano em que estamos. 

Esta edição da Cavalo de Ferro, chancela da Penguin Random House, é sem dúvida daquelas que gera controvérsia e que não é para todo o tipo de público. Acabámos por dar por nós pensar no equivalente deste livro em outras formas de arte. Se fosse uma pintura ou uma escultura, se calhar seria considerada uma obra abstrata.








segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

Top Natal 2024 - Penguin Random House

Para além da Iguana, são muitas as chancelas do Grupo Penguin Random House que editam banda desenhada e ilustração e por isso há muito por onde escolher. Aqui fica mais uma selecção que recomendamos.

Mais detalhes no site da Penguin.













sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Novidade: Aqui, de Richard McGuire é uma excelente e diferente novela gráfica já disponível - edição Cavalo de Ferro

 


"Aqui", de Richard McGuire foi daqueles livros que nos chamou logo a atenção, porque de inicio não percebemos logo que tipo de livro era, se de literatura, ilustração, BD ou novela gráfica.

Depois ao lermos a sua descrição e ao ver as suas imagens, percebemos logo que estávamos perante uma novela gráfica de grande qualidade e bem diferente de qualquer outra que lemos até agora.

Unanimemente considerada uma obra de arte e de literatura, "Aqui" é uma das novelas gráficas mais inovadoras de sempre, responsável por revolucionar o género., tendo sido premiada com: "Prémio de Melhor Livro do Ano (Festival de Angoulême)"; Melhor Livro da Década (Les Inrocks) e "Um dos 100 Melhores Livros do Séc.XXI (El País).

Aqui fica a descrição da história e algumas imagens, e esperamos em breve voltar com a nossa opinião sobre esta novela gráfica tão especial.

A história

Esta é a história de um espaço - o interior de uma casa, um dos cantos da sala - e dos acontecimentos que aí tiveram lugar ao longo de milhares de anos, no passado e no futuro.

Considerada uma obra de arte e publicada em mais de vinte países, Aqui, de Richard McGuire, revolucionou a novela gráfica enquanto género literário e continua ainda hoje a influenciar novas gerações de artistas. A crítica é unânime: este é um dos melhores livros de literatura e de arte do século.









quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

A nossa leitura de "Tamanhas eram as alegrias", de George Orwell - edição Cavalo de Ferro

 

A leitura deste livro revelou-se uma grande surpresa e pela positiva. Depois de termos lido 1984 (uma das várias novelas gráficas) cuja leitura não foi fácil, pela sua complexidade, e páginas escuras com letras igualmente escuras que nos davam cabo dos olhos, entrámos em "Tamanhas eram as alegrias" com algumas reticências. Porém, eis que damos com um livro mais arejado e de leitura fácil. Não que o tema seja leve, que não é, mas é-nos apresentado de uma forma mais simples, quer ao nível da narrativa, quer ao nível dos visuais. 

"Tamanhas eram as alegrias" é uma adaptação para Banda Desenhada de outra obra do autor, uma história biográfica, onde George Orwell nos narra um período da sua vida menos feliz, que corresponde aos anos que passou num colégio interno. Editada em Portugal pela Cavalo de Ferro, do grupo Penguin Random House, o texto adaptado é de Sean Michael Wilson e as ilustrações de Jaime Huxtable, a pretp e branco, conseguem visualmente traduzir o poder do texto de Orwell.

Orwell ao expor as suas recordações dessa época, descreve, de forma fiel, a sua formação entre os oito e os treze anos, quando esteve num colégio interno. Esta sua experiência pessoal marcou-o para sempre, embora só muito mais tarde na idade adulta, se tenha apercebido de muitas das atrocidades pelas quais teve de passar.

Nessa escola de elite era gritante a diferença de tratamento junto dos alunos, que mudava despudoradamente para melhor, quanto maior fosse a conta bancária da família. A prepotência dos responsáveis do colégio, os castigos corporais e morais, a má nutrição e a humilhação, tudo isto é contado de uma forma muito directa. 

A ação decorre entre 1911 e 1916 e o autor, conhecido pela sua crítica aos mecanismos do Poder e da Autoridade, ao narrar esta parte da sua vida, tece uma crítica implacável aos métodos de ensino utilizados na época, que coincidiam com uma sociedade inglesa classista e profundamente injusta.





sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

CALENDÁRIO DO ADVENTO JUVEBÊDÊ - DIA 1 - Presentes para o Avô intelectual




Se não têm ideias do que oferecer no Natal, nós damos uma ajuda. Este ano o Juvebêdê criou o seu calendário do advento e até dia 24 iremos publicar diariamente sugestões de presentes ideais para cada membro da família e amigos. As nossas escolhas recaíram em edições de 2023, mas pode justificar-se sugerirmos edições mais antigas. Haverá para todos os gostos. 

Começamos hoje pelas sugestões para o avô intelectual e culto e que gosta de estar informado:

Aristóteles - Tassos Apostolidis e Alecos Papadatos - Gradiva BD

Capital e Ideologia - Claire Alet e Benjamin Adam (segundo livro de Thomas Piketty - Temas & Debates

Tamanhas eram as alegrias - Sean Michael Wilson e Jaime Huxtable (sobre a obra de George Orwell) - Cavalo de Ferro



sábado, 25 de novembro de 2023

Depois de 1984, outra obra de George Orwell é adaptada para novela gráfica: "Tamanhas eram as alegrias"

 



Depois de tantas versões e adaptações da obra "1984" de George Orwell, surge agora, em formato de novela gráfica, um dos mais famosos e polémicos textos autobiográficos do autor, intitulado "Tamanhas eram as alegrias". Esta elogiada versão, editada em Portugal pela Cavalo de Ferro, do grupo Penguin Random House, conta com adaptação de Sean Michael Wilson e ilustrações de Jaime Huxtable, repondo e traduzindo visualmente todo o poder imagético do texto original de Orwell.

A sinopse:

Escrito em 1947, mas apenas publicado após a morte de Orwell, em sucessivas edições expurgadas, Tamanhas Eram as Alegrias é a descrição pretensamente fiel dos anos de formação do autor de 1984 e de A Quinta dos Animais, entre os oito e os treze anos, de 1911 a 1916, enquanto aluno no colégio interno de St. Cyprian's, em Inglaterra. Conhecido pela sua crítica aos mecanismos do Poder e da Autoridade, Orwell narra a sua experiência pessoal, as prepotências e as iniquidades que sofreu nessa escola de elite, tecendo uma implacável crítica aos métodos de ensino da época, dirigidos à perpetuação de uma sociedade inglesa classista e injusta.






quarta-feira, 2 de março de 2022

A nossa leitura de "Fome"

Com uma grande lista pela frente de boa leitura, lemos agora "Fome", adaptação para Banda Desenhada da obra literária homónima do prémio Nobel da Literatura Knut Hamsun, publicada há mais de um século. 

Esta adaptação, publicada em 2021 da Cavalo de Ferro, chancela da Penguin Livros, foi concebida pelo artista norueguês Martin Ernstsen, tendo vencido o Prémio Brague 2019. 

Numa abordagem tão fiel quanto original ao romance de Hamsun, o artista norueguês Martin Ernstsen adapta para novela gráfica esta história protagonizada por um jovem escritor que deambula faminto e delirante pela cidade de Kristiania (agora Oslo), oferecendo ao leitor uma experiência estética e literária singular. E é verdade. Esta novela gráfica oferece-nos visuais incríveis e ousados, quase sempre a preto e branco, com Ernstsen a apresentar ao leitor os delírios do faminto protagonista traduzidos em desenho (a capa é um exemplo disso). Ao longo do livro podemos encontrar estéticas diferentes mas sempre desenhadas de forma exímia pelo autor norueguês. Estranho é não haver números nas páginas e confessamos que nos faz falta. 

Quanto à história, não nos alongamos muito, pois também ela é peculiar, com o jovem escritor a lutar para conseguir ganhar a vida apenas com a sua escrita, o que se revela uma batalha constante e uma tarefa quase impossível, levando-o a passar fome muitas vezes. Perturbado pela fome, acaba por ser levado a cometer por vezes desonestidades de que se arrepende e essa é outra das suas lutas interiores.









quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

Leituras e ofertas para este Natal (1/4)

Este foi um ano tão rico em publicações de Banda Desenhada que poderíamos estar aqui dias e dias a tentar aconselhar quais as melhores leituras e ideias para ofertas natalícias. Porém, como nas férias fizemos também um resumo de leituras, vamos concentrar-nos agora numa seleção dos livros que foram publicados nos últimos meses de 2021 e que sugerimos para esta quadra natalícia e para animar também as duas semanas de contenção iremos ter. 

Nesta publicação destacamos edições da A Seita, A Seita em co-edição com a Arte de Autor, Arte de Autor e Cavalo de Ferro.

A SEITA


Co-edição A SEITA e ARTE DE AUTOR


ARTE DE AUTOR


CAVALO DE FERRO