O talento de Josep Homs está presente mais uma vez, nesta obra editada pela Ala dos Livros "O Diabo e a Coral", que reúne fantástico com História, religião, identidade judaica, nazismo e mitologia. A narrativa decorre em Praga, em 1938, com Coral, uma jovem judia que tem a capacidade de ver e comunicar com o Diabo, numa altura em que a Europa mergulha no antissemitismo e se aproxima a Segunda Guerra Mundial.
Na história, a protagonista Coral é-nos apresentada como uma jovem independente, inteligente e manipuladora que resiste ao poder de Lúcifer não através da força, mas através da astúcia e da autonomia.
A par da Coral, o Diabo é uma personagem um pouco ambígua, pois apesar de representar a tentação e o mal, possui humor, inteligência e capacidade de sedução. De tal maneira que o leitor acaba por gostar também do vilão.
A relação entre a Coral e o Diabo ultrapassa, assim, a oposição entre heroína e vilão, e acaba por se transformar num jogo de poder entre os dois, marcado pela dependência, manipulação e conflito. É uma relação conflituosa e intelectualmente exigente, mas muito próxima. Ao mesmo tempo que o Diabo procura dominar a jovem, também depende dela. E Coral tem de recorrer às suas capacidades de manipulação, para se libertar do Diabo.
Portanto os dois, têm características semelhantes, mas os seus objectivos e atitudes são diferentes. Coral não é a heroína perfeita nem uma jovem inocente e o Diabo também não é totalmente desprovido de sentimentos.
Uma história extraordinária que também é extraordinariamente bem desenhada, com personagens dotadas de grande expressividade, com uma atmosfera maioritariamente sombria, com cenários fantásticos desde a cidade de Praga ao Inferno.





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