sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

A nossa leitura de "História de Uma Gaivota e do Gato Que a Ensinou a Voar", de Luís Sepúlveda e Cever - edição Porto Editora


"História de Uma Gaivota e do Gato Que a Ensinou a Voar" é uma obra de referência, da autoria de Luís Sepúlveda, que muitos conhecem. Deste lado tínhamos lido o livro há muitos anos e foi com alegria que recebemos a notícia da chegada da adaptação para banda desenhada. Lemos logo num ápice e gostámos bastante.

A edição é da Porto Editora e o responsável pela adaptação foi esteve a cargo de Cever. Achámos muito interessante esta versão da obra para a linguagem da banda desenhada, tendo em conta que o próprio estilo de desenho é de uma grande leveza, a preto e branco (apenas em duas pranchas há um toque de cor), mas com traço fino, deixando-nos mais focados na história. O desenho é expressivo mas sem ser exagerado, o que nos proporciona uma leitura fluída e agradável, com as personagens animais sem serem fofinhas ou humanizadas, sendo representadas de forma mais realista, sem serem caricaturadas.

Zorba, o gato, tem mais destaque por ser mais encorpado e de cor preta, em contraste com a gaivota, mais delicada e frágil. Uma obra leve, sensível e bonita, que com sensibilidade, fantasia e humor acaba por tocar na amizade e solidariedade e no respeito e aceitação pela diferença. Há ainda espaço para aflorar questões ambientais, tendo em conta que a gaivota mãe, que deixa o ovo para Zorba criar e ensinar a voar, é vítima da poluição marítima. 

Por fim, um pormenor que apreciámos, foi um piscar de olhos aos fãs da nona arte, com a introdução de easter eggs alusivos a personagens de banda desenhada, que vamos encontrando em algumas pranchas. Não são essenciais à narrativa, mas acabam por enriquecer a leitura. E acabam por reforçar uma característica da obra original, o facto de ser muito transversal no que toca aos escalões etários de leitores. Tanto agrada aos mais jovens, como aos mais crescidos.







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