No segundo semestre de 2025 foi publicado o tomo 2 de Rei Sen Pacifique, da autoria de Olivier Speltens e editado pela Paquet. Speltens é um autor que se desenvolveu na linha editorial da Paquet, focado no desenho de aventuras quer giram em torno de automóveis ou aviões. Esta visão é naturalmente redutora, porque Speltens é um autor com uma evidente profundidade narrativa, e uma notória preocupação pela documentação das suas histórias, para além de ser dono de um desenho bonito, detalhado e agradável.
Em Rei Sen, o autor consegue uma qualidade narrativa, quer no argumento, quer nos diálogos, quer no equilíbrio entre narração e diálogo, quer no ritmo, quer, finalmente, na sequência narrativa, de elevado nível. É verdade que a história pode não interessar todos, mas é interessante, credível e com uma perspetiva diferenciadora.
Daisuke, piloto japonês é a personagem central, e toda a história é baseada não apenas no seu relato, na sua perspetiva, mas na sua experiência durante o período da guerra do Pacífico. No tomo 1 conhecemos o jovem Daisuke (e alguns dos seus colegas, nomeadamente Kenji, seu amigo de infância e vizinho de juventude), logo após a sua incorporação na força aérea, sem convicção nem particulares conhecimentos, como muitos outos jovens.
Estacionados numa ilha do Pacífico, começando por tarefas atacantes associadas à tentativa de invasão de Port Moresby, e ao longo do tempo transitando para tarefas defensivas, os jovens pilotos japoneses vão passando de uma perspetiva de invencibilidade e de curta duração da guerra, para uma perspetiva mais pessimista, com dúvidas sobre os comunicados do exército imperial. A falta de recursos, as operações intermináveis e o cansaço vão pesando.
No tomo 2, penúltimo da trilogia, o cansaço agrava-se, os rostos conhecidos vão desaparecendo e os erros acumulam-se, levando Daisuke a exceder-se, ser ferido, e voltar ao Japão. Após um breve período de contacto familiar, Daisuke, apesar de jovem, torna-se instrutor de aspirantes pilotos, mas com prazos limitados de formação, pois há uma guerra a combater.
Este tema da preparação dos pilotos é central nesta interessante série, desenvolvida na perspetiva de um japonês. Uma história romanceada, mas em que se nota uma preocupação com a contextualização histórica e com a correção cultural. O desenho é excelente, detalhado, tudo é bem documentado e credível, garantindo uma leitura fácil, agradável e memorável.
Pela minha parte, aguardo com interesse a publicação do tomo 3 e a conclusão desta série. Sabemos qual o desenlace da guerra do Pacífico, mas vale a pena saber o que acontece a Daisuke.




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