É certo e sabido que este dois autores, quando se juntam, criam fantásticos trabalhos de banda desenhada. Zidrou, argumentista e Jordi Lafebre, ilustrador, já nos trouxeram trabalhos conjuntos com a deliciosa série Verões Felizes ou o comovente Lydie. Foi pois com expectativa que nos embrenhámos na leitura deste Brigada de Costumes (originalmente La Mondaine), editada em conjunto pela Arte de Autor e Pel' A Seita.
A acção decorre na cidade de Paris, no início da década de 1930. O protagonista é Aimé Louzeau, um jovem inspector que começa a trabalhar na Brigada de Costumes, entrando em contacto com um mundo marcado pela prostituição, pelos segredos e pelas contradições da sociedade.
A narrativa desenvolve-se ao longo de dois volumes, que este livro reúne (um integral) e acompanha também as transformações provocadas pela Segunda Guerra Mundial. Uma obra que combina humor, drama e crítica social. No início da história, as situações caricatas e os diálogos irónicos contribuem para criar um ambiente mais descontraído. Mas conforme vamos avançando com a leitura, e por detrás dessa aparência humorística, começam a ser-nos mostradas realidades mais sombrias, relacionadas com a hipocrisia social, a corrupção e a fragilidade humana.
O que retiramos desta história é que as pessoas não são necessariamente boas ou más. Temos aqui personagens complexas, com virtudes, defeitos e contradições e isso é muito nítido na personagem de Aimé Louzeau. A sua entrada na polícia representa o confronto entre a ingenuidade e a experiência, obrigando-o a descobrir que a realidade é muito mais complicada do que inicialmente imaginava. Conforme o tempo vai passando, o contexto histórico envolvente torna-se cada vez mais pesado e a guerra altera profundamente o percurso e as intenções do protagonista.
Se ao início pensávamos estar perante uma narrativa policial, o nosso entendimento dá-se conta de que a história se transformou numa reflexão sobre as escolhas de cada um e o impacto que os acontecimentos históricos podem ter na vida das pessoas.
Não é a nossa obra preferida da dupla, talvez por ser menos leve e poética que as anteriores, mas A Brigada de Costumes destaca-se pela capacidade de combinar entretenimento, contexto histórico e reflexão social, comprovando como o humor pode coexistir com temas difíceis.





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