Foi com um livro singelo, delicado e poético que Helena Sá se deu a conhecer ao mundo da banda desenhada, tendo sido distinguida com esta obra "A Solidão do Ser", com o Prémio Revelação Maia BD. A edição é d' A Seita.
Estamos perante uma história não muito grande, que se lê num ápice, pois vive muito mais pela imagem do que pelo texto. Um livro que retrata a solidão de um homem ou até do Homem, nos dias de hoje, de como mesmo num mundo cheio de gente e de estímulos, uma pessoa se pode sentir só.
Helena tem um traço elegante, que acompanha na perfeição a narrativa. Tudo tratado com uma enorme sensibilidade. As pranchas são a preto e branco, com apontamentos a amarelo, que dão destaque e vida a certos pormenores. A utilização do amarelo tem uma razão especial, como nos podemos aperceber a quem a autora dedica esta obra.
Sem nos alongarmos muito nesta nossa apreciação, podemos dizer que o trabalho desta jovem autora é promissor e que aguardamos por mais obras da sua autoria. Helena Sá é uma jovem artista visual que frequenta actualmente o mestrado de Ilustração, Edição e Impressão na FBAUP, e que explora a arte em diversas linguagens. Procura conjugar as suas grandes paixões, cinema e ilustração, com o objectivo de contar histórias e ajudar outras pessoas a contá-las para o mundo, incluindo em banda desenhada.
Apenas ainda uma curiosidade. O livro tem uma aparência artesanal o que lhe confere muita originalidade. A capa e a contracapa são de cartão muito grosso e não tem lombada com o título. Vemos os cadernos do livro cosidos e colados. Estes pormenores distinguem-no dos outros livros, podendo apenas desagradar a quem gosta de ter os livros ordenados na estante por ordem alfabética ou outra ordem.


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