sábado, 7 de fevereiro de 2026

A nossa leitura de "O Atendimento Geral", de Paulo J. Mendes - edição Escorpião Azul


Somos fãs do Paulo J. Mendes, do seu sentido de humor e capacidade de observação, transpostos para os seus livros. "O Penteador" e "Elviro" já nos tinham proporcionado muito bons momentos e o mesmo aconteceu com este "O Atendimento Geral". A escolha dos nomes das localidades, das personagens, das actividades e das profissões absurdas, é tão bizarra quanto divertida e inteligente. Com o inverosímil, Paulo J. Mendes consegue com simplicidade e brilhantismo, brincar e criticar variados aspectos da nossa sociedade e da humanidade. Está cá tudo.

Relembramos a sinopse: 

A história centra-se num tímido escriturário que vê a sua vida virada do avesso ao ser encarregado de abrir uma sucursal em certa vila do interior. A mesma onde, na infância e na juventude, passava férias na quinta de uma tia até ao derradeiro ano em que algo corre mal e aquela lhe põe as malas à porta. De regresso forçado após três décadas a um meio pequeno e fechado que já não reconhece, irá defrontar amigos tornados inimigos, a elite local que o hostiliza, insaciáveis apetites imobiliários e a pressão para obter resultados que não consegue, enquanto se deixa capturar por um ressuscitado apego à velha casa, memórias e cultivos ancestrais. Pelo caminho, o reacender de uma antiga paixão estival acarreta outro factor jamais superado: Um total estado de paralisia que o atinge sempre que se envolve fisicamente com alguém...

Estamos perante uma personagem peculiar, o Lombinhos, de uma timidez doentia, que o impede de ser feliz com as mulheres e por vezes de se afirmar perante terceiros. No entanto, é um trabalhador sério e confiável e é por isso que o patrão lhe confia uma tarefa difícil. A história leva-o à vila de Valhamaçanta, uma localidade sua conhecida e onde vai reencontrar o amor da sua adolescência e um velho amigo (será mesmo amigo). A partir daí desenrola-se um conjunto de peripécias, onde o Lombinhos se vai ver muitas vezes em apuros e a tomar contacto com actividades e profissões que não existem mas que são uma paródia a muitas que existem na realidade. A burocracia, a especulação imobiliária, o desrespeito pela natureza, a corrupção e o compadrio, o machismo, as modernas modalidades desportivas, o tempo perdido em reuniões de negócios que não servem para nada, as questões económicas, a agricultura biológica e por aí fora. Tudo é parodiado de uma forma que não nos deixa margens de dúvidas: queremos mais obras destas, queremos que o Paulo J. Mendes continue a produzir estas pérolas repletas de portugalidade, que nos divertem a cada página. A compor o ramalhete, os seus desenhos caricaturais, cheios de pormenores, que nos levam a viajar por localidades que nos faz ter a sensação de que já lá estivemos.


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