Este é o oitavo e último volume da colecção Angoulême, editada pela Devir, e não poderia ter fechado de melhor maneira. Kiki de Montparnasse, da autoria de Catel e Bocquet, foi premiado em 2008, no Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême e é justíssima essa distinção.
Por aqui já tínhamos livro dois livros dos mesmos autores Catel (ilustradora) e José-Louis Bocquet (argumentista) e foi com especial agrado que nos lançámos na leitura de uma obra sua em português. Mostramos aqui as capas dos que já lemos em francês. São igualmente duas biografias de grandes mulheres, mais concretamente Alice Guy (a primeira cineasta) e Anita Conti (a primeira oceanógrafa).
Voltemos a Kiki de Montparnasse, uma figura carismática dos início do século XX, uma artista de cabaret e pintora, famosa por frequentar os círculos boémios de Montparnasse, tendo privado com muitas figuras célebres ligadas às artes como: Chaim Soutine, Jean Cocteau, Amedeo Modigliani, Man Ray e Alexander Calder, entre muitos outros.
Kiki diferenciava-se das demais mulheres pois não tinha quaisquer pudores no que toca a relações sexuais. Pousou nua para inúmeros pintores, e relacionou-se sexual e amorosamente com quase todos, mas foi com Man Ray com quem esteve mais tempo e com que teve uma relação mais forte. Rompeu todo os padrões aceitáveis da altura, tornou-se uma musa, um chamariz, um encanto para muitos homens. Man Ray imortalizou-a numa das suas obras mais icónicas, mas ela própria também chegou a pintar e sua arte não era menor.
Catel Muller e José-Louis Bocquet conseguem aqui relatar toda a vida da carismática Kiki Montparnasse, desde o seu nascimento, infância numa aldeia do interior, mudança e vida em Paris, até à sua morte prematura, uma vez que faleceu aos 52 anos. Fazem-no ao mesmo tempo com uma grande sensibilidade, simplicidade e algum sentido de humor.






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