Max Fridman 6 – Hiver 1938
Há cerca de 18 anos que não tínhamos notícias de Max Fridman e, há cerca de 8 anos que, tirando participações em coletivos, não tínhamos grandes notícias de Vittorio Giardino (o mesmo de Jonas Fink ou de Eva Miranda ou de Férias Fatais). Lembro-me de Giardino ter estado acompanhado da sua esposa no Festival da Amadora (na estação de metro), mas já quase não me lembro da publicação, em 2011 do início de Max Fridman, nos “Incontornáveis da Banda Desenhada”.
Pois é, o sensível e inteligente espião Max Fridman está de volta, numa aventura de mais de 160 páginas, em que se vê obrigado a abandonar o seu calmo retiro suíço, onde vive com a sua filha, para ir até Viena, tentar “extrair” os seus primos judeus, perseguidos pelo regime Nazi, sem conseguir visto de saída (e com dificuldades em obter um visto de entrada): Franz Meyer, o primo da mãe de Max, um conceituado médico e intelectual austríaco, a sua mulher que tem uma doença que a torna um potencial alvo dos Nazis, e dois dos seus filhos, não casados, Edmond e Myriam.
A relação passada e presente de Max com Myriam vai trazer um cariz romântico inesperado a esta BD que se inicia com as ameaças dos Nazis à Áustria e a sua posterior entrada em Viena e anexação do território, seguida da crescente perseguição aos judeus, com regras sucessivas e de pressão crescente. Max chega a Viena bastante mais tarde, mas a sua presença não passa despercebida a ninguém, com diferentes serviços secretos a tentar descobrir o porquê da sua presença no território, o porquê da sua relação com os Meyer, situação ainda agravada pela proximidade de um alto oficial alemão com Myriam.
O poder de antecipação de Max vai ser posto à prova, num contexto perigoso, em que a narrativa nos vai inspirando um nível de angústia cada vez maior, com a “armadilha” a fechar-se em torno das personagens principais. Valha-nos o “eu sei o que estou a fazer” de Max.
Uma aventura muito inteligente, bem construída, com muito detalhe, muita precisão contextual, muita tensão política, boa caracterização das personagens, excelente imagem de época, roupas, viaturas, ambientes, edifícios, tudo muito bem pensado. Um desenho realista muito elegante, cores cuidadas e que reforçam a credibilidade da narrativa. Muito bom, muito bom mesmo.
Editado pela Glénat em formato “romance gráfico”, ou seja, mais pequeno que o formato habitual franco-belga, esta edição acompanha a reedição dos tomos anteriores de Max Fridman, no mesmo formato. Muito recomendável, vale a pena a leitura. Um verdadeiro acontecimento, ao fim de 18 anos, e com Giardino quase a fazer os seus 80 anos!



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