Mostrar mensagens com a etiqueta JeanLouis Tripp. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta JeanLouis Tripp. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 28 de outubro de 2025

Os grandes vencedores dos Prémios de Banda Desenhada da Amadora 2025 foram...


Este fim de semana estivemos no Festival Amadora BD, como não podia deixar de ser. Claro que temos fotos e muito para vos mostrar, mas por agora o destaque vai para os vencedores dos Prémios de Banda Desenhada da Amadora (PBDA), que foram anunciados na cerimónia que decorreu no final da tarde de domingo, 26 de Outubro.

A cerimónia, que teve como apresentador Rui Alves de Sousa, da Antena 1 (programa Pranchas e Balões), realizou-se no Núcleo Central do Festival, no Parque da Liberdade e iniciou com a atribuição dos prémios do Concurso Municipal de Banda Desenhada da Amadora (diversos escalões).

Depois disso, começou o momento mais esperado do festival, o anúncio dos grandes vencedores dos PBDA, e à excepção de uma das categorias, pela primeira vez estamos em total sintonia com as escolhas do júri. 

Pelo quinto ano consecutivo, foi distinguido com um prémio pecuniário de € 5.000, a Melhor Banda Desenhada de Autor Português, que este ano foi atribuído a Luís Louro, pelo livro Os Filhos de Baba Yaga. Prémio mais do que justo! E outro grande vencedor da noite foi a extraordinária obra "O meu irmão", que arrecadou a vitória em duas categorias. Eis a lista completa:

Melhor Obra de Banda Desenhada de Autor Português - Os Filhos de Baba Yaga, de Luís Louro, das editoras A Seita e Arte de Autor

Melhor Obra Estrangeira de Banda Desenhada Editada em Português - O Meu Irmão, de JeanLouis Tripp, da editora Ala dos Livros

Melhor Edição Portuguesa de Banda Desenhada - O Meu Irmão, de JeanLouis Tripp, da editora Ala dos Livros

Prémio Revelação - Tales from Nevermore, de Pedro N. e Manuel Monteiro, da editora Ala dos Livros

Melhor Fanzine / Publicação Independente - Tuas Palavras Minhas, de Ana Margarida Matos (Centro de Língua Portuguesa Camões IP - Bruxelas / Bedeteca de Beja)

Foi atribuído o Troféu de Honra, a título póstumo, a Filipe Duarte Pina pela qualidade e relevância da sua obra para a banda desenhada nacional, destacando obras como BRK (com desenho de Filipe Andrade) ou a mais recente série Macho-Alfa (com desenho de Osvaldo Medina).

Houve ainda direito a uma Menção Honrosa na categoria Prémio Revelação atribuída à obra Borboleta de Madeleine Pereira, por esta se assumir como uma primeira obra de assinalável relevância, quer para a autora, quer para a banda desenhada portuguesa.

O júri da edição 2025 dos Prémios de Banda Desenhada da Amadora foi composto por três jurados – Hugo Pinto (Presidente do Júri e representante do Município da Amadora), crítico literário e especialista em banda desenhada, Paulo Monteiro, Presidente do Clube Português de Banda Desenhada e Rui Cartaxo, investigador e especialista em banda desenhada.









quinta-feira, 26 de junho de 2025

A nossa leitura de "O meu irmão", de JeanLouis Tripp - edição Ala dos Livros

 


Lemos a versão francesa em 2022 e agora tivemos o prazer da sua releitura, desta vez na língua portuguesa, em boa hora editada pela Ala dos Livros.

E o que dizer de novo sobre esta obra ímpar de JeanLouis Tripp? Vamos repetir-nos na análise feita há três anos.

Trata-se de um livro muito especial. Um romance gráfico intimista, contado na primeira pessoa. Nesta obra, Tripp conta a história real da sua família, a qual passou por uma situação dramática que mudou para sempre a vida de todos os seus elementos. Quando o autor tinha apenas 18 anos, o seu irmão mais novo, com apenas 11 anos, morreu num acidente de trânsito. E Jean Louis Tripp estava lá. De mão dada com ele.

Tudo aconteceu numa noite de Agosto de 1976, durante as férias da família. Estavam todos felizes descontraídos e num instante tudo mudou. Gilles, irmão de Jean Louis, foi ceifado por um carro. Transportado para o hospital, Gilles sucumbiu aos ferimentos algumas horas depois. Para Jean Louis, assombrado pela culpa, começa uma difícil jornada de luto.

45 anos depois, o autor quis contar a história e fá-lo com muita franqueza e sensibilidade, pondo a nu os seus sentimentos e a sua revolta, por perder um irmão cedo de mais. Revive cada momento do drama, recorrendo às lembranças e perspectivas de outros membros da família. Este livro é a sua catarse, ao expor-se desta forma e ao assumir como este acontecimento brutal mudou a sua vida e o relacionamento entre os seus familiares.

A história foi novamente lida de um só fôlego e voltámos a comover-nos como se fosse da primeira vez. Avassaladora do ponto de vista emocional, deixa-nos os olhos marejados de lágrimas, com um nó na garganta e o estômago embrulhado. A perda de um ente querido é traumática, ainda para mais tratando-se de uma criança, e de um acontecimento trágico como foi o caso.  A morte é um instante e de um momento para o outro a vida de quem fica é virada do avesso. Se alguma coisa podemos tirar deste tipo de relatos é de que devemos aproveitar cada dia da melhor forma possível.

"Le petit frère" é uma obra magistral do autor, contada e desenhada de uma forma extraordinária. Como se não bastasse já toda a emotividade da história, Tripp consegue, através dos seus desenhos (quase sempre num tom aproximado do sépia, mas pontuados a cor) transpor todo o desespero, tristeza, raiva, revolta que sentiu, assim como os restantes membros da família. A expressão para lá da tristeza profunda do pai, é qualquer coisa que não esqueceremos.










terça-feira, 27 de maio de 2025

A nossa leitura de "Un père", de JeanLouis Tripp - edição Casterman


Quase na mesma altura que saiu em Portugal "O meu irmão", editado pela Ala dos Livros, saiu em França, pela Casterman, "Un père", mais uma obra prima de JeanLouis Tripp, novamente uma novela gráfica autobiográfica. 

Tivemos o privilégio de a ler antes mesmo de sair em França e a experiência foi, tal como o livro anterior, extremamente emotiva. O autor começou a escrever esta obra, quando a sua meia-irmã, ao ler "Le petit frère" (O meu irmão, versão portuguesa), ter ficado impressionada com a forma como o autor conseguiu desenhar o olhar triste do seu pai e lhe confessou nunca ter visto o seu pai de outra forma. E então JeanLouis Tripp pôs mãos à obra e mergulhou profundamente na relação complexa que teve com o pai e com isso recuou no tempo.

A história começa na infância de Tripp, quando ele ainda não tinha irmãos e sendo filho único, tinha o amor exclusivo do seu pai e uma excelente relação com ele. Depois nasceram os seus irmãos e a fase de ouro terminou, também porque a relação dos seus pais se tornou muito conflituosa, acabando por se separar uns anos mais tarde.

O clima de tensão vivido em casa veio aumentar muito o desejo de independência que sempre teve e por isso, foi cedo que JeanLouis Tripp saiu de casa. Essa distância, a separação dos pais e as questões de diferenças entre gerações ditou uma distância cada vez maior e o fosso enorme que se cavou na relação paterna.

É uma novela gráfica muito introspectiva e muito comovente, que explora temas como a infância, a família, os conflitos e a reconciliação, mas, acima de tudo, do profundo amor que nunca deixou de existir entre o pai e o filho mais velho.

Tal como em "Le petit frère", esta obra caracteriza-se pelo estilo de desenho muito expressivo, onde podemos sentir todas as emoções de cada uma das personagens. Como parte integrante do estilo visual de Tripp, aqui ele tem variações na paleta de cores para dar destaque a certos pormenores ou para acentuar mudanças emocionais ou situações críticas.

Um livro que novamente mexeu com as nossas emoções, profundamente comovente e em alguns casos também divertido, que para além de nos dar a conhecer melhor a vida do autor, também nos faz reflectir sobre as nossas relações familiares.




Conclusão

"Un père" é uma obra sensível e poderosa que oferece uma visão honesta e tocante sobre a relação entre pai e filho. Jean-Louis Tripp convida o leitor a uma jornada de introspecção, explorando as complexidades dos laços familiares e a busca por compreensão e reconciliação. Para aqueles interessados em narrativas autobiográficas e na exploração das emoções humanas através da arte gráfica, "Un père" é uma leitura essencial.



sábado, 17 de maio de 2025

Novidade: Finalmente chega a tão esperada versão portuguesa da obra prima de JeanLouis Tripp - O meu irmão


É seguramente dos livros mais desejados do ano para fãs de banda desenhada e não é para menos. Lemos, há dois anos, a versão francesa de "Le petit frère", de JeanLouis Tripp e podemos já relembrar que a história (verídica) é avassaladora do ponto de vista emocional. A Ala dos Livros lança agora a versão portuguesa, com o título "O meu irmão" e avisamos já que é preciso fazer esta leitura com lenços de papel a acompanhar. Só a título de curiosidade, terminámos esta semana a leitura do novo livro do mesmo autor, "Un père", que vem um pouco no seguimento deste que aqui falamos. São duas verdadeiras obras primas que não devem perder.

Mas vamos então à sinopse do livro "O meu irmão":

«Não se morre a meio das férias de Verão, quando se tem onze anos e meio.»

A 5 de agosto de 1976, na Bretanha, durante uma viagem nas férias de Verão da família, um condutor atropelou o irmão mais novo de JeanLouis Tripp e fugiu. Gilles não tinha ainda doze anos e não sobreviveria ao acidente. O autor volta atrás no tempo, desde aquele instante em que a sua vida e a dos seus familiares mudou completamente. Ao reconstituir as suas memórias, explora as emoções pessoais provocadas por este drama comovente e testemunha, através desta sua odisseia, a dor e a sua busca por apaziguamento.

A edição portuguesa, agora publicada pela Ala dos Livros, inclui um caderno adicional com o relato do autor, na primeira pessoa, das suas memórias do trágico episódio e do processo de realização de um livro comovente e impressionante que consegue marcar e tocar o leitor.