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sábado, 17 de maio de 2025

Novidade: Finalmente chega a tão esperada versão portuguesa da obra prima de JeanLouis Tripp - O meu irmão


É seguramente dos livros mais desejados do ano para fãs de banda desenhada e não é para menos. Lemos, há dois anos, a versão francesa de "Le petit frère", de JeanLouis Tripp e podemos já relembrar que a história (verídica) é avassaladora do ponto de vista emocional. A Ala dos Livros lança agora a versão portuguesa, com o título "O meu irmão" e avisamos já que é preciso fazer esta leitura com lenços de papel a acompanhar. Só a título de curiosidade, terminámos esta semana a leitura do novo livro do mesmo autor, "Un père", que vem um pouco no seguimento deste que aqui falamos. São duas verdadeiras obras primas que não devem perder.

Mas vamos então à sinopse do livro "O meu irmão":

«Não se morre a meio das férias de Verão, quando se tem onze anos e meio.»

A 5 de agosto de 1976, na Bretanha, durante uma viagem nas férias de Verão da família, um condutor atropelou o irmão mais novo de JeanLouis Tripp e fugiu. Gilles não tinha ainda doze anos e não sobreviveria ao acidente. O autor volta atrás no tempo, desde aquele instante em que a sua vida e a dos seus familiares mudou completamente. Ao reconstituir as suas memórias, explora as emoções pessoais provocadas por este drama comovente e testemunha, através desta sua odisseia, a dor e a sua busca por apaziguamento.

A edição portuguesa, agora publicada pela Ala dos Livros, inclui um caderno adicional com o relato do autor, na primeira pessoa, das suas memórias do trágico episódio e do processo de realização de um livro comovente e impressionante que consegue marcar e tocar o leitor.








quinta-feira, 15 de maio de 2025

Três novidades da Ala dos Livros, entre eles o tão desejado "O meu irmão", de JeanLouis Tripp

Com dois festivais de BD a acontecerem em breve (Maia e Beja) e com a Feira do Livro também a passos largos de abrir as portas, as editoras apresentam muitas novidades por esta altura. É o caso da Ala dos Livros que tem mais três títulos a chegar:

O meu irmão - uma obra prima de JeanLouis Tripp, cuja versão francesa já lemos e que recomendamos vivamente (leiam com lenços de papel ao vosso alcance);

Tales from nevermore - um livro de Manuel Monteiro e Pedro N. , sobre o qual temos muita curiosidade, depois de termos assistido à sua apresentação no Coimbra BD;

CoBrA - Operação Conacri - Tomo 2, com argumento de Marco Calhorda e desenhos de Osvaldo Medina.

Claro está que iremos dar destaque individualmente a cada um destes livros nos próximos dias.






segunda-feira, 12 de maio de 2025

Novidade Casterman: "Un père", a nova obra-prima introspectiva de JeanLouis Tripp é lançada esta semana


 

Sai esta quarta-feira em França mais uma obra emocionante de JeanLouis Tripp. Depois da elevada fasquia com "Le petit frère" (cuja versão portuguesa se espera em breve através da Ala dos Livros), mal esperamos para ler este "Un père"

Durante alguns anos JeanLouis foi filho único e no início da sua infância tinha o amor exclusivo do seu pai. Mas com o nascimento dos seus irmãos, essa fase de ouro terminou e coincidiu com um período de relação conflituosa e de muitas discussões entre os seus pais. Esse clima de tensão vai exacerbar o desejo de independência do filho mais velho e vai influenciar as suas escolhas de vida.

Nesta nova novela gráfica introspectiva, JeanLouis tenta compreender o fosso que se cavou na sua relação paterna, apesar do amor profundo que existia entre pai e filho. 







sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

As boas vindas a 2025 na banda desenhada - parte 3

Não resistimos. São tantos e tão bons os votos de Feliz Ano Novo que fomos vendo nas redes sociais que temos que partilhar convosco mais esta leva de 10 fantásticas ilustrações.

Pela ordem de autoria ou proveniência:

François Boucq, JeanLouis Tripp, Éditions Dupuis, Les Humanoïdes Associés, Simon's Cat, Parc Spirou, Éditions Delcourt, François Ravard (para a cidade de Saint-Malo), Dawid e Robin Walter.










sexta-feira, 27 de maio de 2022

Já lemos o último álbum da série Armazém Central, que vai ser lançado amanhã no Festival de Beja


E eis-nos chegados ao fim desta maravilhosa história. Tendo em conta que amanhã, a convite da Arte de Autor, vamos apresentar o último álbum da série "Armazém Central", no Festival de Beja, já tivemos o privilégio de o ler. E se tivéssemos que o resumir em poucas palavras diríamos apenas "uma obra de arte". Não é um exagero da nossa parte, pois se já gostávamos desta série, temos que vos dizer que a série encerra com chave de ouro, pois este último álbum duplo, com o oitavo e nono capítulo, é sem dúvida o melhor de todos. 

Depois de Marie (1), Serge (2), Os homens (3), Confissões (4), Montreal (5), Ernest Latulippe (6) e Charleston (7), as últimas partes da história têm como títulos, "As mulheres" e "Notre-Dame-des-Lacs".

Começamos por relembrar que o primeiro volume se inicia em 1926, na aldeia de Notre-Dame-des-Lacs, no Quebeque, Canadá. Uma aldeia parada no tempo, retrógada, onde cada mudança era mal vista e tida como uma ameaça. No entanto, a morte de Félix Ducharme, dono do armazém e centro da pequena povoação, vai traduzir-se na ignição da transformação da aldeia. Este acontecimento vai ditar várias alterações ao dia a dia de todos e quando a jovem viúva Marie decide tomar as rédeas do negócio e ter a coragem de conduzir o velho camião do marido, a sua atitude por um lado é um alívio para a gente da aldeia, por verem garantido o fornecimento de bens necessários, mas por outro vai ser alvo de comentários desdenhosos pelas alcoviteiras, tendo em conta que não era comum uma mulher conduzir nos anos 20. Outros acontecimentos, como a mudança do padre, em que o actual é muito mais moderno e liberal e a chegada de um forasteiro, que por ali vai permanecer, são mais duas peças fundamentais para a metamorfose da aldeia.

A cada álbum que fomos lendo, fomos notando a mudança a acontecer naquela aldeia e com cada uma das personagens. Mas neste último, é que nos damos conta que Notre-Dame-des-Lacs (passados dois anos na história) já não é a mesma aldeia que conhecemos no primeiro capítulo e foi virada de pernas para o ar. Agora é que apercebemos que se deu uma metamorfose e que os personagens conheceram enfim a liberdade e a felicidade. Ou melhor, aprenderam que cada pessoa pode lutar por aquilo que a faz feliz. E ainda, no nosso caso, apenas neste último nos damos conta da importância do narrador da história e na própria mudança que vai acontecer no seu discurso, que no fundo se funde com a alma da aldeia, sendo ele próprio uma alma, o falecido Félix.

Que bela lição e que bela mensagem nos são dadas pelos autores. Toda a história é um hino à tolerância, à liberdade e ao amor. No ser humano há sempre uma tendência para julgar quem pensa ou age de forma diferente e esta série leva seguramente o leitor a reflectir sobre estas matérias. Régis Loisel e Jean-Louis Tripp dedicaram vários anos ao "Armazém Central" e conseguiram, com talento e inteligência, oferecer-nos uma história fantástica que nos fala sem pudor da tristeza, da insegurança, da coragem, do preconceito, da inveja, da igualdade, do amor, da emancipação feminina, da velhice e da aceitação.

Neste livro, mais do que nenhum outro da série, percebemos que todos podemos ser felizes, quer estejamos mais gordos, quer sejamos mais baixos, quer já não sejamos novos, no fundo, que a felicidade está ao alcance de todos, independentemente do que quer que seja.

Uma palavra para o trabalho a quatro mãos dos autores. Tanto ao nível do argumento como do desenho. Uma dupla fantástica! Inicialmente haviam previsto que a série seria apenas de três livros e afinal o curso da história levou-os mais além. Os desenhos, que são começados por Loisel e concluídos por Tripp, transbordam de ternura e expressividade e ajudam a que toda a história seja absolutamente comovente.

Este último volume é enriquecido com um bónus extraordinário, sob a forma de créditos finais, tratado como um álbum de fotografias reunindo todos os actores desta inesquecível e tão cativante tribo e dando-nos a conhecer o que aconteceu nos anos seguintes ao final da história. 

Sem mais demoras, aqui fica a sinopse dos dois capítulos:

As mulheres

Novamente Inverno. Depois do Charleston, trazido de Montreal por Marie, ter varrido Notre-Dame-des-Lacs como uma fúria, os homens regressaram finalmente à floresta para trabalhar durante toda a estação fria. A calma pode finalmente regressar à aldeia. Mas nada diz que será por muito tempo... Porque Marie, depois de ter partilhado a sua cama com Ernest e o seu irmão Mathurin, descobre que está grávida, sem saber realmente quem é o pai - ela que sempre se achou estéril! Entretanto, Réjean, o jovem padre da aldeia, refugiou-se em casa de Noël, está tão perturbado pelas suas questões íntimas e existenciais que já não é capaz de desempenhar o seu serviço religioso. Os fanáticos da aldeia entram em pânico! Até se fala em ir ao bispo! Aonde é que tudo isto vai levar? Acabou-se o presidente da câmara, acabaram-se os sacerdotes, as danças selvagens, os amantes que vivem em pecado e os filhos sem pai... Não será isto simplesmente o sinal de uma maldição desencadeada em Notre-Dame-des-Lacs?

Notre-Dame-des-Lacs

Já não há presidente da câmara em Notre-Dame-des-Lacs, quase não há padre, Marie grávida de um pai que ninguém conhece, e as mulheres da aldeia num frenesim de compras como nunca antes se viu... O mundo foi para o inferno, lá em baixo na zona rural do Quebeque? É este o trabalho do diabo, o início do fim?

Não, claro que não, porque o que permeia cada imagem, cada cena, cada diálogo e cada personagem neste espectacular desfecho sob a forma de uma apoteose alegre é a felicidade! Loisel e Tripp tiveram obviamente um grande prazer em concretizar o destino de cada um dos protagonistas desta história com um humor irresistível, ao longo de alguns meses em 1928, quando passamos da neve profunda para o calor do Verão, tendo como pano de fundo o regresso dos homens da sua campanha. Aprendemos, entre muitas outras surpresas, o que acontece ao barco do velho Noël, o que atormentou tanto o jovem padre Réjean, ou o que esteve por detrás da inesperada gravidez de Marie... E a aldeia de Notre-Dame-des-Lacs, no final deste final febril, celebrado como deveria ser por uma grande fogueira do Dia de Verão, entra por sua vez na modernidade.










sexta-feira, 20 de maio de 2022

A uma semana do Festival de Beja

De hoje a uma semana, o XVII Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja abre as suas portas e estará aberto ao público até dia 12 de Junho. Como já vem sendo tradição, é no primeiro fim de semana que ali se reúne a maioria dos autores convidados, presentes e disponíveis para autógrafos juntos dos seus fãs portugueses.

A par das exposições e das corridas aos autógrafos, há sempre uma vasta programação que inclui conversas com os autores e apresentações de livros e, no que toca a apresentações de novos álbuns, para já destacamos estes três: o álbum duplo de "Armazém Central", da Arte de Autor, que representa o final da série (está prevista a presença de Jean Louis Tripp); "Cicatriz", da Escorpião Azul (está prevista a participação dos autores Andrea Ferraris e Renato Chiocca) e "Dante", a mais recente obra de Luís Louro, editada pela Ala dos Livros (o autor estará também presente).

Nós lá estaremos e continuaremos a contar-vos mais detalhes.





terça-feira, 10 de maio de 2022

Novidade: Antes de estar presente em Beja no final do mês, a nossa leitura do último livro de Jean Louis Tripp - "Le petit frère" - Edição Casterman

Acabámos de ler esta novidade da Casterman, cujo lançamento, em França, acontece amanhã. O autor, Jean Louis Tripp, conhecido entre nós principalmente pela série Armazém Central, que tem vindo a ser publicada pela Arte de Autor, estará no nosso país dentro de poucos dias, por ocasião do Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja.

Mas voltemos ao livro, o qual esperamos vir a ser editado por cá. Trata-se de um livro muito especial. Um romance gráfico intimista, contado na primeira pessoa. Nesta obra, Tripp conta a história real da sua família, a qual passou por uma situação dramática que mudou para sempre a vida de todos os seus elementos. Quando o autor tinha apenas 18 anos, o seu irmão mais novo, com apenas 11 anos, morreu num acidente de trânsito. E Jean Louis Tripp estava lá.

Tudo aconteceu numa noite de Agosto de 1976, durante as férias da família. Estavam todos felizes descontraídos e num instante tudo mudou. Gilles, irmão de Jean Louis, foi ceifado por um carro. Transportado para o hospital, Gilles sucumbiu aos ferimentos algumas horas depois. Para Jean Louis, assombrado pela culpa, começa uma difícil jornada de luto.

45 anos depois, o autor quis contar a história e fá-lo com muita franqueza e sensibilidade, pondo a nu os seus sentimentos e a sua revolta, por perder um irmão cedo de mais. Revive cada momento do drama, recorrendo às lembranças e perspectivas de outros membros da família. Este livro é a sua catarse, ao expor-se desta forma e ao assumir como este acontecimento brutal mudou a sua vida e o relacionamento entre os seus familiares.

A história foi lida de um só fôlego. Dramática e comovente, deixa-nos os olhos cheios de lágrimas e um nó no estômago. A perda de um ente querido é traumática, ainda para mais tratando-se de uma criança, e de um acontecimento trágico como foi o caso.  A morte é um instante e de um momento para o outro a vida de quem fica é virada do avesso. Se alguma coisa podemos tirar deste tipo de relatos é de que devemos aproveitar cada dia da melhor forma possível.

"Le petit frère" é uma obra magistral do autor, contada e desenhada de uma forma extraordinária. Como se não bastasse já toda a emotividade da história, Tripp consegue, através dos seus desenhos (quase sempre num tom aproximado do sépia, mas pontuados a cor) transpor todo o desespero, tristeza, raiva, revolta que sentiu, assim como os restantes membros da família.

As razões para agora ter decidido contar esta história, são explicadas pelo autor no final do livro, mas não adiantamos mais nada, ficando à espera que este livro chegue um dia a Portugal (alô Arte de Autor!)







segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

A nossa leitura de "Armazém Central" - histórias 6 e 7

 


Estava em falta e foi uma das primeiras leituras de 2022, o álbum duplo da série Armazém Central, com as histórias 6 e 7, intituladas Ernest Latulippe e Charleston.

Esta é uma série da qual somos fãs. O excelente argumento e os lindíssimos desenhos, com ambiente bucólico que retratam o campo e a aldeia, agarram-nos à história de uma tal maneira, que agora, chegados à última página, ansiamos pelo próximo volume, que esperamos ver editado ainda este ano pela Arte de Autor.

Neste duplo álbum assistimos à transformação de Marie, a grande protagonista. E que transformação! De tímida e submissa, passamos a ver uma mulher a tentar encontrar o seu caminho para a felicidade, com vontade própria, com garra, mais bem resolvida, mais madura e sem medo de confrontar os mexericos e as alcoviteiras de serviço. O crescimento interior, o amadurecimento da personagem é bastante interessante, uma vez que acaba por ter também reflexo em outras figuras da história e ter, aos poucos, um poder transformador em toda a aldeia.

A maneira inteligente como os autores Loisel e Tripp afloram questões com o o preconceito, a inveja, a resistência à mudança, a insegurança e a coragem, transforma-se numa lição para todos nós. No ser humano há sempre uma tendência para julgar quem pensa ou age de forma diferente e esta série leva seguramente o leitor a reflectir sobre estas matérias.

As sinopses das duas histórias:

ERNESTE LATULIPPE

Na ausência de Marie, que ninguém sabe se e quando ela voltará de Montreal, Serge tomou a decisão de cuidar de seus negócios a partir de agora. É necessário abastecer Notre-Dame-des-Lacs, que carece de tudo desde que seu Armazém geral caiu em desuso. Infelizmente, não é tão simples. Os fornecedores de Saint-Simon, que só confiavam em Marie, recusam-se a dar crédito a Serge. A tensão aumenta na aldeia, dividida em dois grupos: aqueles que sentem saudades de Marie (especialmente os homens) e aqueles que estão felizes por ela ter partido (especialmente as mulheres), não a perdoando por ter "cometido um erro".

Enquanto isso, Marie diverte-se loucamente em Montreal, sai e multiplica os amantes. Mas ela tem saudades da aldeia ...

CHARLESTON

Nada corre bem em Notre-Dame-des-Lacs! Desde o regresso de Marie e Jacinthe de Montreal, um novo vento sopra na aldeia: as moças da aldeia aproveitam os lindos tecidos trazidos para fazer novos vestidos, os homens ensaiam o Charleston e as velhas, claro, estão escandalizadas. Marie, por sua vez, aproveita mais do que nunca a sua viuvez. É hora de colocar as coisas em ordem! Excepto... quando o padre propõe eleger um novo presidente, ninguém quer concorrer!