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quarta-feira, 13 de maio de 2026

A opinião de Miguel Cruz sobre "Em redes", de Caillat e Xico Santos

 


Em Redes

Há relativamente pouco tempo, num pequeno festival, passei pela banca e adquiri uma pequena BD da Escorpião Azul, cujo título “Em Redes” sobre a imagem de um homem de pés na beira da água e um barco ancorado a curta distância me pareceu interessante. 

Os autores Audrey Caillat e Xico Santos não me são desconhecidos, mas são ambos autores de presenças em “curtas” (e Xico Santos dos Clássicos da Literatura em BD). 

A obra é integralmente a preto e branco, pequeno formato, cerca de 120 páginas. Quando li, verifiquei que se trata de um trabalho editado em 2024, mas o que é certo é que só dei por ela agora. O que interessa, efetivamente, é que a leitura vale a pena, e que é uma injustiça poder passar despercebida.

A narrativa é muito bem organizada, inteligentemente conduzida, a história é simples, e personagens bem “tratadas”. O desenho é realista, elegante, trabalhado para os contrates de preto e branco, as personagens são facilmente identificáveis, e muitas páginas são passadas na cabeça da “sonhadora” personagem principal. Fácil de ler, compreensível e nostálgico.

Estamos na década de 80 e o tema é a ilha da Culatra na Ria Formosa e a decisão de eliminação das habitações “ilegais” no tempo de Carlos Pimenta no Ministério do Ambiente. Na ilha da Culatra, existe uma nuance adicional que marca a contestação e que tem a ver com a existência de hangares em parte da ilha, intocáveis, uma reminiscência dos anos 30/40 para acesso a aviões/hidroaviões franceses.

Na década de 40 um piloto francês de seu nome Jean é apreciado na ilha – onde vai ficar, aliás, a viver. Rafael é filho de um pescador, e vai-se ligar de amizade (improvável) com o aviador.

Cerca de 40 anos mais tarde, essa amizade vai ressurgir, e o apoio de Rafael vai ser essencial no período conturbado da vida de Jean e da sua família.


domingo, 10 de novembro de 2024

Novidades: os três novos livros da Escorpião Azul, com destaque para o livro "O Atendimento Geral", de Paulo J. Mendes

Estes foram os três novos livros editados no Amadora BD pela Escorpião Azul, dos quais destacamos dois de que gostamos muito dos autores e dos desenhos, Paulo J. Mendes e Andrea Ferraris, com O Atendimento Geral e A Língua do Diabo respectivamente. A terceira novidade foi Em Redes da autoria de Audrey Caillat e Xico Santos.

Mas o nosso destaque vai mesmo para o terceiro livro de Paulo J. Mendes, que depois de O Penteador e Elviro nos apresenta agora O Atendimento Geral, e que aqui deixamos a sinopse, a capa e uma prancha do seu interior.

A sinopse: O Atendimento Geral

Um tímido escriturário vê a sua vida virada do avesso ao ser encarregado de abrir uma sucursal em certa vila do interior. A mesma onde, na infância e na juventude, passava férias na quinta de uma tia até ao derradeiro ano em que algo corre mal e aquela lhe põe as malas à porta. De regresso forçado após três décadas a um meio pequeno e fechado que já não reconhece, irá defrontar amigos tornados inimigos, a elite local que o hostiliza, insaciáveis apetites imobiliários e a pressão para obter resultados que não consegue, enquanto se deixa capturar por um ressuscitado apego à velha casa, memórias e cultivos ancestrais. Pelo caminho, o reacender de uma antiga paixão estival acarreta outro factor jamais superado: Um total estado de paralisia que o atinge sempre que se envolve fisicamente com alguém...