domingo, 10 de maio de 2026

Novidade Documenta: Caricaturas de Maria Picassó - trabalhos em exposição na Cartoon Xira

 


Como acontece todos os anos, a Cartoon Xira, a par dos cartoons do ano, tem sempre uma exposição paralela dedicada à obra de um artista internacional. Desta vez foi dedicada à obra de Maria Picassó e às suas caricaturas. Podemos já dizer que as suas caricaturas são incríveis e que vale a pena irem ver.

Portanto este livro foi publicado por ocasião da Cartoon Xira 2026, realizada no Celeiro da Patriarcal, em Vila Franca de Xira, que está a decorrer desde 7 de Março e vai até 31 de Maio de 2026. A edição é da Documenta - Sistema Solar. 

Aqui ficam também algumas das suas imagens da exposição.

Maria Picassó i Piquer, natural de Manresa, Catalunha, formou-se em Arquitetura, mas é como caricaturista e ilustradora que tem vindo a destacar-se no panorama cultural, distinguindo-se pelo seu traço minimalista, que combina com formas geométricas, com gradação de cores vivas.

[Fernando Paulo Ferreira]

Jaume Capdevila: «O seu olhar perspicaz e profundamente feminino é capaz de captar a essência das personagens e reproduzi-la num traço mínimo.»

A caricatura é uma disciplina artística particularmente complexa e difícil. Em termos formais, é essencialmente um retrato, uma tentativa de captar a essência de um rosto humano. Mas desde as suas origens no Renascimento italiano até à era digital, a caricatura desafiou a nossa compreensão do que constitui um bom retrato, porque, ao contrário do realismo fotográfico ou da fidelidade mimética, a caricatura opera através do exagero, da simplificação e da síntese. E, no entanto — paradoxalmente —, pode resultar numa imagem que capta o sujeito de uma forma mais profunda e reconhecível do que uma representação literal. Em essência, a caricatura consegue o impossível: é um super-retrato, uma imagem distorcida que, contra toda a lógica, se assemelha mais à pessoa do que a própria realidade.

Perante a singularidade de um rosto, o caricaturista pode fazer magia. Ele não está sujeito à obrigação de desenhar o que vê ou o que existe no rosto. A única obrigação do caricaturista é encontrar a semelhança. Em vez de copiar cada traço característico, ele identifica o que torna cada rosto único e amplifica-o. Exagera tudo o que é significativo e reduz ou elimina os detalhes menos relevantes. Em suma, procura tudo o que desvia o rosto de uma norma — seja um ideal de beleza, um rosto mediano ou um padrão cultural — e exagera esses desvios.

[Jaume Capdevila]



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