segunda-feira, 31 de agosto de 2026

A nossa leitura do sexto e sétimo volumes de Monster, de Naoki Urasawa - edição Devir

 


Juntámos dois volumes para ler de seguida, esta série de leitura viciante: "Monster", de Naoki Urasawa, editada em Portugal pela Devir. Agora aguardamos ansiosamente pelos últimos dois volumes.

Estes dois volumes, tal como os anteriores são de leitura compulsiva e trazem muitos novos pontos de interesse e marcam uma nova fase, porque sentimos que deixou de ser apenas uma investigação e caça ao homem, tanto no que toca à procura de Johan como a perseguição ao Dr. Tenma, mas passou também a explorar de uma forma mais directa, a origem do trauma, a construção da identidade e a relação entre memórias e violência. A busca dessa relação com o passado leva-nos a questionar se Johan é um monstro por natureza ou se foi transformado num monstro pelas experiências a que foi submetido. 

Nestes dois volumes há aspectos muito relevantes a considerar:

Nina começa progressivamente a recordar-se de elementos relacionados com a sua infância. Mas as memórias aparecem ainda fragmentadas, deslocadas e associadas a emoções extremamente fortes.

O livro infantil "Monstro Sem Nome", que era um elemento relacionado com a infância de Johan, passa a funcionar como uma pista, uma peça chave simbólica, que nos leva conhecer mais um pouco sobre a sua personalidade, leva-nos a outras personagens e também à Mansão da Rosa Vermelha. 

A descoberta da Mansão da Rosa Vermelha tem muito que se lhe diga, pois de alguma forma tem uma ligação a várias personagens e pode dar algumas respostas.

Há duas personagens nestes dois volumes, que não gostamos, mas que vão novamente ter um papel importante. Falamos de Eva, ex noiva de Dr Tenma, que possui informações que poderiam ajudá-lo, mas o seu ressentimento impede-a de agir e de Lunge, o arrogante  investigador policial. Quanto a este último, embora seja uma personagem odiosa, a verdade é que ele acaba por representar o raciocínio lógico e tenta montar o puzzle das muitas peças que existem soltas. Quando ele entra na Mansão da Rosa Vermelha, vai juntar mais algumas peças.

E mais não adiantamos, para não vos estragar o prazer da leitura desta série magnífica, que se renova a cada página, não deixando que o leitor perca o interesse em nenhuma fase. O aparecimento de novas personagens ou o reaparecimento de algumas, traz sempre uma frescura e situações novas, dando azo a mais reviravoltas inesperadas.

A par do argumento, uma palavra para os incríveis desenhos, das personagens, mas especialmente belos nos cenários, nas paisagens quer de Praga, quer da Alemanha.








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