Estamos quase na reta final da série Crianças do Mar (Devir) com este quarto volume (a série é composta por cinco volumes).
Nesta quarta parte da história que temos vindo a seguir desde o seu início, a narrativa aprofunda-se claramente numa dimensão mais metafísica e simbólica, afastando‑se de uma leitura convencional de aventura. Sentimos que as fronteiras não estão bem definidas. A história flui e oscila entre a infância e a maturidade, entre o ser humano e a natureza, entre a ciência e a espiritualidade.
E o que dizer do mar? Neste volume sentimos que o mar deixa de ser apenas o cenário da acção. Ele assume-se como um ser vivo, dotado de consciência, misterioso, mas ligado à origem da vida e da humanidade.
O livro e a história continuam a ser belos, mas achámos este volume especialmente confuso, e para isso contribui o facto de haver muita fragmentação na narrativa. Os acontecimentos não têm um seguimento completamente linear e às tantas já não sabemos bem em que pé é que estamos. Mas se calhar é isso mesmo que o autor Daisuke Igarashi pretende, uma vez que a história se encontra um pouco dividida entre dois mundos e essa ambiguidade faz parte da experiência.
Visualmente, o desenho mantém-se expressivo e os ambientes marinhos, fluidos, contribuem para um certo tom contemplativo. Resumindo, este volume destaca-se por ser um pouco diferente dos anteriores, mais sensorial, levando-nos à ideia de que o passado do planeta e o futuro da humanidade estão profundamente ligados, e que, de alguma forma, a infância possui uma percepção privilegiada dessa ligação.




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