segunda-feira, 11 de maio de 2026

A opinião de Miguel Cruz sobre "Si je t’écris…", de Bodart & Zabus

Si je t’écris…

Se eu te escrevesse, é uma das BD mais bonitas e comoventes dos últimos tempos. Um desenho fantástico, realista, muito realista mesmo, uma perfeição nas expressões, nas posições, nos detalhes domésticos, nos ambientes, nas viaturas, na vida junto ao mar há uns 50 anos (nada que eu conheça, mas contaram-me, nada de confusões!?!).

Os autores, Denis Bodart no desenho e Vincent Zabus no argumento, “construíram” uma daquelas obras únicas, irrepetíveis, onde tudo bate certo: ambientes, personagens e personalidades, a relação com o trabalho, a alma humana, os sentimentos, a nostalgia do verão. Impecável.

Louis acaba de chegar a uma antiga casa de verão, à beira do mar (uma estrada entre a casa e a praia), que alugou com a sua mulher e com os seus dois filhos. Mal chegados, enquanto a sua família vai, naturalmente, tomar posse 7da casa alugada, Louis aproxima-se da praia, e mergulha nas memórias do passado. Ficamos a saber quer a casa é a mesma onde passou um verão com o seu pai e os seus tios, e onde celebrou o seu décimo aniversário. 

A relação com os seus amigos e a curiosidade da velha senhora que habitava a casa no topo da falésia, que os miúdos consideravam uma bruxa malvada que tinha contacto com os mortos. Louis, na passagem para os seus dez anos continua a ser particularmente vulnerável e marcado pela morte da sua mãe.

Uma caneta desajeitadamente oferecida pelo aniversário, uma tristeza natural, uma descoberta de como esse presente pode abrir os horizontes de um pequeno miúdo rodeado de amor familiar (desajeitado, é verdade, mas presente), mas marcado por uma enorme tristeza.

Não há muito mais que possa dizer sem estragar a magia da leitura. Eis uma daquelas obras pelas quais estou fortemente a torcer para que possa ser traduzida para a nossa língua. A capa, já agora, não apenas é representativa de um momento chave, como é, na minha opinião, belíssima. Forte recomendação, portanto.

Editado pela Dupuis.






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