Que bela surpresa foi esta leitura. Esta novela gráfica, editada pela Relógio d'Água, é uma adaptação do original "Um Feiticeiro de Terramar", de Ursula K. Le Guin. A adaptação esteve a cargo de Fred Fordham, que já conhecíamos de outras adaptações como "Admirável mundo novo", "O Grande Gatsby" e "Mataram a Cotovia".
E dizemos bela surpresa porque, não conhecendo o original, fomos cativados pela história, que nos remeteu para vários universos. Este "Um Feiticeiro de Terramar", tem um universo próprio, mas em momentos distintos fez-nos recordar um pouco Harry Potter, O Senhor dos Anéis ou A Guerra dos Tronos.
Estamos, portanto, perante uma reinterpretação visual de um clássico de fantasia que acompanha a história de Ged desde o seu nascimento. Ged é um jovem humilde, órfão de mãe, que vive com o seu pai, ferreiro de profissão. É dotado de grande poder mágico que ainda não sabe bem como controlar, nem tem bem a noção da sua capacidade. É num momento crítico em que salva a sua aldeia, que lhe é reconhecido poder e é enviado para aprender com os melhores.
Porém, ainda na fase da aprendizagem, sempre que Ged é movido por sentimentos como o orgulho ou a ambição, as coisas não lhe correm bem e há um dia que liberta uma sombra maligna que passa a persegui-lo.
A partir daí começa a sua aventura de tentar reparar o que fez de mal e arte numa viagem em que vamos assistir também ao seu crescimento interior. Na verdade o principal tema desta novela gráfica é o crescimento psicológico de Ged. É uma reflexão sobre identidade, equilíbrio interior e responsabilidade e acima de tudo de aceitação pessoal.
É uma obra muito bonita, filosófica e contemplativa, que a par da acção também tem pausas e silêncios que permitem ao leitor ter espaço para reflectir.
Do ponto de vista visual, acompanha bem essa beleza e a alternância entre momentos mais tensos e dramáticos, com momentos mais calmos, conseguindo, com a utilização da cor, bons contrastes entre a luz e a sombra. Não pudemos deixar de apreciar as paisagens vastas, que ajudam a intensificar a solidão e o isolamento do protagonista.





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