Sucre Noir
Interessante e surpreendente, esta adaptação de um romance de Miguel Bonnefoy, pelo duo Virginie Ollagnier (argumento adaptado) e Efa (Ricard Fernandez – desenho), editada pela Lombard.
Ao longo de cerca de 160 bonitas páginas, acompanhamos a história de Serena Otero, desde o século XIX, e passando o século, na sua amada fazenda na Venezuela, numa região onde a lenda do tesouro do pirata Henri Morgan atrai aventureiros e sonhadores.
A jovem Serena vive com os seus dedicados pais Ezekiel e Candelária, numa vida modesta e rural, lê tudo o que apanha pela frente, sonha com um grande amor romanesco e gere a quinta de família com mão de ferro.
Acaba por se casar com um jovem que aparece na quinta à procura do tesouro, uma figura que não se adapta às expectativas de Serena, com este desenvolve a produção de Rum e acaba por adotar um bebé, atribuindo-lhe o nome de Eva Fuego, afinal o bebé quase pereceu num fogo na quinta. O fogo vai, aliás, ter um papel simbólico muito grande nesta BD.
Com a morte de Sereno, Eva Fuego vai tomar conta da quinta, desenvolvê-la, adquirir outras quintas e tornar-se a figura dominante da região, nem sempre recorrendo a expedientes estritamente legais. A vila cresce com base nos trabalhadores contratados por Eva, mas toda a atividade económica é dominada por esta.
Com estes acontecimentos, acompanhamos a história de uma época, os altos e baixos da produção de rum, o surgimento da exploração de petróleo, as relações de negócios e, particularmente, a relação com grandes empresas americanas.
Um desenho detalhado, elegante, clássico realista, umas cores intensas, bem-adaptadas ao clima e carácter explosivo das personagens.
Uma obra que constitui uma boa adaptação, com muito de surpreendente, uma riqueza grande de mensagens e conteúdo. Uma surpresa editorial muito interessante, como referi, uma leitura que se recomenda.




Sem comentários:
Enviar um comentário