sábado, 23 de maio de 2026

A opinião de Miguel Cruz sobre "Un Espoir Sans Papiers", de Chabbert e Espé

 


Un Espoir Sans Papiers

A “esperança sem documentos” é um jovem sobrevivente de um barco de migrantes que se virou quase a chegar à costa de França, perto da pequena ilha de Aix. Ahmed é um jovem simpático, trabalhador, virado para o futuro, que se vai esconder numa cabana nos terrenos de Sidonie (Delahaute), uma idosa solitária que vive na esperança do retorno do seu filho Daniel.

Confundindo (por vezes) Ahmed com o seu filho Daniel, desaparecido quando igualmente jovem, Sidonie vai dar guarida ao jovem, vai-se apoiar nele e vai dar os primeiros passos na adaptação do jovem a França. 

Mesmo depois de ter sido “capturado” pela polícia e inserido num processo de inserção e legalização, Ahmed não se esquece da velha senhora que o acolheu, nem das suas “dores”. Jovem adaptado, trabalhador e não problemático, Ahmed não deixa de se desviar das regras e percursos traçados para poder estar com Sidonie.

Uma história muito simples, retrato de uma época, das dificuldades do processo migratório e da inserção na sociedade francesa, mas principalmente um relato humanista da relação entre um jovem perdido e desamparado e uma idosa solitária, doente e, particularmente, traumatizada pelo seu passado.

Da autoria de Ingrid Chabbert e com desenhos de Espé, esta é uma história curiosa, não convencional, com toques de “feel good”, um desenho semi-realista, redondinho, cores sempre escuras, alinhadas com o clima e com o teor da narrativa, com personagens bem marcantes, essencialmente pela sua bondade e humanismo, e que constitui um excelente momento de leitura, mesmo se “as chatices” e as “incertezas de futuro” são deixadas um pouco de lado.

Editado pela Dupuis, uma BD um pouco fora do que vem sendo o mainstream.




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