L’Escadron bleu, 1945
L’Escadron bleu, 1945 é um one shot publicado em 2026 pela Dupuis, integrado na prestigiada coleção Aire Libre, conhecida por acolher obras com rigor histórico, mesmo que romanceadas, e com um grafismo clássico, mas de qualidade visível.
A narrativa acompanha Madeleine Pauliac, médica pediatra e uma visível resistente francesa, que pouco após a libertação de Paris é enviada para Moscovo e Varsóvia como médico tenente das FFI (Forças Francesas de Resistência). A sua missão: organizar o repatriamento sanitário dos franceses libertados pelo exército russo e dos que permaneciam detidos na Polónia sob controlo soviético.
Madeleine acaba por liderar um grupo de enfermeiras cujo nome dá título a esta BD: o Esquadrão Azul. Para além de se tratar de uma página pouco conhecida da história pelo menos por mim e que tem a ver com a atuação de um grupo humanitário em pleno caos pós-guerra e de ocupação da Polónia, bem com a criação do hospital francês de Varsóvia dirigido por Madeleine, esta BD é naturalmente dominada e retrata bem o clima de tensão político que começa a desenvolver-se no final do esforço conjunto (razoavelmente conjunto) de combate ao inimigo comum. Para além das mais de 130 páginas desta BD, o dossier de 14 páginas incluído nesta edição é muito interessante e ajuda a conhecer a situação.
O prefácio desta BD é de Philippe Maynial, sobrinho de Madeleine Pauliac, e que escreveu sobre a história da sua familiar, passa uma mensagem de autenticidade histórica. Virginie Ollagnier, escritora e romancista, autora de uma outra obra de que aqui falei Sucre Noire tem-se especializado na pesquisa histórica e na capacidade de transformar uma base de documentário em narrativa emocionalmente envolvente e com fluidez, a juntar a uma mensagem de base de cariz humanista. O desenho ficou a cargo de Yan Le Pon, detentor de um traço clássico, detalhado, expressivo e documental. A sensação de necessidade e urgência de intervenção humanitária é, na minha opinião, muito difícil de transmitir no desenho, e o autor fá-lo com uma interessante sobriedade. O seu estilo combina realismo com uma paleta cromática contida, adequada ao ambiente do pós guerra. Anne Claire Thibaut Jouvray (um dos membros da família Jouvray) é a responsável por uma colorização subtil, que reforça o importante tom melancólico e austero da obra, num contexto onde as personagens se têm de mostrar contidas, subtis e muito diplomáticas.
É uma interessante narrativa, uma boa BD e, portanto, uma leitura informativa e com uma força emocional envolvente.




Sem comentários:
Enviar um comentário