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sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

A nossa leitura de "Manda msg qd chegares", de R.G.B. - edição Iguana


Manda msg qd chegares é a obra de estreia de R.G.B., uma autora portuguesa. Parece-nos mais um livro de ilustração do que de banda desenhada, mas na realidade pouco importa, o que interessa mesmo é a mensagem transmitida neste livro. 

Estamos perante uma obra contemporânea, com uma narrativa íntima, é uma espécie de enorme desabafo ou de um grito de revolta. De uma forma muito verdadeira, a autora faz aqui também uma espécie de homenagem às mulheres no geral e aos abusos que sofrem desde crianças. Estamos a falar de coisas que se calhar muitos homens vão achar que é um exagero, porque nunca se deram conta, nem nunca viveram na pele, as situações porque uma mulher passa ao longo da vida. Por exemplo, o medo, quase sempre presente quando as mulheres andam na rua à noite e os cuidados que têm que ter. Também pequenos gestos que as mulheres não podem ter, coisas que não podem fazer como os homens, sem serem mal interpretadas ou serem insultadas. Por exemplo, uma coçadela nos genitais é admissível por parte de um homem, mas já se for uma mulher a fazê-lo... Ou sentar-se de perna aberta, ou comer uma banana em público ou mostrar as pernas. E é aí que vem aquela observação absurda que tantas vezes ouvimos: "ela pôs-se a jeito" ou "ela provocou". E essa falta de liberdade feminina que nos é mostrada aqui, de forma nua e crua.

Este livro tem um conjunto de histórias que retratam situações desse género e outras mais complicadas, como abusos sexuais. Todas elas são histórias verdadeiras e a autora conseguiu aqui reunir um conjunto de testemunhos que abordam medos e preconceitos, abusos e assédios.

As ilustrações, com um estilo muito próprio, são simplistas, mas carregadas de emotividade, com cores fortes, onde prevalece o rosa fluorescente e o verde alface e o roxo, a contrastar com páginas de fundo preto ou branco. As mulheres são sempre retratadas sem rosto, representando dessa forma todo o universo feminino.








quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Novidade: Manda msg quando chegares, o livro de estreia da autora portuguesa R.G.B. chega a 8 de Setembro


 

Aguardamos com expectativa esta novidade da Iguana. Primeiro porque é a estreia da autora portuguesa R.G.B. e segundo pelo tema e pelos teasers publicados pela editora nas redes sociais. Manda msg quando chegares é uma ode gráfica às mulheres e aos abusos que sofrem todos os dias desde crianças. Chega às livrarias a 8 de setembro.

A sinopse:

Todas as histórias deste livro são verdadeiras. Aconteceram a pessoas reais, num tempo não muito distante. Pedir a uma mulher que mande mensagem quando chegar é pedir-lhe que se proteja, que esteja sempre atenta, que olhe bem à sua volta e que leve o telemóvel na mão enquanto finge que fala com alguém. É dizer que caminhe no meio da estrada e não junto aos prédios. É assegurar que estamos aqui.

Este é um grito de revolta, uma constatação, uma exposição de medos, preconceitos e avisos. Uma coletânea de episódios de todas nós e os retratos daquilo que as mulheres não podem fazer porque não fica bem, porque é provocante, porque se põem a jeito.

A luta continua.

R.G.B reuniu uma série de histórias reais de abusos e assédios e transformou-os em arte. Não para as embelezar, mas para as contar de forma a que todos ouvissem. Entre ela própria, amigas e colegas, as histórias foram tantas que não seria possível contá-las a todas.

Neste livro estão alguns desses acontecimentos, intercalados com pequenas ilustrações daqueles atos e liberdades corriqueiras que um homem não perderia um segundo a pensar nelas. Mas uma mulher pensa uma e duas vezes antes de andar de táxi à noite, sozinha; pensa se deverá comer aquele Calipo já ou esperar até chegar a casa; lamenta o autocarro cheio onde terá de aguentar um homem encostado a si; ouvirá, sem ripostar, a piadinha do médico ginecologista ou do patrão.

Sobre a autora:

R.G.B. é artista visual e mãe. Este é o seu primeiro livro, que é também um protesto, um atestado de sororidade e um grito de revolta.