segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Balada para Sophie - uma obra-prima para começar a semana

Já aqui falámos do mais recente livro da dupla Filipe Melo e Juan Cavia. Mas agora, após termos lido o livro, não podemos deixar de falar outra vez. Porque este não é um livro qualquer. É um dos melhores livros que lemos nos últimos tempos e talvez o livro mais bonito de banda desenhada que alguma vez nos passou pelas mãos. Sem desfazer outras grandes obras, esta novela gráfica Balada para Sophie é uma verdadeira obra-prima. 

É verdade que as expectativas estavam altas, pelo talento tanto do argumentista como do desenhador, principalmente depois do "Comer Beber", um livro mais intimista e longe da loucura delirante da série Dog Mendonça e Pizzaboy. Balada para Sophie já vinha sendo divulgada há muito e as imagens que íamos vendo em jeito de teaser já deixava antever que vinha a caminho um livro especial. 

Lemos o livro de um só fôlego e iremos agora voltar a ler para saborear cada página, para que o prazer da leitura demore um pouco mais. A história é de uma beleza ímpar, tão bem escrita por Filipe Melo, tão intimista e envolvente, que nos faz rapidamente sentir que nos acolhe, que estamos quase a viver as mesmas emoções que os protagonistas. Tão comovente que nos vieram as lágrimas aos olhos no final, o que nunca nos tinha acontecido num livro "aos quadradinhos". Os desenhos de um Juan Cavia no seu melhor, com código de cores para o momento presente e para o passado. E o livro físico, em si, belíssimo. São mais mais de 300 páginas de puro prazer em que apenas lamentamos a nossa falta de conhecimento musical para interpretar e ouvir a balada. Mas o Filipe Melo já fez um desafio sobre isso nas redes sociais. Resta-nos esperar para ouvir a balada, depois de a termos lido.

Alexandra Sousa

Aqui fica a sinopse da história.

Cressy-la-Valoise, 1933

Dois jovens pianistas, nascidos numa pequena vila francesa, cruzam-se num concurso local. Julien Dubois, o herdeiro privilegiado de uma família rica, e François Samson, o invisível filho do responsável pela limpeza do teatro. Nessa noite, um deles venceu.

Cressy-la-Valoise, 1997

Uma enorme mansão é abalada pela inesperada visita de uma jornalista. Numa nuvem de cigarros e memórias, algures entre a realidade e a fantasia, Julien vai compondo, como numa partitura, uma história sobre o preço do sucesso, rivalidade, redenção e pianos voadores. Afinal, algum deles alguma vez terá vencido? E haverá ainda alguma música por tocar?






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