China Li
Há relativamente pouco tempo tive a
oportunidade de conhecer Jean François Charles, como sempre acompanhado da sua
esposa e co-argumentista Maryse. Foi uma conversa muito breve porque eu,
infelizmente, não tinha tempo. JF Charles é um dos autores memoráveis do meu
crescimento na BD. Nunca deixarei de admirar FOX, publicado logo no início da
década de 90, ou a publicação de Les Pionniers du Nouveau Monde ainda na década
de 80, ou Ella Mahé, já neste século, tal como o tomo 3 do Decálogo, ou India
Dreams publicado em português em 2003.
Perto do autor
estavam exemplares de uma série que não conhecia: China Li.
China Li é uma
série em 4 tomos que nos apresenta a China entre os anos 20 e 60 do século
passado. A invasão japonesa, a longa marcha de Mao, a tomada de poder por
Tchang Kaï-Check, a guerra entre os dois líderes, o comércio do ópio e a sua
importância no financiamento dos exércitos. Muito documentada, muito real e,
por isso, frequentemente violenta, esta série acompanha a vida de uma jovem Li desde o momento em que é entregue como pagamento de uma dívida a um chefe
de tríade (o eunuco Zhang) até aos seus últimos dias, nos Estados Unidos.
Zhang é elemento
central nesta narrativa e, dizem os autores, é baseado numa personagem real,
que teve um papel central na guerra do ópio, no financiamento e ascensão ao
poder de Tchank Kaï-Check, e na proteção de algumas jovens.
Os acontecimentos
são vários, como seria natural numa época disruptiva, o ritmo é sempre elevado,
o argumento é sólido, credível, com bons textos e um detalhe de natureza
cultural muito interessante. Os desenhos são verdadeiras pinturas, atrativas,
sensíveis, coloridas. Muito bom. A pintura japonesa tem um papel importante na
linha narrativa e JF Charles adapta muito bem o seu desenho ao contexto.
Em resumo: uma história muito interessante e didática, uma aventura entusiasmante, um regalo para a vista, alguns momentos realistas de grande violência, o que fará com que não seja para todas as idades, mas que não retira o prazer da leitura. Um casal de autores que, notoriamente, retira prazer do seu trabalho de qualidade.
Editados pela Casterman, qualquer dos quatro tomos é homogéneo em qualidade,
inclusivamente na beleza das capas (exemplo das capas dos tomos 1, 2, 3 e 4).





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