domingo, 11 de janeiro de 2026

A opinião de Miguel Cruz sobre a série "China Li" - 4 tomos, de Jean François Charles e Maryse - edição Casterman

 



China Li

Há relativamente pouco tempo tive a oportunidade de conhecer Jean François Charles, como sempre acompanhado da sua esposa e co-argumentista Maryse. Foi uma conversa muito breve porque eu, infelizmente, não tinha tempo. JF Charles é um dos autores memoráveis do meu crescimento na BD. Nunca deixarei de admirar FOX, publicado logo no início da década de 90, ou a publicação de Les Pionniers du Nouveau Monde ainda na década de 80, ou Ella Mahé, já neste século, tal como o tomo 3 do Decálogo, ou India Dreams publicado em português em 2003.

Perto do autor estavam exemplares de uma série que não conhecia: China Li.

China Li é uma série em 4 tomos que nos apresenta a China entre os anos 20 e 60 do século passado. A invasão japonesa, a longa marcha de Mao, a tomada de poder por Tchang Kaï-Check, a guerra entre os dois líderes, o comércio do ópio e a sua importância no financiamento dos exércitos. Muito documentada, muito real e, por isso, frequentemente violenta, esta série acompanha a vida de uma jovem Li desde o momento em que é entregue como pagamento de uma dívida a um chefe de tríade (o eunuco Zhang) até aos seus últimos dias, nos Estados Unidos.

Zhang é elemento central nesta narrativa e, dizem os autores, é baseado numa personagem real, que teve um papel central na guerra do ópio, no financiamento e ascensão ao poder de Tchank Kaï-Check, e na proteção de algumas jovens.

Os acontecimentos são vários, como seria natural numa época disruptiva, o ritmo é sempre elevado, o argumento é sólido, credível, com bons textos e um detalhe de natureza cultural muito interessante. Os desenhos são verdadeiras pinturas, atrativas, sensíveis, coloridas. Muito bom. A pintura japonesa tem um papel importante na linha narrativa e JF Charles adapta muito bem o seu desenho ao contexto.

Em resumo: uma história muito interessante e didática, uma aventura entusiasmante, um regalo para a vista, alguns momentos realistas de grande violência, o que fará com que não seja para todas as idades, mas que não retira o prazer da leitura. Um casal de autores que, notoriamente, retira prazer do seu trabalho de qualidade. 

Editados pela Casterman, qualquer dos quatro tomos é homogéneo em qualidade, inclusivamente na beleza das capas (exemplo das capas dos tomos 1, 2, 3 e 4).




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