sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

A nossa leitura de Blast, de Manu Larcenet - edição Ala dos Livros

 


Perturbadora. É a palavra que mais nos ocorre para classificar esta novela gráfica. Este livraço de banda desenhada (enorme em todos os sentidos) contem dois volumes: Carcaça Gorda e O Apocalipse segundo S. Jacky. Depois de termos lido outras obras de Manu Larcenet, como "O Relatório de Brodeck" ou "A Estrada", também editadas pela Ala dos Livros, sabíamos que tínhamos uma nova grande obra à nossa frente, quando iniciámos a leitura de Blast, considerada uma obra de referência do autor.

Repulsa. É também um sentimento que nos consome um pouco ao longo das páginas, pelo protagonista Polza Manzini.

Pena e tristeza. Também passámos por estes sentimentos por Polza. 

Curiosidade. Muita. Não conseguimos parar de ler e assistir ao depoimento da personagem principal.

Dúvidas. Entender o que é o Blast não é fácil. E pode ser interpretado pelo leitor de formas diversas.

Polza Manzini é um homem obeso com quase 150 quilos. É um homem culto mas completamente desajustado em relação à sociedade e aos comportamentos tidos como normais. Um dia desafia a normalidade e parte para viver livremente, em busca do "Blast" que para ele são breves momentos de perfeição, que a sua mente alcança.

Aquilo a que assistimos é um flashback, pois ele encontra-se preso, e relata os acontecimentos que o levaram a um crime violento. Portanto vamos "ouvindo" o seu depoimento que vai dando a dois inspectores da polícia. O que não sabemos, mas deduzimos, é que o seu depoimento está a ser possivelmente manipulador. Não temos a certeza porque o comportamento de Polza vai alternando entre o lúcido e o delirante e certas coisas que conta parecem-nos lógicas e outras monstruosas e nojentas. A história que conta aos inspectores parece ao mesmo tempo verdadeira e impossível, porque foge às regras, porque desafia o nosso entendimento. 

A história é densa, intensa, perturbadora e viciante. Como aqueles filmes que vemos, mas ao mesmo tempo tapamos os olhos com medo do que vamos ver. 

Não é à toa que esta é uma novela gráfica de referência, no panorama da banda desenhada europeia contemporânea. Publicada originalmente entre 2009 e 2010, chegou agora pelas mãos da Ala dos Livros e deixou-nos expectantes quanto ao segundo livro que contem os dois últimos volumes.



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