Temos gostado sempre dos trabalhos de Bastien Vivès e este não foi excepção. O Gosto do Cloro é o sétimo volume da colecção Angoulême, editada pela Devir e que reúne vários títulos que foram premiados no Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême, ao longo de vários anos. Portanto estamos perante uma obra premiada, que desde logo se destaca pela simplicidade e delicadeza quer visual, quer em termos de narrativa. Apesar de se apresentar num estilo minimalista, não deixa de ser uma história profunda e expressiva.
A história acompanha dois jovens que se conhecem numa piscina. Ele frequenta a piscina por indicação médica, devido a problemas de coluna e ela por adorar nadar, tendo em conta que chegou a ser campeã de natação. Sem se conhecerem, acabam por criar uma relação muito singela, com ela a dar-lhe conselhos sobre os movimentos correctos a ter dentro de água.
Os diálogos não são muitos e ao longo de toda a obra o silêncio é privilegiado. A água funciona aqui como uma espécie de bolha que modifica os sons e as sensações. Entre os dois jovens a relação vai ficando cada vez mais próxima, mas a rapariga é um pouco misteriosa e reservada, o que desde logo constitui uma espécie de barreira, para além da qual o rapaz não consegue ultrapassar.
É um livro muito bonito, cuja leitura flui, como a água, com as pranchas maioritariamente da cor de "azul piscina". Não há nenhum grande acontecimento, apenas a rotina e uma narrativa intimista sobre estas duas personagens, duas almas que sofrem de solidão, cada um pelos seus motivos, que desconhecemos mas deduzimos.
O final deixa-nos um pouco desorientados, pois ficamos em suspenso, à espera de que aconteça algo.
Relembramos que Bastien Vivès virá a Portugal no mês de Abril, para participar na Comic Con.




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