terça-feira, 23 de junho de 2026
A nossa leitura de "O Sétimo Homem", de Haruki Murakami, Deveney e PMGL - edição Casa das Letras
quinta-feira, 19 de março de 2026
Novidade Casa das Letras: Está a chegar o curioso "O Sétimo Homem e outros contos", de Haruki Murakami
A sinopse:
Um homem desaparece entre o 24.º e o 26.º andar de um prédio.
Uma mulher mergulha na leitura e torna-se incapaz de dormir durante dias e noites a fio.
Um sapo gigante celebra um pacto com um modesto funcionário público a fim de salvar Tóquio da destruição total.
No dia do seu vigésimo aniversário, alguém propõe a uma modesta e solitária empregada de restaurante a realização de um único desejo...
As nove narrativas ilustradas que compõem esta recolha de contos foram inicialmente publicadas no Japão, sob o olhar atento e cúmplice de Haruki Murakami.
Ao interpretarem a tragicomédia tão do agrado do grande escritor, Jean-Christophe Deveney e PMGL recriam um cenário poético e barroco, situado precisamente na fronteira, tão cara a Murakami, onde o quotidiano se funde com o fantástico.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2025
A opinião de Miguel Cruz de "Soli Deo Gloria", de Deveney e Cour e "Silent Jenny", de Bablet
Soli Deo Gloria
Locução latina: “Somente para a Glória de Deus”. Esta BD é uma obra excecional, bem inovadora, única. E, no entanto, a história que narra é bem humana, tão realisticamente humana. Uma BD a preto e branco, com algumas cores associadas a harmonias musicais, e nada mais: para a glória de Deus.
Dois gémeos, Hans e Helma, nascidos em terras germânicas, aparentemente durante o século XVIII, são apaixonados pela música, desde muito cedo na sua vida, marcados por uma ligação entre ambos, e pela influência do seu proscrito tio. A música, no entanto, tem pouco lugar num quotidiano pobre, exigente e desprovido de romantismo. Quando um bando ataca a região, assassinando os habitantes locais, apenas os gémeos sobrevive, e começa aí a sua evolução, desde um orfanato, passando pelo castelo de um poderoso senhor regional, ou pelo serviço de um príncipe, até à atuação junto do santo Pontífice, aceitando um desafio desesperado.
Ao longo dos anos, os jovens sobrevivem à custa de muito trabalho, dos seus dotes musicais, mas particularmente da sua ligação e complementaridade, que acaba por se partir perto do final da BD, deixando-nos com um amargo gosto de desperdício. Helma canta como ninguém e Hans domina os instrumentos como pouco, e com o apoio da sua irmã, é bem-sucedido na composição. O todo vale mais que as partes e o orgulho de Hans cega-o e impede-o de compreender o óbvio. Não suporta ser apagado no todo.
Não ignoremos o papel que umas misteriosas partições assinadas com SDG – Soli Deo Gloria têm nas descobertas e renovações que o duo vai fazendo ao longo da sua vida. Na procura da gloria divina musical, mas enredando-se no negrume humano. Humano, humano, tristemente humano. Orgulho, ambição, sacrifício.
Como diz um famoso fabricante de violinos, quase no final desta BD: “É impossível, nada neste mundo é perfeito. O sofrimento acompanha a injustiça e a violência envolve-nos. Mas é preciso saber viver com elas, tal como com a beleza, a doçura ou o prazer. Viver com elas e tentar transformá-las em arte”.
Jean-Christophe Deveney e Edouard Cour apresentam aqui um trabalho imaginativo, uma obra envolvente, de grande qualidade – narrativa, gráfica (cada prancha associada a uma partição, e bem sabemos como é difícil falar de música com imagens), tocante e de um realismo a toda a prova. Cada prancha contém tanto detalhe, tantos sinais, tanta beleza, tantos desafios. Uma obra única, de recomendação múltipla! Do melhor que já li este ano. Editado pela Dupuis.











