domingo, 4 de janeiro de 2026

A opinião de Miguel Cruz sobre "L’ Étoile Filante - T.12: Une Aventure de Jacques Gipar", de Dubois e Delvaux


L’Étoile Filante - T.12: Une Aventure de Jacques Gipar

A Editora francesa Paquet tem um catálogo editorial diverso, mas não é segredo para ninguém a enorme preferência que têm por aventuras que envolvam carros e aviões. Do conjunto de séries editadas, e de que gosto de algumas, destaco “Jacques Gipar” dos autores Thierry Dubois e Jean Luc Delvaux, respetivamente na condução do argumento e do desenho. Sim, usei a palavra condução propositadamente: trata-se de uma série de aventuras “policiais”, em que Jacques Gipar é o detetive auxiliado por um conjunto de outros personagens muito bem caracterizados, mas em que todos os inquéritos são uma “desculpa” para nos apresentar não apenas um rol enorme de viaturas de época (finais de anos 40 – anos 50), mas também percursos e pontos de interesse na França da época.

O tomo 12, o mais recentemente editado, é um pouco diferente dos anteriores. A história tem início em Paris, no centro histórico de Paris, em 1956, vemos o habitual conjunto de viaturas, com destaque para um Citroen e um Simca, mas rapidamente passamos para o interior de um café onde a visão de um rosto faz Jacques Gipar “viajar” para 1944, mesmo local. Um jovem Jacques Gipar trabalha para um jornal, é avisado de que pode ter sido denunciado por atividades com a resistência, foge, vai a casa despedir-se da mãe e buscar alguns pertences, quando os alemães chegam ao pátio em frente ao seu prédio, não para o apanhar, mas para recolher alguns judeus, entre os quais uma família sua vizinha. O seu vizinho, com quem se cruza nas escadas pede-lhe para tomar conta da sua filha Sarah, e diz-lhe onde ela se esconde. Após uma fuga atribulada pelos telhados, Jacques Gipar e a jovem Sarah iniciam uma perigosa fuga, e uma arriscada aventura.

Ficamos a conhecer, assim, detalhes da juventude de Gipar, como se cruzou com algumas personagens que, não apenas o ajudaram como foram marcantes para o seu futuro. Portanto, desta vez não temos uma investigação, mas uma aventura no passado, com a ocupação nazi de França em pano de fundo. A história é bem construída, interessante, simples, mas entusiasmante. Uma boa dose de romantismo e de nostalgia, bons diálogos, uma narrativa bem estruturada.

Os desenhos são linha clara (ou quase linha clara, aqui as sombras têm um papel importante), as viaturas impecáveis, como habitualmente, um foco grande no movimento, na ação, não há um momento de calma. Desenho agradável, legível, sem excesso de detalhes, como referi, prioridade à ação.

Mais uma aventura em BD que me merece a recomendação, mesmo que não seja o melhor da série – por exemplo o tomo anterior passado em Angoulême é mesmo excelente. Sem grandes pretensões, mas uma leitura muito, muito agradável.


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