Este foi o terceiro livro que lemos desta dupla de autores, Jorge Mateus (ilustração) e Paulo Caetano (texto) e conseguem sempre surpreender-nos, tanto com as histórias que nos contam, como com os incríveis e inimitáveis desenhos. Foi o que aconteceu com este "A Fuga", editado pela Iguana.
Desta vez os autores foram buscar uma história verídica, baseada em acontecimentos que tiveram lugar no período da ditadura do Estado Novo em Portugal. O que os autores aqui conseguem é uma combinação entre factos históricos com o desenvolvimento psicológico do protagonista, mostrando os efeitos da repressão, da culpa e também da coragem. Estamos perante uma história que nos fala sobre a luta pela liberdade, a resistência a uma ditadura, a violência e as torturas sofridas e também nos mostra como é importante a solidariedade entre presos políticos.
A narrativa acompanha António Tereso, um militante clandestino do PCP, motorista da Carris que, depois de ser preso e torturado pela PIDE, sente-se culpado por ter falado o que não devia. Procura recuperar a sua dignidade perante a sua família e os seus companheiros e decide empreender uma audaciosa fuga da prisão de Caxias. Depois de dois anos muito difíceis em que Tereso se vê obrigado a viver uma dupla identidade, conquistando aos poucos a confiança dos guardas, prepara em segredo absoluto, uma operação digna de um filme. O resultado é uma fuga espetacular num carro blindado oferecido por Hitler a Salazar.
Um episódio que parece surreal, mas que foi verdade e que é aqui bem contado pelas palavras de Paulo Caetano e abrilhantado com as ilustrações de Jorge Mateus. Os desenhos e as suas cores ajudam a reforçar a tensão, a emoção e o ambiente sombrio da época. Gostámos bastante dos separadores de capítulos, sempre fazendo a ligação com a Carris, mas que vão mudando consoante as épocas do ano vão passando. Há também outros pormenores interessantes, como o facto do verso da capa e do verso da contra capa serem preenchidos com desenhos dos rostos das personagens.
No final do livro alguma documentação histórica, como as fotografias dos prisioneiros e as imagens da reconstituição da Fuga, realizada pela PIDE.





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