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terça-feira, 4 de agosto de 2026

Leituras de férias "Viajar com a banda desenhada" - Destino: Nova Iorque

A cidade que nunca dorme não só é palco de inúmeros filmes, como de inúmeros livros. Aqui ficam as nossas sugestões para viajarem para Nova Iorque através de livros de banda desenhada.










sexta-feira, 17 de abril de 2026

A opinião de Miguel Cruz sobre "Soeurs des Vagues", de Mikäel e Roulout e "Off", de Renard, Tollet e Vizzanova

 


Soeurs des Vagues

Das BDs melhorzinhas que tive a oportunidade de ler nestes últimos tempos. Uma BD de Tristan Roulot (argumentista, entre outras obras, de Hedge Fund) e de Mikäel que o/a leitor/a poderá conhecer de Bootblack e de Harlem, ambos publicados em Portugal.

Soeurs des Vagues é um one shot muito bem imaginado pelo duo de autores, que situa a história em 1914, na costa do Canadá, numa vila onde existe um farol, e que a inicia com um naufrágio, numa noite em que um problema fez com que o farol não funcionasse. Um marinheiro louro, de olhos azuis e tatuado, ferido agarra-se a uma rocha, olha para cima e vê várias mulheres com aspeto ameaçador…desmaia.

William vai ser salvo, alojado no único “albergue” da vila, onde praticamente só vivem mulheres, com exceção do faroleiro, particularmente obeso, e de alguns miúdos. Os homens da vila dedicam-se à pesca, e estão ausentes – aliás demorando mais tempo do que o previsto, o que traz algumas das mulheres particularmente apreensivas, a começar pela professora primária, uma outsider, grávida de um dos pescadores.

Entretanto chegam à vila duas personagens ameaçadoras e armadas, que andam a investigar o desaparecimento de alguns veleiros de transporte de bebida clandestina. Será que algumas das mulheres viu um marinheiro louro e tatuado.

A filha do faroleiro, uma jovem de descendência caribenha, por parte da sua mãe, particularmente rebelde, tem vindo a preparar, às escondidas um pequeno navio a vapor, com o qual pretende sair daquele local que odeia, para ir procurar as suas raízes. William descobre o segredo da jovem e promete ajudá-la. O grupo de mulheres da vila sonha apenas em ganhar dinheiro para construir uma fábrica de conservas que permita manter a vila viva e com menos risco para os seus homens.

Estes são os ingredientes desta BD inteligente, em que as personagens são realistas, bem caracterizadas, os diálogos são lógicos, as reações das personagens também. O ritmo dos acontecimentos vai-se acelerando ao longo das páginas, uma espécie de desastre anunciado, mas de contornos inesperados.

O desenho é muito bom, ágil, movimentado, as personagens facilmente reconhecíveis, expressivas e com pranchas excelentes de caracterização da fúria dos elementos. Desenho muito detalhado que ajuda bastante o desenrolar deste thriller amargo.

Top. Top. Top. Para mim, aqui fica como recomendação de leitura obrigatória para quem gosta de BD, as aventuras de William, Ekilda, Velma, La Jacques, Bessie e Elbe (as 5 mulheres da capa), entre outras. Editado pela Lombard.




Off

Off é um one shot de mais de 350 páginas, que relata acontecimentos decorrentes de uma tempestade solar que provoca um corte de corrente generalizado e de longa duração (Off).

Neste BD baseada num relato imaginário e catastrófico, seguimos uma família belga, acompanhando as suas “aventuras” e, através dela, os acontecimentos decorrentes da crise energética. O primeiro membro da família que conhecemos vive numa “fazenda” com a sua avó e dedica-se à agricultura (tendencialmente bio). A sua mãe vive em Bruxelas e é a Ministra da Defesa, que vai ter um papel central na gestão da situação, apesar da sua doença. O seu tio, Benoît é polícia, casado e a sua mulher grávida vai dar à luz precisamente no dia 1 do apagão.

Nesse mesmo dia, Benoît vai ter um encontro com uma figura do seu passado, e que vai ter um papel importante para o futuro da família Van Obel. 

Anne Van Obel, Ministra da Defesa, ia anunciar a sua renúncia ao cargo precisamente quando a eletricidade desaparece. Essa não renúncia muito contraria um seu opositor político que manobra fortemente para fazer cair o governo e para se tornar primeiro-ministro com o apoio das forças populistas de extrema-direita. Apesar da catástrofe, ou melhor, dela se aproveitando, vai minando a autoridade procurando tornar-se o ditador de serviço. 

Anne Van Obel e a Rainha mantêm-se firmes para tentar manter a unidade do país.
Muito interessante, com aventura, ação, manobras políticas, um ambiente de catástrofe, boa descrição das ações-reações. A narrativa é bem estruturada, o desenho é expressivo, simples, caracteriza bem o essencial, tudo é feito para agarrar o leitor uma página atrás da outra, numa curiosidade de saber o que vai acontecer de seguida. 

O argumento de Romain Renard e de Olivier Tollet é construído como um “filme catástrofe”. O desenho de Patrice Réglat-Vizzanova começa com destruição, auroras boreais, e um descalabro total de pessoas, infraestruturas, relações humanas.

Uma BD com uma estrutura de atualidade, que marca o fio narrativo e a leitura dos acontecimentos.

Alguns clichés, poucas personagens de que consigamos verdadeiramente gostar (os maus são mesmo maus, os bons não são geralmente muito bons…), mas um esforço para dar um toque de realismo à situação.

Muito interessante, 350 páginas que, apesar de tudo, se lê de um fôlego, uma aposta editorial da Daniel Maghen que surpreende, positivamente. 



domingo, 6 de julho de 2025

Especial edição n.º 100 do Juvebêdê - a ilustração de Mikaël


O autor franco canadiano Mikaël trabalha em banda desenhada desde 2001, mas também já publicou contos juvenis e ilustrou vários livros infantis. A partir de 2006 começou a dedicar-se a criar histórias para um público mais adulto, em colaboração com argumentistas e outros desenhadores. Foi em 2017 que Mikaël deu início a um projecto, entretanto já concluído, a Trilogia de Nova Iorque, composta pelos álbuns Giant, Bootblack e Harlem. Por ocasião do lançamento deste último, estivemos com o autor em Portugal e quando posteriormente falámos com ele sobre a nossa celebração, quis logo associar-se.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

A nossa leitura de Harlem, de Mikaël - edição Ala dos Livros


Completámos a leitura da trilogia de Nova Iorque, da autoria de Mikaël e com edição da Ala dos Livros. Depois de Giant e Bootblack, foi a vez de Harlem.

Neste capítulo final, o autor transporta-nos à época da Grande Depressão e ao bairro pobre de Harlem, dando-nos a conhecer, como protagonista, uma mulher tão forte quanto enigmática: Stéphanie St. Clair, conhecida como Queenie. Oriunda das Índias Ocidentais, carrega o peso do seu passado de escravidão e ao longo da história voltamos com ela às suas origens. Tendo chegado ainda muito jovem a Nova Iorque, esta imigrante negra teve de lutar para sobreviver e vencer na vida. Vinte anos depois, vemos uma Queenie poderosa, à frente do negócio de uma lotaria clandestina. É respeitada e temida tanto pela autoridade como pelas máfias locais até à chegada de Dutch Schultz, um mafioso sem escrúpulos, conhecido como "o holandês". Schultz quer de tal maneira assumir o controlo da zona onde Queenie é dona e senhora, que tudo faz para lhe dar cabo da vida, com denúncias, ameaças e até assassinatos de pessoas próximas do reino da "francesa" e com a conivência das forças policiais, corruptas. 

A única saída que Queenie tem é associar-se a outros elementos da máfia que estão a entrar com o negócio da droga, mas ela recusa e como mulher e negra, continua a dar luta, tentando tudo o que está ao seu alcance, até denunciar a polícia e alertando situações que têm a ver com questões raciais, através do que escreve para um jornal. Porém, mesmo dotada de uma grande coragem, a vida não lhe corre de feição, pois continua na mira da violência e da sede de poder do holandês.

Não nos adiantamos mais no argumento, para não estragar o gozo da leitura de quem ainda não abriu o livro, mas a verdade é que Mikaël termina com mestria esta sua trilogia de Nova Iorque, conseguindo quer com a narrativa, quer com o desenho, criar uma atmosfera da época e altamente cinematográfica, mais uma vez com uma história pesada, violenta e triste. O autor utiliza, como nas edições anteriores, os tons de castanho, mudando para o azul acinzentado com toques de amarelo, quando viajamos com a protagonista para as suas recordações.

No final do livro, um caderno gráfico com esboços e estudos sobre personagens e ambientes.




sábado, 21 de setembro de 2024

Novidade: Harlem, o terceiro livro da Trilogia de Nova Iorque será lançado no Amadora BD, com a presença do autor Mikaël

 



Depois dos aclamados Giant e Bootblack, também publicados entre nós pela Ala dos Livros, Mikaël transporta-nos, com "Harlem", à época da Grande Depressão e ao bairro pobre de Harlem, para o capítulo final de sua trilogia de Nova Iorque, dando-nos a conhecer uma mulher tão forte quanto enigmática.

A exposição sobre a "Trilogia de Nova Iorque" estará patente no próximo AMADORABD, que contará também com a presença do autor Mikaël e onde decorrerá o lançamento deste terceiro livro.

Nova Iorque, Harlem, 1931. Durante a época da Grande Depressão, a sobrevivência torna-se prioritária e a necessidade aguça o engenho. Stéphanie St. Clair, conhecida como 'Queenie', já se havia apercebido disso há quase vinte anos, na altura em que chegou a Nova Iorque: sendo mulher, e negra, para sobreviver naquela grande cidade iria necessitar de muito mais do que coragem.

Em poucos anos, esta jovem imigrante das Índias Ocidentais liberta-se do peso da escravidão e cria o seu próprio sonho americano: a lotaria clandestina de Harlem. O seu sucesso e ascensão são temidos tanto pela polícia como pelas máfias locais. Dutch Schultz, um mafioso sem escrúpulos também conhecido como “o holandês”, faz tudo para assumir o controlo do reino dos "franceses". Mas para consegui-lo terá de ter em linha de conta a determinação e a impetuosidade de Queenie…

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

A nossa leitura de "Bootblack" (edição integral), de Mikaël - Edição Ala dos Livros




Depois de "Giant" estavamos expectantes quanto a este álbum "Bootblack", igualmente da autoria de Mikaël, ambos editados pela Ala dos Livros. 

A história também nos leva a Nova Iorque, embora em "Giant" a narrativa se passe no início dos anos 30, aqui estamos entre 1935 e 1945. O tema da imigração e do "sonho americano" volta a estar presente, mas o foco é também na Segunda-Guerra Mundial. Outro ponto em comum neste díptico são as cores utilizadas, alternando os tons onde predomina o castanho (em jeito de sépia) nas cenas passadas em Nova Iorque e outras pranchas próximas do preto e branco, nas cenas de Guerra.

O argumento está bem construído como o anterior, apesar de acharmos que fica aquém do "Giant". É verdade que gostos não se discutem e que desse lado podem achar o contrário, mas não conseguimos deixar de comparar este livro com o anterior de que gostámos tanto. A história é pesada, violenta e triste, mas os muitos flashbacks existentes quebram um pouco a fluidez da leitura e tornam-na confusa.

Contudo, não deixa de ser um álbum de boa Banda Desenhada, em que vale bem a aposta da compra e da leitura. Mikaël é, sem dúvida, mais um autor de referência na BD contemporânea. O desenho bastante expressivo quanto toca às personagens e muito eficaz nos cenários é uma das suas mais valias, a par do argumento. Realçamos um excelente caderno gráfico no final do livro, com esboços das personagens principais e não só!

Relembramos a sinopse:

Alemanha, 1945. As tropas americanas procuram os últimos soldados inimigos.

Para fugir aos horrores daquilo que vive, Al, um soldado americano, único sobrevivente da sua unidade, mergulha nas memórias do seu passado em Nova Iorque. Filho de imigrantes alemães, nascido nos Estados Unidos, não tinha ainda dez anos quando perdeu os pais e a sua casa num terrível incêndio. Passa a viver na rua e torna-se Bootblack, um “engraxador de sapatos”. Mas Nova Iorque não oferece qualquer futuro aos miseráveis e Al está decidido a ganhar mais dinheiro. Antes de se alistar, passa dez anos na prisão. Hoje, tem 25 anos. A mulher da sua vida, Maggie, é apenas um reflexo na sua memória. Todos os seus amigos estão mortos. Todos, exceto um certo "Diddle Joe", que encontra novamente na frente de batalha. O seu reencontro é brutal: Al descobre que "Diddle Joe" o traiu a ele e aos amigos... 







terça-feira, 4 de outubro de 2022

Novidade: Ala dos livros lança "Bootblack", um novo díptico de Mikaël, autor de "Giant"

 


Para além das obras "Os/Les Portugais" e "Pássaro", recentes lançamentos da Ala dos Livros que já divulgámos, chegaram-nos ontem às mãos mais duas novidades da editora: o quarto volume de "Undertaker" (curiosamente tínhamos acabado a leitura do terceiro) intitulado "A sombra de Hipócrates" e este "Bootblack", edição integral de Mikaël, o mesmo autor que assinou o excelente "Giant".
Oportunamente falaremos do Undertaker, mas vamos hoje concentrar-nos neste díptico, sobre o qual já temos grandes expectativas e que se desenrola através de flashbacks e oferece um mergulho fascinante numa Nova Iorque mítica e onírica.

Sinopse:

Alemanha, 1945. As tropas americanas procuram os últimos soldados inimigos.

Para fugir aos horrores daquilo que vive, Al, um soldado americano, único sobrevivente da sua unidade, mergulha nas memórias do seu passado em Nova Iorque. Filho de imigrantes alemães, nascido nos Estados Unidos, não tinha ainda dez anos quando perdeu os pais e a sua casa num terrível incêndio. Passa a viver na rua e torna-se Bootblack, um “engraxador de sapatos”. Mas Nova Iorque não oferece qualquer futuro aos miseráveis e Al está decidido a ganhar mais dinheiro. Antes de se alistar, passa dez anos na prisão. Hoje, tem 25 anos. A mulher da sua vida, Maggie, é apenas um reflexo na sua memória. Todos os seus amigos estão mortos. Todos, exceto um certo "Diddle Joe", que encontra novamente na frente de batalha. O seu reencontro é brutal: Al descobre que "Diddle Joe" o traiu a ele e aos amigos... 






quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Opinião: Giant é mesmo um livro gigante!


Tínhamos grandes expectativas quanto a esta obra de Banda Desenhada. Felizmente não ficámos desiludidos, antes pelo contrário. Que belo livro e que bela história. Esta edição da Ala dos Livros, é integral, pois reúne os dois volumes originais e apresenta-nos um comovente relato passado nos anos 30 do século XX, sobre a imigração e as origens do "sonho americano".

Antes de falarmos sobre a história, confessamos a sensação que tivemos a cada virar de página: em vez de estarmos a ler um livro, parecia que estávamos a assistir a um filme. A verdade é que a cidade de Nova Iorque é o pano de fundo, a qual tem sido cenário de muitos filmes que estão já na nossa memória. Mas, para além disso, o belíssimo argumento e o estilo de desenho do autor Mikaël também conferem a este livro um estilo cinematográfico e justificam os vários prémios que já recebeu. Não percam!

A narrativa, emocionante e por vezes ternurenta, tem também pequenos apontamentos de humor, nas conversas dos companheiros, de onde sobressai a solidariedade e a amizade entre compatriotas. Tudo se desenrola na sombra dos arranha-céus, alguns deles em construção, como o Rockfeller Center, também ele protagonista da história.

A sinopse:

Nova Iorque, início dos anos 1930. Fazer-se passar por um outro homem tem um preço: o da verdade. A verdade que, mais cedo ou mais tarde, acaba sempre por ser revelada…

Na Nova Iorque da Grande Depressão, imigrantes provenientes de todas as partes do globo arriscam a vida na construção do mítico Rockefeller Center. Giant, um misterioso colosso irlandês, é um dos inúmeros trabalhadores que, com os seus compatriotas imigrantes, labuta arduamente na construção da Grande Maçã. Mas, contrariamente aos demais, Giant parece mais interessado em fugir de um passado que o persegue e atormenta. E quando duas vidas se cruzam, nem tudo é que parece.







terça-feira, 28 de setembro de 2021

Giant, Blacksad e muito mais! - Novidades da Ala dos Livros

A Ala dos Livros acaba de lançar "Giant", prepara-se para lançar o volume seis de "Blacksad" ainda esta semana e neste último trimestre ainda tem prevista a edição de "O Relatório de Brodeck", dois volumes de uma obra magnífica e impressionante de Manu Larcenet. (ver últimas imagens)

Mas hoje vamos concentrar-nos em Giant, livro que estamos ansiosos por ler. Trata-se de uma edição integral, que reúne os dois volumes originais. É um comovente relato sobre a imigração e as origens do "sonho americano". Uma apaixonante narrativa, que se desenrola na sombra dos arranha-céus da grande cidade que nunca dorme, conduzida pelo grafismo impressionante de Mikaël. Uma obra que já foi distinguida com vários prémios: Prémio de BD RTL Junho 2017 por Giant – tomo 2; Prémio Albéric-Bourgeoisau do Festival Québec-BD 2019 por Giant – tomo2.

Nova Iorque, início dos anos 1930. Fazer-se passar por um outro homem tem um preço: o da verdade. A verdade que, mais cedo ou mais tarde, acaba sempre por ser revelada…

Na Nova Iorque da Grande Depressão, imigrantes provenientes de todas as partes do globo arriscam a vida na construção do mítico Rockefeller Center. Giant, um misterioso colosso irlandês, é um dos inúmeros trabalhadores que, com os seus compatriotas imigrantes, labuta arduamente na construção da Grande Maçã. Mas, contrariamente aos demais, Giant parece mais interessado em fugir de um passado que o persegue e atormenta. E quando duas vidas se cruzam, nem tudo é que parece.