INFORMALIDADE - AMIZADE - DIVERSIDADE - OPORTUNIDADE - NOVIDADE - QUALIDADE - PONTUALIDADE - TENACIDADE - FELICIDADE - SAUDADE
Passada uma semana do arranque do XXI Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, impõem-se fazer aqui um balanço, mesmo depois de já termos lido várias opiniões de quem também lá esteve.
Todos temos tendência para fazermos comparações, neste caso entre festivais, que agora já são vários. Porém, chegamos à conclusão que não há que comparar o incomparável. Se todos os festivais fossem iguais, nem sequer fazia sentido existirem. A vantagem que cada um oferece são as suas próprias características que os diferenciam. E este ano sabemos do que estamos a falar, pois estivemos no IlustraBD, na Comic Con, no Coimbra BD, no Maia BD e agora em Beja. Já nem falando na Feira do Livro de Lisboa, que não é propriamente um festival, mas tem também bastantes eventos atractivos relacionados com a banda desenhada.
Por isso, e após alguma reflexão, vamos tentar dar a nossa opinião focando-nos apenas no que aconteceu em Beja, embora cientes de todas as questões que se levantam, com a existência de tantos eventos próximos, que por vezes são penalizadores ao nível de público, porque não dá para ir a todas e houve muita gente este ano a optar por um festival em detrimento de outro.
Voltemos a Beja. Sim, porque voltar a Beja é sempre um prazer. Somos sempre bem acolhidos, seja por toda a equipa do festival, seja pelo mítico Hotel Bejense.
21 anos - que bela IDADE!
O Festival de Beja tem características únicas que nenhum outro consegue replicar: a INFORMALIDADE. Participar no Festival de Beja é como ir para um encontro de amigos. E foi muito por isso que, apesar de algum cansaço nesta altura do ano, não quisemos faltar. Prevaleceu a AMIZADE. Esta reunião de amigos tem a particularidade de passarmos o dia a falar línguas diferentes. Temos uma conversa em francês, pouco depois estamos já a dar uns toques no espanhol, voltamos ao português, e seguimos para o inglês.
E isso leva-nos a outra característica do Festival de Beja: a DIVERSIDADE. Diversidade de estilos, de experiência e de proveniência. Ali podemos ter o prazer de falar com autores veteranos, com uma sólida carreira, como podemos estar à conversa com quem ainda está a dar os primeiros passos na nona arte. A multiplicidade de estilos oferece excelentes obras de arte para todos os gostos e um dos grandes aspectos positivos deste festival é dar lugar aos mais novos, dar-lhes a OPORTUNIDADE de apresentarem os seus trabalhos, como é o caso de Beatriz Brajal, que ganhou este ano o Prémio Geraldes Lino ou Inês Louro que esteve na residência literária em Bruxelas (ambas numa das fotos). A propósito, o Festival este ano apresentou uma NOVIDADE que foi a abertura do terraço da Casa da Cultura para acolher o Interstício - Mercado da Auto Edição. O habitual mercado do livro funcionou no local habitual, coordenado pela Maria João e pelo Manuel da Cult.
O que todos têm em comum é a QUALIDADE. É inegável a qualidade dos trabalhos expostos, dos artistas convidados. Este ano o "cartaz" parecia inicialmente um pouco mais fraco que o habitual, mas os autores que lá estiveram provaram o contrário, bem como as concorridas filas para os autógrafos. Este ano uma palavra para a enorme qualidade dos concertos desenhados, que foram memoráveis e sobre os quais já aqui falámos esta semana.
Com uma programação intensa no primeiro fim de semana, como é costume, não podemos deixar de falar na tradicional PONTUALIDADE. Já se tornou um ex libris do Festival, termos o Paulo Monteiro a apontar para o relógio, para as sessões terminarem e darem lugar a outras. Quanto a nós, tivemos o prazer de apresentar um painel com o autor brasileiro Luckas Iohanathan e assim ter ficado a conhecer melhor a sua obra. Claro que também assistimos a outros painéis, como o do Thomas Ott, o do Philippe Girard e o da apresentação do terceiro e último volume de CoBrA: Operação Conacri, editado pela Ala dos Livros.
Uma palavra para Paulo Monteiro, de apreço pelo seu trabalho e de gratidão pelo convite em participar, quer num dos painéis, quer com a redacção de um texto para a revista Splaft! E as palavras de agradecimento estendem-se a toda a sua equipa, que com grande TENACIDADE continuam a fazer omeletes sem ovos e a conseguir pôr este evento de pé. A FELICIDADE que sentem ao fazer o que fazem, transparece e contagia.
Por último, a SAUDADE. Que trazemos de Beja e que nos faz querer voltar no ano seguinte e que contagia os estrangeiros, que não conhecendo a palavra nas suas línguas, ficam a conhecer o sentimento que os marcou.
Obrigado Festival de Beja e até para o ano! Mas atenção que as exposições ainda podem ser visitadas até dia 21 de Junho.










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