sexta-feira, 25 de setembro de 2026

A nossa leitura de O Fantasma da Ópera, de Paul e Gaëtan Brizzi (de Gaston Leroux) - co-edição Arte de Autor e A Seita


Os irmãos Paul e Gaëtan Brizzi, têm vindo a adaptar obras clássicas para banda desenhada. Foi disso exemplo "O Inferno de Dante" e "Dom Quixote de la Mancha", ambos co-editados pela Arte de Autor e pel' A Seita, tal como este "O Fantasma da Ópera", que foi lançado este ano e cuja leitura terminámos.

Os desenhos dos irmãos Brizzi são únicos e extraordinários, pelo que a principal força desta adaptação é a sua interpretação visual. Esta adaptação do romance homónimo de Gaston Leroux, publicado originalmente em 1910, ganha aqui uma nova vida, através da banda desenhada, com monumentais desenhos a preto e branco, cenários incríveis e uma expressiva utilização das sombras. Os irmãos Brizzi conseguem nesta obra criar uma atmosfera que é simultaneamente fascinante e ameaçadora e apesar dos seu traço ser a lápis e não ser carregado, a expressividade do desenho faz com que todos os principais acontecimentos e todas as sensações não percam o seu impacto, antes pelo contrário, pois ganham ainda mais força.

Uma palavra para os espaços. A narrativa acontece na Ópera e sua arquitectura tem aqui especial relevância. O espaço é grandioso, mas ao mesmo tempo claustrofóbico, cheio de segredos, com sinistros espaços subterrâneos. Em algumas páginas temos vinhetas que funcionam quase como ilustrações autónomas, o que reforça ainda mais a monumentalidade. Diríamos quase que todo o edifício é tão importante na história, que ganha uma importância semelhante à das suas personagens.

Quanto às personagens, destacamos a forma como os desenhadores representam Erik. Uma figura quase natural, mas que progressivamente vamos conhecendo a sua dimensão humana. A sua deformidade, a sua solidão e a sua obsessão por Christine tornam-no muito mais do que uma figura assustadora, pois esta não é apenas uma história de terror, mas também uma história de um amor impossível.





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