Lá em cima, no Céu, é o título do terceiro volume da série Kingdom Come, editada pela Vitamina BD e da autoria de Waid e Ross.
Esta série conta-nos o regresso de diversos super-heróis reformados para restabelecer a ordem no mundo.
Lá em cima, no Céu, é o título do terceiro volume da série Kingdom Come, editada pela Vitamina BD e da autoria de Waid e Ross.
Esta série conta-nos o regresso de diversos super-heróis reformados para restabelecer a ordem no mundo.
Inicialmente publicado em 2015, este é o quinto volume desta série de culto Blacksad, publicada em Portugal pela Ala dos Livros, com edições cuidadas e melhoradas com lombada de tecido. O título deste volume é "Amarillo". Esta edição definitiva de coleccionador, exclusiva e inédita, inclui “A história das aguarelas”, uma obra nunca publicada em Portugal sobre a criação e o processo criativo da série Blacksad, uma das mais aclamadas séries da BD europeia, à qual foram atribuídos vários prémios, incluindo o prestigiado Eisner. A autoria é de Juan Díaz Canales e Juanjo Guarnido.
Amarillo, começa em Nova Orleães: Weekly precisa de sair da cidade, separando-se de John Blacksad, que prefere ficar e procurar emprego. John encontra, por acaso, um texano rico que lhe propõe um trabalho simples e bem remunerado! O detective aceita, mas, num posto de gasolina, o carro de que é depositário é roubado por Chad Lowell e Abe Greenberg — dois escritores da Geração Beat que tentam chegar a Amarillo, Texas.
Em breve, uma luta entre os dois rivais torna-se trágica: Chad, levado ao limite, dispara sobre Abe, que morre instantaneamente. Forçado a fugir, Chad encontra refúgio num circo. John inicia então uma perseguição pelas estradas americanas do Novo México, Colorado, Texas e Illinois.
Quem foi realmente Billy the Kid? Um cowboy fora da lei, a serviço dos maiores latifundiários que a América já conheceu, ou um simples garoto esmagado por uma sociedade dominada pelo capitalismo em plena ascensão? E quantos são, ainda hoje, apontados como culpados para beneficiar os poderosos?
Com um tom decididamente humorístico, a obra narra a vida de um jovem americano comum que, ao seguir a ordem estabelecida, acaba por se tornar naquilo que a sociedade projecta sobre ele: um assassino da pior espécie. Mas, como muitas vezes acontece, a verdade é mais complexa. Sem família, o jovem Billy entra para a gangue de um rico proprietário do Condado de Lincoln. Lá, ele aprende a viver à margem da lei dentro de uma espécie de legalidade, até que, traído pelos seus patrões, decide finalmente escolher quem realmente é.
O Velho Oeste, ao mesmo tempo mítico e desmistificado: um mundo de ricos exploradores e pobres coitados à deriva.
E com este quinto volume, chega ao fim a série de mangá "Crianças do MAr", da autoria de Daisuke Igarashi e edição da Devir.
Seguimos esta série desde o início e por isso recordamos as outras quatro magníficas capas, para inspirar a vossa leitura.
A sinopse do quinto e último volume:
"Acompanha", assim disse a sombra que se assemelha a Sora.
Depois disso, Umi agarrou no meteorito e levou Ruka para a superfície.Tem início o evento principal, aquele por que várias pessoas e todas as criaturas, a Terra e o universo aguardavam ansiosamente. Ruka presencia sozinha esse espetáculo surpreendente.
Volume final. Termina aqui uma história grandiosa.
The Time Before
Embora com título inglês, esta é uma BD em francês como língua original, de Cyril Bonin já dele falei a propósito de outras obras e editado pela coleção Grand Angle, parte integrante da Editora Bamboo. Já tem uns anos, mas tinha-me “passado” e encontrei-a por acaso numa livraria.
Bonin é um autor curioso, completo o que ajuda a uma grande coerência entre a narrativa e a parte gráfica e inventivo no tratamento de histórias marcadas pela busca do humano, invariavelmente introspetivas.
A narrativa decorre em Nova Iorque no final dos anos 1950 e acompanha Walter Benedict, um jovem fotógrafo ambicioso, que socorre e salva um velho vendedor vítima de agressão, oferecendo-lhe este um talismã que permite voltar ao passado e alterar os acontecimentos.
Inicialmente muito cético, Walter vai testando o talismã e acaba a usar repetidamente esse “poder” para ascender socialmente e melhorar a carreira, para conquistar a mulher que ama e para evitar alguns erros pessoais.
Mas a perfeição não existe, e as circunstâncias alteram as reações dos outros. Para além do que as alterações em acontecimentos, mesmo que muito irrelevantes, têm consequências de longo prazo. Os dilemas morais demoram anos a surgir, mas são inevitáveis.
Pois é: como discutir planeamento de futuro e destino pessoal sem discutir livre-arbítrio? Como se pode escolher sem se aprender a renunciar. Muito inteligente, fantasista, mas não fantasioso, esta é uma BD que obriga à reflexão ao mesmo tempo que é muito agradável de ler, apesar de ser uma leitura pontuada de algumas angústias.
O desenho é realista, de linhas finas, elegante, luminoso, e mostra um excelente trabalho de época. Possui bons enquadramentos que ajudam ao questionamento permanente.
A ideia é apelativa, bem tratada e com vários momentos surpreendentes, desde logo o final. Uma leitura recomendável.
Estes dias têm sido férteis em boas notícias e esta deixou-nos verdadeiramente felizes. A Casterman anunciou que, uma das melhores séries de banda desenhada de sempre, o Armazém Central, vai continuar, com uma segunda temporada que nos vai levar 12 anos mais à frente na história. O primeiro volume desta série de JeanLouis Tripp e Régis Loisel, será lançado em França a 18 de Novembro e por aqui fazemos figas que a Arte de Autor continue a editar a série, com esta nova temporada.
Curiosamente esta semana JeanLouis Tripp publicou nas redes sociais que esteve recentemente três dias a trabalhar presencialmente com Régis Loisel (um mora no Canadá e outro em França), num próximo álbum da série.
A sinopse:
12 anos se passaram, e o Notre-Dame-des-Lacs foi-se abrindo pouco a pouco à modernidade: electricidade, telefone, carros... E até mesmo calçadas! Jacinthe é procurada pelo editor-chefe de um grande jornal quebequense, o "Le Canada", que deseja encomendar-lhe uma verdadeira reportagem fotográfica. Mas, sendo casada e mãe da pequena Margueritte, afastar-se de casa — mesmo para uma oportunidade tão boa — está longe de ser fácil.
Situado entre a zona rural de Quebec e o bairro operário de Saint-Henri, em Montreal, este novo álbum, que retoma o universo criado com Régis Loisel, aborda temas caros a Jean-Louis Tripp: a independência das mulheres, a vida a dois e... a exploração pós-colonial!
A ASA tem já estas três novidades em pré-venda: The Beatles em Banda Desenhada, No rasto de Blueberry e o segundo volume integral de Tintin.
The Beatles em Banda Desenhada propõe descobrir a icónica banda de outra forma. Através desta banda desenhada documental de 244 páginas, podem reviver os seus maiores sucessos, mas também descobrir anedotas muitas vezes desconhecidas. Dos Quarrymen à separação, passando pela Beatlemania, eis a história dos Beatles contada sob uma nova perspetiva! - O livro será lançado a 8 de Setembro.
Por ocasião do 60.º aniversário de Blueberry (lançamento do primeiro álbum, Fort Navajo, 1965), série de culto criada por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud, grandes autores prestam homenagem a Mike Steve Blueberry. O livro será lançado a 22 de Setembro.
O segundo volume integral de Tintin, será lançado a 8 de Setembro e contém os seguintes títulos: Os Charutos do Faraó (1934) O Lótus Azul (1936) A Orelha Quebrada (1937) e A Ilha Negra (1938).
Em breve daremos mais detalhes sobre estes três livros.
Vocês não podem ver mas estamos aos pulos de felicidade! Somos fãs desta série e estávamos com muitas saudades.
A notícia da Gradiva, divulgada hoje, acaba por ser um dois em um. Por um lado ver a Gradiva regressar à edição de banda desenhada e depois logo com Zits - Apocalipse.
Zits é uma banda desenhada dos criadores Jerry Scott e Jim Borgman que neste volume compara os adolescentes a «zombies» lentos, difíceis de comunicar e sempre com fome para retratar, com leveza e perspicácia, os desafios da relação entre pais e filhos.
Apocalipse mistura as tiras de banda desenhada clássicas com anotações e comentários dos autores. O estilo visual torna o livro leve, é ideal para ler em pequenos momentos de pausa ou para devorar rapidamente.
Tem data marcada de publicação a 2 de Setembro. Falamos do terceiro volume da série de manga, da Presença Comics, "Diários de uma Apotecária", conhecida também como série de anime na TV.
A sinopse:
Intrigas, venenos e segredos escondidos em dois mundos distintos... Não percas a Manga mais cativante do Momento!
Depois de resolver mais um caso suspeito no banquete da primavera, Maomao torna-se o centro das atenções no palácio imperial. Graças aos ornamentos de cabelo que recebeu como recompensa, tem a rara oportunidade de sair do palácio, regressando pela primeira vez em vários meses ao bairro onde cresceu.
Entre reencontros com o pai e velhos conhecidos, acaba inesperadamente envolvida num novo mistério que ameaça transformar o seu breve regresso num caso muito mais complexo do que esperava. No entanto, mesmo estando de volta ao lugar onde cresceu, depressa descobre que nem aí a tranquilidade parece possível.
Desde que estivemos com o autor Philippe Girard na Feira do Livro e assistimos à apresentação do livro no Festival de Banda Desenhada de Beja, que estávamos com curiosidade em ler este livro, editado pela ASA.
O facto de sabermos que o livro é sobre uma parte da vida de Saint-Exupéry, o autor de O Principezinho, funciona logo como um íman que nos atrai para a sua leitura e mais ainda depois de termos ouvido as explicações de Girard sobre esta sua obra.
Começamos por dizer que "O Príncipe dos Pássaros de Alto Voo" não é, de todo, uma biografia de Saint-Exupéry. É mais uma tentativa de desmontar uma imagem mítica. Philippe Girard interessou-se por mostrar o homem que existia por trás da personagem pública: uma pessoa inquieta e deprimida.
Estamos em 1942 e vamos apanhar Saint Exupéry exilado na América do Norte, afastado da França e impedido de fazer aquilo que considera ser a sua verdadeira função: combater e voar. A viagem ao Québec, inicialmente ligada a compromissos editoriais e à situação da França ocupada, torna-se uma espécie de suspensão existencial, mas que ganha importância por ter sido a ignição para a criação do Principezinho.
Sem poder voar, sente-se a sufocar e no meio da sua frustração, Saint-Exupéry revela-se aos olhos do leitor, como uma pessoa egocêntrica, conflituosa e de excessos, que só se acalma com o amor e a firmeza de Consuelo, a sua mulher.
Não é que Philippe Girard pretenda denegrir o famoso autor, mas também não é de dourar a pílula e dá-nos uma outra perspectiva do criador do Principezinho. E neste Príncipe dos Pássaros, leva-nos primeiro a conhecer o homem e só depois a sua faceta como escritor. É pois uma experiência estranha para o leitor constatar que a forma como imaginava o autor do Principezinho, como um homem sábio, humanista e delicado, podia ser romantizada, pois o que vemos é um homem instável e quase insuportável. Portanto Girard mostra-nos que uma obra humanista pode nascer de uma pessoa cheia de contradições.
Visualmente podemos dizer que o livro é um pouco "fora da caixa", com desenhos de linha clara, mas com imagens grandes, muitas pranchas de página dupla, vinhetas grandes e por vezes redondas e noutros formatos, utilização de cores fortes.
A Incrível Adele é um caso de sucesso, um êxito entre os mais pequenos e a colecção vai aumentando. "Tu aí, baza!" é o 18.º volume desta série criada por Mr Tan e Diane Le Feyer, editada em Portugal pela Bertrand.
A sinopse do 18.º volume:
Não gostas de mim? Então, baza! Achas-me demasiado estranha? Então, baza! Temos o direito de ser diferentes, não é? Por isso, se tens vontade de te divertir e de abanar um pouco o mundo, bem-vindo ao meu Clube da Malta Fixe! Vais ver que, juntos, vamos fazer coisas brutais!»
Não se metam com a Incrível Adele, porque, se há miúda decidida a não se deixar ficar, é ela! Entre as suas invenções malucas para criar um mundo à sua medida e os ajustes de contas no pátio da escola ou em casa, há uma coisa que não muda: a Adele tem sempre tempo para uma asneira ou duas!
Foi com um livro singelo, delicado e poético que Helena Sá se deu a conhecer ao mundo da banda desenhada, tendo sido distinguida com esta obra "A Solidão do Ser", com o Prémio Revelação Maia BD. A edição é d' A Seita.
Estamos perante uma história não muito grande, que se lê num ápice, pois vive muito mais pela imagem do que pelo texto. Um livro que retrata a solidão de um homem ou até do Homem, nos dias de hoje, de como mesmo num mundo cheio de gente e de estímulos, uma pessoa se pode sentir só.
Helena tem um traço elegante, que acompanha na perfeição a narrativa. Tudo tratado com uma enorme sensibilidade. As pranchas são a preto e branco, com apontamentos a amarelo, que dão destaque e vida a certos pormenores. A utilização do amarelo tem uma razão especial, como nos podemos aperceber a quem a autora dedica esta obra.
Sem nos alongarmos muito nesta nossa apreciação, podemos dizer que o trabalho desta jovem autora é promissor e que aguardamos por mais obras da sua autoria. Helena Sá é uma jovem artista visual que frequenta actualmente o mestrado de Ilustração, Edição e Impressão na FBAUP, e que explora a arte em diversas linguagens. Procura conjugar as suas grandes paixões, cinema e ilustração, com o objectivo de contar histórias e ajudar outras pessoas a contá-las para o mundo, incluindo em banda desenhada.
Apenas ainda uma curiosidade. O livro tem uma aparência artesanal o que lhe confere muita originalidade. A capa e a contracapa são de cartão muito grosso e não tem lombada com o título. Vemos os cadernos do livro cosidos e colados. Estes pormenores distinguem-no dos outros livros, podendo apenas desagradar a quem gosta de ter os livros ordenados na estante por ordem alfabética ou outra ordem.
Saiu esta semana o oitavo volume da série de manga, Blue Lock.
Neste volume:
A nova equipa formada por Isagi, Nagi e Baro prepara-se para o próximo duelo, desta vez contra Kunigami, Chigiri e Reo. Isagi sabe que a vitória dependerá da capacidade do grupo em criar uma verdadeira «reação química» entre os seus estilos de jogo.
A sintonia entre Isagi e Nagi é natural, mas Baro mostra-se incapaz de cooperar com os novos colegas… Quem sairá vitorioso deste confronto entre egos?
Tínhamos aqui esta análise em atraso, tendo em conta que o livro foi lido já há algum tempo e foi objecto de análise no Clube de BD da Fnac, do mês de Maio, no qual participámos. Gostámos muitíssimo desta aposta da Arte de Autor. O Jardim, Paris, de Gaëlle Geniller, é uma obra prima de beleza e sensibilidade.
A história passa-se em Paris, década de 1920, e acompanha Rose, um jovem de 19 anos criado num cabaret dirigido pela mãe, que se chama "Jardim". Desde criança rodeado por bailarinas, todas elas com nomes de flores, Rose tem o sonho de um dia subir ao palco e dançar, facto que para ele é tido como absolutamente natural. Portanto a narrativa tem início num ambiente perfeitamente familiar, o que leva Rose a não sentir (nem o leitor, já agora) nenhum tipo de conflito interior, nem de desconforto.
Acontece que devido a uma bailarina ter adoecido, a entrada em cena de Rose dá-se mais cedo do que imaginava e rapidamente se transforma na principal atracção do cabaret e na adoração de um cliente que passa a frequentar o cabaret só para ver Rose dançar.
Relativamente à opção de Rose, há que realçar que a obra não apresenta o protagonista como alguém que “quer ser mulher”. Pelo contrário, Rose é um rapaz que gosta de vestir-se de mulher e dançar de uma determinada maneira, mas apesar de apreciar a estética feminina, não deixa de ser um homem. Aimé, o admirador de Rose, torna-se também seu confidente e uma figura de apoio. A relação entre ambos introduz uma dimensão afectiva que não depende simplesmente da atracção física. Aliás, em toda a obra não nos é mostrado nada de explícito quanto a uma relação mais íntima.
Há muitos aspectos que nos fizeram gostar muito desta obra, mas há dois fundamentais:
- O amor incondicional da mãe de Rose. Ela e as bailarinas aceitam sem reservas o facto de Rose dançar como elas e gostar de se vestir de mulher. O ambiente entre elas é de uma verdadeira família, onde os seus elementos são solidários e se apoiam uns aos outros.
- O facto de, dentro do Jardim, verificarmos a ausência de conflitos. Ou seja, a autora optou deliberadamente por construir uma história onde se privilegia o amor incondicional, a beleza, a contemplação, a sensibilidade, a liberdade de se ser como se quer, em vez de se centrar na oposição entre as escolhas de Rose e os preconceitos da sociedade. Só vamos sentir que Rose é diferente (e ele também), quando sai do seu espaço protegido, quando entra em contacto com o mundo exterior.
Relativamente a esta questão que acabámos de referir, é importante perceber que aquilo que se possa entender como uma excessiva ingenuidade da autora, não se trata nada disso. Faz parte do projecto de Geniller ao criar o Jardim, pois o cabaret funciona quase como uma utopia, que nos permite imaginar uma sociedade diferente. E é isso que torna o livro tão bonito, a par da arte visual. É sentirmos que a sociedade seria perfeita se nos respeitássemos uns aos outros e as opções de cada um. Este livro transborda de ternura, de amor, empatia e aceitação.
A acompanhar tudo isto, visuais incríveis, com desenhos muito delicados, ambientes muito próprios dos loucos anos 20 do século passado, onde não faltam as festas, a dança, muita cor, roupas exuberantes e flores. As flores constituem uma presença fundamental, pois estão presentes nos nomes das personagens, nos figurinos, na decoração e na arquitectura.
Aconselhamos mesmo muito, a leitura desta obra onde o Jardim é um lugar onde diferentes "flores" podem crescer. Uma metáfora da diversidade, um lugar aceitação e compreensão.