sábado, 26 de setembro de 2026

A nossa leitura de Flocons, de Marc Lizano e Silki - edição Casterman


Esta é uma história intimista, de enorme delicadeza e sensibilidade sobre o luto e sobre tudo o que permanece em nós, das pessoas que partem. Flocons é da autoria de Marc Lizano (argumento) e Silki (desenho) e foi editado recentemente pela Casterman. Desde logo fomos arrebatados pela lindíssima capa e pela sinopse. Esta é a nossa leitura.

A história começa de uma forma pesada e extrema. Um casal de meia idade decide morrer junto e cometer um duplo suicídio. O cenário que escolhem para o fazer é na região montanhosa de Cauterets, no meio da neve. Depois de encontrados, os filhos são avisados e têm de ali se deslocar para fazer o reconhecimento dos corpos.

Os dois irmãos, um homem e uma mulher, iniciam então uma viagem até ao local. Embora em estado de choque e com tudo o que têm pela frente, o reencontro dos irmãos vai fazer com que ao longo do caminho revisitem memórias, falem de afectos e de feridas antigas.

Estamos perante uma história, cujo centro da narrativa é a dificuldade em compreender e aceitar as escolhas de quem amamos e enfrentar o luto. É uma obra muito delicada, que vive também de momentos de silêncio e sendo um drama, não é dada a muitos dramatismos.

O cenário da morte do casal (a neve, branca e silenciosa), desenhado por Silki, contribui muito para criar a atmosfera que transmite paz e respeito pelo que aconteceu, o que cria um contraste entre a serenidade e a violência do acontecimento.

Apesar de analisamos tudo isto e considerarmos uma obra bonita, sensível e melancólica, achamos que há alguma inconsistência no modo como os filhos lidam com a situação, por vezes parecendo em choque e muito tristes e outras vezes, quase como se o acontecimento nas suas vidas fosse banal. Há diferenças de ritmo e de intensidade no argumento e no final sentimos ali a falta de um melhor desfecho. 




Sem comentários:

Enviar um comentário