quarta-feira, 22 de julho de 2026

A nossa leitura de Como Pedra, de Luckas Iohanathan - edição Polvo

 


Este ano, tivemos o prazer de conduzir uma conversa com o autor Luckas Iohanathan, no Festival de Banda Desenhada de Beja, pelo que dias antes, lemos o livro "Como Pedra", lançado pela Polvo em Outubro de 2025, por ocasião do Festival Amadora BD.

Acabámos por ficar a conhecer um pouco mas sobre outros trabalhos do autor, como o "Enterrei todos no meu quintal", que foi lançado também pela Polvo, precisamente em Beja.

Ficámos impressionados com a maturidade do jovem autor, que apresenta em "Como Pedra", uma obra profundamente humana que aborda temas como a pobreza, a fé, o fanatismo religioso, a exclusão social e a resistência. Através da combinação entre o argumento e o desenho, Luckas Iohanathan construiu uma narrativa emocional que convida o leitor a reflectir sobre as consequências da desigualdade e sobre a capacidade humana de encontrar esperança mesmo em contextos extremamente adversos.

A história é muito triste e dura e acompanha uma família que vive no sertão nordestino, e que enfrenta a seca, a fome e a pobreza. Como se tudo isso não bastasse, o casal da família cuida também da filha mais nova, que sofre de uma doença que a impede de falar e de se mover. A falta de recursos, de apoios do Estado e do acesso a cuidados de saúde, vai fazer com que esta família seja alvo de um grupo de religiosos extremistas, onde se integra o filho mais velho do casal. A situação desta família é tão desesperante que os fanáticos religiosos se aproveitam e querem conduzi-los a tomar medidas extremas. Isso vai criar um conflito entre marido e mulher e ela, a mãe, dotada de uma outra fé inabalável, vai resistir e demonstrar que o amor de uma mãe pode tudo, mesmo quando há sua volta não há nada.

Ela, a mãe, é o centro emocional da narrativa e a sua força e o seu amor relacionam-se com o título da obra. Como Pedra é um título amplamente simbólico. Simboliza o peso que a família carrega, simboliza o sofrimento silencioso, mas acima de tudo simboliza a resistência para sobreviver e a resistência contra tudo e contra todos, no que toca a uma mãe proteger uma filha e acreditar que a sorte vai mudar.

Não é à toa que esta obra tenha recebido o reconhecimento da crítica e tenha ganho o Prémio Jabuti na categoria Histórias em Quadrinhos. Como Pedra é um relato forte e poderoso, muito intenso e que não deixa ninguém indiferente.

Depois desta leitura, esperamos vir a ler outras obras do autor, que continuam a ser aclamadas e premiadas.


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