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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

A nossa leitura de "Mukanda Tiodora", de Marcelo d'Salete - edição Polvo


O livro é de 2024 e foi editado pela Polvo, mas só agora nos dedicámos à sua leitura. Mukanda Tiodora, de Marcelo D'Salete já se anunciava como uma boa leitura, tanto pela qualidade dos desenhos como pela sinopse e assim foi.

A narrativa decorre na cidade de São Paulo, no Brasil, em meados do século XIX e a protagonista é uma negra, Tiodora da Cunha Dias, uma mulher escravizada que vive com o objectivo de conseguir obter a sua carta de alforria e também de reencontrar o seu marido. Porém, Tiodora não sabe ler nem escrever, mas considera que a palavra escrita é poderosa, pelo que pede ajuda a quem sabe para redigir, para lhe escrever várias cartas (Mukandas) e a quem é corajoso e tem boa vontade para as fazer chegar aos destinatários, neste caso as cartas são dirigidas ao seu marido Luís, ao filho Inocêncio, ao Cónego ou ao irmão do seu Senhor/"proprietário". As coisas não correm bem na casa onde é escrava e a tão almejada liberdade tarda em chegar.

Uma história bem contada, com um contexto histórico interessante, onde muitas vezes nem são necessárias palavras, pois as expressões das personagens, de medo, sofrimento, espanto ou tristeza, são muito bem conseguidas pelo traço de Marcelo d'Salete.

A cereja no topo do bolo é um dossier no final do livro, que contem não só a cronologia dos factos da luta contra a escravidão em São Paulo, como fotografias da década de 1860. Também tem ainda fotografias das várias cartas enviadas por Tiodora e a transcrição das mesmas.






segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Lançamentos da Polvo no Amadora BD

Este fim de semana, a editora Polvo realizou dois lançamentos no festival Amadora BD, que contaram com a presença dos autores. Trata-se de "Angola Janga", do brasileiro Marcelo D'Salete e "Maria e Salazar", do francês Robin Walter. Eis as capas e as sinopses.
Maria e Salazar conta ainda com uma exposição no piso -1 do Fórum Luís de Camões, uma das mais bonitas desta edição do festival. Tivemos o privilégio de conhecer o autor e de obter o magnífico autógrafo que aqui mostramos.





Com a venda da casa familiar de Champigny-sur-Marne, pelos pais de Robin Walter, chegou o momento da despedida de Maria, a sua empregada durante mais de trinta anos. Que irá agora Maria fazer, ela que foi de Portugal para França com o seu marido há algumas décadas, como milhares de compatriotas, fugindo assim ao regime de Salazar? Através das suas memórias, o narrador desta obra descreve de forma aturada e precisa como foi a mais longa ditadura da história moderna da Europa ocidental e a imigração portuguesa, em massa, que daí resultou.




Angola Janga, “pequena Angola” ou, como dizem os livros de história, Palmares. Por mais de cem anos foi como que um reino africano dentro da América do Sul. E, apesar do nome, não era tão pequeno como isso: Macaco, a capital, tinha uma população equivalente à das maiores cidades brasileiras da época. Formada no fim do século XVI, em Pernambuco, a partir dos mocambos criados por fugitivos da escravidão, Angola Janga cresceu, organizou-se e resistiu aos ataques dos militares holandeses e das forças coloniais portuguesas. Tornou-se o grande alvo do ódio dos colonizadores e um símbolo de liberdade para os escravizados. O seu maior líder, Zumbi, transformou-se numa lenda e inspirou a criação do Dia da Consciência Negra.