sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

A nossa leitura de "Mukanda Tiodora", de Marcelo d'Salete - edição Polvo


O livro é de 2024 e foi editado pela Polvo, mas só agora nos dedicámos à sua leitura. Mukanda Tiodora, de Marcelo D'Salete já se anunciava como uma boa leitura, tanto pela qualidade dos desenhos como pela sinopse e assim foi.

A narrativa decorre na cidade de São Paulo, no Brasil, em meados do século XIX e a protagonista é uma negra, Tiodora da Cunha Dias, uma mulher escravizada que vive com o objectivo de conseguir obter a sua carta de alforria e também de reencontrar o seu marido. Porém, Tiodora não sabe ler nem escrever, mas considera que a palavra escrita é poderosa, pelo que pede ajuda a quem sabe para redigir, para lhe escrever várias cartas (Mukandas) e a quem é corajoso e tem boa vontade para as fazer chegar aos destinatários, neste caso as cartas são dirigidas ao seu marido Luís, ao filho Inocêncio, ao Cónego ou ao irmão do seu Senhor/"proprietário". As coisas não correm bem na casa onde é escrava e a tão almejada liberdade tarda em chegar.

Uma história bem contada, com um contexto histórico interessante, onde muitas vezes nem são necessárias palavras, pois as expressões das personagens, de medo, sofrimento, espanto ou tristeza, são muito bem conseguidas pelo traço de Marcelo d'Salete.

A cereja no topo do bolo é um dossier no final do livro, que contem não só a cronologia dos factos da luta contra a escravidão em São Paulo, como fotografias da década de 1860. Também tem ainda fotografias das várias cartas enviadas por Tiodora e a transcrição das mesmas.






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