quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

A nossa leitura de Something is Killing the Children - Volume 1 - edição Devir

 


Terror não é muito a nossa praia, mas houve qualquer coisa neste livro que nos cativou, talvez mesmo o conjunto do título com a imagem da capa. O facto é que começámos a ler e ficámos agarrados à história e parece que não foi à toa que esta obra foi já multi premiada e conquistou muitos leitores e críticos em todo o mundo (mais de 4,5 milhões de exemplares vendidos globalmente, traduções em mais de dez idiomas e uma adaptação televisiva em desenvolvimento).

Este é o primeiro volume de Something is Killing the Children e foi editado pela Devir. Trata-se de uma narrativa de terror, que por um lado é simples em termos de estrutura, mas ao mesmo tempo tem um grande impacto emocional. A história inicialmente parece pouco original - crianças desaparecem e são encontradas mortas numa pequena cidade — mas rapidamente troca-nos as voltas, ao revelar que os responsáveis pelas mortes são monstros invisíveis aos adultos, perceptíveis apenas pelas crianças. E esse caminho faz logo toda a diferença, pois estabelece uma tensão simbólica entre infância e maturidade, imaginação e descrença, verdade e negação.

A protagonista é Erica Slaughter, que é introduzida na história de forma enigmática. A sua presença é disruptiva e misteriosa: ela sabe mais do que diz, age com frieza e aparenta estar deslocada tanto moral quanto emocionalmente do mundo à sua volta. O tom de mistério deixou-nos na expectativa do próximo volume para conhecermos melhor esta personagem que, ao que parece, tem um passado traumático e uma relação ambígua com o próprio conceito de proteção infantil. Junto com ela vai estar uma criança, um rapaz que escapou de um ataque que vitimou os seus amigos. Como sobreviveu, torna-se suspeito, principalmente quando começa a ser visto na companhia de Erica, que é tida mais como uma ameaça do que como uma boa companhia.

O livro tem momentos de violência explícita, mas consegue ao mesmo tempo ser assustador e belo, em algumas passagens até ternurento. Mas o horror não reside apenas nos monstros em si, mas sobretudo na incapacidade dos adultos de reconhecerem o perigo real. A obra utiliza essa cegueira como crítica à tendência social de desvalorizar a voz das crianças. O medo infantil é sempre desvalorizado e tido como um exagero.

Portanto este primeiro volume, deixa muitas pontas soltas, como a origem dos monstros, o passado de Erica e sob que comando ela trabalha, deixou-nos a desejar continuar a leitura desta série.





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