sábado, 24 de janeiro de 2026

A nossa leitura de O Castelo dos Animais 4 - O Sangue do Rei - edição Arte de Autor


"O homens partiram. No Castelo, restam apenas os animais: galinhas, cabras, burros e ovelhas, que se matam a trabalhar para o prestígio do Presidente Sílvio e da sua cruel milícia de cães. A ditadura e o terror reinam... A não ser que alguns animais decidam começar a resistir.", in O Castelo dos Animais 

Quando em 2019 recebemos e lemos o primeiro volume de Le Château des Animaux, editado pela Casterman, tínhamos a certeza que alguma editora em Portugal iria publicá-la, pois a qualidade da história e do desenho não podia passar despercebida, tendo sido em 2020 a Arte de Autor quem ganhou a corrida na edição em português.

Para nós este último O Castelo dos Animais 4 - O Sangue do Rei, de Xavier Dorison e Félix Delep, tem um forte e marcante final para uma série de banda desenhada que utiliza a fábula animal para refletir sobre a sociedade humana, e que cada vez mais impera por todo o mundo, não faltando vários exemplos na actualidade, infelizmente. Mas de referir que este último volume intensifica o tom político da narrativa e coloca em destaque temas como o abuso de poder, a manipulação das massas e a dificuldade de alcançar uma verdadeira justiça.

Ao longo da história, o leitor acompanha o momento decisivo da luta contra o regime autoritário do touro Sílvio, que aparentemente tem como promessa a democracia, mas que se  revela frágil, mostrando como eleições e discursos podem ser usados como instrumentos de controlo e poder. Do lado contrário a gata Miss M. que tudo fará para combater e ter ao seu lado mais apoiantes para transformar e levar a democracia a todos os animais de uma forma justa. 

Algumas opiniões de leitores e que elogiam esta abordagem crítica, considerando-a actual e relevante, sobretudo pela forma subtil como denuncia mecanismos de opressão comuns a várias sociedades.

A nível visual, o desenho de Félix Delep é um dos aspetos mais elogiados pela crítica . O traço expressivo e a atenção aos detalhes permitem que as emoções das personagens sejam facilmente compreendidas, mesmo sem grandes diálogos. A escolha de representar personagens humanas através de animais reforça o impacto simbólico da obra e torna a leitura acessível, mas ao mesmo tempo muito profunda.

Apesar de ser o volume mais sombrio e emocionalmente intenso em nossa opinião, este volume final de O Sangue do Rei é visto como uma conclusão coerente e necessária. Internacionalmente, destacamos que o final não oferece soluções simples, mas sim uma reflexão sobre o custo da liberdade e a responsabilidade colectiva na construção de uma sociedade mais justa e melhor.

Para concluir esta extraordinária série de O Castelo dos Animais, este volume encerra-se de uma forma madura e provocadora. Mais do que uma simples banda desenhada, é uma obra que convida o leitor a pensar criticamente sobre o poder, a resistência e o papel de cada um de nós perante a injustiça, o que explica o seu forte impacto com a realidade.

É por tudo isto que para nós este O Castelo dos Animais é um dos três melhores livros editados em 2025! Imperdível e recomendado! 



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