terça-feira, 27 de janeiro de 2026

A nossa leitura de Saga - volume 12 - edição G. Floy

 



Mesmo com o passar dos anos, Saga, da autoria de Brian K. Vaughan e Fiona Staples, numa edição da G. Floy,  continua a ser uma série de banda desenhada  ambiciosa e emocionalmente complexa do panorama da BD actual. No entanto, este volume destaca-se menos pelo seu impacto imediato e mais pela sua função dentro de uma narrativa longa, madura e deliberadamente paciente.

Após a longa pausa editorial da série, o regresso ao universo de Saga não procura chocar nem reinventar-se. Pelo contrário, este volume 12 aposta na continuidade ou seja no aprofundamento psicológico das personagens e na consolidação de temas que sempre estiveram no centro da obra, como a família, o trauma, o crescimento e as consequências da guerra. Esta opção pode dividir os leitores, mas achamos que revela uma clara maturidade criativa.

Do ponto de vista narrativo, este volume é mais introspectivo do que explosivo. A acção continua a existir, mas não é o denominador comum. O foco está nas relações, nas escolhas difíceis que tem de ser tomadas e no peso do passado sobre o presente, especialmente através da perspectiva de Hazel, cuja voz narrativa se torna cada vez mais significativa. Para alguns dos leitores, este ritmo mais lento pode parecer frustrante, mas para outros é precisamente essa contenção que torna a história ainda mais humana e realista.

O desenho de Fiona Staples continua a ser um dos grandes pilares da série. A expressividade com que desenha as personagens, o uso da cor e a clareza visual transformam momentos simples em cenas emocionalmente poderosas. Mesmo quando o enredo parece funcionar como preparação para algo maior, a componente visual garante envolvimento e impacto.

É verdade que este volume de Saga não tem o mesmo impacto e efeito devastador de outros volumes anteriores, nem apresenta grandes reviravoltas. Ainda assim, avaliá-lo apenas como uma história “de transição” seria redutor. Este volume demonstra que Saga não vive apenas de choques narrativos momentâneos, mas de uma construção consistente e cuidadosa de um mundo e das pessoas que o habitam.

Em conclusão, Saga - vol. 12 é um livro que pode recompensar os leitores mais pacientes e atentos à série. Sinceramente não é o ponto mais alto da série, mas é um capítulo necessário e importante, que reforça a identidade de Saga como uma obra que cresce ao mesmo tempo que os seus leitores. 

Mais do que impressionar, este volume prepara, aprofunda e promete uma série longa e de continuação, num sinal de confiança e maturidade artística para com os seus seguidores e leitores.



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