Anaïs Nin - No Mar das Mentiras, da autora e ilustradora suiça Léonie Bischoff é o 6.º título da colecção Angoulême, editada pela Devir, tendo sido esta novela gráfica distinguida com o Prémio do Público no Festival do ano de 2021. Um prémio bem merecido, tendo em conta não só o argumento, mas também do ponto de vista visual, com desenhos que nos encantaram.
Publicada originalmente em 2020, pela Casterman, esta novela gráfica centra-se num período decisivo da vida de Anaïs Nin, por volta dos anos 1930, altura em que a escritora viveu em Paris, numa época, por um lado de intensa actividade artística, mas também de profundos conflitos íntimos por parte da escritora.
Este livro não se trata de uma biografia linear. O que Bischoff nos apresenta é um retrato subjetivo e psicológico de Anaïs Nin, inspirado nos seus diários, cartas e escritos autobiográficos. Anaïs Nin era uma mulher fora da caixa, muito à frente do seu tempo, de uma enorme ousadia, que ficou conhecida pela sua criação literária passar pela sensualidade e erotismo.
Depois de termos visto o filme Henry June (1990), foi interessante procedermos agora à leitura deste livro sobre Anaïs Nin, uma vez que o argumento do filme foi baseado nos seus diários. Aqui, na novela gráfica, está bem patente a relação de Anaïs Nin com Henry Miller e com a mulher deste.
O que também está muito bem escrito e desenhado é o dilema constante em que Anaïs vive, por um lado amando o seu marido e não o querendo magoar nem trair, o que acaba por acontecer repetidas vezes. É também aqui explorada a sua sexualidade transgressora e a relação incestuosa com o seu pai.
Anaïs enreda-se cada vez mais nas suas mentiras e daí o título deste livro. O mar aqui a retratar a instabilidade da sua vida. Mas esta obra é um pouco mais abrangente e vai nais longe do que a temática do erotismo e da sexualidade. Acaba por tocar na temática da condição da mulher no início do século XX, uma vez que Anaïs tenta romper com papéis tradicionais e com as expectativas da sociedade onde não se encaixa.
Agora umas palavras sobre o desenho que nos encantou. A arte de Léonie Bischoff é delicada, expressiva e profundamente simbólica. Os desenhos são fluídos, de cores suaves, quase oníricos, utilizando lápis de cor. Gostámos particularmente do uso da cor pra transmitir estado emocionais e mudanças psicológicas.
Até agora um dos livros que mais gostámos desta colecção. Recomendamos!





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