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sábado, 11 de abril de 2026

Novidade A Seita: série Nevada está de regresso com o volume três - Blue Canyon

 

Depois de A Seita ter editado os dois primeiros volumes, A Estrela e Estrada 99, a série Nevada, da autoria de Fred Duval, Jean-Pierre Pécau, Colin Wilson, é editada este volume 3 intitulado Blue Canyon.

Esta é uma série que o Juvebêdê acompanha com alguma atenção, pois em 2023 (!!) o Miguel Cruz deu aqui a sua "boa" opinião sobre a série e do volume 4 - Jack London e que podem aqui ver em  https://juvebede.blogspot.com/2023/03/a-opiniao-de-miguel-cruz-sobre-nevada.html

Por isso é uma série a acompanhar!

A história

Nevada Marquez oscila entre dois mundos: o das recordações das conquistas do Oeste e um outro, mais impiedoso, de Hollywood e da indústria cinematográfica acabada de nascer. Encarregue das missões difíceis e dos negócios sujos dos Estúdios, Nevada deve acompanhar Mac Nabb, a “estrela solitária” numa viagem a cavalo para se juntarem às filmagens do seu novo Western no Monument Valley. O problema é que a estrela não honrou uma grande dívida de jogo e a Máfia de Chicago está na sua trilha, disposta a tudo para fazer de Mac Nabb um exemplo. O regresso de uma nova série que já se tornou um clássico da BD franco-belga, Um título que nos transporta para um mundo de aventuras pulp no Oeste americano nos primórdios da indústria do cinema, nos anos anteriores aos da Grande Depressão.

Os autores

Fred Duval é um dos mais prolíficos argumentistas da BD A2:Z7-belga contemporânea, com inúmeras séries editadas em várias editoras, entre as quais podemos destacar Carmen McCallum ou Travis, bem como dramas históricos como Hauteville House. 

Jean-Pierre Pécau já trabalhou noutras histórias com Fred Duval, nomeadamente em Jour J, e é o autor da série L’Histoire secrète, o seu best-seller. Os dois escritores uniram forças a Colin Wilson, um artista neo-zelandês que depois de iniciar a sua carreira no mercado britânico, para publicações como a 2000AD, se tornou conhecido como desenhador da série A Juventude de Blueberry. 

Wilson continua a trabalhar regularmente para o mercado francês, mas desenhou também recentemente histórias para os comics de Star Wars.



quinta-feira, 20 de junho de 2024

A opinião de Miguel Cruz sobre Les Nouvelles Aventures de Bruce J. Hawker - T.1, de Bec e Puerta e Thorgal Saga T.2 - Wendigo, de Duval e Rouge


O Retorno de Bruce J. Hawker T.1

As novas aventuras de Bruce J. Hawker encontraram o caminho das livrarias de língua francesa no final do passado mês de abril. Já as “antigas aventuras de” Bruce J. Hawker constituem uma obra-prima da BD franco belga, pelo menos para todos aqueles que gostam de aventuras marítimas, barcos bem desenhados, combates navais, Royal Navy versus Real Armada Espanhola, finais do sículo XVIII, início do século XIX. 

Bruce J. Hawker, uma obra do nosso bem conhecido (William) Vance (dizem que esta era a sua obra preferida, eu cá não posso confirmar), com sete tomos publicados entre 1985 e 1996, é agora recuperado para as páginas de uma BD, para o comando do navio Lark, e para uma nova aventura.

Nesta aventura, Bruce e a sua tripulação vão ser confrontados com a história dos cavaleiros templários, há muito tempo desaparecidos. Bruce é um comandante seguro, alguns dos seus homens estão sempre perto de um “motim”, as aventuras em que se envolvem têm contornos estranhos. Agradável de ler, este tomo resume no início o historial de Buce J. Hawker e pode, sem perda de contexto, ser lido independentemente do resto da série, ou se quiserem, da anterior série.

O experiente argumentista Christophe Bec pensou inicialmente em recuperar, com base em notas que lhe foram disponibilizadas pela família de Vance, uma aventura que o saudoso autor estaria a preparar como tomo 8 da série. William Vance nunca chegou a preparar o tomo oitavo, primeiro pelo tempo que teve de dedicar à série XIII, de grande sucesso comercial, e depois pela sua doença (Parkinson). No entanto, Bec acabou por imaginar uma história sua, tentando respeitar integralmente o personagem de Vance.

O desenhador escolhido foi o espanhol Carlos Puerta, dono de um desenho “ultrarrealista”, muito fotográfico, absolutamente fantástico na perfeição, coloração, expressões e detalhe, apesar de acarretar perdas ocasionais de espontaneidade e movimento. O efeito do seu desenho é angustiante e opressivo nos momentos certos (até na capa), e traduz adequadamente a atmosfera pesada que caracteriza a maior parte das páginas, que caracteriza a relação entre personagens. O seu desenho não tem nada a ver com o desenho original da série, e essa foi uma opção – diferente de muitas séries retomadas – que me parece sensata e vencedora.

Uma aventura que retoma um clássico da BD, mas que tem alma própria, gera interesse autónomo, e em que o valor acrescentado por cada um dos autores é positivo. Editado pela Lombard, as opções e risco editoriais são dignos de nota.






Thorgal Saga T.2 - Wendigo

Segundo tomo da mais recente série-derivada de Thorgal: Thorgal Saga, Wendigo revela-se uma boa surpresa, mantendo uma qualidade interessante e uma imaginativa escolha de assunto para um one shot, que caracterizavam o tomo 1 da responsabilidade de Robin Recht.

Para este tomo dois, a aventura é conduzida a quatro mãos: o bem conhecido Fred Duval (em Portugal tivemos recentemente editado Nevada, também de sua autoria) no argumento e o gradualmente cada vez mais conhecido Corentin Rouge (autor da série Rio e co-autor de Go West Young Man, ambos editados no nosso país), que esteve em Portugal no ano passado.

Pretendendo ser, cronologicamente, uma sequência do tomo 13 – Entre Terra e Luz - e anterior ao tomo 14 - Aaricia – Wendingo tem início com a viagem de retorno do continente americano de Thorgal e da sua família. Atacados por um cardume de monstruosos peixes, os nossos heróis são recolhidos por uma tribo nativa americana que, para salvar Aaricia, gravemente ferida, obriga Thorgal a enfrentar uma outra tribo inimiga e mil outros perigos, entre os quais Wendigo, monstro devorador de homens.

A história é fantasiosa, mas interessante e coerente, respeitando todos os elementos que fizeram de Thorgal uma das séries de maior sucesso da BD Franco-Belga. O desenho e a cor são, também, fiéis aos da série mãe, sendo que o desenhador Rouge aproveita para nos apresentar vários “grandes planos”, paisagens espetaculares e cenas de ação notáveis, como testemunho de uma desenvoltura técnica e virtuosismo.

Quanto a Thorgal, este continua a ser a personagem central, um herói inteligente, combatente feroz, dotado de uma resistência física e de uma força anímica notáveis.

Editado pela Lombard, companhia detentora dos direitos do Viking Thorgal, este novo opus de uma já longuíssima série – ou melhor, conjunto de séries – não envergonha os melhores álbuns da dupla Van Hamme e Rosinski, e constitui uma leitura agradável. 

O sucesso da Thorgal Saga tem sido grande, razão pela qual a editora já anunciou o terceiro tomo, que será desenhado por Surzhenko. Aparentemente o argumento será da responsabilidade de Yann. Se assim for, será recomposto o duo responsável pela série derivada: A juventude de Thorgal. Aguardemos para ver.




quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

A opinião de Miguel Cruz sobre: "Thorgal Saga - Adieu Aaricia - t.1", de Recht e "Nympheas Noires", de Duval e Cassegrain



Adieu Aaricia

Já, quer aqui, quer na revista, tinha falado sobre a série Thorgal e sobre os seus spin-Offs. Também já tinha declarado ser um fã de primeira hora da série original, que conta mais de 20 tomos de grande qualidade que permitiram construir um universo consistente e excecionalmente bem imaginado. 

A editora Lombard acaba de fazer sair um primeiro tomo de uma nova série que foi designada por Thorgal Saga. Em bom português chama-se fazer render o peixe.

Esta nova série/saga não constitui uma ideia inovadora, pois o seu objetivo, à semelhança do que foi feito, por exemplo com Spirou, é o de convidar diferentes autores para apresentar um álbum, uma história possível, do Universo Thorgal. Cada autor assume, assim, a função de skald (uma espécie de bardo, poeta ou contador de histórias escandinavo).

Apesar do “olhar de través” que este tipo de exploração do sucesso nos deve merecer, não há dúvida de que esta BD, primeiro tomo da Thorgal Saga, merece a nossa atenção, na conjugação da qualidade do argumento, e da excelência do desenho.  

Robin Recht assume a responsabilidade de autor completo para esta primeira narrativa, e fá-lo, na minha opinião, com sucesso. Em tempos desenhador de Conan le Cimmérien e do Terceiro Testamento, o desenho de Recht tem provas dadas de qualidade no domínio do fantástico e da Heroic Fantasy. O seu desenho é bom, mantém fidelidade aos cânones da série original, reproduz fielmente, mas com naturalidade, rostos e expressões, captura o essencial de emoção e intensidade que fizeram o sucesso da série. O conjunto é muito agradável.

Quanto ao argumento, a ideia é boa, bem executada, com q.b. de fantástico, e constitui uma entrada forte numa nova série que facilmente poderia constituir um falhanço. E, no entanto, a sua premissa base é das mais arriscadas: uma viagem no tempo. Um Thorgal idoso não consegue ultrapassar a morte da sua amada Aaricia. Aproveitando a situação, a pérfida serpente Nidhogg (que vive em Niflheim, o mundo inferior nórdico) propõe a Thorgal o anel de Ouroboros para voltar atrás no tempo, o que aquele irresponsavelmente aceita (apesar de já se ter encontrado com a serpente noutras aventuras e a experiência não ter sido a melhor…não aprende, o rapaz!), sem se aperceber (ou querer aperceber) das consequências da sua decisão. Não deixa de ser engraçado ver um Thorgal idoso a confrontar um Thorgal jovem com a sua impetuosidade…

As personagens que bem conhecemos, nomeadamente Thorgal, Aaricia, o seu pai e o seu irmão, são muito bem retratados. As personagens novas são introduzidas com critério. O conjunto da história é muito interessante para quem é um fã do universo Thorgal. E é isso, uma leitura agradável, um bom albúm, mas não posso deixar de referir a minha opinião de que já não há muito a acrescentar à saga de Thorgal. 




Nympheas Noires

Uma adaptação com caráter literário, de uma obra literária de Michel Bussi. Após ter lido a adaptação em BD investiguei o autor adaptado, e confesso a minha vontade de ler a versão original. Esta boa indicação da qualidade da adaptação – o que, como sabemos, nem sempre é bem conseguido – fica já como ponto de partida deste comentário.

A base da história é a investigação de um estranho assassinato ocorrido em Giverny – sim, o bem conhecido refúgio de Claude Monet, hoje destino turístico dos amantes das obras impressionistas em geral e do trabalho de Monet em particular. O título Nymphéas Noires é traduzível para português como Nenúfares Negros.

Um possível quadro de Monet com Nenúfares de cor negra, realizado perto da data da sua morte, constitui, efetivamente, um indício na investigação em curso, conduzida, pelo menos parcialmente, por um inspetor que comete o erro de se apaixonar por uma professora que é suspeita de ter sido amante do assassinado. Como o seu principal suspeito era o marido da professora e o motivo ciúmes, compreenderão, com facilidade, porque razão teve de se afastar e a investigação ficou perturbada.

Há três personagens femininos que acompanhamos ao longo da BD, e que sabemos que serão centrais no desenrolar da história (mas não sabemos como). Uma primeira, idosa, que é má. Uma segunda, a referida professora, mentirosa. Uma terceira, uma miúda de 11 anos com jeito para a pintura, egoísta.
A primeira é, no essencial, a narradora da história, e por ela temos antecipado outros graves acontecimentos, incluindo uma outra morte. Qual o papel de cada uma destas três mulheres, e das suas relações pessoais, das invejas e ciúmes que geram, no caminho para o crime? Qual a relação deste assassinato com um outro de um miúdo, no mesmo local, cerca de 15 anos antes? Qual a relevância de um concurso de pintura relativo a Monet, que tem como prémio uma bolsa para estudar no estrangeiro, para o desenrolar desta história?

Toda a teia de relações entre personagens e acontecimentos acaba por ser revelada, de forma surpreendente mas credível, com um argumento que provoca o leitor, mas que o mantém no escuro durante a grande maioria da obra. O responsável pelo argumento é Fred Duval, autor de já muitas obras publicadas e de quem, recentemente, tivemos a série Nevada publicada em Portugal.

O desenho, de Cassegrain, é elegante, e a composição das páginas, mesmo as mais violentas, é feita como se tratasse de uma sequência de cartas postais, de cores ténues e agradáveis, de Giverny, com um traço que, por vezes me recorda Miguelanxo Prado. Editado pela Dupuis.