sábado, 29 de novembro de 2025

A nossa leitura do terceiro volume de "Crianças do Mar", de Daisuke Igarashi - edição Devir

 


Cada vez gostamos mais desta série de manga, Crianças do Mar. Concluímos a leitura do terceiro volume (no total são cinco volumes) desta obra de Daisuke Igarashi, editada pela Devir e consideramos muito importante esta parte da história, tendo em conta que consegue aprofundar um pouco mais sobre os mistérios da série, além de que a conexão cósmica e oceânica é cada vez maior.

Nesta terceira parte, e depois do desaparecimento de Sora, nas profundezas do mar, Ruka tem consigo (no seu corpo) o "meteorito" que Sora lhe deixou. Junto com Umi e Anglade, partem rumo ao oceano guiados por esse meteorito, que faz Ruka ter visões do passado não só de Sora e Umi, como também de Jim e Anglade e a faz entender as reais intenções de cada um.

Aos poucos tudo começa a fazer um pouco mais de sentido, através dessas memórias guardadas pelo mar, a que Ruka tem acesso nas suas visões. Nesse regresso ao passado surge uma nova protagonista, uma espécie de médica/curandeira com alguns poderes, que ajuda Ruka e também os leitores a conhecerem as motivações de Anglade e Jim.

Nesta história tão misteriosa como bonita, o facto de Ruka ter agora dentro dela um fragmento do meteoro, intensifica a ligação entre o mar e o cosmos. O mar revela-se quase como um ser vivo, com memória. E começamos a perceber que Sora e Umi são muito mais do que nos pareciam inicialmente. Não são só crianças que nasceram no mundo aquático. Levam-nos para outras dimensões que oscilam entre o misticismo e a ciência. E essa junção entre a natureza e a ciência, entre a responsabilidade ambiental e a mitologia que fazem desta série uma referência no que toca ao género mangá.

A somar a tudo isto temos desenhos incríveis, de uma beleza contemplativa, quase como poesia desenhada em algumas das páginas, que acentua a profundidade emocional da história. O mar, as suas criaturas, as paisagens, tudo nos reporta para um ambiente a tocar o onírico.

O único senão é alguns aspectos demasiado abstratos, que deixa os leitores sem respostas. Mas isso não é totalmente mau, porque é sinal que nos deixa sequiosos dos próximos volumes.






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